Parmerista!
   
 
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9 de fevereiro de 2010

Prosseguindo o raciocínio

Arquivado em: Especulações, Futebol, Jogadores — conrado @ 1:19

No dia 21 de janeiro, começamos a desenvolver uma análise de como o elenco estava sendo montado para o ano de 2010. Demos uma passada em cada setor do time, e demos alguns palpites no que ainda precisaria ser feito para que o elenco do Palmeiras para este ano continuasse forte e competitivo, vislumbrando até uma melhora na qualidade.

Passadas quase três semanas, ninguém foi contratado oficialmente, mas temos clara sinalização que teremos dois reforços chegando esta semana: Velazquez e Lincoln. Dois dos três jogadores da base que subiriam – Fernando e Mayko – ainda não foram alçados ao time de cima. Em compensação, Anselmo e Gualberto acabaram aparecendo, e bem, principalmente o segundo.

No meio, a chegada iminente de Lincoln nos faz ter a esperança de um elenco mais robusto em caso de necessidade. E na frente, William foi testado e não agradou. Não adianta tapar o sol com a peneira, se a idéia é fazer o time forte, não se pode segurar jogadores com tão pouco a oferecer no elenco. E Lovinho, conforme antecipado, era rojão molhado. Continuamos com Lenny e Robert, e agora Velazquez.

Seguindo o raciocínio, vamos aos quadros:


Vamos partir sempre do princípio que o time do ano passado era muito bom – e era mesmo, senão não teria feito a campanha que fez. Perdeu o campeonato por detalhes, todos viram o quanto estava ganho. Não foi por falta de qualidade crônica, foram episódios isolados que causaram o fracasso. Repetindo: o elenco era muito bom. Não excepcional, nem fora-de-série, nem imbatível. Mas muito bom, o suficiente para brigar com qualquer outro do país, que é o que sempre se espera do Palmeiras.

No gol, nada mudou. Na defesa, trazendo um para ser titular, o aumento de qualidade terá sido gritante. Mesmo subindo mais um menino da base, o Mayko ou o Wellington, por exemplo, teremos um ganho concreto. Nada pode ser pior que o Paulo Miranda. Nas laterais, as saídas de Jefferson e Henrique foram bem repostas. E para a cabeça de área, as chegadas de Edinho e Marcio Araujo já compensaram com folgas as saídas de Jumar e Edmilson. E ainda houve o reforço do Anselmo. Donde se conclui que em todos os setores da retaguarda houve manutenção ou melhora na qualidade.

Com uma defesa sólida, fica mais fácil montar um ataque consistente. E a base é a mesma do ano passado: CleitonX e Diego Souza. A primeira mudança é a troca de Willians por Lincoln, se chegar mesmo. Incógnita. Está com 31 anos e está parado há bastante tempo. Mas já teve seus bons momentos. Assim como tiveram Kleber, Edmilson e Mozart. Uns dão certo, outros mais ou menos, outros dão errado. Mas Willians, apesar do ótimo começo – quando Kerlington ainda era o centroavante – caiu demais de produção. Lincoln, se for mal, não deve ser pior que Willians. E Marquinhos está encostado, e qualquer um pode substituí-lo melhor. Até um moleque da base. Mas é claro, esperamos um reforço consistente. Subir um da base nessa lacuna seria um tapa-buraco pouco ambicioso.

E o ataque, com a chegada de Velazquez, supre a saída de Ortigoza. Parece que pode ser um substituto à altura. Mas as saídas de Love e Obina continuam sem reposição. William, sorry. Torcemos, mas não deu. Então ainda precisamos de um NOVE-NOVE pro lugar do Love, e de mais um pra compor o elenco, e não precisa ser muito bom pra bater o nível do Obina.

***

Resumo da ópera: confirmando-se as chegadas de Lincoln e Velazquez, ficam faltando ainda, de forma urgente, um atacante de respeito, e um zagueiro pra ser titular, além de dois reforços menores, para as meias e para o ataque. Conseguindo isso, teremos uma notória melhora em todos os setores do time em relação ao do ano passado. Que era muito bom, mesmo com esse monte de perna-de-pau que foram dispensados. Na verdade, era um time titular muito bom. E para 2010 buscou-se melhorar as deficiências do time titular e também do banco, com promoções e contratações não tão badaladas – e por isso injustamente criticadas.

Existem ainda duas variações para a montagem desse elenco:
a) Edinho seria efetivado na zaga, o que dispensaria a necessidade da contratação de outro zagueiro com status de titular. Neste caso, Marcio Araujo seria o segundo volante, não tão pegador, mas que sairia mais pro jogo. Admito que não tenho tanta confiança nesse jogador pra isso, pelo que mostrou até agora.
b) O time poderia jogar num 4-5-1, com Diego Souza flutuando entre a meia e o ataque. Neste caso, Velazquez não seria o homem de referência, e seria reserva. A vaga do NOVE-NOVE permanece aberta e essa continua sendo nossa maior prioridade. De qualquer forma, nessa configuração, é necessário ter mais um meia com cacife pra ser titular, porque é pouco provável que Lincoln ou Sacconi aguentarão essa carga.

O time está se desenhando, e tudo indica que será melhor que o do ano passado. Os quadros que ilustram este post pretendem eliminar qualquer dúvida. Um olhar mais amplo e calculista se faz necessário neste momento, onde vimos o time entrar num Derby totalmente desfigurado e a impressão imediata era de total abandono e de carências infinitas. O que não corresponde à verdade, como tentamos demonstrar aqui.

Por isso, o torcedor palmeirense ajudará bastante se continuar tendo paciência até que as contratações que faltam se concretizem, e se cobrar a diretoria na medida certa, com inteligência, sem chiliques a cada notícia de contratação frustrada, porque esse tipo de tumulto não ajuda em nada. O tempo está passando, mas sabemos que todos estão trabalhando bastante e que as soluções devem aparecer. E como já tentamos raciocinar junto com os leitores, chegar em abril com o elenco montado e forte é bem melhor do que contratar qualquer um agora só pra acalmar os mais desesperados. Acho que manter o bom humor é a melhor saída. Primeiro que é mais divertido, segundo que atrapalha menos. As sacadas com o gerente Toninho “Descartes” Cecilio são hilárias. Bem mais divertidas e inteligentes que as cornetadas estúpidas e raivosas que vemos em alguns fóruns e sites por aí.

Ainda acredito num 2010 muito bom para nós.

***

Prezada diretoria, fechem de uma vez com o Lincoln e com o Velazquez. Já pensou como vai ficar o leitor deste post se o Toninho aparecer pra dar entrevista e disser que eles estão descartados? E pior (pra mim): já pensou como vai ficar a cara deste blogueiro…?

8 de fevereiro de 2010

Desqualificado

Arquivado em: Adversários, Futebol — conrado @ 11:14

Existe um atleta(?) que há muitos anos estraga o prazer de se ver futebol pela sua simples presença e por suas atitudes deploráveis. A lista de canalhices é longa, e inclui desde arremessar com desprezo para a arquibancada uma medalha de vice-campeão até forjar uma proposta de um time do exterior apenas para conseguir um aumento.

Esse desqualificado, que costuma se adiantar em todas as cobranças de pênalti, reclama em todos os gols que toma. Todos. Nenhuma bola é digna de penetrar sua meta sem que haja uma irregularidade. É a bola entrar e lá vai a primadona levantar o bracinho. Até em pênalti ele reclama. Ontem, ao sofrer o gol na cobrança de Neymar, irritou-se com a paradinha do menino – que o fez desabar, diga-se – e foi aos microfones destilar seu veneno. Pois o castigo veio rapidamente. Robinho, no finalzinho do jogo, o deixou de joelhos novamente, e marcou de letra o gol da vitória.

É inacreditável como ainda há discussões sobre quem é o melhor goleiro entre esse pária e nosso São Marcos. Enquanto um é idolatrado apenas pela sua própria torcidinha de balé e pela banda podre da imprensa, o outro foi um dos maiores responsáveis “apenas” por trazer mais uma Copa do Mundo para o Brasil, ao ter uma atuação destacada em toda a competição e principalmente na grande final, salvando gols que certamente mudariam o destino da partida e o dono do título. Marcos é reconhecido, assediado e admirado por torcedores de todos os times. Já o anti-desportista em questão, ao contrário, tem a antipatia de todos. E se realmente tivesse o talento que dizem ter, ele não precisaria tentar se afirmar perante os microfones a cada falha que comete, sempre botando a culpa em algo ou em alguém, principalmente nos companheiros.

O jornalista Milton Milk já teceu, em off, um comentário sobre o cidadão: “é chato pra caralho“. Pegou leve. Nem todo chato é um canalha desqualificado. Chupa, safado.

7 de fevereiro de 2010

Bragantino 2×3 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 20:19

O interior continua dando sorte ao Verdão. Mais um bom resultado conseguido em terras caipiras, desta vez contra um time que no início de sua trajetória no primeiro escalão do futebol brasileiro ameaçou ser uma asa negra em nossa história, mas que na verdade é apenas mais um grande freguês. E mais um bom resultado jogando bem abaixo do esperado, ao contrário de quando joga bem, que os resultados acabam sendo ruins. Curioso esse início de ano do Verdão. Com a rodada ainda com alguns jogos por se encerrarem, o Palmeiras alcança o quarto lugar, a quatro pontos do líder. Olha aí, senhor Armero, o que o senhor armou

O início de jogo do Verdão foi bem forte, e logo aos sete minutos, os dois craques do time, em posições invertidas, fizeram a diferença: Diego Souza viu CleitonX entrando em velocidade e enfiou o pé embaixo da bola para fazer o balãozinho, como se estivesse na praia. CleitonX colocou na frente e tocou na saída de Gilvan, pelo alto, belíssima conclusão: 1×0.

Aí o Palmeiras, mal posicionado ofensivamente, começou a jogar no erro do Bragantino. Muito cedo para isso. O time da casa apertou a marcação e dominou o meio-de-campo. Com Deyvid muito aberto pela direita, e com os laterais presos, o Verdão não conseguia dar sequência em nenhuma jogada. E passou apertado, levando uma bola na trave e vendo o juiz Cleber Abade, péssimo como sempre, anular dois gols do Bragantino – corretamente, diga-se.

O time voltou igual no segundo tempo, mas com os laterais mais soltos. Já foi o suficiente para desafogar nossas progressões. E rapidamente saiu o segundo gol, numa improvável descida de Wendel pela esquerda, num cruzamento de esquerda mais improvável ainda, e a conclusão de Robert entrou chorando, fraquinha. 2×0.

Marcos começou a operar alguns milagrezinhos em seguida, já que o Bragantino veio com tudo pra cima, em busca de diminuir o placar. E ele vinha salvando a pátria até que, numa falta pela direita, a bola foi chutada em seu canto. Ele tentou adivinhar que a cobrança iria por cima da barreira e foi pego no contrapé: 2×1, aos 13. E tome sufoco.

Com a entrada de William no Sacconi, o panorama não se alterou muito. Mas aí foi a vez do Palmeiras apertar a marcação, e o jogo ficou travado no meio. Ao Palmeiras, bastava rodar a bola, gastar o tempo e explorar eventuais buracos que o Bragantino vivia deixando na tentativa do empate. O tempo foi passando e nosso time não teve maturidade suficiente para manter a posse da bola, permitindo ao time da casa aumentar o volume de jogo. Numa dessas, Marcio Araujo forçou um passe e errou, dando a bola nos pés do adversário, que pegou a defesa do Palmeiras de frente, toda desarrumada. Depois de mais um milagre de Marcos na conclusão de um tal de Juninho Quixadá, ele mesmo pegou o rebote e deixou tudo igual.

O gol de empate saiu quando Lenny tinha acabado de entrar no Robert, aos 33. E cinco minutos depois o gol da vitória saiu da forma mais curiosa possível: cruzamento da direita de CleitonX, bem aberto. Até aí, nada anormal. A bola foi até a marca do pênalti. Lenny, como um centroavante, se antecipou ao zagueiro e tocou de primeira no cantinho de Gilvan. Acho que nem a vovó acreditou. Voltou com estrela o menino. 3×2, e aí sim, o Palmeiras tocou a bola como time grande e gastou o tempo, não dando chance ao Bragantino de progredir no final. O time da casa só ameaçou em balõezinhos de bola parada, e não levou perigo.

E assim, aos trancos e barrancos, o Palmeiras vai se mantendo na parte de cima da tabela, enquanto os reforços não chegam. Edinho vai tomando gosto pela zaga, embora só saibamos como ficará a configuração defensiva quando Leo e Mauricio Ramos se recuperarem das lesões. Edinho vai ficar na zaga ou subirá para a cabeça da área no lugar de Marcio Araujo? Ou Muricy jogará com três volantes, tirando o Sacconi, e dando mais liberdade a CleitonX e Diego? Ou isso vai depender de cada jogo?

As dúvidas permanecem. Mas em todos os casos, ainda sabemos que precisamos de um grande centroavante. Ewerthon, praticamente fechado, não parece ser o cara que vai resolver o problema do ataque. Nem Lincoln, que caso realmente chegue, vai ser uma peça para compor o elenco no caso de contusões dos meias titulares. O cenário previsto vai se confirmando: a diretoria vai avançando nas contratações enquanto o time vai se colocando bem na tabela do jeito que dá. O que nos deixa otimistas é que o setor defensivo já está com bons nomes, e o posicionamento está evoluindo bem. Acertar a frente, pra quem tem CleitonX e Diego Souza, não é o mais difícil, basta trazer um matador à altura. O time caminha para ficar bastante competitivo. Mas continuamos à espera do NOVE-NOVE.

Atuações:
Marcos: fez alguns milagres, mas também cometeu duas falhas graves. 7
Figueroa: muito deficiente na marcação, cometendo muitas faltas. E no apoio, foi fraco. 5
Danilo: comandou bem a linha defensiva. 7,5
Edinho: joga muito sério, e é assim que a torcida gosta. 7,5
Wendel: obediente taticamente, foi decisivo quando ganhou liberdade. Acertou o cruzamento pro gol com a canhota. 8
Pierre: definitivamente entrou em condição de jogo. Xô, Lazio. 8,5
Marcio Araujo: parece que se empolgou com a boa atuação diante da Lusa e se afobou. Pode botar o segundo gol na conta dele. 5
Deyvid Sacconi: jogou muito aberto pela direita, e quando resolveu fechar pra buscar jogo, foi desarmado facilmente todas as vezes. 5,5
CleitonX: um golaço e uma assistência. E tem gente que ainda acha que ele é enganação. 9
Diego Souza: parado na falta quase todas as vezes, nem metade o Abade marcava. No final, cansou. 7,5
Robert: isoladão no primeiro tempo, parecia escondido. Apareceu mais no segundo tempo, com o avanço dos laterais. Deixou o dele, com um pouco de sorte. 7,5
William: entrou no Sacconi e não fez nada de mais, só ciscou. 6
Lenny: muita vontade, e apresentou sua estrela. 8,5
Muricy: ainda não conseguiu achar a melhor formação ofensiva. Orientou bem o time no intervalo. 7

***

Vale a pergunta: na falta de Gabriel, e com a barração de Armero, Muricy teve que escalar o Wendel invertido. Pra que serviu a contratação do Eduardo?

4 de fevereiro de 2010

Palmeiras 1×1 Portuguesa

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 22:29

Se tivéssemos o grande George Preah, certamente ele teria feito um golzinho nos acréscimos e o Palmeiras teria conquistado os três pontos, e tudo pelo que passamos para assistir essa pelada teria valido a pena. Como nosso matador da vez é o tal de Robert, ficamos no empate, e fica a sensação que tudo deu errado, nada se salvou.

O cálculo do tempo previa uma certa folga para chegar a tempo de ver o início da partida. Mas caía uma chuva fina sobre a zona oeste da capital, e o trânsito ficou um pouco mais complicado. Chegando no Shopping Bourbon, um imbecil qualquer consegue bater o carro no meu no estacionamento porque não olhou no retrovisor antes de resolver mudar de cancela. Como já estava na pilha do jogo, deixei pra lá, estacionei e corri pro Palestra. Ao chegar na Turiassu, a chuva fina tinha virado uma tempestade. Um vento fortíssimo, e uma chuva que judiou mais uma vez da cidade. E acabou a luz no Palestra. Sem um plano B, não havia como imprimir os ingressos, só se vendia os que estavam pré-impressos. E num jogo que deve ter dado uns 6 mil pagantes, mais de 20 minutos na fila interna do clube para comprar o ingresso. Entrei no estádio com mais de dez minutos de jogo.

E vi o Palmeiras com a volta de Sacconi e Diego Souza. Meias, finalmente. Mas parecia que não tinha mudado nada. Os dois tiveram atuações pífias. Sacconi se apresentou bastante, mas errou tudo o que tentou, devia estar pensando na torre Eiffel. Já Diego Souza parecia que tinha comido uma feijoada. Lento, disperso, parecia desinteressado. E o Palmeiras não conseguia criar, embora tivesse muito mais espaço do que no jogo de domingo. É verdade que o campo, mais uma vez pesadíssimo, também atrapalhou o toque de bola do Verdão, e o que já seria difícil nas CNTP, ficou quase impossível.

Como quase nada mudou, a velha escrita deu as caras de novo, “repaginada”, para usar a palavra da moda: a Lusa desceu uma vez. Só uma. Pra piorar, na única vez que desceu, NÃO fez o gol. A Lusa abriu o placar quando não atacou: Armero errou um passe mais uma vez, na frente da meia-lua, sem cobertura. Luis Carlos, um atacante gordo, muito gordo, agradeceu o presente, escolheu o canto e tocou na saída de Marcos.

Armero olhou para os céus, como que pedindo uma razão para estar sendo tão castigado pelos deuses da bola. A pequena torcida do Palmeiras ameaçou vaiá-lo no primeiro lance em que pegou na bola. No segundo, encheu-se de brios e foi pra redenção: pegou a bola na nossa intermediária, driblou meio time da Portuguesa numa arrancada sensacional pela esquerda, e… cruzou bisonhamente nas mãos do goleiro.

Na volta do intervalo, William, que entrou no lugar de João Arthur – que aparentemente sentiu uma contusão – foi o único que ainda teve uma participação ofensiva digna de algum elogio. O time foi absolutamente apático, era o reflexo daquele que devia ser o líder dentro de campo: Diego Souza, quando pegava na bola, fazia jogadas efetivamnente perigosas, lúcidas, envolventes. O grande jogador faz a diferença. Só que encostado ali, na ponta esquerda, pegou três ou quatro vezes na bola. Mesmo que por orientação de Muricy, ele tinha a obrigação de tentar algo diferente, mas acomodou-se. E o resto do time foi na sua aba. O gol de empate de Danilo, numa jogada de escanteio em que ele pegou o rebote e chutou com bastante força pro fundo da rede, deveria ter gerado alguma centelha, ter botado fogo no time, mas que nada.

O Palmeiras, mesmo com Lenny entrando no Robert, e com o deslocamento de Diego para o comando do ataque, não levou muito perigo ao gol da Lusa, a não ser numa jogada individual do próprio Diego Souza, que limpou bem e bateu rasteiro, no cantinho, mas a bola bateu na parte interna da trave e voltou pra dentro da área, sem ninguém aproveitar. Fora isso, um ou outro escanteio, uma faltinha aqui, outra ali, e mais nada. No final, um empate justo, e a Lusa, mesmo com um a menos nos minutos finais, ainda conseguiu levar a bola ao ataque, provocar um escanteio e quase ganha o jogo.

O jogo de hoje apenas reafirma algo que estamos cansados de saber: o que faz a diferença são os grandes jogadores. Diego Souza, quando pegava na bola, saltava aos olhos, tamanha a diferença no trato com a bola. Mas sozinho, e desinteressado, não resolveu. Danilo, Edinho, Armero, Marcio Araújo e principalmente Pierre foram os únicos que mostraram vontade de jogar bola e de respeitar quem tomou chuva, sofreu com as filas e se submeteu a pagar R$30, fora os que tiveram que dar perdido no trabalho ou na aula só pra ver o Palmeiras em campo.

Então vemos que uma das principais lições do ano passado não está dando muitos resultados. O time ainda tem sérios problemas de pegada, ligados ao emocional, à motivação. Muricy deu uma longa entrevista ao 3VV esta semana, aliás, uma longa e espetacular entrevista realizada pelos companheiros Jota e Vicente. Nela, dedica um bom tempo para falar da preparação psicológica a que os jogadores são submetidos. Mas cadê o resultado?

E a torcida continua, pacientemente – cada vez menos – esperando pelos reforços. Enquanto isso, vamos de Robert mesmo. A primeira fase do Campeonato Paulista é bem fraca tecnicamente, assim como as duas primeiras rodadas da Copa do Brasil, e creio que é possível caminhar aos trancos e barrancos. Mas vai chegar uma hora que o talento vai ser o diferencial. Esperamos que quando chegar essa hora, já tenhamos sido devidamente reforçados. Hoje, até o Preah teria resolvido. A areinha tá caindo.

Atuações:
Marcos: vendido no gol, assistiu o resto da partida. 7
Figueroa: outra vez, freio de mão puxado. Acorda, meu filho. 5
Danilo: vibrou durante o jogo, fez o gol, correu pra buscar a bola pra buscar o segundo logo. Já merece a faixa de capitão. 8,5
Edinho: partida tranquila, cometeu apenas uma falha sem maiores consequências. 7,5
Armero: falhou no gol, mas tentou compensar com muita garra e dedicação. Não conseguiu. 3
Pierre: o melhor em campo no primeiro tempo, cansou um pouco no segundo. 8,5
Marcio Araújo: parece estar evoluindo na marcação e no posicionamento. Foi sua melhor partida pelo Verdão. 8
Sacconi: tarde absolutamente infeliz, monsieur Saconí. 4
Diego Souza: quando pegou na bola, atormentou. Só que ou ela não chegava muito, ou ele também não fazia muita questão. 5
Robert: começa a aparecer a verdade. Nem em time pequeno, no Palestra, está resolvendo mais. E assim a sua batata vai assando. 2
João Arthur: jogou pouco e se machucou. S/N
William: dá sinais de vida. Estranhamente centralizado, jogou como ponta-de-lança, que efetivamente não é a dele. Mesmo assim, com muita vontade, tentou como pôde. 7,5
Lenny: depois de muito tempo, voltou aos gramados no lugar de Robert, e tentou acender o time com sua correria, sem resultado. 6,5
Muricy: incompreensível a insistência em Armero, e o posicionamento de Diego Souza e William. Se os dois tivessem jogado invertidos a chance de um bom resultado teria sido maior. Pode botar essa na conta dele. 3

2 de fevereiro de 2010

O choro de Armero

Arquivado em: Futebol, Jogadores — conrado @ 1:41

Armero foi substituído no Derby. No início, ele não acreditou que iria sair ainda no primeiro tempo, aos 25 minutos. A jogada de lateral foi logo em frente ao banco do Palmeiras, e Muricy, não muito delicadamente, mas com a pressa que a situação exigia, puxou-o para fora do campo, dizendo que era ele mesmo. Talvez tenha explicado depois, no vestiário, que ele estava muito afoito e já tinha levado o amarelo, e que o Seneme estava louco para igualar as coisas depois da expulsão do Roberto Carlos.

Todo o histórico recente, de partidas ruins, culminando com a partida contra o Ituano quando foi o responsável pelos dois gols que tiraram a vitória do Palmeiras; o afastamento temporário na partida contra o Monte Azul, e a chance de volta justo num Derby, quando falhou ao cometer a falta desnecessária que resultou no gol do adversário, tudo isso junto foi uma bomba que explodiu na cabeça do colombiano com o puxão que levou de Muricy.

O choro do lateral mostra que ele tem caráter. Não saberia afirmar se foi de vergonha, frustração, raiva dele próprio ou do Muricy, ou um pouco de cada coisa. Mas de qualquer forma mostrou uma qualidade cada vez mais rara nos jogadores de futebol atuais. Armero por algum motivo ficou contrariado, e isso, por incrível que pareça, hoje é digno de elogios. Tivessem nossos dois últimos camisas 9 metade da hombridade que Armero mostrou, e nossos resultados ano passado teriam sido bem melhores.

Isso não quer dizer que devemos livrar a cara do colombiano – senão o noticiário esportivo ia virar um chororô danado. Armero tem sido disparado o pior jogador do time, e seu desempenho tem prejudicado seriamente os resultados. Ele deve ser sacado do time titular, de imediato, e só retornar quando tiver recuperado o bom futebol e a confiança – se é que isso é possível.

Mas que a torcida respeite o jogador, que não façam o mesmo que fizeram com Lúcio, o Maldini do Agreste, que foi tachado de “vagabundo”, entre outras coisas, só porque seu futebol estava mais ou menos igual ao do Armero. Tanto um como outro, até onde eu sei, sempre foram profissionais corretos e honraram a camisa do Palmeiras. Podem ser ruins de bola, e para isso existem as vaias, ou mesmo os palavrões na saída do túnel. Mas que não se façam com Armero campanhas nem coros como os que atingiram Lúcio.

Tem jogador que merece muito mais esse tipo de reação da torcida. Vamos poupar os que tem brios na cara. De minha parte, até vou parar de chamá-lo de anta suprema.

31 de janeiro de 2010

Corinthians 1×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol — conrado @ 20:42

Uma hora ia acontecer. Pela primeira vez desde a existência do blog, que já está em seu quarto ano, o post pós-jogo vai falar de uma derrota para nosso maior rival. E foi o Palmeiras que perdeu, não foram eles que ganharam. Após tomar um gol ridículo, de cabeça, de um anão, e de ver o adversário ficar com um jogador a menos antes da marca de dez minutos, o Palmeiras, apesar de martelar o jogo todo, não teve a competência de fazer um mísero golzinho, e ainda consagrou o goleiro deles. O resultado escancara as já evidentes carências do elenco, e a torcida continua esperando pelos reforços – uns com mais, uns com menos paciência. E vamos combinar que após uma derrota como essa, boa parte dessa paciência realmente vai pro saco. Haja frieza e racionalidade.

O gol deles saiu em uma falta desnecessária cometida pela anta suprema Pablo Armero. O jogador mais burro do mundo podia ter apenas cercado a jogada, na lateral da área, mas foi afobado e atingiu o corpo de Iarley. Tcheco levantou no segundo pau e Jorge Henrique testou pra dentro com muita tranquilidade. Falha de Edinho. Marcos ainda chegou a tocar na bola, mas não conseguiu evitar.

O Pacaembu, longe de sua lotação máxima e com maioria de torcedores do mandante não chegou a explodir como o esperado. O barulho foi meia-boca, chocho. Depois de dois anos, a expectativa era de um Derby com casa cheia, com os ingressos disputados a tapa. Nem palmeirenses nem corintianos pareceram empolgados com o jogo, infelizmente. Certamente a ausência dos maiores craques dos dois lados, Diego Souza e o gordo, influenciaram nesse desinteresse, mas não podemos descartar também o medo da violência, tanto das organizadas quanto da polícia.

Depois do gol, o lance que mudou completamente o jogo. João Arthur recebeu pela meia e tinha boas chances de girar e avançar em direção ao gol, quando sofreu um violento carrinho de Roberto Carlos, por trás. Com menos de dez minutos, o Ajeitador de Meia Perdedor de Pênaltis estava fora do Derby. E o adversário então tratou apenas de se defender, por mais de oitenta minutos. Mano Menezes deslocou Danilo para a lateral-esquerda (?!?), Muricy deixou o jogo rolar um pouco para ver se ele não mexeria na sequência. Como Mano não fez mais nada, Muricy tirou Gualberto e colocou Lovinho aberto, em cima do Danilo, e puxou Edinho pra zaga. Também tirou Armero e colocou Wendel, antes dos 30 minutos, já que o colombiano, além de burro, estava nervoso demais e já tinha levado o amarelo.

E o Palmeiras massacrou. No primeiro tempo, algumas chances claras – na maior delas, Robert ficou de frente para o gol, sem goleiro, mas preferiu servir Lovinho que mandou pro gol mas estava impedido. Chutes de longe de Pierre e Edinho também assustaram Felipe. No final do primeiro tempo, o domínio do Palmeiras era claro, mas as chances não foram tão frequentes.

Mano Menezes, das duas uma: ou estava testando a resistência defensiva de seu time pensando na Libertadores, ou é um puta de um covarde. O Palmeiras estava com um a mais, mas jogou contra um time que marcou todo o segundo tempo com todos atrás da linha da bola. E foi um massacre palmeirense, com muitas chances claríssimas. A quantidade de escanteios a favor do Palmeiras foi impressionante, a bola passava por cima da área, saía de um lado, voltava, saía do outro lado, e assim foi durante todo o segundo tempo. Robert teve algumas chances em seus pés, numas até foi bem e parou em Felipe, noutras perdeu de forma bizarra. O lance final da partida foi ridículo. Era só matar no peito, livre, colocar no chão e escolher o canto. Precipitado, preferiu cabecear de qualquer jeito, e a bola saiu fraquinha, nas mãos do goleiro.

Com o apito final, o fim da diversão que começou em 2006, mas uma sensação boa de voltar a ver um Derby na Capital, num estádio neutro e sem dar um tostão pra clube vagabundo nenhum. Para os palmeirenses que não se sentem em casa também no Pacaembu, que acham que o palco de muitas de nossas maiores conquistas é a casa deles, vão estudar um pouquinho de História. Agora, que está estranho ver nos corredores superiores, tanto do lado das numeradas cobertas, quanto do lado oposto, painéis com o símbolo do inimigo pintados nas paredes, como se o Estádio Municipal realmente fosse deles, isso está. Espero que aquelas porcarias sejam removíveis, não deu pr ter certeza olhando do tobogã.

Quanto a reforços, o raciocínio permanece, Principalmente agora, que o Derby já passou. Se poderia haver algo que justificasse alguma correria, era exatamente o Derby. Se a postura da Diretoria foi de não fechar com ninguém às pressas, preocupada em trazer nomes realmente de qualidade para todo o ano, se entrarem numa correria agora, aí é que não vai fazer sentido nenhum. Principalmente agora que as lesões de Léo e Diego estão quase curadas.

Atuações:
Marcos: pouco trabalho, nada a fazer no gol – pelo menos foi a impressão lá do estádio. 7
Figueroa: apoiou bastante, cruzou várias bolas, a sequência dos lances não foram culpa dele. 7,5
Danilo: foi bem no cerco a Iarley, e ainda subiu com perigo ao ataque. Quase fez um, num chute de fora, que ia na gaveta. 7,5
Gualberto: outro que demonstrou bastante tranquilidade até ser substituído. 6,5
Armero: pra não dizer que errou tudo que tentou, acertou uma matada de bola. ZERO
Pierre: continua crescendo. Foi sua melhor partida no ano, está quase no nível a que estamos acostumados. 8
Edinho: não fosse a falha no gol, e teria sido um partidaço. Mais uma vez veio pra zaga, e foi perfeito. Ainda apoiou no ataque, tanto batendo de fora quanto chegando pelos lados e tentando cruzar. 6
Marcio Araujo: foi bem na ocupação de espaços, Tcheco mal foi visto em campo. 8
CleitonX: é um desperdício ter um arco tão bom e não ter flechas para disparar. No final, perdeu a cabeça. 7
João Arthur: é abusado, e isso é bom. Precisa de tempo ainda pra aprender a tomar as decisões certas, e também pra pegar um pouco mais de corpo. 6,5
Robert: parece que ele só vai fazer gols contra os pequenos e no Palestra. Hoje era dia pra ele se consagrar, mas ele negou fogo. 2
Wendel: entrou no Armero e foi muito melhor. Se não vai o Eduardo, vai o Wendel Mas definitivamente, ARMERO NÃO! 7
Lovinho: com a chuva que caiu, virou rojão encharcado. Filhote do Armero. 3
William: não mostrou a que veio. Vamos poupá-lo. S/N
Muricy: foi perfeito nas substituições, nos nomes e no timing. ele não tem culpa do time que tem nas mãos. 9

Causo

Arquivado em: Política — conrado @ 1:22

Não sou o Jota, mas também conto um causinho de vez em quando. E este é um clássico instantâneo. Aconteceu na sexta à noite, no chamado Bar Inglês, e já entrou para o folclore do clube. É uma história que deve ser contada e recontada por muitas vezes.

O vice-presidente Salvador Hugo Palaia, ao entrar no bar, avistou um conselheiro oposicionista conhecido como “Perfuminho”. Tem esse apelido por ganhar alguns trocados vendendo frascos de perfume aos sócios do clube. Ele votou contra a aprovação das contas.

Palaia, aos berros, dirigiu-se ao conselheiro:

- Porra, gastei 740 paus nesses perfumes fedidos e você ainda votou contra? Não podia ter saído sem votar, pelo menos?

Perfuminho tentava imaginar alguma coisa para responder, ficou todo atrapalhado, e antes que saísse qualquer coisa Palaia virou as costas e foi saindo do bar. Mas antes que passasse pela porta ainda vociferou:

- Pior que eu nunca vi o Mustafá usando perfume!

29 de janeiro de 2010

Contas aprovadas. E agora?

Arquivado em: Administração, Diretoria, Especulações, Política — conrado @ 11:02

O Conselho Deliberativo aprovou ontem à noite as contas do primeiro ano da administração Belluzzo. O barulho que a oposição fez, ameaçando rejeitar as contas, era fanfarronice da grossa. Era apenas espuma, coisa para tumultuar, diminuir um pouco mais o crédito do clube na praça no período de contratações e fazer a vida do time ficar mais difícil. A estratégia é simples: quanto pior ficar, mais fácil ganhar as eleições daqui um ano. Ou menos difícil, já que o grupo está cada vez mais isolado – é o que os números sugerem.

A estratégia da oposição, se pretendia mesmo reproar as contas, foi um fracasso. A situação, que dava alguns sinais de enfraquecimento e aparentava ter algumas divisões, diante da ameaça, cimentou rapidamente as rusgas. Pode haver interesses conflitantes dentro do macro-grupo situacionista, mas numa análise imediata, os interesses do clube prevaleceram.

O placar foi 132 x 82, totalizando 214 votantes. Cerca de 70 não compareceram ou se abstiveram. Como o voto era aberto e nominal, 70 é o número aproximado de muristas, que estão sempre de bem com todo mundo mas não votam em nada abertamente para não se comprometerem. A oposição mais uma vez bate na casa dos oitenta, que parece ser o número limite do grupo comandado por Mustafá. O número não cresce – ao contrário, diminui a cada minuto de silêncio nos jogos no Palestra.

***

O resultado da votação em tese joga por terra a lenda de que a reeleição de Belluzzo – ou a mais provável indicação de um sucessor – estaria condenada ao fracasso, e que o grupo oposicionista estaria em seu melhor momento após a eleição de Della Monica. Apesar de tudo, o presidente mostrou bastante força, e o número alcançado ontem, se for sólido, com mais algumas adesões dentre os faltantes garante maioria absoluta qualquer que seja o quórum.

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Contra esse raciocínio de que o Conselho está alinhado politicamente com Belluzzo e que na próxima eleição há uma tendência de que a presidência continue com a atual situação, existe um argumento bastante sólido: uma eventual reprovação de contas implicaria na responsabilização cível não apenas do presidente do clube, mas também de todos os vices. Isso significa que Clemente Pereira e Salvador Hugo Palaia, nomes intimamente ligados a Della Monica, sofreriam as consequências. Daí a adesão maciça deste grupo à aprovação. Há até quem diga que Della Monica nem exerce tanta liderança assim, e que os próprios vices estariam à frente dessa operação sobre uma fatia considerável dos que votaram a favor das contas, mas que podem mudar de lado no ano que vem, ou mesmo lançar uma terceira candidatura. O ano de 2010 pomete ser bastante agitado politicamente. Vai ser um tal de neguinho pulando de um lado pro outro do muro… pula pra lá, pula pra cá…  Haja estômago.

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Reforços - foi disseminada uma corrente na Internet de que após a aprovação de contas, o Palmeiras voltaria a se reforçar, e que os anúncios só dependeriam disso. Não é bem assim. Primeiro porque as contas em questão são relativas a 2009, e nada do que for feito agora influenciaria nessa análise. Segundo que a votação das contas não é um processo de análise econômica, administrativa ou contábil, mas sim político.

As únicas relações que a aprovação das contas tem com a vinda de reforços são que a diretoria estava dividindo um pouco suas atenções entre o mercado e os membros do conselho, e que a suposta dúvida sobre a saúde financeira do clube, levantada pela oposição nas semanas que antecederam a votação, prejudicava um pouco o poder de negociação do Palmeiras, diminuindo o crédito.

O Palmeiras vai às compras, mas sem loucuras. Devem vir grandes nomes, inclusive com a ajuda do parceiro, a Traffic. Não serão do nível do Messi nem do Eto’o, mas serão bons valores. E não necessariamente amanhã, ou semana que vem. Ainda será preciso ter um pouco de paciência até que as negociações se concretizem. Não há sangria desatada.

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Diretas - existe no clube um movimento favorável às eleições diretas. Por princípio, obviamente este blog apóia as diretas para presidente do clube. Mas há que se observar todos os desdobramentos imediatos disso. A situação precisa se precaver para que esse passo não seja em falso, dando a chance à oposição tirar vantagem.

Sabemos que o clube está loteado em diversos departamentos. Existe a turma da hidroginástica, da dança de salão, da bocha, da musculação, do tênis, e assim por diante. Esses associados, por sua vez, tendem a seguir a orientação do diretor do departamento, de acordo com o prestígio que este sente perante a presidência.

Por exemplo: o pessoal da bocha certamente vai votar contra Belluzzo, já que ele cortou a verba mensal de R$30 mil que o departamento tinha para custear os jogadores profissionais da modalidade. Sim, o Palmeiras mantinha profissionais de bocha. Essa torneira já foi fechada. O diretor da bocha imediatamente aderiu à oposição. No caso de diretas, isso significaria todos os votos do departamento. E esse cenário se repete em todos os departamentos que eventualmente estão descontentes com alguma medida impopular do presidente, que está primando por estancar todas as sangrias no clube.

Além dos sócios ligados diretamente aos diversos departamentos e modalidades esportivas do clube, existem, claro, os sócios que estão lá só pelo relacionamento social e principalmente pelo futebol – este blogueiro, por exemplo. Infelizmente, somos minoria. Esta turma, claro, apóia Belluzzo em peso. E existem os torcedores de outros clubes, que não se ligam muito na política, e que eventualmente votariam no presidente que for pior para o futebol do clube. Estima-se que esse tipo de sócio esteja na casa dos 10%.

Para o bem do Palmeiras, é necessário fazer um mapeamento completo do quadro associativo antes de dar esse importante e saudável passo rumo à democracia plena.  Se  o mapa de associados indicar uma vitória da oposição, por conta da estrutura de feudos que existe no clube, esse grupo, que é useiro e vezeiro em tramóias e golpes, rapidamente vai jogar no ralo a semente democrática. Tudo será como antes, a lista negra no clube voltará, todos os que se opuseram a eles serão perseguidos no clube e provavelmente expulsos – tenho convicção que estarei no bolo – e claro, as diretas serão imediatamente revogadas através de alguma manobra e não haverá eleição seguinte para que a democracia corrija seu eventual erro.

Por isso, vamos com calma com essa história de diretas. O processo é o mais bem-intencionado e puro possível, mas feito na porra-loquice, pode ser uma dose de remédio mal calculada que acaba matando o paciente. O Conselho dá sinais que pode permanecer favorável à atual administração, e esse passo, se for para ser dado, tem que ser só na boa, só na certeza que não se estará entregando o ouro ao inimigo.

Uma vez com a certeza de que a democracia não correrá riscos no futuro, a direção é inequívoca: DIRETAS NO PALMEIRAS.

28 de janeiro de 2010

Monte Azul 0×1 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 0:43

Mais um jogo da série “o que importa são os três pontos”. Jogando com o freio de mão puxado, tanto no que diz respeito à escalação, quanto ao que fizeram os que entraram em campo, o Palmeiras venceu o Monte Azul por 1×0 em Ribeirão Preto, e vejam só, assumiu a liderança do campeonato. O Palmeiras só perderá essa liderança ao final da rodada, amanhã, se o Ituano vencer fora de casa o Bragantino, por dois gols, ou se a Ponte Preta vencer o Botafogo, em Ribeirão, por cinco gols. O vice-líder é o gambá, de quem estamos na frente pelo saldo de gols. O Derby de domingo ganha um ingrediente a mais – como se precisasse.

Muricy prestigiou pra valer as categorias de base. Podia ter apostado em William e Eduardo, mas foi mesmo de João Arthur e Gabriel Silva. Edinho, liberado pela burocracia hoje à tarde, entrou como zagueiro pela esquerda e foi o melhor em campo. E o Palmeiras, todo remendado e com um clássico pela frente, contou com a sorte de enfrentar um time totalmente desmotivado e sem qualquer inspiração.

O jogo foi uma porcaria. Nem de longe teve a vibração da estréia, contra o Mogi, nem a pegada do jogo em Prudente, nem as variações do jogo do último domingo no Palestra. Foi sempre aquela coisa modorrenta: o Palmeiras pegando a bola, rodando o jogo, até CleitonX ou Deyvid Sacconi tentarem uma enfiada para alguém passando por trás da zaga. Vez ou outra, uma bola alçada na área buscando Robert, ou uma tentativa de jogada individual de João Arthur. Nada funcionava.

Do lado de lá, menos ainda. A bola mal chegava em nossa área. Pierre deu sinal de começar a entrar em ritmo de jogo. O que passava dele, parava em Danilo ou Edinho. Deola foi um mero espectador.

Assim, o gol só poderia sair num erro do Monte Azul, ou numa jogada de bola parada. O Verdão fez 1×0 numa cobrança de pênalti emocionante de CleitonX. O juizão, vamos e venhamos, foi esperto. Não que tenha roubado o Monte Azul – o pênalti existiu. Mas é daqueles que ninguém dá. Vemos aqui claramente como funciona a arbitragem. O juiz entrou sabendo que não poderia roubar o Palmeiras, depois de dois assaltos seguidos. E usou um artifício simples, principalmente num jogo com um grandão e um bem pequenininho. Dar um pênalti que existiu, a favor do grandão, é certeza de sair tranquilo no fim do jogo. Arbitragem de futebol é uma atividade para ratos.

Com 1×0 no placar, parece que as duas equipes ficaram satisfeitas já no intervalo. Incompreensível por parte do Monte Azul, mas essa foi a impressão. O segundo tempo não teve a menor emoção. Bem, na verdade teve, só porque a bola rondou nossa área nos quinze minutos finais, e embora não tenhamos sofrido nenhuma ameaça real, o cheiro de arroz queimado era grande. Depois de tanta urucubaca, parecia que mais uma vez, do nada, sem merecer, o Palmeiras sofreria um gol e perderia pontos.

Mas dessa vez a tragédia não resolveu dar o ar da graça, e o Palmeiras, mesmo dando sopa pro azar contra um arremedo de time, que ainda estava com um a menos, conseguiu segurar o placar e trouxe os três pontos para casa. Foi a pior partida do time no ano, disparado. Não só pela escalação modesta, mas também pela postura, deixando o Monte Azul com um a menos trocar passes e tentar armar ataques, que só não foram perigosos pela limitação técnica. Nenhuma variação, nenhuma ousadia, nada. Deviam devolver o dinheiro do ingresso.

No fim, pra deixar todo mundo preocupado, CleitonX e Gabriel Silva saíram de campo sentindo o posterior da coxa. Mais dois que se juntam a Marcos, Leo e Diego Souza, por quem devemos rezar nos próximos dias para que se recuperem e fiquem em condição de entrar em campo no Pacaembu domingo e destruir os gambás. Aliás, a pegada o jogo de hoje deixou bem claro no que eles estão pensando. Não deixa de ser um bom sinal.

Atuações:
Deola: boas… reposições de bola, e… uniforme bonito. 8
Figueroa: displiscente e desinteressado. 3
Danilo: embora o adversário não tenha exigido muito, foi soberano. 8
Edinho: estreante, improvisado como zagueiro, mostrou muita personalidade. Com contrato longo, parece que vai criar bastante identificação com a torcida. 9
Gabriel Silva: começou bastante tímido, afinal, era outro estreante. No fim do primeiro tempo começou a se soltar e lembrou suas atuações pela copinha. Depois da expulsão do ponta adversário, cresceria mais ainda no jogo, mas contundiu-se logo a seguir. 7,5
Pierre: vai voltando ao velho ritmo. Que chegue a milhão no domingo. 8
Marcio Araujo: irregular. Faz boas jogadas no apoio, mas falha constantemente na cobertura. E errou muitos passes desta vez, coisa que não era observada antes. 4,5
CleitonX: sem grandes opções para fazer suas assitências, até arriscou jogadas individuais e a receber bolas na área. 8
Deyvid Sacconi: era jogo pra ele se destacar, mas não aproveitou. A se reconhecer seu esforço na marcação, o que ameniza a atuação fraca no ataque. 6
João Arthur: futebol-moleque, mas pouco inspirado. Talvez meio travado pela responsabilidade. Vamos prestigiar. 7
Robert: um horror. Era pra deitar e rolar em cima desses zagueiros, mas a partida de hoje lembrou bondes como Gioino e Kahê. 2
Eduardo: entrou no Gabriel Silva e parecia fugir da bola. 4
Daniel Lovinho: só entrou no CleitonX porque não tinha coisa melhor no banco. Pobre William. 3
Anselmo: entrou bem no finzinho, mas fez até mais que os outros dois que saíram do banco. Mesmo assim, fica sem nota.
Muricy: não dá nem pra avaliar, já que montou o time com o pouco que tinha nas mãos. Por optar pelos meninos da base, merece aplauso. 8

25 de janeiro de 2010

Exercício de racionalidade

Arquivado em: Administração, Especulações, Torcida — conrado @ 16:12

Vamos imaginar a seguinte situação: estamos na última semana de março, o Palmeiras conta com um meia canhoto razoável para compor o elenco, um novo zagueiro e uma PUTA dupla de ataque, recém-contratados. Estamos em terceiro no Paulista, com plenas chances de classificação, e tranquilamente caminhando na Copa do Brasil.

O que acham? Legal? Eu gosto da idéia. Bem melhor do que contar com reforços nível Kleber Pereira, contratados às pressas no início de fevereiro porque os conselheiros e a torcida estavam desesperados.

O mercado está difícil para todos. Os rivais estão se reforçando? Sim, de volantes, coisa que estamos bem servidos. O ideal era iniciar o ano com o elenco formado, mas ninguém consegue. Nenhum time. O Palmeiras precisa chegar em abril com o elenco totalmente montado. Não “ontem”. Conhecendo o espírito com que Belluzzo e Cipullo encaram o futebol do Palmeiras, é possível ter a frieza e a paciência necessárias para agir com essa racionalidade. Confio na chegada de uma PUTA dupla de ataque, além de mais um meia e um zagueiro de bom nível.

Se ao final de março o elenco continuar com essas deficiências, aí sim, é hora de cornetar forte, pra valer. Não agora. Não a cada anúncio de  possível contratação frustrado. Mesmo porque, mais da metade deles é invenção da imprensa e dos empresários. É verdade que o Palmeiras poderia repensar essa postura de lidar com as informações e de como passá-las à imprensa e à torcida. O processo de criação de expectativa é muito nocivo. A torcida anda uma pilha por conta do fim do ano passado, e o que sempre foi naturalmente uma banana de dinamite hoje é um barril lotado de pólvora.

A pressão natural sobre a diretoria do clube deve ser exercida com inteligência. Uma pressão desmedida pode precipitar contratações que não são exatamente as que gostaríamos. Daí chega o Brasileirão, e dá-lhe críticas às contratações medíocres.

Soa adequado deixar-se levar pela emoção do futebol nos comentários sobre os jogos, no que realmente está relacionado à emoção. Porque se pretende-se discutir ações dos homens de terno e gravata, é necessária a mesma racionalidade que nós exercitaríamos se estivéssemos no lugar deles. Faz sentido?

24 de janeiro de 2010

Palmeiras 3×3 Ituano

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 20:48

Jogando num gramado encharcado devido a mais um aguaceiro que despencou sobre a capital paulista, o Palmeiras vacilou no final e permitiu ao Ituano a conquista do empate, depois de estar ganhando por 3×1 a menos de dez minutos do fim. O resultado não refletiu a superioridade do time durante o jogo, apesar do gramado muito pesado. E com o perdão da redundância, o Palmeiras foi roubado. Junte um gramado pesado, um juiz ladrão e um time sem pegada no fim do jogo, e temos a fórmula do empate.

O Palmeiras começou voando em campo, e com vinte minutos já tinha colocado duas na trave, uma com Diego Souza de falta e outra com Robert de cabeça. As duas linhas de quatro da defesa do Ituano estavam muito distantes, e além das bolas na trave, o Verdão criou cerca de quatro ou cinco chances reais. A linha de frente do Ituano, então, recuou um pouco, compactando a marcação, e nossas chances pararam de aparecer. Foi bem fácil neutralizar a força ofensiva do Palmeiras. E o Ituano começou a achar que poderia atacar, conseguindo até chegar frente a frente com Marcos, que salvou num tapinha uma conclusão que iria por cobertura para o gol. Deu contra-ataque, e Deyvid lançou Diego Souza, que pegou a bola um metro depois da linha divisória, levou até a meia-lua e fuzilou o goleiro, abrindo o placar.

O volume de jogo na primeira metade do primeiro tempo, mais o resultado positivo, deixou a torcida satisfeita, mas o jogo não estava fácil. E logo na primeira jogada do segundo tempo, o Ituano empatou com um gol irregular: Gualberto, que até então era o melhor da defesa, foi traído pela poça, e a bola sobrou na direita. Havia seis palmeirenses dentro da área. O chute do jogador do Ituano foi fraco, e desviou no camisa 9 deles mesmo. Sobrou exatamente no pé do Juninho, que bateu uma vez. Deyvid Sacconi rebateu, e ela veio exatamente no pé do Juninho, de novo, que bateu fraco. O 9 deles, impedido, participou da jogada ao abrir a perna e deixar a bola passar. Gol irregular, que a arbitragem validou.

O Palmeiras não sentiu o gol, e passou a massacrar o Ituano em seu campo. Várias chances em seguida, com Robert, Diego, Sacconi e CleitonX foram desperdiçadas. Até que aos 11 minutos CleitonX caiu pela esquerda, e descolou um cruzamento perfeito para Robert, que desta vez acertou a testada, de manual: forte, cruzada, no chão, mortal.

O Ituano morreu em campo, então o juiz resolveu dar mais uma força, ao expulsar Gualberto injustamente: cartão vermelho direto depois de uma bola disputada na linha lateral. Tremenda sacanagem. Pierre então foi recuado pra zaga, CleitonX ficou como segundo volante e Diego preferiu ficar como atacante em vez de ajudar na armação e deixar Robert isolado. Resta saber se foi opção dele ou se foi o Muricy que deixou assim.

Talvez por isso Diego nem apareceu na tela na jogada do terceiro gol: Sacconi dominou na intermediária e esticou para CleitonX. O toque de chaleira buscou Robert, que disputou com o zagueiro; a bola sobrou de novo para CleitonX em condições de bater pro gol. O meia, no entanto, enxergou Sacconi chegando na corrida e preferiu rolar, aumentando sua lista de assistências – Sacconi só teve o trabalho de tirar do goleiro e aumentar para 3×1.

O jogo parecia resolvido, apesar de estarmos com um a menos. O Ituano não demonstrava vontade de reação, as substituições foram seis por meia dúzia. Mas as peças que entraram botaram fogo no jogo, os reservas entraram bastante motivados, como se deve. Ao Palmeiras, bastava colocar a bola no chão e rodar, pois o gramado já não estava tão ruim. Mas o time parece não ter aprendido com a molecada dos juniores ontem, e 3×1 no fim do jogo não é garantia de nada. Além de tudo, os caras são largos. O segundo gol, se fosse no pebolim, a gente chamava de gol de chupeta. Bola enfiada por Juninho, sem o menor perigo; Armero chegou na cobertura, desesperado, e rebateu pro lado. Ela bateu na cabeça de Danilo e encobriu Marcos. Inacreditável. Os caras estavam de volta pro jogo.

E na base do entusiasmo, o Ituano veio pra cima busando o empate, e numa jogada de escanteio, de novo a bola sobrou pra Armero, que tinha 10 metros de cada lado pra escolher pra onde ia rebater. Ele escolheu bicar a bola exatamente onde tinha um jogador do Ituano. Ela voltou pra área, foi alçada na linha da pequena área. Marcos saiu borboletando e bateu na nuca do atacante do Ituano. A bola podia cair em qualquer lugar, mas escolheu onde estava o zagueiro Rodrigão, que apenas tocou para o gol vazio.

No final, o Verdão até tentou ir pro abafa, tentou algumas bolas por cima, mas não teve jeito. Final, 3×3, e toda a fúria da torcida sobre Pablo Armero. Inclusive a deste blogueiro. O juiz também foi homenageado. A pergunta que não quer calar é: até quando vão continuar nos roubando sem a menor cerimônia? Mais um gol irregular, e uma expulsão indevida. Não se trata de atribuir à arbitragem o mau resultado. Essa é apenas mais uma frente de trabalho a ser malhada. Precisamos trabalhar o emocional dos nossos jogadores; precisamos contratar reforços para as posições carentes; e precisamos parar de ser roubados, seja em casa, seja fora, seja contra grandes, ou contra pequenos.Ser roubado contra o Ituano no Palestra é o fim do mundo.

Atuações:
Marcos: falhou no gol decisivo. 5
Figueroa: nulo no apoio, discreto na defesa. 5,5
Gualberto: era o melhor da defesa. Foi traído pela poça d’água no primeiro gol e sacaneado pelo juiz que o expulsou injustamente. Como reconhecimento e apoio, 8
Danilo: firme, líder, mas azarado. 6
Armero: o padrão do blog é não dar notas negativas. ZERO. E que não vista mais nossa camisa.
Pierre: continua fora de forma, com o tempo de bola descalibrado. Foi pro sacrifício no final, jogando como zagueiro. 6
Marcio Araujo: não parece ser bom marcador, vamos aguardar mais um pouco pra ver se tem a ver com o físico. No apoio, vai melhor. 6,5
Deyvid Sacconi: discreto, mas fez 90% do terceiro gol, que seria aquele pra matar o jogo. 7,5
CleitonX: decisivo. Não apareceu tanto, mas quando pegou na bola, os lances foram mortais. 8,5
Diego Souza: o primeiro gol foi uma pintura, ele parecia que ia engolir o gol tamanha a intensidade da arrancada e do chute. No segundo tempo, abusou do individualismo. 7,5
Robert: continua fazendo o mínimo que se espera de um centroavante do Palmeiras em jogo contra pequeno em casa: no mínimo, um gol. 8
João Arthur: má sorte; entrou no Sacconi quando estava 3×1, pouco depois saíram os gols do Ituano sem que ele tivesse a menor culpa. O time ficou nervoso, e ele teve que fazer jogadas sozinho. S/N
Muricy: mais uma vez, arroz com feijão correto, corrigiu o ataque no intervalo, e deu a última chance a Armero. Se escalá-lo no próximo jogo, vai pedir pra ser cornetado. 7,5

23 de janeiro de 2010

Os valores da Copinha

Arquivado em: Futebol — conrado @ 19:34

O Palmeiras foi eliminado nos pênaltis da Copinha, após empate em tempo normal com o Santos por 3×3. Aos 37 do segundo tempo, o time da praia fez 3×1, mas com muita garra a molecada foi buscar o empate nos minutos finais, e na decisão por pênaltis faltou um pouco de sorte. Mas como sempre dissemos, o mais importante nas categorias de base não são os títulos, e sim os valores revelados. Abaixo, uma análise despretensiosa de cada um deles, apenas pelo que foi visto nesta competição. Sempre lembrando que as críticas a seguir estão sendo feitas a garotos de no máximo 18 anos, que têm muito a aprender e podem evoluir bastante ainda.

Borges: ágil, rápido, mas falta aquele algo mais. Não empolgou. Contra si ainda pesa a estatura, não tão elevada.
Luis Felipe: ambidestro, raçudo, ótimo na bola parada, mas com sérias deficiências na marcação. Com a bola correndo, ainda tem a tendência a tomar as decisões erradas.
Wellington: zagueirão rebatedor, bom pelo alto. Vai ter que evoluir bastante com a bola no chão e no posicionamento na cobertura.
Mayko: transpareceu um espírito de liderança. Bom por cima, mas tem a cintura um pouco dura na movimentação.
Gabriel Silva: o melhor do time, pronto para subir. Tem bola para ser titular não só do Palmeiras, mas de 90% dos times do país.
Bruno Turco: seu futebol foi melhorando a cada jogo. Noções de desarme, marcação, cobertura e apoio desenvolvidos. Precisa melhorar o passe.
Christian: ótimo porte físico, poderia até ser zagueiro, mas seria um desperdício com o que sabe fazer com os pés. Outro cujo futebol subiu demais com o andamento da competição.
Gilsinho: cheio de vontade, driblador, insinuante. Fominha e ansioso. Incógnita.
Ramos: por enquanto é jogador de society. Com a bola nos pés, sabe tudo, mas não pegou o espírito de um jogo de futebol. Não desenvolveu inteligência tática, não se posiciona bem, nem distribui o jogo. Só que seu petardo de fora da área é uma jóia rara. Tem que ser trabalhado.
Afonso: rápido, driblador, joga buscando o gol. Terminou a copinha com apenas três tentos, mas é outro que tem onde ser trabalhado, principalmente na afobação. Natural da idade..
Miguel: outra incógnita. No esquema de Juninho, fazia claramente o pivô, puxando a marcação e abrindo espaço pros outros três chegarem de trás ou ajeitando para batidas de fora. E fez esse papel muito bem. Quando teve chances com a bola pingando na área, não teve o faro do artilheiro. Mas seu porte físico justifica que se insista em aprimorá-lo.
Igor: teve algumas chances, mas foi muito mal.
Fernando: titular, ficou de fora por contusão, voltando nas partidas finais. Já parece ter cabeça suficiente pra subir.
Patrick: volante de origem, jogou a copinha na meia. Irregular, perdeu a posição para Ramos. Raçudo, despontou na semifinal.
Francinei: ótima opção para mudar um jogo, bom condutor de bola, mas ainda tímido.
Rodrigo Sabão: driblador, veloz mas improdutivo. Antes de qualquer coisa precisa aprender a levantar a cabeça.
Peterson: ponta rápido, teve poucas chances, mas quando entrou mostrou mobilidade e objetividade.

O técnico Juninho foi um dos maiores destaques dessa campanha. Armou o time taticamente aproveitando o que os meninos tinham de melhor em seu potencial, e promoveu o desenvolvimento de valores importantes para os garotos, tanto na formação esportiva como na pessoal. Um nome para ser acompanhado com muito carinho.

Parabéns ao departamento de Futebol de Base do Palmeiras, principalmente ao coordenador geral, Marcos Biasotto, que cumpriu a promessa feita a este blog numa entrevista em outubro, quando disse que o time chegaria forte e em condições de disputar o título. O formato de mata-mata é cruel, e perder nos pênalis faz parte. Mas o resultado do campeonato nem de longe traduz o brilhantismo do trabalho, que começou há menos de um ano, desenvolvido por ele e sua equipe. O número de atletas palmeirenses em condição de continuarem sendo trabalhados, de evoluirem e virem a ser bons profissionais é esmagadoramente maior do que em qualquer outra edição da copinha. O que se via nas divisões de base do clube antes era um loteamento feito por empresários, em que quase nunca o mérito do atleta era o mais importante. Hoje, além dos elencos de cada categoria serem formados pelos melhores, eles têm uma estrutura de suporte completa. O resultado começa a aparecer rapidamente. Mais uma vez, parabéns a todos.

22 de janeiro de 2010

????? 2×2 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 0:00

Jogando logo ali, em Presidente Prudente, o Palmeiras já foi roubado pela primeira vez no ano pela arbitragem, e teve que suar muito para arrancar um empate no final do jogo contra o time sem nome, sem torcida e sem alma. A luta foi a única coisa a se aproveitar desse jogo, já que o time foi muito mal, com uma exibição bem abaixo da do jogo anterior, contra o Mogi.

O time sem nome não passa de um catadão de refugos. A maioria dos jogadores têm passagens medíocres por times grandes ou médios do futebol brasileiro, mas na base da experiência, e contando com a fraca condição física do Verdão, conseguiu equilibrar o jogo e até comandar as ações em certos momentos.

O Palmeiras veio no 4-4-2, mesma formação do jogo no Palestra, mas com Deyvid Sacconi no lugar de William. Obviamente não houve tempo para corrigir o maior defeito exibido domingo, a falta de sincronia entre os volantes para cobrir os laterais e proteger a zaga. E foi assim que o time sem nome começou atropelando o Verdão, em dois lances de muito perigo, com Tadeu e Flavinho. No terceiro, Flavinho recebeu por trás de Marcio Araujo – que marcou a bola – girou, invadiu e deixou no cantinho de Marcos.

Aos poucos o Palmeiras foi tomando conta do jogo, e o time sem nome recuou como se já fosse o segundo tempo. Encurralando o adversário em sua área, o Verdão sofreu pelo menos três pênaltis. É verdade que nenhum deles foi aquela coisa cristalina e escandalosa, mas era só querer pra colocar na cal. Para o Palmeiras, nada feito. E quando parecia que a pressão do Palmeiras tinha acabado, Deyvid Sacconi tomou a decisão errada ao arriscar de muito longe, mas finalmente a sorte sorriu para o Verdão, e houve um desvio, matando o goleiro, e decretando o justo empate.

A marcação do time sem nome conseguiu fazer uma barreira entre o meio-campo palmeirense e o ataque, com dois jogadores grandes e não tão rápidos. Assim, as melhores chances do Palmeiras foram em bolas paradas, com bons cruzamentos de Figueroa e CleitonX, rechaçados principalmente por Daniel Marques, que continua se mostrando um bom zagueiro, ele que foi inexplicavelmente dispensado do Palmeiras em 2004.

Para o segundo tempo, o time sem nome veio com muito mais disposição, prensou o Palmeiras em seu campo, mas não conseguiu fazer o segundo gol. Quando o Palmeiras saiu do sufoco e ameaçou reagir, encaixando um bom contra-ataque com Diego Souza que Robert carimbou a trave, veio a grande pilantragem: numa investida pela esquerda, Tadeu invadiu a àrea, já ia ficando sem ângulo quando levou o bote de Danilo, precipitado. O contato foi tão claro quanto os pênaltis que o juiz ignorou no primeiro tempo a nosso favor. Mas contra o Palmeiras, pênalti. Tadeu bateu na trave, Eder pegou o rebote e tocou de novo para Tadeu, escandalosamente impedido, a dois metros do juiz bem posicionado. Contra o Palmeiras, gol legal.

É impressionante como as coisas não mudam. Na verdade, até mudam. O Palmeiras, pelo menos contra times do interior, no Paulista, não costumava ser roubado. Parece que agora vai ser todo jogo, todo campeonato.

Muricy tirou os dois laterais, colocou Eduardo na esquerda e Lovinho como atacante, oferecendo o contra-ataque pela esquerda ao time sem nome – Marcio Araujo ficou improvisado no setor. Se ele não marcava direito em sua posição de origem, não o faria na direita – a sorte foi que o time sem nome também não teve coragem, e preferiu apostar em segurar o resultado. Faltando seis minutos para o fim, a jogada de bola parada do Palmeiras finalmente deu certo, CleitonX levantou mais uma e Diego Souza se deslocou para subir no terceiro andar e testar pro gol. Mais uma vez, justiça no placar, pelo que apresentaram os dois times, apesar das cirurgias do juiz, o pilantra Paulo Cesar de Oliveira.

Os maiores inimigos do Palmeiras hoje, depois da arbitragem, foram o preparo físico (ou a falta dele), o que nivelou as duas equipes, e a ausência clara de um atacante rápido, que caia pelos lados, que puxe a marcação e seja capaz de encostar no comandante do ataque. Continuamos aguardando a sequência do ciclo de contratações. Próximo prélio: Ituano, de Juninho Paulista, no Palestra. Faltam só dez dias para o Derby.

Atuações:
Marcos: uma boa defesa num chute de longe, e só. Saiu meio estranho, de carrinho, no primeiro gol. 6,5
Figueroa: guardou um pouco a posição, tentando segurar o rápido Flavinho, que caiu pelos dois lados. Pela nossa direita não saiu quase nada. E ainda fez um ou outro bom cruzamento. 7
Danilo: falhou no pênalti, foi precipitado. Típico de início de temporada. 5
Leo: excessivamente faltoso. Podemos atribuir à mesma razão, pelo menos por enquanto. 6
Armero: anta suprema. Tomou um baile do tal de Flavinho. 3,5 (ah, esqueci que saiu andando com displiscência. ZERO)
Pierre: assim como Leo, fez muitas faltas, e quase foi expulso. Mas foi importantíssimo para segurar a armação do time sem nome, já que esse nosso setor estava uma bagunça. 7,5
Marcio Araujo: continua completamente perdido. Mas se demos tanto desconto por ser início de temporada, vamos pegar leve com ele também. 5,5
Deyvid Sacconi: ficou preso na forte marcação, principalmente de Marcos Assunção. Arriscou errado e deu sorte, deixando seu gol. 7,5
CleitonX: fraco com a bola rolando, essencial com a bola parada. 8
Diego Souza: anulado taticamente, manteve a pegada durante o jogo todo, salvando a pátria no final. Ah, se tivesse tido essa atitude nos jogos importantes do ano passado… 8
Robert: outro que perdeu muitas jogadas por falta de arranque e de tempo de bola. 6
Lovinho: vai preenchendo as lacunas do elenco, e não dá a menor pinta de que vai aproveitar a chance. 5
Eduardo: jogou 15 minutos, não fez nada de mais – mas o suficiente para ter sido melhor que o Armero. 5,5
Muricy: demorou um pouco para mexer – mas cá entre nós, olhando pro nosso banco, não tinha muito o que fazer. Gostei da reclamação acintosa em cima da arbitragem ao final. 7

21 de janeiro de 2010

Elenco para 2010

Arquivado em: Administração, Futebol, Jogadores — conrado @ 2:45

Vamos fazer um rápido estudo sobre as mexidas no elenco de 2010 que o Palmeiras está montando. A proposta é fazer isso a partir das dispensas.

Foram dispensados até agora: Edmilson, Jefferson, Jumar, Love, Marcão, Mauricio, Obina, Ortigoza, Paulo Miranda e Willians. Na visão do blog, todos foram dispensados corretamente, com exceção de Ortigoza. Ainda na opinião do blog, mais três dispensas deveriam ser efetuadas: Henrique, Marquinhos e Lovinho. Henrique está fora dos planos. Embora ainda não tenha sido repassado a ninguém, vamos contá-lo como fora. Então vejam o diagrama abaixo, que ilustra como era em 2009, e as substituições para 2010:

Com essas substituições no elenco, concluímos que a qualidade subiu em relação ao ano passado. Quem chegou deve suplantar quem foi substituído. E houve uma substancial queda na folha salarial. Isso permite pensar em completar as vagas em amarelo com nomes realmente fortes, para serem titulares. Que me desculpe o Muricy, a gente aqui é menininho de computador que não sabe nada de bola como ele, mas ainda bem que o Grêmio pegou o Douglas.

Sabemos que a situação financeira do clube não é das melhores neste momento, principalmente pelas verbas que deixarão de ser auferidas pela não classificação à Libertadores. Isso é mais um fator que pede paciência de nossa parte. As contratações exigirão muitas rodadas de negociação. Fechando pelo menos quatro contratações fortes, e com a base mantida do ano passado, o Palmeiras terá um time titular poderoso e um elenco de reposição na medida certa, com 29 jogadores no total.

Considerando que no primeiro semestre os principais adversários no Paulista estarão com outras prioridades, e que a Copa do Brasil não tem tantos adversários, digamos, mais qualificados, a concretização dessas contratações significará a quase garantia de se chegar às fases finais das duas competições, que são mata-mata, com reais chances de conquista. Ainda considerando que a janela de transferência depois da Copa deve priorizar os atletas que irão à África, as chances de perdermos os atletas da Traffic antes das finais da Copa do Brasil são pequenas.

Portanto, é hora de focar no fechamento do elenco nessas lacunas apontadas em amarelo. E não há pressa. Para essas primeiras rodadas, os atletas à disposição darão conta. Não vamos nos esquecer que, em 2008, Kleber chegou só em março. As contratações não precisam ser numerosas nem no desespero. Elas precisam vir para resolver.

Garra e identificação com o clube

Arquivado em: Administração, Jogadores — conrado @ 0:17

Pela Copinha, o Palmeiras ganhou da Lusa agora há pouco por 4×2 e classificou-se para a semifinal contra o Santos.

Podem não ser campeões. Mas a garra e a identificação com o clube que essa molecada está mostrando é espetacular. Parabéns mais uma vez aos responsáveis diretos por esse trabalho.

Obs: tem que falar “diretos”, porque infelizmente ainda tem um monte de chupim rondando as categorias de base e que ainda podem querer puxar os louros do trabalho bem feito para si sem terem feito absolutamente nada.

19 de janeiro de 2010

CHUPA!

Arquivado em: Outros — conrado @ 12:20

Uns mais, outros menos… mas todos abaixo merecem seus levar um CHUPA no meio da cara. Quem achar mais por aí na internet, pode postar nos comments, e CHUPA neles!

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2007-12-23_2007-12-29.html#2007_12-24_12_02_36-9991446-0

http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2008/10/28/crise-pode-atrapalhar-a-construcao-da-arena-palestra-italia/

http://blogdojosias.wordpress.com/2008/10/28/arena-palestra-em-risco/

http://blogdopaulinho.wordpress.com/2009/06/15/mentira-tem-perna-curta/

http://blogdopaulinho.wordpress.com/2009/10/01/traffic-tenta-salvar-a-arena-palmeirense/

http://blogdopaulinho.wordpress.com/2009/11/07/arena-no-telhado/

http://blogs.jovempan.uol.com.br/quartarollo/futebol/arena-do-palestra-ainda-esta-na-maquete/

http://blogs.jovempan.uol.com.br/quartarollo/futebol/cade-a-arena-do-palmeiras/

http://cruzdesavoia.wordpress.com/2009/05/25/um-dois-tres-implodindo-este-blogue-de-fato/

http://paulomonteiro.wordpress.com/2009/05/24/cade-a-tal-arena-palestra/

http://www.palmeirasforte.com.br/2009/08/lembram-da-arena-palestra/

http://blogdoavallone.wordpress.com/2010/01/12/arena-que-arena/

Obras da Arena Palestra começam esta semana

Arquivado em: Administração — conrado @ 2:59

Agora não tem mais volta. As obras da Arena Palestra Italia vão começar esta semana. Na primeira fase, só a parte social do clube será afetada. Na parada da Copa, começam as obras efetivamente no estádio. Portanto, nosso velho Palestra, do jeito que conhecemos, só até julho. Aproveitem cada jogo, que a partir de agora já terá um gostinho de saudade.

A Arena representa um enorme salto na existência do clube. Com previsão de finalização no meio de 2012, a obra proporcionará ao clube novas fontes de receita, fundamentais para a sobrevivência num ambiente cada vez mais competitivo, além de proporcionar à torcida outra perspectiva, mais moderna, de se assistir a uma partida de futebol. E com recursos privados, nada de roubar os nossos impostos nem os de nenhum torcedor de outro time.

Cabe ainda à comissão da Arena estudar, desde já, como será a configuração final em todos os seus detalhes, a fim de proporcionar todo o conforto, acesso e visibilidade ao torcedor, agredindo o mínimo possível as características culturais da torcida palmeirense, e privilegiando sempre a vantagem do Palmeiras de se jogar em casa. Isso tanto na parte visível, facilitando para que a Arena seja realmente um caldeirão; como na parte invisível, os meandros da arquitetura e pequenos segredinhos que fazem um time da casa sempre ter vantagem. Dentro do que regem todos os princípios da esportividade, claro.

A obra palmeirense enfrentou muitos entraves jurídicos e burocráticos, ao contrário de outros clubes, para quem o universo sempre conspira a favor, misteriosamente. Para o Palmeiras, para os italianinhos, tudo é mais difícil. Mas graças à persistência de muitas pessoas que trabalharam duro, o projeto finalmente começa a sair do papel. Parabéns a todos, parabéns ao Palmeiras!

Agora dá pra dizer, com todas as letras, aos céticos, aos pessimistas, aos engraçadinhos, aos babacas e aos anti-palmeirenses:

CHUPA!!!

16 de janeiro de 2010

Palmeiras 5×1 Mogi Mirim

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 20:44

Iniciando mais uma temporada, o Palmeiras venceu o vento, que também atende por Mogi Mirim, por 5×1. O jogo serviu para iniciar um trabalho de reaproximação com a torcida, depois da grande decepção que foi o último final de temporada; para apresentar a primeira leva de reforços, Léo e Marcio Araújo; e para começar a dar ritmo de jogo para os atletas, enquanto todos ainda esperam pela chegada de mais reforços.

Antes da bola rolar, um surpreendente coro contra Diego Souza, advertindo-o para ter respeito com a camisa do Verdão. Vindo de quem tem fama de bater em jogador, a manifestação soou mais do que ameaçadora, dificultando ainda mais a situação de quem está trabalhando para trazer novos valores para o time. Pra variar, o Palmeiras luta antes de tudo contra si mesmo.

A bola rolou, e a falta de ritmo era gritante. O Mogi, com mais tempo de treino, prevalecia nas disputas de bola, e levava perigo quando aproveitava os espaços nas costas de nossos laterais. Era evidente a falta de sintonia com os dois volantes no trabalho de cobertura. E Marcos teve trabalho.

Mas a diferença técnica era brutal, e mesmo fora de forma e sem ritmo, o Palmeiras já levava mais perigo, até que aos 30, numa falta batida pela esquerda por CleitonX, Diego Souza surgiu por trás da zaga e, com estilo, cabeceou forte para o fundo do gol, abrindo a contagem da temporada 2010. Um belo gol.

A jogada desarmou a torcida, que já ameaçava uma cornetagem. E logo em seguida, Diego expulsou o tal de Baraka ao lhe dar um chapéu a la Sandro Silva na lateral da área, sofrer a falta e forçar o segundo cartão amarelo. E o vento, que já era fraquinho, já não soprou mais nada.

E não demorou muito pra sair o segundo gol, numa boa enfiada de bola – não vi quem foi – para CleitonX pela esquerda, ele levou para o fundo e cruzou para trás, rasteiro; Léo chegou na corrida e já marcou seu primeiro gol com a camisa do Verdão. E vibrou muito.

Muricy mexeu no intervalo, trocando William por Deyvid Sacconi. No início do segundo tempo, o time pareceu sonolento, inclusive na marcação, permitindo chegadas perigosas do Mogi. Na primeira delas, Marcos fez uma das maiores defesas que eu já vi em estádio, numa cabeçada à queima-roupa, da linha da pequena área. Pena que logo no lance seguinte, nem São Marcos deu jeito, e em nova bola levantada na área – cruzamento sem marcação – o Mogi descontou.

O Palmeiras não deixou nenhum fantasma se criar e rapidamente abriu a vantagem, numa falta cobrada com perfeição por CleitonX: ela beijou o travessão, bateu no goleiro e se ofereceu para Robert, que estava no lugar certo para conferir o terceiro e cumprir o papel do atacante do Palmeiras num jogo contra time pequeno no Palestra: tem que deixar pelo menos um lá dentro.

Aí virou treino, e com naturalidade o Palmeiras fez mais dois, graças ao talento de Diego Souza: no primeiro, ele recebeu pela esquerda, entrou na área, cortou o zagueiro pra dentro e fuzilou, marcando seu segundo gol no jogo e calando de vez o corinho que o ameaçou no início do jogo. E em seguida invadiu a área novamente pela esquerda, tirou o zagueiro pra dançar, quase perdeu a jogada mas contou com a burrice extraordinária do adversário, que cometeu o pênalti de forma bizarra. CleitonX foi premiado com a cobrança e com seu primeiro gol no ano, fechando o placar.

Muricy ainda promoveu a entrada de Gualberto no Danilo e Wendel no Figueroa, provavelmente por cansaço. Taticamente não houve muito o que notar a não ser a total falta de entrosamento entre os volantes e os laterais. Diego Souza, jogando próximo ao gol, é letal, apesar da zaga do vento ser como o vento. Valeu como estréia, como aquecimento. Que ninguém se empolgue demais. Mas é fato que meter cinco é sempre digno de reconhecimento, goleadas sempre devem ser elogiadas. Se ganhasse só por 2×0, todos sabem, choveriam críticas, diriam que é obrigação – e de fato seria.

E que venham os reforços.

Atuações:
Marcos: uma defesaça-aça-aça, daquelas de videoclipe. DEZ
Figueroa: desceu bastante ao ataque, muitas vezes sem cobertura. Acertou quase todos os cruzamentos. 8
Léo: estréia tranquila, e ainda meteu um bonito gol, em jogada de atacante. 8
Danilo: xerifão, nem parece que chegou ano passado. Parece que tem dez anos de casa. 8
Armero: continua o mesmo. Nem vou cornetar muito pra não parecer pegação no pé. 6,5
Pierre: a raça de sempre, e até arriscou algumas descidas, dada a fragilidade do adversário. 7,5
Marcio Araujo: mostrou segurança no passe, não se afobou, e cobriu os espaços bem pelo meio. Busca o entrosamento. 7
William: foi o que mais deixou a desejar. Perdido pelo lado esquerdo, não conseguiu engatar nenhuma jogada interessante. Muricy fez bem em sacá-lo. 5
CleitonX: voltou com tudo. Duas assistências, uma na trave que deu em gol, e deixou o seu de pênalti. 9,5
Diego Souza: acabou com o pobre Mogi. Dois gols, sofreu o pênalti, expulsou um jogador deles e ainda não caiu na pilha da arquibancada. DEZ
Robert: não é aquele NOVE-NOVE que precisamos, mas quebra o galho. Fez um, marcou outro que foi anulado por impedimento, e ainda quase derrubou o travessão no fim do jogo. Foi o retrato do Palmeiras no início de temporada: fez até mais que a obrigação, mas sem empolgar. 8,5
Deyvid Sacconi: é muito mais objetivo e perigoso que William. Nesta fase inicial, enquanto não chegam os reforços, tem lugar no time titular. 7,5
Gualberto e Wendel: entraram no fim, algumas jogadas com bastante vontade. S/N
Muricy: arroz-com-feijão correto, fez a mexida certa no intervalo, vai trabalhando bem com o que tem. O time chutou bastante a gol – apesar de ser contra o vento, já é uma evolução em relação ao jogo de espera do ano passado. 7,5

11 de janeiro de 2010

O time da Copinha, até agora

Arquivado em: Administração, Futebol — conrado @ 0:59

Acabou a primeira fase da Copinha e o Palmeiras correspondeu às expectativas. Não pelos resultados, porque quase todo ano o clube passa bem pela primeira fase – mais pela fragilidade dos adversários do que por méritos próprios. Só que este ano, a segunda melhor campanha dentre todos os 92 participantes veio acompanhada de talentos reais e uma organização tática jamais vista num time de base do Palmeiras.

O goleiro Borges ainda não inspira confiança. Claro, suas vaciladas podem ainda ser atribuídas à pouca idade. Tecnicamente já mostrou ter talento. Precisa de suporte para controlar os nervos.

Os laterais são destaque. Luis Felipe ainda tem muito o que aprender na parte defensiva, o gol sofrido contra o Rio Branco foi num pênalti que saiu de uma jogada 100% em cima dele. Mas no apoio mostrou ter muita força. E ainda mostrou personalidade ao converter dois pênaltis no terceiro jogo, após ter errado o primeiro. Já Gabriel Silva é jogador pronto, irretocável, difícil surgir outro jogador tão promissor em qualquer outro time dessa Copinha. Não bastasse ser ambidestro, é o artilheiro do time.

A zaga deu sustos no primeiro e terceiro jogos. No primeiro, Wellington foi muito mal. Mayko, que deve ser promovido também, entrou apenas no segundo jogo, contra um adversário muito fraco. No terceiro, entraram no nervosismo do time após o pênalti perdido e permitiram que o São Carlos fizesse dois gols com muita facilidade. Mas depois do primeiro gol do Palmeiras, botaram os nervos no lugar e jogaram com bastante segurança.

Bruno Turco e Christian foram se soltando com o tempo na competição. Turco fez sua melhor partida contra o Sorriso. Já Christian, embora já tenha feito um gol e se mostre bastante tranquilo, ainda não conseguiu uma atuação de destaque.

As meias são a posição com mais opções. O destaque é Gilsinho, arisco, driblador, mas ainda pouco objetivo e meio fominha. Também mostrou temperamento forte ao tomar dois cartões e ficar fora do terceiro jogo. Patrick foi muito mal no primeiro jogo, foi substituído por Francinei, que mostrou bastante lucidez. Patrick teve nova chance e recuperou-se posteriormente, tendo atuações corretas. Também apareceu Ramos, o camisa 10, que mostrou ter estrela, marcando um golaço contra o São Carlos.

No ataque, a dupla titular parece não ter sombra. Miguel lembra Vieri, no físico e no jeito de jogar. Alto, forte, vibrante, mas também dá umas de canela. A comparação com Vieri foi um elogio ao garoto, mas se ele quiser mesmo ser um grande jogador, tem que melhorar. Afinal, Vieri foi apenas um bom centroavante, nada mais que isso. Já Afonso também gosta de meter uma mala. Marcou dois gols importantes. Foi o artilheiro da campanha do time campeão Paulista sub-20. O reserva Rodrigo Sabão é uma reedição do Denilson, sem a malandragem do veterano.

O técnico Juninho mostrou não apenas que conhece do assunto, mas também que sabe aproveitar o que seus comandados têm de melhor. Já promoveu alterações táticas muito interessantes, rodando Gabriel, Luis Felipe e Patrick de posições, confundindo a marcação. Os jogadores tocam a bola rápido, mostrando muita consciência tática e entrosamento. Sete titulares já marcaram gols até agora, além de um reserva. Merece ser observado com muito carinho.

Por fim, deve ser ressaltada a atuação do coordenador das divisões de base do clube, Marcos Biasotto. O resultado de seu trabalho já pode ser visto em menos de um ano. Com a estrutura que o clube lhe proporcionou, em pouco tempo organizou todo o departamento e, independente do resultado que venha a ser alcançado neste importante torneio, seu trabalho já é um sucesso, com o lançamento ao time principal de valores como Mayko, Anselmo, Fernando e principalmente Gabriel Silva.

Sempre lembrando que, na atual configuração da legislação, ser um clube formador, desde que bem amparado jurudicamente pra evitar os riscos de ser tungado por empresários ou clubes aliciadores, é fundamental para se manter competitivo, tanto dentro de campo quanto no mercado. Parabéns a todos os envolvidos.

O resultado do campeonato, que entra numa fase de mata-mata com 32 clubes, é detalhe. Mas eu estou com um palpite que por enquanto prefiro guardar aqui pra mim.

8 de janeiro de 2010

Novidades no mercado

Arquivado em: Especulações — conrado @ 14:46

Na verdade não há graaandes novidades, mas vamos lá:

1) Love: continua treinando em Atibaia. Ninguém quer pagar o que o Palmeiras reivindica. E se não pagarem, ele vai ficando.
2) Edinho: pode ser anunciado oficialmente a qualquer momento. Acompanhem no Twitter.
3) Zaga: tá difícil. O nome da vez é Manoel. Mayko vai subir.
4) McNelly Torres: a pedida dos caras foi absurda. Se não baixarem, não tem negócio.
5) Meia: estão correndo atrás de um canhoto. Não é consagrado. Não esperem um super nome, mas é bom jogador.
6) Ataque: se Love ficar, mais um grande nome deve chegar. Se sair, o objetivo é uma grande dupla. Nada de nomes meia-boca. Só que grandes contratações são as mais complicadas, é preciso paciência.

Sugiro à torcida que vão acompanhando a evolução através da mídia palestrina, sempre bem informada. Não existe informação a ser arrancada, não se desesperem. Quando estiver disponível, sempre um de nós vai ficar sabendo e solta. Relaxem com o que sai por aí. Na maioria das vezes os empresários usam a imprensa para alavancar seus negócios – e a imprensa, por não ter muito o que falar, publica tudo.

Henrique no gambá. Valdivia no Cruzeiro. Breno no bambi. O que teve de gente arrancando os cabelos… Pô, se liguem.

Então deixem de lado um pouco a ansiedade pelas contratações, deixem a paranóia pra quando a bola começar a rolar. Aproveitem as férias, vão ao cinema, vão beber, arrumar gente pra namorar, curtam as férias.

E guardem um pouco de dinheiro pros ingressos.

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