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21 de fevereiro de 2011

Whoa!

Arquivado em: Futebol — conrado @ 6:44

Esse é só pra manter o blog vivo. Mas já sabem: estamos firmes e fortes no Verdazzo: www.verdazzo.com.br.

9 de março de 2010

Tá aqui ainda?

Arquivado em: Futebol — conrado @ 1:48

Parmerista! está de casa nova:

www.verdazzo.com.br

8 de março de 2010

Agora, no Verdazzo!

Arquivado em: Futebol — conrado @ 10:30

Amigos, o blog Parmerista! vai encerrar suas atividades. Mas desta vez não se trata de nenhum adeus, e sim de um até já. Conforme foi sendo anunciado há alguns dias, o Verdazzo! está no ar a partir desta segunda-feira.

Portanto, para acessar os posts do Parmerista!, agora, acesse: www.verdazzo.com.br.

Eu e o Cesão, do Periquito Verde, esperamos que vocês gostem. Preparamos com bastante empenho e carinho.

Nos vemos no Verdazzo!

6 de março de 2010

De cara na porta

Arquivado em: Imprensa, Outros — conrado @ 21:01

Acordei, fiz o que tinha que fazer aqui em casa e fui resolver outros assuntos fora. Não acessei a internet antes de sair de casa, nem liguei o rádio do carro. Fiz tudo o que tinha que fazer, e lá pelas 15h30 cheguei ao Palestra, devidamente uniformizado, e fui comprar meu ingresso. Normalmente o faço na bilheteria interna do clube, para sócios, mas estava com meu irmão, que mora no interior, e como ia com ele na lojinha do clube, resolvi comprar na bilheteria da Turiaçu mesmo.

Quando o orientador me explicou que não haveria jogo, me explicou o motivo e informou que o jogo seria na segunda em Barueri, não restou mais nada a fazer, a não ser me resignar e voltar pra casa. Obviamente decepcionado.

Foi quando fui abordado por um jornalista do Lance!, de bloquinho ma mão. Logo em seguida, por um da ESPN, com câmera e tudo. Vejam como a entrevista foi conduzida e tirem suas próprias conclusões (o diálogo foi mais ou menos assim, não me lembro palavra por palavra):

- Veio pro jogo agora?
- Pois é, eu não acessei internet, nem rádio, nem TV, não fiquei sabendo do adiamento. Foi divulgado às 11 da manhã, né? Paciência.
- E você acha que o Palmeiras foi beneficiado com isso, pra dar mais um tempo pro time se recuperar do mau momento do jogo de quarta?
- De jeito nenhum. O Palmeiras não precisa disso, seja sábado, seja segunda, tem que entrar em campo e dar um pau no Sertãozinho. Segunda irei ao jogo, vai ser em Barueri, não é?
- É, você vai assim mesmo?
- Claro

Nem sei em que programa vai ao ar, nem perguntei.

Já a entrevista com o cara do Lance! foi mais rápida. Tenho certeza que não vai ser publicada. Pelo menos lá.

- Posso te fazer umas perguntas? Sou do Diário Lance!
- do Lance?
- Sim
- Como é seu nome?
- Fabrício
- Fabrício, escreva aí: o Lance! precisa tratar o Palmeiras com mais respeito, e parar de puxar o saco do São Paulo. Anotou?
- Anotei

5 de março de 2010

Marcos destrói Neto

Arquivado em: Imprensa, Jogadores — conrado @ 13:30

- Acho que o erro é normal, acho que todo mundo comete, né. Infelizmente alguns cometem mas não é tão falado, mas eu quando cometo, devido ao status, talvez, que eu tenha alcançado na minha carreira, é sempre muito comentado, mas quanto a isso não tem problema nenhum, acho que sou acostumado a críticas, né…

- Fiquei bastante chateado com o Neto pelo que ele falou, né, que ele disse… ontem, no programa, que o pessoal até da assessoria de imprensa falou que (ele) não aguenta mais me defender. Nunca pedi que ele me defendesse em momento algum, né…

- Não é meu amigo. Me compara demais ao Rogério Ceni, eu não gosto dessa comparação. (…) Toda vez que ele vai fazer algum comentário sobre mim ele coloca o Rogério no meio e acho que é uma situação chata, constrangedora, parece que está jogando eu contra o Rogério e o Rogério contra mim, e não acho certo a forma de se tratar (o assunto), desse jeito.

- Acho que ele tinha que ter um pouco mais de ética, mesmo sabendo que o Rogério Ceni é amigo particular dele, ele saber que ele tem que defender o Rogério. Me defender? Ele não precisa me defender que ele não é meu amigo, mas quando é o Rogério ele defende, né, que ele é amigo particular do Rogério. E tem que fazer mesmo, mas se ele está esperando um dia eu agradar ele, pra ele poder me defender, ele tá enganado, que eu não sou de agradar ninguém, na minha casa não entra mau-caráter porque eu não sou amigo de mau-caráter, sou amigo de cara de bom caráter, (na minha casa) não entra cara que cospe na cara de juiz. Porque minha carreira mostra, isso aí meu currículo mostra que eu nunca fiz isso na minha vida.

- Ele esta tendo a segunda chance de ter o poder na mão na vida dele. A primeira foi quando ele foi jogador do Corinthians, que ele pisava em todo mundo no Corinthians lá, e a segunda agora com o microfone na mão, e ele não tá sabendo aproveitar essa chance que ele tá tendo de novo. Acho que o microfone é pra quem tem ética, não pra quem quer ficar jogando uns contra os outros.

- Então: não gostei, não preciso, nunca pedi pra ele me defender (…) pode meter o pau em mim todo dia que eu sou acostumado e vacinado pra isso.

Preparação física

Arquivado em: Outros — conrado @ 11:28

Omar Feitosa já não é mais o preparador físico do Palmeiras. Carlos Pacheco, que chegou junto com AC Zago para ser seu auxiliar técnico, e que já desempenhou essa função como auxiliar na década de 90, assumirá o posto.

Ao que parece, o estopim da demissão foi a contusão de Marquinhos, que desfalcará os adversários por 6 semanas. Mais uma contusão muscular, o que dava margem a todo o tipo de questionamento sobre a adequação da preparação física do time. Isso sem falar no que era visível no campo: jogadores perdendo na corrida e aparentemente sem a devida explosão em lances decisivos.

O fato é que quando nosso preparador era o Mello, da comissão do Luxa, o time não tinha tantos desfalques em tão pouco tempo, ainda mais no início de temporada, e o time voava em campo. cansamos de ganhar os jogos no segundo tempo. Aliás, várias melhorias na estrutura da Academia foram coordenadas por ele, como a construção da caixa de areia, para auxiliar no fortalecimento muscular.

Mas um bom aparelho não pode ser usado por quem não tem a devida capacitação. Vimos Barrichello na Ferrari por cinco anos e todos conhecemos os resultados. Mais uma vez, o blog não vai se meter a julgar um trabalho ligado à comissão técnica por não ter conhecimento para tal. Mas os resultados, esses podemos cornetar facilmente.

Prezado Diego Souza

Arquivado em: Jogadores — conrado @ 1:03

Diego Souza mais uma vez se defendeu nos microfones na tarde desta quinta-feira. O camisa 7, juntamente com Valdivia, foi o grande craque do Palmeiras na segunda metade desta década. El Mago foi o protagonista do título paulista de 2008, quando Diego foi um leal e dedicado coadjuvante.

Quando chegou sua vez de brilhar, não se fez de rogado. 2009 foi seu ano. Quer dizer, foi mas não foi. Diego teve uma fase esplendorosa e foi o líder do time que ponteou o Brasileirão por cerca de vinte rodadas. Distribuiu chapéus. Mereceu até uma série de posts deste blog (post 1, post 2, post 3 e post 4). Ele estava realmente impossível, e fez até gol do meio do campo. Mesmo com a derrocada do time, ele foi eleito o craque do campeonato.

Só que ninguém está acima do clube. Ter um passado glorioso não dá a nenhum jogador imunidade para fazer o que bem entende dentro e fora do campo, enquanto for pago pelo Palmeiras. E Diego Souza, no ano passado, falhou. Apesar da fase excepcional, foi o líder que o Palmeiras não teve no fim do campeonato, e um dos maiores responsáveis pelo fracasso. Claro que não foi o único e não pode ir pra cruz sozinho, mas a cobrança sobre ele deve ser proporcional a seu talento e a seu salário. Marcos não vive uma boa fase e está sendo duramente cobrado. Por que Diego não seria?

Leia as fortes declarações feitas ao site GloboEsporte.com:

Quer vaiar, pode vaiar. Mas antes, que lote o estádio. Agora é o momento de dar apoio. A torcida tem de abraçar o time como outras torcidas fizeram com seus times na reta final do Campeonato Brasileiro. Equipes, inclusive, que corriam o risco de serem rebaixadas e que, com apoio, conseguiram se salvar.

Venho sendo criticado desde que terminou o Campeonato Brasileiro. Isso não é novidade e não vai mudar. É chato viver assim porque sempre honrei a camisa do Palmeiras, conquistei grandes vitórias dentro do clube. Mas isso não vai fazer mudar em nada o meu pensamento. Vou ajudar o grupo a dar a volta por cima na temporada.

Diego, é o seguinte: o senhor quer estádio cheio, então não direcione a sua bronca aos que foram, e sim aos que não foram. Quem foi tem todo o direito de vaiá-lo até perder a voz, porque o que o senhor fez ontem foi uma palhaçada tremenda. E o senhor sabe disso. E se direcionar sua bronca aos que não foram, também estará errado. Primeiro que o jogo foi no dia 3, o salário não pingou, o jogo foi as 10 da noite e não tem metrô na volta, e numa fase dessas, nessas circunstâncias, o preço de R$30 não é lá muito adequado a uma curva de oferta e demanda que se preze.

O senhor tem todo o direito de se negar a estabelecer relações “cordiais” com qualquer facção da torcida, seja lá quais sejam os termos dessa relação e qual seja a facção. Aliás, acho correto de sua parte, acho que jogador tem que estabelecer sua cordialidade com a torcida pelo que faz em campo. Só que o senhor sabe das consequências disso. Ao assumir essa postura, não é correto colocar lenha no fogo e se pintar como o bonzinho. A não ser que você esteja comprando a briga apenas para conseguir publicidade – o que, convenhamos, é muito mais fácil jogando bola.

Não coloque a culpa na torcida pelo fracasso em 2009. Nem numa facção específica, muito menos na torcida como um todo. Nenhum jogador, nem o senhor nem ninguém, tem o menor direito de fazer isso. A presença e o apoio da torcida estão relacionados com o que o time faz em campo. Descontando-se episódios onde existe viés político em determinadas manifestações, não existe time jogando bola que seja vaiado por sua própria torcida.

O que o senhor fez no jogo contra o Santo André é inadmissível. Não importa se a torcida como um todo, ou parte dela, está pegando no seu pé. Enquanto estiver recebendo do Palmeiras e tendo o privilégio de vestir essa camisa, o senhor tem que fazer da melhor forma possível. Jogar ostensivamente abaixo do que pode, deixando de procurar o gol, só dando toquinho de lado, se escondendo da bola, e desperdiçando um arremate de forma bisonha e claramente proposital são coisas que não merecem perdão.

A crítica que o senhor está recebendo neste espaço é mais do que honesta. Porque aqui o senhor sempre foi exaltado por seu potencial, muitas vezes desprezado pelo imediatismo. Quando o senhor jogou sacrificado para que Valdivia pudesse brilhar, e a torcida caiu de pau, aqui o senhor foi defendido, e este blogueiro ouviu poucas e boas por isso. Quando o senhor bateu no peito e disse “é quarta-feira, porra” comemorando o gol contra o Botafogo, antes da decisão contra o Sport, este blog, que testemunhou de perto a explosão, deu toda a publicidade possível e exaltou seu espírito guerreiro.

Agora este blog fica muito à vontade para dizer: Diego, ninguém aqui é palhaço. Suas glórias em jornadas anteriores não passam nem perto de lhe dar o direito de você fazer o que fez ontem. Foi um pecado mortal. E só um craque como você ainda pode merecer uma chance depois de uma presepada como essa, em caso de comprometimento público e sinceras demonstrações de arrependimento. Porque se for continuar metendo essa mala, meu amigo, vai jogar a Libertadores pelo Flamengo e não encha mais nosso saco, porque aqui é Palmeiras.

Estamos aguardando o próximo jogo de Diego Souza com a camisa do Palmeiras. Atentos.

4 de março de 2010

Hours nem tão happy assim

Arquivado em: Outros — conrado @ 22:01

Pessoal, ontem durante o jogo participei da gravação de uma matéria para o programa Happy Hour, do GNT, que foi ao ar agora há pouco (reprise às duas da manhã de quinta pra sexta). O tema do programa foi “Aguenta coração”, e tratou, claro, de problemas cardíacos. A idéia da matéria foi monitorar o coração de um torcedor durante uma partida. Aceitei participar da brincadeira. Admito que achava que o raio não cairia duas vezes no mesmo lugar e que o Santo André não daria uma de São Caetano. Achei que venceríamos com certa tranquilidade.

Pois tomamos foi um vareio – o que poderia ter levado minha frequência cardíaca às nuvens, mas isso não ocorreu. Na verdade, já são mais de 30 anos frequentando estádios, e acredito que os batimentos só mostram picos em partidas decisivas, tipo mata-mata, ou em clássicos. Ontem, os batimentos seguiram na faixa dos 100 por minuto durante todo o monitoramento, o que revelou uma tensão constante, mas moderada, e raros picos, o maior deles foi de 133. Detalhe: a medição foi feita só durante o primeiro tempo.

Excluindo-se o resultado e a vergonhosa exibição do time, a experiência foi muito legal. Já mantenho meus indicadores sob controle, a pressão sempre se mostra OK, o colestrol está em níveis considerados ótimos, voltou a rolar um futebolzinho nos finais de semana. Tirando um pequeno excesso de volume abdominal, a máquina está em ordem.

Um grande abraço ao parmerista Bruno Knor, que indicou o Parmerista! para ilustrar a matéria, e um grande beijo às lindas Diana e Silvia. A bambística (todos têm seus defeitos) Silvia foi sempre ágil e esperta na produção, além de ser atenciosa e simpaticíssima. Diana já causou furor nos comentários do primeiro post sobre o assunto. Palestrina graças ao padrasto-titã Branco Mello e às meias listradas de um jogador que ela não soube lembrar, provavelmente goleiro, entre 87 e 89 – pode até ter sido o Leão em 86. Teve como grande ídolo na década de 90, ainda adolescente, Roberto Carlos – quem diria. Contou alguns casos de sua carreira que já não é tão curta assim, como num episódio em que quase apanhou de um monte de corintianos, no dia da final do Brasileiro de 94. Ela, alviverde a caráter. Trombou com cerca de dez gambás. Detalhe: no metrô de Tóquio.

Não fosse o que o Palmeiras aprontou, as horas poderiam ter sido bem mais felizes. Mas mesmo assim, foi muito divertido, valeu pessoal!

Imagem: mega-foto Samsung

Palmeiras 1×3 Santo André

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:25

É duro ter calma num momento como este, tentar relatar o que foi a partida, e fazer considerações sobre esse grupo que tem a honra de vestir a camisa do Palmeiras mas que mostra não ter o menor preparo para isso. Mas em respeito aos mais de 30 mil leitores deste blog, vamos lá.

Primeiro vamos aos fatos:

1) o Santo André é um time certinho, arrumadinho. Está bem colocado no campeonato, não tem camisa, nem torcida, nem pressão. Exatamente o oposto do Palmeiras hoje;

2) o Palmeiras hoje é um catadão, não tem qualquer organização tática – a ausência de padrão de jogo vista nos três últimos jogos não foram apenas porque era um clássico, ou porque o adversário era do Piauí, ou porque o campo parecia um pântano. AC Zago acabou de chegar e não teve tempo de impor qualquer mudança, mas o time esta absolutamente acéfalo, parece um time de condomínio chique;

3) qualquer time meia-boca chega no Palestra e se sente à vontade para impor seu futebol, fazer jogadas de efeito, tabelinhas, chapéu, caneta, e agora, até gol de letra. O Palmeiras, ao contrário, tem seus jogadores morrendo de medo da bola. O gol que Armero deixou de fazer é o exato retrato disso. A camisa do Palmeiras pesa demais e esses jogadores não têm condições de vesti-la. E o pior é saber que assim que vestirem a camisa de outro clube, vão jogar bem, porque são bons jogadores – a maioria deles.

O Palmeiras voltou à estaca zero. Depois de chegar muito, muito perto de conquistar o campeonato brasileiro – prova que o trabalho em linhas gerais estava sendo bem realizado – o grupo falhou. Foram três partidas em que as coisas deram errado, e a partir dessa sequência, nunca mais: Avaí, Flamengo e, quem diria, Santo André. A partir daí, o moral foi pro chão e não foi recuperado até agora. E com esse grupo, não será mais, lamento concluir que já era.

A partida de hoje joga por terra todas as teorias conspiratórias que pipocaram desde o ano passado: que Vagner Love rachou o grupo, que tinha ciumeira por causa de salário, que queriam derrubar o Muricy, e mais um monte de absurdos que sempre dissemos aqui serem contos da carochinha. O que acontece mesmo é que o grupo caiu e não consegue mais levantar, a razão é puramente psicológica.

E para que a situação tenha chegado nesse ponto é que temos que identificar uma falha muito grave na cultura recente do futebol do Palmeiras: falta cobrança pesada. Os jogadores foram tratados como adultos, como profissionais responsáveis que ganham dezenas de milhares de reais por mês, mas na verdade são como qualquer grupo de jogadores em qualquer time grande desse país: um bando de desmiolados, deslumbrados e que precisam de rédea curta, e muita porrada no vestiário.

Só que se chegar alguém da noite pro dia tentando fazer isso, não cola. Não terá moral, quem quer que seja. Luxemburgo até fazia isso e muito bem, o problema com ele era outro. Desde sua saída, acabou o poder de recuperação mental dos jogadores.

A chegada de Seraphim del Grande deve ser notada, mas não de imediato. Seraphim não é de gritar, de resolver no berro, mas é firme e respeitado. Só precisa de um certo tempo para sentar no cockpit, ajeitar os espelhos, deslizar o banco mais para trás e conduzir do seu jeito. Mas esperamos que jogador pense um milhão de vezes antes de agir como vagabundo quando estiver em campo com a camisa do Palmeiras, como fez hoje o seu Diego Souza.

Diego se escondeu da bola. Teve o controle dela por várias vezes, mas jamais buscou a jogada mais incisiva, só tocou de lado. Até que ela se ofereceu para ele na medida para mais uma de suas famigeradas e mortais bombas. O jogo estava 2×1. Agora vai! Diego deu um traque na bola. Nem se esforçou pra finalizar como o verdadeiro craque do time. Não enquadrou o corpo, não deu potência no chute, nada. Parecia que estava fazendo um favor a alguém de ter entrado em campo. Até que enjoou e forçou o segundo amarelo e a expulsão. Como um craque como Diego chega num ponto como esse?

E Armero? Mais uma vez teve uma chance, com a gripe de Wendel. Fez uma partida de Armero, nota 3 ou 4. Mas a bola que ele deixou de chutar quando estava de frente para o goleiro, preferindo dar mais um passo, com absoluta paúra de fazer o arremate, mostra como está o emocional desse time.

Eduardo, que acabou de chegar, já parece contaminado por esse espírito de derrotado. Souza, de tanto potencial ano passado, hoje não conseguiria um contrato nem com o River do Piauí, que apanha do Flamengo lá em Teresina. Pierre, até ele, parece ter jogado a toalha. Não é de admirar, também, depois da declaração de Marcos, mais uma: na saída do intervalo, disparou “a torcida pode ficar tranquila que o sofrimento comigo no gol acaba no fim do ano”.

Quando o capitão e líder do time fala uma besteira dessas, qualquer time sente. Um time já propenso a um colapso nervoso como o Palmeiras, desaba. E a pá de cal foi o terceiro gol do Santo André, uma tabelinha ousada, de time que não respeita, que não teme o Palmeiras nem o Palestra. E com requintes de crueldade, o arremate foi de letra.

O Palmeiras de hoje lembra, sob um certo ponto de vista, os times medonhos da década de 80. Tem jogadores bons, até alguns astros que brilhariam intensamente em qualquer time grande do país. Mas aqui, não vai. Tem uma âncora amarrada na cintura de cada jogador. Até ganha um jogo ou outro. Na superação, pode até ganhar clássicos. Mas você vê, está explícito e escancarado que não vai a lugar algum. Como nos anos 80. Como entoou a Mancha no fim do jogo, trata-se de um time sem-vergonha. Mas no sentido exato da palavra. O time não tem vergonha de perder, parecem desinteressados.

É necessário um grande choque na gestão do futebol. Não que todo o trabalho tenha sido uma porcaria. Mas os erros cometidos tomaram um rumo que parece impossívelcorrigir na fórmula atual. É preciso uma solução radical, e agora. Temos jogadores como Ewerthon e Lincoln que ainda nem estrearam. Eles não podem ser contaminados por esse espírito perdedor. O mesmo se aplica aos que acabaram de chegar, como Edinho e Ivo. Gabriel Silva é um menino que vale ouro, e é outro que deve ser preservado.

Mas se esses caras se misturarem com essa nuvem negra que ronda o Palestra, vão cair na vala comum. É hora de aproveitar que o Paulista já foi, aproveitar que não tem mais a pressão de ter que buscar a classificação de qualquer jeito, e fazer uma limpa. Vários bons jogadores já não tem condição de vestir nossa camisa, o prazo expirou. Além dos que acabaram de chegar, segurem:

- Marcos, o grande São Marcos, o maior de todos os tempos, mas precisa de férias. Manda pescar no Mato Grosso um mês.
- Danilo ainda tem salvação, ainda mostra alguma vergonha na cara.
- CleitonX parece ainda ter alguma disposição, e pode se entrosar bem com um novo grupo.

De resto, sobe a molecada da Copinha, contrata um centroavante de peso, e começa o trabalho praticamente do zero. Porque esse time está condenado. Podem bater o bumbo.

Atuações:
Marcos: falhou dentro e fora do campo. ZERO
Eduardo: como eu lembrei do Benazzi! Pensando bem, até que é parecido. 2
Danilo: envolvido facilmente pelo toque de bola do time do ABC. Vai ter pesadelos com o Rodriguinho. 3
Edinho: não vai funcionar como zagueiro. Seu lugar é mais à frente, dando o primeiro combate. 2,5
Armero: teve medo da bola, medo de fazer um gol. Quase tive dó. Quase. ZERO
Pierre: outro que parecia desinteressado, pensando em que time vai jogar depois da Copa. ZERO
Souza: é um desperdício comparar o potencial que ele mostrou no ano passado com o futebol podre deste ano. ZERO
CleitonX: de novo, machucou no primeiro tempo contra o Santo André. De novo, tragédia. 5
Diego Souza: tentamos apoiá-lo de todo o jeito, porque é um craque. Mas o que ele fez hoje é tão inadmissível quanto a troca de socos entre Obina e Mauricio. ZERO, e fora do Palmeiras
Lenny: um dia disseram a ele: você é craque. Estavam errados. 2,5
Robert: nem o gol limpa a barra de um centroavante que até que acerta umas cabeçadas, mas só. 2
Marquinhos: entrou no CleitonX ainda no primeiro tempo. Depois, foi pra lateral-direita porque o Eduardo saiu pro Sacconi entrar. Hein??? 2
Sá-Cone: ele resolveu que sabe bater de fora da área. É mole? 1
Ivo: a diferença de atitude de um jogador que acabou de chegar é evidente. Se nada for feito, ele se contaminará rapidamente. 6
AC Zago: alguma coisa já era pra ter aparecido, mesmo com pouco tempo. Não se viu nada vezes nada até agora. A batata começa a assar. ZERO

***

A única coisa que salvou a noite foi a gravação da matéria para o programa Happy Hour, da GNT. Como foi bem legal, não vou tecer maiores comentários neste momento de extrema tensão. Amanhã, provavelmente com coisas mais legais acontecendo durante o dia, o espírito vai estar mais adequado para falar sobre a experiência e faremos um post especial. A matéria vai ao ar nesta quinta, a partir das 19h.

3 de março de 2010

Será que o coração aguenta?

Arquivado em: Outros — conrado @ 15:29

Jogo contra o Santo André, até que aguenta. Em todo o caso, tiraremos a prova hoje à noite.

Através do leitor Bruno Knor, que trabalha na produção do programa Happy Hour, do canal a cabo GNT, terei minha frequência cardíaca monitorada hoje no Palestra, durante o jogo. A reportagem será feita pela palmeirense Diana Bouth, e vai ao ar amanhã, às 19h.

Se o professor colocar o Armero em campo, tenho certeza que vou levar puxão de orelhas dos debatedores do programa. E olha que eu cuido direitinho da bagaça: pressão OK, colesterol OK, tudo conforme a doutora Elaine (minha médica) manda.

Mas coração de palmeirense é forte…

2 de março de 2010

Comissão técnica

Arquivado em: Futebol, Outros — conrado @ 12:41

O noticiário do clube apontou alterações importantes na comissão técnica no ano de 2010. São poucos os profissionais (os bons e os nem tanto) que vieram na barca de Luxemburgo que ainda continuam no clube. A primeira mudança foi a contratação da nutricionista Adriana Favano, para o lugar de Patricia Teixeira, em janeiro. Mas as principais mudanças vieram em fevereiro, com as saídas do gerente de futebol Toninho Descartes Cecilio e do técnico Muricy Ramalho.

Com a saída de Muricy e a chegada de AC Zago, também houve trocas nos cargos de auxiliares: saiu Tata, e chegaram Wellington Oliveira e Carlos Pacheco. Este último já havia trabalhado no Palmeiras na década de 90, como preparador físico.

Na sequência, foi dispensado o preparador de goleiros Cantarele. Em seu lugar, foi promovido Fernando Miranda, ex-goleiro do clube e que fazia a função de auxiliar, desde a época de Carlos Pracidelli. E assim esperamos que a fase instável de Marcos dos útimos meses tenha fim, já longe da influência do ex-frangueiro do Flamengo.

Também deixou o clube o fisioterapeuta Mario Peixoto, e para seu lugar foi admitido Julio Suman. Com isso espera-se que o tempo de recuperação dos jogadores não seja mais tão longo como temos notado neste início de ano. O blog não tem a menor pretensão de julgar o trabalho do antigo nem do atual fisioterapeuta, simplesmente porque não tem qualquer conhecimento técnico para isso. O que vemos são os resultados: às vezes, diante da gravidade da lesão, a recuperação é impossível de atender à necessidade do time; em outras, entretanto, talvez fossem – só quem entende pode julgar.

O fato é que 14 atletas passaram ou estão passando por recuperação médica ou física desde o início do ano: Bruno, Marcos, Figueroa, Leo, Mauricio Ramos, Gabriel Silva, Marcio Araujo, Anselmo, Lincoln, Diego Souza, CleitonX, Deyvid Sacconi, Joãozinho e Lenny.

Perguntas aos entendidos:
- por que se machucam tanto?
- por que demoram tanto para se recuperar?

Eu é que não me meto a responder, mas alguém tem que saber as razões. Principalmente porque nosso elenco, sabemos, tem sérios problemas de reposição de peças.

28 de fevereiro de 2010

Rio Claro 1×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 22:27

Em mais um jogo atípico, o Palmeiras não conseguiu converter sua superioridade em gols e foi derrotado pelo Rio Claro, num campo muito pesado. Choveu na cidade a tarde toda, e a água não parou de cair durante a partida. Num erro individual de Souza o Rio Claro fez seu gol, e conseguiu segurar a vantagem até o fim, diante de um Palmeiras que ainda não achou a melhor forma de jogar com o elenco extremamente limitado, principalmente no setor de ataque.

Zago escalou o time no 4-4-2 que deve caracterizar toda sua passagem pelo clube. Sem Pierre, Souza assumiu a vaga. Eduardo continua dono da lateral-esquerda, pelo menos até a recuperação de Gabriel Silva, e Wendel segue seu trabalho pela direita. E mesmo com todos esses furos na escalação, o time conseguiu se impor sobre o Rio Claro, um time muito fraco, mas valente, e ainda com a motivação renovada depois que Agnaldo, zagueiro campeão da Libertadores em 99 pelo Verdão, assumiu o time.

O Palmeiras perdeu algumas chances claras. A primeira com Robert, que arrancou pela direita e bateu cruzado, passando perto. Outra, com Souza, que bateu forte da entrada da área – a bola explodiu no travessão, bateu na linha e se ofereceu para CleitonX, impedido, que ainda assim conseguiu errar o gol. Tivemos ainda mais alguns cruzamentos que Robert aproveitava – numa delas ele colocou na gaveta pra grande defesa de Sidney, mas nas outras cabeceou sempre em cima do goleiro. E assim o Palmeiras ia forçando, até que Souza falhou: Osny girou com muita facilidade, invadiu e bateu rasteiro, entre a trave e Marcos. E nessa hora não apareceu nem uma pocinha pra quebrar o galho e atrapalhar o cara.

A chuva piorou no intervalo, e a tônica do jogo ficou clara. Os jogadores leves não tinham lugar nesse campo. Lenny foi bizarro em todo o primeiro tempo, e a opção do Palmeiras devia ser forçar as jogadas pelos lados, cavando faltas, de preferência com jogadores um pouco mais fortes, e buscando os grandões do elenco dentro da área: Diego, Robert, Danilo e Leo. Essa era a expectativa.

Depois de um início de segundo tempo onde o Rio Claro teve duas chances abertas de gol – quase Souza fez contra numa delas – o Palmeiras não teve paciência nem inteligência para cavar as faltas nos flancos, e tentava os cruzamentos com a bola rolando, ou em certos casos, boiando. E não saía nenhuma bola redondinha, bem cruzada. Zago então tirou Lenny e Souza, e colocou Ivo e Marquinhos. Ivo de fato se mostrou uma boa opção. Mas Marquinhos não tinha a menor condição de aproveitar seu ponto forte, o drible e a velocidade. Assim, com os leves CleitonX e Marquinhos em campo, apesar de Zago ter tentado uma formação mais ofensiva, o time escancarava fragilidades diretamente relacionadas com deficiências no elenco.

A última tentativa foi trocar Wendel por William, deslocando Ivo pra lateral esquerda e puxando Eduardo pra direita. E William, não exatamente é um cara pesado, forte. Assim, o Palmeiras insistiu nos cruzamentos, como deveria ter feito, mas em bolas pouco trabalhadas, através de cruzamentos feitos sem precisão e com apenas um jogador tentando aproveitá-los, Robert. E na base do vamulá, o empate até poderia ter saído, mas não deu.

O que irrita é perder do lanterna, não se pode admitir isso. Não tem campo ruim, nem juiz, nem desfalque, nem nada que justifique um time como o Palmeiras perder do lanterna de qualquer campeonato. Todo mundo ganha pontos em cima desse time, o Palmeiras fez zero. São três pontos que não se recuperam. A classificação começa a ficar complicada. Considerando que os outros grandes farão suas partes, nossos inimigos são Santo André e Botafogo. O primeiro já abriu oito pontos de frente, e é nosso próximo adversário, no Palestra. Essa diferença precisa cair para cinco, invariavelmente na próxima rodada. Se o Palmeiras não vencer, podem esquecer o Paulista.

***

Sem querer colocar muito fogo na torcida, mas sabendo que é inevitável: ouvi de fonte bastante confiável hoje que estamos razoavelmente próximos de trazer um reforço de primeiro nível para o ataque, para jogar ao lado de Ewerthon. Eu diria que as chances hoje estão em torno de 50%. E nem venham me perguntar o nome, que eu não falo nem a pau.

Atuações:
Marcos: salvou a pele do Souza, que quase fez um gol contra. Ser culpado por dois gols seria pesado demais para o volante. 8,5
Wendel: com o campo encharcado, a qualidade dos jogadores é nivelada por baixo. Bom pra ele, rendeu mais. 7,5
Danilo: jogou sério, não pensou duas vezes pra jogar a bola pra lateral. Bastante maturidade. 8
Leo: vai conquistando a confiança do elenco e da torcida. Já atingiu um patamar superior ao que Mauricio Ramos chegou ano passado. 7,5
Eduardo: parecia o Wendel pela esquerda, aquele futebol low-profile, sem comprometer muito. Quando veio pra direita, parecia gêmeo. 7
Edinho: num campo como esse, tava fácil pra destruir. E ele não deixou por menos. 8
Souza: vinha fazendo uma boa partida, bem superior a Marcio Araujo tanto na marcação quanto no apoio, até cometer a falha que deu no gol dos caras. Uma pena. 5
CleitonX: ainda não achou um bom posicionamento dentro do novo qurteto ofensivo. Foi um dos mais prejudicados pelo estado do gramado. Mas tinha que ter buscado mais jogo, é uma das referências do time. 5,5
Diego Souza: bastante vontade no início, depois foi se apagando, até que sumiu completamente. 3
Lenny: outro cujo futebol não bate com o estado do campo, mas isso não justifica tantos erros. 4
Robert: deu suas cabeçadas, umas boas, a maioria ruim. Mas estava lá, bem posicionado, e brigando. 7
Ivo: entrou no segundo tempo e foi bem taticamente, mas não executou tão bem. 6
Marquinhos: além de leve demais, jogou meio que de volante, um posicionamento estranho. Foi mal. 5,5
William: até que tentou. Vamos quebrar o galho dele e dar o migué do “pouco tempo, S/N”.
AC Zago: esbarrou na limitação do elenco, embora pudesse ter insistido para que o time buscasse as faltas para poder parar a bola e jogar os zagueiros pra área. 6,5

26 de fevereiro de 2010

Verdazzo – clique e descubra

Arquivado em: Futebol — conrado @ 12:09

Palmeiras 4×0 Flamengo-PI

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:40

Peladaça. Nem tem muito o que falar desse jogo, a não ser fatos isolados. Taticamente, não foi possível observar nada, já que o adversário não ofereceu a menor resistência. E num jogo como esse, é difícil manter a concentração, a pegada, e consequentemente ter um bom desempenho técnico. Foi um jogo de showbol num campo oficial, para cerca de 5 mil pagantes que sofreram com os 18 graus, chuvinha fina de vez em quando, e vento.

Com o gol de Robert, de pênalti, logo a dois minutos, acabou qualquer tensão que pudesse existir. Aliás, dos dois lados. Acredito que se os piauienses tinham alguma motivação para o jogo, era tentar não tomar nenhum gol e achar um contra-ataque. Mas a porteira foi aberta logo a dois minutos, e aí foi só observar os detalhes, e se divertir com alguns lances isolados, a maioria fora de campo.

Os melhores, sem dúvida, foram protagonizados por Jardel. Eu mesmo desencanei do jogo no segundo tempo e me dediquei a ficar provocando o figura. Enquanto ele “se aquecia” perto da escadaria que leva ao vestiário do Palmeiras, fui pra mureta e mandei-lhe várias lembranças. E gostaria de dizer que nenhuma foi mal-educada, só tirando um sarrinho, sem agressividade. Avacalhando muito o tamanho de sua barriga, e aliás, o conjunto todo, aquele cabeção, que de calção e chuteira, mais o boné branco, ficava bastante pitoresco. A TUP, logo atrás, resolveu entrar com os dois pés no peito e o provocou com seu envolvimento com drogas no passado. Jardel aparentemente acusou o golpe e se dirigiu de volta ao banco, e não saiu mais de lá. Mas tudo bem, deu tempo suficiente pra sacanear bastante o cara.

Foi na medida pra subir alguns degraus e ver o quarto gol, de Edinho, na primeira jogada de Ivo. Foi a melhor jogada da noite – talvez a única que valeu a pena. A julgar por sua presença, no meio de três marcadores, a proteção à bola, o domínio, a força física e o cruzamento, trata-se de um monstro. Mas já temos algum tempo de janela pra saber que a maioria dos perebas que já jogou no Palmeiras tiveram uma estréia de regular pra boa, isso quando não foi ótima. Então calma com o Ivo. E boa sorte pra ele.

No final, a diversão de ver o placar anunciar mais uma derrota purpurinada: Once Caldas 2×1 Once Bambys. Ficou apenas a frustração de ter desperdiçado uma chance de enfiar um placar histórico. Os profissionais não ligam pra isso, mas a torcida liga. A criançada, então, adora. Lembro quando eu tinha 12 ou 13 anos e o Palmeiras enfiou 7 no CRB, eu achei uma coisa de outro mundo. Às vezes o clube precisa forçar um pouco o elenco a buscar placares elásticos nessas oportunidades cada vez mais raras do calendário atual, são ações de marketing que se faz dentro de campo a custo zero e que rendem bons frutos.

Atuações:
Pouco a ser analisado, mais a parte técnica-individual de um ou outro que se destacou. A começar pelos ruins, Deyvid Sacconi já faz por merecer de volta a alcunha Sá-Cone que havia sido posta de lado. O rapaz nunca mais quis saber de jogar bola direito desde que voltou do aeroporto, e algo precisa ser feito para recolocá-lo em condições de jogo, ou tenta negociar logo de novo. Que pena que a venda deu errado. Figueroa também não está numa fase das mais animadoras, e nem numa partida como a de hoje conseguiu fazer boas jogadas.

Por outro lado, Robert recuperou a confiança e parece estar em condições de ser nosso centroavante reserva sem a menor restrição, caso mantenha a pegada. Souza entrou muito bem no segundo tempo, sério e firme. E Pierre dá gosto de ver. Com Edinho ao lado, o Palmeiras tem realmente uma proteção e tanto à zaga. Antonio Carlos prossegue em seu trabalho de aproximação com o grupo – além de Souza, deu chances a William.

Marquinhos é que parece que, rapidamente, passou de candidato sério a Guarulhos para titular. Ele foi um que eu fiz questão de gritar uns conselhozinhos rápidos na orelha, enquanto esperava para cobrar um escanteio à medida que um atendimento médico acontecia no meio do campo. Esse menino está tendo uma segunda chance de ouro na carreira. Ele estava acabado, derrotado, e de repente o destino está lhe dando uma nova chance, algo que milhares de jovens jogadores sonham, imploram, dariam a vida para ter. Marquinhos a teve pela primeira vez e sapateou em cima. Mas ironica e curiosamente, ele poderá tentar de novo. Não pode mais desperdiçar.

25 de fevereiro de 2010

Peneiras para as categorias de base

Arquivado em: Outros — conrado @ 16:39

No mês de outubro o blog realizou uma longa entrevista com Marcos Biasotto, coordenador das divisões de base do clube. O trabalho do Departamento ficou um pouco mais visível após a Copa São Paulo, onde, apesar do resultado injusto, foram revelados muitos talentos que poderão ser aproveitados num curto espaço de tempo pelo time principal – Gabriel Silva é o primeiro da lista e deve ser reconduzido ao posto de titular assim que se recuperar da lesão muscular que sofreu em Prudente. O Palmeiras sagrou-se também Campeão Paulista sub-20 em dezembro, embora o feito não tenha repercutido nem metade do que deveria, mas sem dúvida foi mais um grande resultado para os métodos desenvolvidos pela equipe que comanda a base do Verdão.

Na entrevista concedida ao blog, Biasotto contou que no início de 2010 deveria estar disponível no site oficial do clube um formulário para que as crianças e jovens que queiram treinar no clube se inscrevam nos testes preliminares de seleção, as chamadas “peneiras”. Os últimos testes desse tipo foram realizados no início deste mês, mas atenderam apenas às inscrições feitas ainda pelo método antigo ainda no ano passado, as velhas fichinhas, que eram preenchidas das mais variadas formas possíveis e que vinham das mais diversas fontes possíveis.

No fim do ano passado, as fichinhas foram aposentadas, e todas as futuras peneiras serão alimentadas apenas por quem fizer a inscrição pelo site. Segundo a previsão do Departamento, até o final do mês de março o formulário estará disponível no www.palmeiras.com.br.

Por isso, todos que têm enviado e-mails solicitando informações de como proceder para participar da peneira, tenham um pouco mais de paciência, chequem o site oficial do clube regularmente para ver se o formulário já ficou disponível, e aproveitem esse tempinho a mais para intensificarem os treinamentos, que as seleções recomeçarão em breve e todos têm que estar tinindo.

Junqueira

Arquivado em: História — conrado @ 14:35

Amanhã, dia 26 de fevereiro, serão completados cem anos do nascimento de Junqueira, o maior defensor da história do Palmeiras. Entre outros feitos descritos nas imagens abaixo, Junqueira foi “apenas” octacampeão paulista pelo Palestra/Palmeiras. Juntamente com Waldemar Fiúme e Ademir da Guia, tem um busto em sua homenagem nas alamedas do Palestra Italia.

Para entender melhor a importância de Junqueira na história do clube, basta enxergar que, dos 96 anos de existência, ele foi capitão e líder por 14 gloriosos anos, cheios de títulos. Esse período, entre 1931 e 1944, que compreende inclusive a mudança de nome de Palestra Italia para Palmeiras, pode até ser lembrado como a “Era Junqueira“.

Abaixo estão as imagens preparadas pelo Departamento de Acervo Histórico e Memória do clube para homenagear um de seus maiores ídolos. As imagens falam por si (a da bicicleta é impressionante). Que os palmeirenses reverenciem seus ídolos para sempre.














O site Palestrinos também fez sua bonita homenagem ao ídolo, confira clicando aqui.

23 de fevereiro de 2010

Serviço de utilidade pública

Arquivado em: Futebol — conrado @ 11:00

O vereador abraça Xandão no vestiário, quando o zagueiro ainda era conhecido apenas como Xandy, enquanto segura um brinquedinho estranho

O lenhador de bonsai, escafandrista de aquário, anão de jardim, dirigente bambi e nas horas vagas, vereador da cidade de São Paulo Marco Aurélio Cunha teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por receber irregularmente verbas de campanha.

A imprensa esportiva está absolutamente calada sobre o assunto. Ninguém toca no nome do baixinho. Mas aqui no Parmerista!, e em toda a mídia palestrina, não deixamos passar.

A decisão deve ser revertida e tudo deve continuar como se nada tivesse acontecido e ele deve retornar aos trabalhos (epa!) rapidamente, afinal, aqui é Brasil-sil-sil. Mas enquanto isso, o blog presta um serviço de utilidade pública.

Deixe nos comments sua mensagem para o solerte edil. Pode ser de apoio, compaixão, ou mesmo uma mensagem de admiração; pode ser de reprovação, ou uma reprimenda, e pode xingar, se quiser. O espaço é democrático.

Só pra não esquecer: RUN BAMBIS RUN!

22 de fevereiro de 2010

Palmeiras 2×0 São Paulo

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 13:51

Agora sim, o post pós-jogo como de costume. Como já foi adiantado no post de ontem, o jogo foi muito fraco. Se colocassem uma camisa da Kanxa cor de vinho nos bambis, ninguém diria que era clássico: Palestra com 13 mil pagantes, adversário mal passando do meio de campo, Palmeiras pouco inspirado, juizinho amarrando o jogo no meio… enfim, se não fosse um clássico, teria sido um jogo bem chato de se ver.

Mas a camisa que estava do outro lado era a do INIMIGO. São aqueles que fazem que a gente lute pra deixar o time sempre forte, é pra ganhar deles, no final de tudo, que toda a confusão acontece. O mesmo se aplica ao gambá, felizmente de forma mais esportiva, mais saudável. Mas ontem não eram nossos históricos adversários. Eram nossos INIMIGOS. Então um jogo ruim virou um espetáculo de emoções incomparáveis. Ricardo Gomes que o diga. Ele estava tão nervoso ao final da partida, tão descontrolado – o que se refletiu nitidamente nas entrevistas após o fim da partida – que acabou tendo uma vasculite, um princípio de AVC, e foi hospitalizado no fim da noite. É, esse confronto não é brincadeira.

Tive dificuldade para identificar os onze titulares do bambi o início do jogo. Trata-se do pior time deles desde o histórico jogo do tobogã amarelo, em 2004. Isso facilitou bastante nossa tarefa. Troca de técnico sempre motiva o elenco. E segundo revelou o Vicente, do 3VV, Gomes teria pedido goleada a seus jogadores, e isso foi espertamente passado por nossa assessoria de imprensa aos nossos jogadores. Pronto. Com um 4-4-2 arroz-com-feijão, o Palmeiras dominou completamente o meio-campo do 3-5-2 de Ricardo Gomes. Jean, Cléber Santana e Hernanes não tiveram auxílio de Jorge Wagner e Cicinho e foram engolidos por Pierre e Marcio Araujo. Por outro lado, Diego Souza e CleitonX não fizeram uma boa partida, tiveram muita dificuldade em achar um posicionamento, e foi difícil conseguir a ligação com Lenny e Robert.

Wendel e Eduardo, dois laterais pra lá de limitados, foram os grandes destaques taticamente, segurando os alas bambis, que ficaram completamente travados. As únicas chances das moças foram quando houve falhas individuais, em erros de passes cruciais exatamente dos nossos dois laterais. O sistema defensivo foi simples e perfeito. Mas a aproximação e a criação foram ainda muito deficientes. Zago terá trabalho.

Aliás, o lance decisivo do jogo foi exatamente protagonizado por Eduardo, que se soltou mais no segundo tempo depois da bola ter queimado seus pés em boa parte do primeiro. Foi ele quem partiu pra cima de Xandão e provocou a falta que lhe rendeu o segundo amarelo e a expulsão. O cartão vermelho inflamou o Palestra, e comentei na hora que o gol ia sair, que o momento era aquele. A torcida fazendo um barulhão e a zaga desarrumada, o cenário estava montado. Não saiu como eu imaginei, logo na cobrança da falta, mas foi no lance seguinte, ainda com o estádio pulsando. Robert se antecipou à zaga e testou até que fraco, mas pegou a Rogéria no contrapé. Restou à boneca levantar o bracinho, como sempre. VAI TE CATAR, PALHAÇO!

Com o gol, o bambi tentou vir pra cima meio desordenado, e com um a menos, deixou um buracão lá atrás, e a perspectiva era de goleada. Pena que isso ainda não está nas veias de nossos jogadores. Depois do segundo gol, num escanteio cobrado na medida por Marquinhos que Robert testou de novo, desta vez muito firme – tanto que fez o goleiro de hóquei virar o rostinho de lado pra proteger a maquiagem – o Palmeiras podia ter enfiado pelo menos mais dois gols. Mas repito: muito mais pela fragilidade bambi do que por grandes méritos nossos.

Enfim, valeu demais. Nada como uma vitória em mais uma batalha para recolocar as coisas nos eixos. O que passou, passou. Várias teorias conspiratórias já pipocam na rede, principalmente as que dão conta que os jogadores derrubaram Muricy. Esqueçam isso. Enfim, nada vai mudar agora. Mais alguns dias e isso estará definitivamente enterrado, e começamos a era Zago no Palmeiras. Sua escalação, de cara, foi correta no conceito – a se estranhar apenas ter sacado Edinho e preferido Marcio Araujo. Mas isso são coisas que se ajeitam no caminho. Ewerthon assina entre hoje e amanhã, e ainda teremos mais um centroavante por vir.

Não sei se eu já disse hoje, mas se não, lá vai: CHUUUUUPA BAMBI!

Atuações:
Marcos
: me pareceu bastante inseguro no primeiro tempo. Mas pegou alguns chutes de longe que podiam ser perigosos. 7
Wendel: está há tanto tempo no time que já sabemos tudo o que ele pode fazer. Tem dia que ele se esforça mais que o normal. Ontem foi um desses dias. Sua dedicação compensou sua incurável limitação técnica. Prendeu Jorge Wagner e a jogada forte das mocinhas. 8,5
Danilo: praticamente assistiu ao jogo. O bambi só chutou de longe. 7
Leo: mesma coisa que Danilo, mesma nota. 7
Eduardo: muito assustado no primeiro tempo, só se livrava da bola. No segundo tempo, se soltou. Prendeu Cicinho do seu lado. 8
Pierre: moooonstro. Ele cresce demais contra o bambi. Parece que tem a alma palestrina. 8,5
Marcio Araujo: como volante, sem a responsabilidade de armar, apenas de fazer a burocracia do passe, se garante. 7,5
CleitonX: vem numa sequência muito fraca. Mesmo assim, foi o “culpado” pelo primeiro gol. 7,5
Diego Souza: o mais apagado do time. Mas só sua presença já deixa meio time adversário com medo. 6
Lenny: esse rapaz tem um carisma impressionante. Não faz nada que justifique tanta empatia com a torcida. É um Muñoz magrinho. OK, joga um pouco mais que o Muñoz, e não é burro como o colombiano. 6
Robert: DEZ, pô
Marquinhos: entrou bem demais, abriu o jogo pela direita e infernizou a vida dos bambis. Sem falar no escanteio cobrado na medida para o segundo gol. Se fosse sempre assim, um EXCELENTE velho reforço. Mas pé atrás com ele. Sabemos de sua “dedicação” nos treinos. Precisa manter a pegada, senão voltará a ser o Marquinhos irritante de sempre. 8
Edinho: entrou no final pra fehar o meio. S/N
Deyvid: além da viagem a Paris, a chegada de Lincoln deve ter mexido com sua cabeça. Nunca mais jogou nada. 5
AC Zago: escalação correta, mexidas legais. Marquinhos aberto pela direita foi bem interessante. Se tivesse dado liberdade para ele inverter o lado de ver em quando, pegaria o Cicinho mancando e seria mais facil ainda. Excelente estréia. 9

21 de fevereiro de 2010

Palmeiras 2×0 bambis

Arquivado em: Adversários — conrado @ 21:51

Vamos deixar a análise tática e técnica para amanhã. O jogo, vamos falar a verdade, foi um horror. Mas isso não importa. O Palmeiras surrou os bambis no Palestra mais uma vez, e o placar de 2×0 foi pouco, nem tanto pelo que o Palmeiras jogou, mas pelo que o time da encarnação de belzebu na Terra não jogou. Fazia tempo que eu não via um time deles tão ruim, mas tão ruim. Lembrei daquele timinho que tinha o patrocínio da Cirio, uma teta.

A torcidinha deles apanhou no ABC, e não contente com isso, parece que resolveu enfrentar os palmeirenses que absurdamente foram impedidos de comprar ingressos – o horário limite estabelecido foi 13 horas. Eu não sabia disso e só consegui o meu porque dentro do clube esse horário foi extendido um pouco mais. Uma multidão de palmeirenses ficou de fora. Provavelmente uma medida planejada, visando a confusão. Os bambis tocaiaram os palmeirenses, e segundo os relatos, apanharam de novo. Remember 1942, RUN, BAMBIS, RUN. No Palestra, não.

Quem foi pra ver jogo, viu uma pelada. Mas clássico com essa sub-raça é sempre tenso, e a qualidade do jogo acaba em segundo plano. Queremos a vitória de qualquer jeito. É guerra. Por mais que venham politicamente corretos e seus discursos de paz e etc, em jogo contra os bambis, não dá. Jamais pode se deixar de lado tudo o que essa corja já nos fez, e fará sempre que dermos brecha.

Quando Xandão foi expulso, o goleiro-canalha quase agarrou o zagueiro pelo pescoço para que ele voltasse para o campo, antes que ele fosse fazer seu showzinho de intimidação ao árbitro. É sempre daí pra baixo. A lista, todos sabem, é imensa: desde 1942, passando por Leivinha/Armando Marques, Wilson Mendonça, Sálvio, Bosco e sua pilha, gás de pimenta e tantas outras, por tudo isso, essa canalhada nunca pode se esconder atrás da cortina de qualquer sentimento de esportividade para amenizar o ódio que eles mesmos fizeram questão de despertar.

A cada vitória, principalmente no Palestra, vem o delicioso grito entalado: CHUUUUUUUUPA! Tomaram, malditos! E com dois gols do Robert!

RUN, BAMBIS, RUN!!!

*foto: Césão, o grande Periquito Verde
(explicando: o modelo da foto sou eu, logo depois do jogo, quem tirou a foto foi o Césão hehehe…)

19 de fevereiro de 2010

Genis

Arquivado em: Torcida — conrado @ 13:04

Joga pedra na Geni“, dizia a canção de Buarque.

A torcida do Palmeiras está ávida por Genis. A saída de Muricy, apesar de ter agradado a uma minoria – claro, não existe unanimidade – da forma como foi, deixou um gosto de desilusão muito grande na boca da torcida do Palmeiras. Só que da maneira como a coisa toda repercutiu, a impressão que fica é que parece que houve uma grande orquestração entre os malvados Belluzzo e Cipullo, que puxaram o tapete do pobre Muricy, que saiu como vítima.

Muricy de fato foi injustiçado. A forma como ele foi tratado foi dura demais. Ele não teve material humano à disposição para que pudesse ser cobrado por resultados. A escolha por um modelo de reposição de peças imediatista, que remendará as falhas do elenco e para isso se curva às exigências do parceiro é nítida. Essas são as restrições a serem feitas à decisão tomada pela direção do clube, e que mereceram deste blog reprovação e até o sentimento de vergonha.

Mas assim como o blog reprova a injustiça cometida com Muricy, também reprova o que está sendo feito com Belluzzo e Cipullo. São as Genis da vez. Eles trataram Muricy de forma dura e injusta, mas não desleal. Não houve nenhuma armação, nenhuma puxada de tapete.

Acho correto julgarmos uma atitude administrativa. Fizeram a escolha. Acho que erraram. Pau neles. Sob esse escopo, concordo em bater forte. Mas fazer conjecturas do nível que estão sendo feitas, não é justo. A fé que o clube estava indo na direção absolutamente correta sem dúvida sofreu um abalo, mas a confiança no caráter e na retidão desses dois, de forma alguma.

Tanto quanto o professor Belluzzo, Cipullo é um grande palmeirense. Está sendo execrado de forma pessoal, e isso é uma covardia. Pior: estão deixando a possível raiva que estão sentindo para associá-lo a um suposto mau-caratismo. E estão fazendo isso usando outros julgamentos, sobre o caráter de Luxemburgo e Antonio Carlos, sendo que o apreço de Cipullo é pelo modelo de trabalho dos dois, e não pela conduta. A torcida do Palmeiras, nesse momento pós descida do zepelim, julga caráter a torto e a direito. Pessoal, nem todo mundo é Rogério Ceni, pô!

Julgar caráter desse jeito é coisa pra quem está muito, mas muito acima do bem e do mal. E isso acho que nenhum de nós está. Este blog fez toda uma campanha pela queda de Luxemburgo porque seus defeitos estavam atrapalhando seu desempenho; se não estivessem, não haveria o menor problema em suas rodinhas de pôquer e em tudo o mais que isso implicava. Não vamos misturar as coisas.

Por que será que as massas precisam tanto de Genis?

A letra de Buarque é genial.

GENI E O ZEPELIM
Chico Buarque – 1977

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniquidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela famosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitad e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

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