O Beira-Rio e o Serra Dourada são dois estádios malditos. Até quando jogamos bem, o resultado quase sempre é ruim. Pra piorar, no caso de hoje, o placar foi negativo exclusivamente por culpa da arbitragem. Desfalcado de três jogadores que forçaram o terceiro amarelo para poderem jogar o Derby, além de Souza machucado, o Verdão foi bravo, mas não resistiu ao apito de Evandro Roman e seus asseclas.
O começo foi complicado, o Palmeiras teve que suportar a pressão inicial do Goiás bloqueando a intermediária e a entrada da área, e praticamente o time todo se compactou na retaguarda para segurar o ímpeto dos donos da casa. Até as coisas se acalmarem, já tinham se passado cerca de 20 minutos, e o Palmeiras não tinha tentado um ataque sequer.
É verdade que o sistema defensivo funcionou perfeitamente. Edmilson fez mais uma partida muito boa, e Sandro Silva fechou o setor de maneira perfeita. Na falta de Pierre e Souza, continuamos tendo uma proteção à defesa extremamente eficiente. E foi essa proteção que permitiu ao Palmeiras jogar no erro do Goiás, que infelizmente não cometeu nenhum. Com Wendel mais preso, coube a Armero puxar as descidas do time pela esquerda, mas os meias e os atacantes estavam muito distantes um do outro. Faltava talvez uma centelha, algo para despertar o time, parecia que estavam com confiança demais que tinham o controle do jogo.
O papo no intervalo deve ter sido por aí: mais garra, precisavam entrar em campo mais acesos. E como entraram, especialmente o craque: Diego Souza recebeu uma bola na frente da área, limpou um marcador, avançou com a bola e soltou um míssil de esquerda. A bola entrou na gaveta, ainda subindo. Mais um golaço para a já extensa lista de gols bonitos do Verdão neste Brasileiro.
O Goiás, para quem o empate parecia bom, resolveu colocar fogo no jogo, e partiu pra cima, dando ao Palmeiras a chance do contra-ataque. E aí faltou a presença de um jogador mais forte, como Ortigoza, um dos que forçou o terceiro amarelo na última partida. Willians não fez uma boa partida, sentiu o peso do gramado, muito alto; não se deslocou como de costume nem impôs sua velocidade. E no banco as alternativas não eram animadoras: Lovinho e Sacconi, mais dois pesos-pena. Jorginho soltou Armero de vez, já que Vitor saiu machucado no primeiro tempo, e quem fazia a lateral-direita deles era um menino improvisado no setor. O colombiano foi sempre uma boa opção de jogada, mas não conseguiu armar nenhum ataque mais agudo – sem trocadilho.
Assim, tudo se encaminhava para o final no 1×0 para o Verdão. O time da casa não havia dado nenhum chute perigoso, não produziu nenhum lance de perigo real a Marcos. Se passava pela primeira linha de proteção, o ataque do Goiás já chegava prejudicado para a conclusão da jogada, já que a nossa linha de zaga estava sempre chegando antes. A cozinha do Palmeiras realmente se acertou. E não vamos atribuir essa melhora apenas ao Jorginho – temos que reconhecer que o Luxa já havia iniciado esse processo de recuperação da defesa.
Faltando quinze minutos, o lance que mudou a partida: ataque do Goiás pelo nosso lado direito, Wendel faz o desarme na bola, o atacante se atira e Evandro Roman deu pênalti. Léo Lima bateu. Marcos foi muito bem nela mas não deu, empatou. Jorginho tentou então dar mais velocidade ao time com Daniel Lovinho. Quase funcionou. CleitonX achou um passe açucarado, Daniel entrou na corrida e bateu, livre, de frente, mas não tirou do alcance de Harlei. Era a bola do jogo. Pouco depois, num ataque despretensioso, bem cercado pela nossa defesa, Bruno Meneghel recebeu em impedimento em posição legal, segundo o vídeo da globo.com, trouxe para o meio e bateu. A bola chutada desviou em Marcão e tirou Marcos da jogada. Um pecado. Um gol muito semelhante ao que o Náutico marcou no Palestra. A diferença é que o placar estava empatado. No final, 2×1 pra eles.
Nada a reclamar do time. Até o preparo físico aparentemente melhorou, mesmo no gramado alto. Perdeu porque futebol tem dessas coisas, porque tinha um trio de safados vestidos de preto, que trataram o Palmeiras como o Engenheiro Beltrão. Não entenderam? Pois vejam este vídeo. É a quarta partida seguida que o Palmeiras é escandalosamente prejudicado pela arbitragem, mas só agora o prejuízo veio em forma de pontos perdidos. Nossas relações institucionais têm que fazer seu papel e exigir providências contra esse pilantra, e tem que ser uma punição exemplar, pros outros juízes passarem a nos respeitar de verdade, de uma vez por todas. O clamor continua: ATÉ QUANDO vão roubar o Palmeiras desse jeito? Nós não somos o Engenheiro Beltrão! Saco…
Sabe quem mais tem que pagar por isso? A gambazada. Domingo está chegando. Para nos despedirmos de Jorginho, e darmos aquele reconhecimento a ele, para recuperarmos esses pontos, mais do que nunca, Palmeiras vai jogar, eu vou. E você?
Atuações:
Marcos: pouco exigido, fez uma boa defesa num lance que já estava parado. Quase pegou o pênalti. 7,5
Wendel: fez uma partida defensiva, e foi bem. Arriscou-se um pouco no ataque, e nem foi tão mal. 8 Mas a falha no segundo gol foi fatal. 5
Marcão: ele tem um pouco de volante, um pouco de lateral, e um pouco de zagueiro. Não consegue fazer nenhuma das três coisas muito bem. 6,5
Danilo: cada vez mais xerifão. Vai mostrando agora porque chegou a ostentar até a faixa de capitão em algumas partidas no Paulista. Muita personalidade. 8,5
Armero: falta aquela última bola, o último passe. Mas defendeu e atacou com muita intensidade. Não sentiu o gramado alto. 8,5
Edmilson: outra partida muito boa. Falta apenas aquele bote mais incisivo no desarme, mas acho que já passou da hora dele aprender isso, não aprende mais. 8,5
Sandro Silva: percebeu que três vagas de volante já estão preenchidas, e tratou de agarrar a última. Voltando de contusão, já parece estar em ritmo de jogo. fez ótima dupla com Edmilson. 8,5
CleitonX: se preocupou bastante com a marcação, e com isso ficou um pouco distante do ataque. Mesmo assim, o passe que ele arrumou pro Lovinho já valeu pela atuação toda. 8
Diego Souza: não fez uma boa partida, mas fez um gol que faz a gente sentir muito prazer em ser palmeirense. A nota é só pelo gol. 9
Willians: parece estar sentindo a sombra de Ortigoza, que vem conseguindo cada vez mais espaço no grupo e já arrancou elogios dos companheiros. 5,5
Obina: dessa vez não teve nenhum lance grotesco, mas mal pegou na bola. 6
Jumar: entrou no Sandro Silva, que já tinha tomado cartão, pra continuar fechando o meio. Levou outro cartão rapidinho, e teve que se segurar no final. A jogada do gol saiu em cima dele e da cobertura do Wendel. 4
Lovinho: perdeu um gol feito, a bola do jogo. Aí, panicou e achou que ia resolver o jogo com um chute do meio da rua. Vamos deixar ele sem nota que é melhor.
Jorginho Cantinflas: não apenas não sentiu o anúncio de Muricy, como não deixou o moral do time se alterar. Armou o time de forma correta, mesmo com os desfalques, e administrou bem o jogo. A fase está tão boa que quando perde, a culpa não é do técnico. 8