O assunto é complicado e o e-mail acabou ficando longo. Lá vai:
Antes de entrar na questão do nome em si, acho que temos que avaliar o atual elenco e nossa situação financeira, restringindo a escolha a determinadas características.
Quanto à questão financeira, entendo que não devemos mais pagar salários estratosféricos para técnico algum. Primeiro porque não temos condições para tal, e, mesmo que tivéssemos, não faz qualquer sentido gastar isso com técnicos. As comparações que surgiram com os esportes americanos e até com clubes europeus demonstra o quão o mercado está fora de qualquer lógica. Estou convencido de que passaremos por alguma transformação nesse sentido. Novamente, os clubes perceberão que dois jogadores de ponta valem mais do qualquer treinador. Sou favorável a uma “baixa” remuneração fixa com prêmios acima dos praticados no mercado, jogando todo o peso no variável, compatibilizando com os resultados apresentados.
Agora, sobre a parte técnica, acredito que temos um dos grupos mais comprometidos dos últimos anos com o clube. Talvez o maior que já vi (em 99, parte era fechada com o Felipão e não necessariamente com o clube), embora concorde que seja precipitado dizer isso. Também vejo o elenco como muito bom, necessitando de algumas poucas peças para o fim do ano, além de algumas dispensas (mas isso é tema para outro e-mail). Assim, vejo que precisamos muito mais de um técnico low profile, estudioso e trabalhador, do que um dos famosos “linha-dura” de mercado, pois entendo que os 5 líderes do elenco (Marcos, Edmilson, Danilo, Pierre e Diego Souza) têm feito essa função disciplinar de forma bastante satisfatória. Porém, para aliviar a pressão da torcida, colocar alguns ídolos como escudo, poderia ser uma boa, montando uma comissão com Evair, Arce, etc…Mas antes, enxergo como essencial que qualquer decisão seja avalizada pelos líderes do elenco.
Tudo isso é arriscado? Bastante, mas o que não seria a essa altura? Eu acho que mesmo pagar um salário de outro mundo para o Felipão seria um risco imenso.
Entrando especificamente em nomes, é possível apontar pontos desfavoráveis a todos que foram pensados:
Evair: Mais do que queimar um ídolo, não vejo com tanto entusiasmo a curta carreira dele como técnico.
Zinho: É treinador da filial da Traffic nos US, configurando uma perigosa e conflituosa relação se vir para cá.
Arce: É um nome que me agrada bastante, talvez por falta de conhecimento de sua recente carreira, não consigo apontar muitos defeitos que não a inexperiência.
Mancini: Apesar de ser um bom técnico (parece entender muito de futebol), aparentemente, tem sérios problemas de caráter. E, mais do que isso, a briga com Diego Souza, um dos líderes do nosso elenco, pode pesar no ótimo ambiente do grupo.
Dorival: Não vejo pontos negativos, exceção ao fator financeiro. Entendo-o como o técnico ideal, possui identificação com o clube e é bastante sério. O desempenho do Vasco no ano impressiona, aproveitamento acima de 70% e apenas 3 derrotas. Está certo que ainda está fora do G4 na série B, mas o time é muito fraco tecnicamente e vem apresentando resultados muito acima do esperado. Até o Paulo Sérgio vem sendo muito útil.
Muricy: Outro excelente nome, porém inviável financeiramente. E, para piorar, o fracasso na negociação bem como a relação com as meninas pode ser bastante prejudicial.
Fossati: Não classificou o melhor time uruguaio dos últimos tempos para a Copa 2006, perdendo para a Austrália na repescagem. O desempenho na Libertadores, embora no grupo da morte, também deixou a desejar.
Bielsa: Jamais sairá da seleção chilena, vice-lider das eliminatórias e virtualmente classificada para a Copa 2010.
Bianchi: Não deixa o Boca por questões pessoais. Aliás, sequer quer treinar a equipe argentina, sendo apenas coordenador técnico.
Por fim, ficam sugestões de nomes novos e pouco comentados:
Miguel Angel Russo, campeão da Libertadores 07. Soube lidar com um elenco extremamente vaidoso, com a complicada briga de egos entre Riquelme e Palermo e levou a taça continental. Porém, como não existe solução ideal, ele foi eliminado ainda na primeira fase da competição esse ano, com o San Lorenzo. Está sem clube.
Ramon Diaz, também já venceu a Libertadores em 96 com o River, além de ter ganho 6 campeonatos argentinos (o último em 2007 com o San Lorenzo). Confesso que não sei exatamente das características dele como técnico, mas se não chegar cagando regra como o fez o Passarela nos Gambás, poder ser outro bom nome. Também está sem clube. Mas, o fator financeiro poder ser um grande impeditivo, tinha um contrato de 3,5 milhões de dólares por ano com o América do México. Dificilmente aceitaria uma redução drástica desse valor.
Gerardo Pelusso, em que pese o fraco currículo, armou muito bem o limitado time do Nacional na Libertadores e caminha para o título Uruguaio após vencer a primeira final contra o Defensor.
Luis Zubeldia, tem feito campanhas impressionantes com o Lanus, mas foi mal na Libertadores. Porém, o que chama mais a atenção é sua idade, 28 anos apenas. Inexperiência compensada pela grande identificação com o clube por qual defendeu em toda sua curta carreira de jogador.
Angel Cappa, montou um grande time no Huracan, jogando um belo futebol, que logo foi apelidado de tiki-tiki na Argentina. Porém, perdeu a final nos últimos minutos. Confesso que fiquei com a impressão de ver o Cuca argentino ao observar as reações desesperadas do treinador ao fim do jogo.
Enfim, não temos soluções ideais, quanto menos óbvias.