Na teoria, seria um jogo fácil. Se o grupo acreditasse nisso, teria tropeçado. O Santo André, apesar de um elenco envelhecido, foi um adversário duríssimo, e ainda vai tirar pontos de muita gente. O melhor sinal de todos foi esse: um elenco que não está subindo no salto, apesar da fase excelente. Dormimos líderes. Que beleza!
Mais de 19 mil parmeristas estiveram no Palestra e viram o Verdão ser superior ao Santo André, vencer com justiça, embora o adversário tenha valorizado bastante a conquista. Um placar mais alto, para os dois lados, teria ilustrado melhor o que foi o jogo.
No primeiro tempo o Verdão jogou melhor, mas sem conseguir estabelecer a autoridade plena. CleitonX vai se readaptando a uma posição um pouco mais avançada, mais proóxima de Diego e dos atacantes. A marcação do Santo Andre também dificultou bastante as articulações do Verdão, com destaque para o 8, Dionísio, além do veteraníssimo Fernando, que continua sempre eficiente.
O Verdão chegou a atacar com 8, deixando apenas os zagueiros plantados. Os dois laterais subiram ao mesmo tempo por várias vezes, e Pierre também andou meio desembestado. Assim, apenas Edmilson, mais pela esquerda, fazia uma certa proteção. Para nossa sorte, o Santo André ficou encurralado e não conseguiu aproveitar essa brecha.
O Verdão não teve muitas chances antes da marcação do gol. A melhor delas foi com Obina, impedido, que escorregou na hora de bater pro gol, no rebote de um chute de fora de Edmilson. Mas aos 22, veio a jogada que valeu o ingresso, seguida do gol: Diego Souza HUMILHOU aquele marginalzinho carioca com um drible desconcertante, fazendo com que o meliante apelasse para uma bicuda sem bola, por trás. O amarelo ficou barato pra ele. Na cobrança da falta de CleitonX, a bola foi desviada na disputa e se ofereceu para Diego Souza, livre, que pegou de sem pulo na linha da pequena área e fuzilou: 1×0.
O Santo André ainda tentou alguma reação no primeiro tempo, mas era prensado pelo Palmeiras em seu campo, e a disputa pela bola foi intensa na intermediária deles até o fim do primeiro tempo. Uma ou outra escapada de parte a parte, como uma bola levantada para nossa área, no 3 contra 1, que para nossa sorte foi pra fora, com um giro de CleitonX, defendido por Neneca, ou coma finalização no travessão de Obina, após jogada de Wendel.
Edmilson foi o grande maestro do time hoje. Saiu jogando, deu passes, distribuiu jogo, inverteu bolas, cobriu as descidas de Armero, e ainda subiu ao ataque e bateu de fora. Tranquilamente, a melhor partida dele no Palmeiras. E com Pierre melhor posicionado que no primeiro tempo, formaram uma grande dupla, não dando chance ao pilantrinha nem a Elvis de tentarem uma ligação rápida com Nunes ou com o 11, Antonio Flavio.
Desta forma, enquanto o Santo André viveu de tentativas de bolas esticadas ou de bolas paradas, o Verdão, depois de uma boa tabela que Wendel concluiu para boa defesa de Neneca, parou no péssimo juiz, num pênalti não marcado sobre Obina. e principalmente em sua ruindade. Numa delas ele até fez o certo, cortando o zagueiro após arrancada de CleitonX, e batendo forte, sendo bloqueado por outro defensor. Mas nas outras, foi um show de grossura de Obina, no mais constrangedor a furada foi tão bizarra que a chuteira foi parar na piscina. Marcos só trabalhou de fato uma vez, numa enfiada do bandidinho para Gustavo Nery, que bateu cruzado, rasteiro, que ele pegou bem.
No final, o time cansou, mais uma vez. Mas não tanto quanto no Maracanã. É nítida a doação do grupo. Mas esses cansaços nos finais dos jogos podem ser fatais a qualquer jogo. Choveu bolas em nossa área, e a defesa rechaçou todas. Desta vez. Até quando, não sabemos. Faltou um pouco de maturidade ao time para prender mais a bola ao final, em vez de tentar fazer o segundo gol meio que na louca e perder a posse.
Valeu mais pelos três pontos, pela superação de um adversário difícil e bem pegador, em casa, onde costuma dar zebra nessas circunstâncias, ainda mais com a natural tendência de salto alto quando se enfrenta um time pequeno do mesmo estado. O Verdão venceu tudo isso.
Fazia tempo que não víamos uma sequência de vitórias com o time saindo na frente e controlando os jogos, marcando gols no primeiro tempo e impondo logo a superioridade. Já foram quatro. Estamos invictos há 12. E a campanha de julho é de quatro jogos, quatro vitórias, com dez gols marcados e dois sofridos. Tá bom?
Pierre, Ortigoza e Mauricio Ramos forçaram o terceiro cartão e desfalcam o time em Goiânia, ficando liberados para o Derby. Tá chegando!
Atuações:
Marcos: exigido uma vez, uma boa defesa. 8
Wendel: desceu endoidado no primeiro tempo, no segundo foi mais cauteloso e foi na boa, mais encaixado com Pierre. 7
Mauricio Ramos: vai melhorando, mas ainda dá alguns sustos. 7
Danilo: partida tranquila, apesar de desprotegido. 8
Armero: pôde descer sossegado com a cobertura de Edmilson. Foi sempre uma dor de cabeça para o Santo André, principalmente para o tunguistazinho carioca. 7,5
Pierre: não foi tão bem como de costume, mas vai desenvolvendo um senso de liderança inédito, após dois anos e meio de clube. Teve certa liberdade para avançar, e isso o fez desguarnecer as descidas de Wendel. 7
Edmilson: o cara do jogo. Só não fez chover. 9
CleitonX: ainda se readaptando a jogar mais perto da área, e mesmo assim, mais um gol sai de seus pés. 7,5
Diego Souza: um ótimo primeiro tempo, apesar de muita firula não tão necessárias. No segundo tempo caiu de produção, chegou a sumir do campo. Quando um jogador entra em fase boa e começa com firula, ou está mascarando ou tem empresário gringo olhando. Atenção com ele. 7,5
Ortigoza: abriu espaços, tabelou, marcou saída de bola e ainda forçou seu cartãozinho. 8
Obina: levou azar em duas boas conclusões, e protagonizou um show de horror em outras. Como não fez o seu, 5,5
Willians: entrou no Ortigoza pra meter uma correria, mas não foi feliz. 5,5
Sandro Silva: entrou no Edmilson, e manteve a posse de bola. pena que não foi acompanhado pela maioria do time. 7
Deyvid: foi pra beirada do campo aos 40, e só entrou aos 44. Perdeu uma bola no meio de campo que quase dá contra-ataque. Mas fica sem nota, vai…
Jorginho: O arroz-com-feijão continua. Aparentemente corrigiu bem as subidas sem cobertura dos laterais no intervalo. Substituições corretas. 8