Num jogo de disputa ferrenha no meio de campo, o Verdão ficou no 0×0 com as moças, e manteve os 4 pontos de frente sobre o inimigo. Faltam dezesseis rodadas para o fim do campeonato, é bastante coisa. Mas com a chegada de Vagner Love, o Palmeiras deve resolver uma de suas maiores deficiências, a qualidade na finalização. Love tem uma média de quase 0,8 gols por jogo em toda a carreira. Se mantiver essa marca, pode fazer algo em torno de treze gols até o fim do campeonato. Brigaria até pela artilharia, o que seria fantástico pelas circunstâncias.
Muricy, conforme previsto, escondeu até o fim a condição de CleitonX para a partida. Com isso, Ricardo Gomes ficou vendido na armação de sua equipe, e tentou fazer o mesmo colocando em dúvida a masc escalação de Richarlyson. Como se fosse a mesma coisa. A meia hora do início do jogo, fim do mistério, e CleitonX estava escalado. O Verdão foi de 4-4-2 básico, simples. Ricardo Gomes armou os bambis no 3-5-2, com André Dias na sobra, e liberando Junior César e Jean para o apoio.
É realmente uma pena que nossos laterais não têm a qualidade que gostaríamos. Os flancos seriam um dos caminhos mais fáceis para a nossa vitória. Jogando nas costas dos alas bambis, a chance de sucesso teria sido muito maior, já que havia uma multidão no meio-campo, por parte dos dois times. Assim como os nossos laterais são fracos, os deles também não produziram lá grande coisa.
Assim, com uma guerra entre volantes, o jogo ficou por uma falha individual, por uma bola parada ou por um repente de talento de alguém. Para nosso desespero, Mauricio Ramos sentiu uma contusão muscular logo no início e teve que dar lugar a Marcão. O que era garantia de apenas uma falha, virou um perigo constante. E lá na frente, Diego Souza e CleitonX não conseguiam articular nada, além de presos na marcação, pareciam não tão ligados no jogo quanto deveriam.
Assim, no primeiro tempo houve poucas chances. No início, após excesso de soberba da biba-mor que acha que é o Ademir da Guia e tentou sair jogando, Ortigoza pegou a sobra e rolou pra Armero, na corrida, que chutou na rede, por fora. No último lance do primeiro tempo, Diego Souza roubou a bola na saída delas, tocou pra Ortigoza e recebeu de volta, o paraguaio estava aberto pela esquerda, livre, mas Diego foi fominha e decidiu bater para o gol, errando o alvo. Entre esses dois perigosos ataques do Verdão, as moças tiveram suas chances: uma tentativa individual de infiltração de Dagoberto, travado por Edmilson; a mais perigosa, numa ajeitada de peito de Dagoberto que Jorge Wagner bateu bem no canto, pra ótima defesa de Marcos; e uma tabelinha dos avantes delas, que Washington bateu forte de fora, e Marcos pegou novamente.
Hernanes não conseguiu voltar para o segundo tempo, e Ricardo Gomes colocou Arouca. Já Muricy voltou com Souza no lugar de Ortigoza. E os volantes dos dois times ditaram o rumo do jogo com ótimas atuações. O Verdão chegou a dominar o setor no segundo tempo, até Ricardo Gomes colocar Hugo no lugar de Dagoberto para voltar a equilibrar as ações. Assim, as duas equipes ficaram com apenas um atacante enfiado, esperando um erro do adversário. Marcão não errou, e a nossa parte lá atrás foi até que tranquila. Na frente, paramos na apatia de Diego Souza, no nervosismo de Deyvid Sacconi, que entrou no lugar de CleitonX e na falta de recursos de Obina. Danilo chegou a cabecear uma bola que raspou (mesmo) o travessão num escanteio, Armero teve outra boa chance numa tabela rápida em que ele novamente chegou na corrida. As frangas tiveram a chance de matar o jogo perto do fim, numa bola que rondou nossa área mas Jean bateu muito mal, por cima, quando tinha boas condições. Mas ficou nisso. Ruim para os dois, bem menos ruim pra nós, que continuamos na liderança.
Chamou a atenção a dedicação do time na parte tática. A cada paralisação da partida, sempre dois ou três jogadores corriam em direção a Muricy para buscar orientações. A aplicação e seriedade dos jogadores foi impressionante – dos dois lados, vamos reconhecer – com exceção do goleirinho delas, um mascarado incorrigível. A se lamentar apenas o estado de ânimo de Diego Souza, que em boa parte do jogo se conformou com a forte marcação bambi, e só se soltou mesmo nos quinze minutos finais, depois de ficar o jogo todo tentando cavar faltas, em vão.
O árbitro Heber Pilantra Lopes não cometeu nenhuma falha em lance decisivo. Mas ajudou a amarrar o jogo, e exagerou na tendência a marcar as faltas dos nossos jogadores e deixar seguir lances iguais do outro lado. O critério para os cartões também foi diferente dependendo da camisa. Mas é um caseirão, pilantrão, não deveríamos esperar nada diferente, ainda mais em jogo do Engenheiro Beltrão.
Temos uma sequência razoável pela frente agora: Barueri no Palestra, e o decadente Vitória na Bahia são jogos para vencer, e qualquer tropeço dos adversários aumentará nossa vantagem – um empatezinho do Inter contra o Galo, no jogo atrasado na quarta seria espetacular. Depois, teremos uma última sequência difícil, com jogos no Mineirão e na Vila (uma molezinha entre os dois, Atlético-PR no Palestra); e então uma fila de oito jogos* que, na boa, dá pra ganhar todos, e botar a faixa no peito a três rodadas do fim. Com os reforços entrando bem no ritmo do time, e não sendo tratados como Engenheiro Beltrão, o Palmeiras só perde o título para si mesmo.
* Avaí (C), Náutico (F), Flamengo (C), Santo André (N), Goiás (C), Gambá (N), Fluminense (F) e Sport (C)
Atuações:
Marcos: três boas defesas, nenhuma chegou a ser milagrosa, mas ele estava sempre lá. 8,5
Wendel: ah, se ele soubesse cruzar… 6
Mauricio Ramos: lesionou-se logo no início.
Danilo: não deu chances para nenhum atacante bambi. Nada foi em cima dele. E ainda quase fez um lá na frente. 8,5
Armero: correr, pensar, correr, pensar… Apesar dessa dificuldade, chegou duas vezes como surpresa para concluir, e não foi mal. 7
Pierre: não foi de suas melhores partidas, pro que estamos acostumados. 7
Edmilson: jogou muito, fez as vezes de zagueiro, volante e meia. Um líder em campo. 9
CleitonX: era nítido que estava sem ritmo, a falta de treinos por conta da recuperação da lesão cobrou o preço. 6
Diego Souza: era um jogo pra ele decidir, mas ficou na marcação bambi. 5
Ortigoza: uma ou outra participação efetiva. 6
Obina: outro que não apareceu porque a bola não chegava. Quando poderia fazer alguma diferença, esbarrou nas próprias limitações. 5,5
Marcão: vamos parar de pegar no pé dele. Eu teria colocado o Mauricio Nascimento, mas o Marcão entrou e foi bem, não errou nenhuma. 7
Souza: entrou no intervalo e foi responsável pelo domínio do meio-campo por boa parte do segundo tempo. 8
Deyvid Sacconi: vai queimando suas últimas chances. Pena. Tem talento, mas parece ser daqueles que com a camisa do Palmeiras, não faz tudo o que pode. 5
Muricy: armou o time com o regulamento debaixo do braço. Até tentou ganhar, mas não achou o empate ruim em momento algum. Ao contrário da torcida, que queria demais uma vitória. Coisas de quem acabou de chegar. 6,5