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30 de outubro de 2009

Sexta-feira, véspera de feriado, início da noite…

Arquivado em: Adversários, Futebol — conrado @ 23:56

Não poderia haver momento mais apropriado para que viesse à tona um fato inusitado que afetará diretamente a rodada deste final de semana do Campeonato Brasileiro.

O presidente do Barueri, Marcos de Almeida, decidiu suspender os atletas Val Baiano e Renê, e os mesmos não entrarão em campo amanhã para enfrentar o… São Paulo.

Mas dizer que o time do Jardim Leonor está diretamente envolvido seria leviandade, certo?

Então OK. Não direi.

Antes de prosseguir com o fato, vamos abrir parênteses para a eterna discussão sobre a validade da chamada mala branca. Há quem diga que quem aceita dinheiro para ganhar, aceita dinheiro para perder. Considero isso uma falha de avaliação enorme, isso partindo do pressuposto que quem diz isso está dando seu parecer honestamente.

Ora, aceitar dinheiro para perder vai no sentido contrário do princípio da competição, já que quem compete, compete para vencer. O conflito ético é evidente. Por outro lado, se há um terceiro interessado num resultado, e ele incentiva um time envolvido para que ele aumente sua motivação para ganhar, pessoalmente não vejo aí qualquer conflito – os doutores no assunto, se tiverem algo a acrescentar no raciocínio, sintam-se à vontade.

Mas há quem argumente que a mala branca é ilegal porque não consta da contabilidade de quem ofereceu, e que só poderia vir de caixa 2, o que caracterizaria a ilegalidade. Penso que, caso seja ponto pacífico que a mala branca não fere qualquer princípio ético, ela poderia ser, sim, declarada na contabilidade de quem a oferece. E assim teríamos a legalidade da prática formalmente estabelecida e o fim das polêmicas, o que seria um motivo a menos para vender jornal.

Isto posto, podemos voltar à curiosa decisão do presidente do Barueri.

Se o caso é uma punição, não seria o caso de multá-los? Tirá-los do jogo de amanhã não enfraquece o Barueri? No que o grupo do Barueri é beneficiado com a ausência de seu artilheiro e de seu goleiro titular?

Questionado, ele alegou que pretendeu, com a atitude, preservar os atletas. Mas preservar de que mesmo? Alguém pode explicar no que eles serão preservados já que isso só aumentou a polêmica sobre eles?

E por que ainda há a indefinição quanto à aplicação de multa? Isso depende de que? Afinal, tirá-los do jogo é punição ou não? Quer preservá-los ou puni-los?

E por que ele ficou tão irritado quando perguntado pela repórter Joanna de Assis sobre as razões que o levaram a essa decisão? Por que disse, logo após tentar explicar a atitude sem sucesso, que não iria discutir isso com ela, que eles não iriam jogar e pronto? Por que fugiu do assunto ao ficar acuado?

E por que isso aconteceu praticamente na calada da noite, exatamente numa véspera de um jogo contra o São Paulo? Por que essas coincidências atingem tão cruelmente o tricolor, sempre? Justamente o time que acabou de fechar um negócio com o Barueri, e que por isso, tirou mais um jogador da partida de amanhã, o misteriosamente contundido Fernandinho…

Desdobramentos do post anterior

Arquivado em: Imprensa — conrado @ 22:07

É, pessoal, essa tal de Internet é mais rápida que a gente imagina. Recebi a ligação do jornalista Marcelo Prado, que deu sua versão. Antes de qualquer coisa, ele se desculpou com toda a torcida. Segundo ele, não havia intenção alguma de ofender o Palmeiras ou à coletividade palmeirense. Alegou não ter a percepção de que ao fazer isso através do Twitter, suas opiniões pessoais atingiriam a todos.

Antes disso, recebi a ligação de outro jornalista, amigo dele, que me pediu que retirasse sua foto do post, pois desta forma eu o estaria expondo a possíveis atos de violência de torcedores mais intempestivos. Atendi ao pedido, já que a minha percepção do que um jornalista que está exposto à circulação de torcedores é diferente da deles, que vivem isso na pele.

Nas conversas com ambos, reafirmei que o que foi feito por este blog foi única e exclusivamente evidenciar o que foi escrito pelo próprio jornalista. Foram reproduzidas suas frases e foto, que ele mesmo se propôs a tornar públicas no Twitter (que aliás, ele já cancelou – nem precisava, bastava acionar o mecanismo de bloqueio e permitir apenas pessoas autorizadas a visualizarem seus twits). Disse a ambos que, diante das explicações, o que faltou foi uma coisa básica, uma melhor compreensão do que é o Twitter antes de sair por aí escrevendo qualquer coisa.

Por fim, surgiu a idéia de aproveitar o episódio e debater formalmente, com um pouco mais de profundidade, a relação da imprensa com o Palmeiras, seja a instituição, seja o clube em sua configuração atual, sejam os torcedores. Fica aqui o convite público a qualquer jornalista que acredite que esse pode ser o início de uma mudança definitiva no rumo dessa relação, cuja tensão remonta à década de 20 do século passado. Isso já foi feito informalmente no OV há algum tempo atrás, mas de repente se fizermos algo formal, pode ter algum efeito.

Tudo o que a torcida do Palmeiras exige é respeito. Não se pode, de forma alguma, desprezar o grito espontâneo de dezoito mil pessoas. Não há dúvidas de que alguma coisa está errada.

Exemplo de profissional

Arquivado em: Imprensa — conrado @ 14:32

As tuitadas abaixo são do jornalista Marcelo Prado, da globo.com. Vejam que exemplo de conduta profissional ao se manifestar num espaço público. Para quem quiser acompanhá-lo, @marceloprado. Inverti a ordem, podem ler de cima para baixo que está na ordem cronológica.

No Parque Antártica, muito bem acompanhado por @JuTravaglia. To sentindo cheiro de tragédia…
about 18 hours ago from web
(tentando xavecar a colega de trabalho, e deixando claro que é um dos que comemora gol contra o Palmeiras na sala de imprensa do Palestra)

Jogo bom no Palestra
about 17 hours ago from web

Edmílson novamente sofre na marcação do meio. Será que MR não percebe?
about 17 hours ago from web
(aqui ele começa a revelar que está predisposto)

Os dois times deixam muito espaço na marcação
about 17 hours ago from web

Edmílson sai machucado. O Palmeiras agradece
about 17 hours ago from web

O Palmeiras tem uma avenida pelo lado esquerdo do ataque. Aos poucos, vai percebendo…
about 16 hours ago from web

Ou o Hélio dos Anjos arruma isso ou o Goiás vai ter neguinho expulso ja ja
about 16 hours ago from web
(torce, boneca, torce…)

Eis que o bandeira erra um lateral que seria para o Goiás. E o Palmeiras tem um escanteio.
about 16 hours ago from web
(indignação!)

Bom primeiro tempo no Palestra.
about 16 hours ago from web

Gol do Palmeiras. Mérito do Souza, que brigou muito e deu belo passe ao Obina
about 16 hours ago from web
(tuitou enquanto enxugava as lágrimas)

O tal Hélio dos Anjos é um fanfarrão. Com dois postes no meio-campo (Romerito e Fernandão), tá esperando o que para mexer? Levar o segundo?
about 16 hours ago from web
(mais um arroubo de indignação. Como esse tal de Helio dos Anjos permite uma vitória do Palmeiras?)

E agora, o cara precisando ganhar, coloca um volante? Vai se catar
about 16 hours ago from web
(essa é a educação que ele cobra do Muricy…)

Agora os torcedores do Palmeiras brigam entre eles nas numeradas. Que patético
about 16 hours ago from web
(esqueceu o cheiro de tragédia e arrumou algo para criticar no Palestra…)

Vitória incontestável do Palmeiras
about 15 hours ago from web
(então chupa!)

Aos 32 do 2o tempo, entra o Felipe. Agora, Hélio dos Anjos???
about 15 hours ago from web
(que burro, né?)

O Iarley merecia time melhor….
about 15 hours ago from web
(o tricolor, talvez?)

Danilo, ao afastar a bola em lance na defesa, acerta a cabeça de uma mulher, que desamaia na numerada…
about 15 hours ago from web
(e ainda teve um seguidor bambi que respondeu que bom é o Morumbi porque é longe…)

E os desequilibrados torcedores do Palmeiras xingam os jornalistas ao final da partida.. Simplesmente patético
about 15 hours ago from web
(patético é você, que nestes tuits mostra que mereceu cada palavra da torcida)

@alexsabino Bem observado
about 15 hours ago from web in reply to alexsabino

Como eu falei, a contusão do Edmílson fez o Palmeiras deslanchar
about 15 hours ago from web

Frase do Souza. “Clássico é clássico”. Booooaaaaaaaaaa
about 15 hours ago from web

Esse cara me dá nojo… Coitadinho, 500 mil por mês e quer se fazer de vítima??? Tadinho..
about 14 hours ago from web
(falando de Muricy. A inveja é uma porcaria, não?)

@ThiagoSalata É um ogro, cretino. O pior são os baba-ovo em cima dele, bando de puxa saco
about 12 hours ago from web in reply to ThiagoSalata
(respondendo a uma ironia feita pelo Thiago Salata. Até o Salata entrou na onda anti-Muricy. Que pena…)

@ThiagoSalata Tem gente que embarca nessa. Faça-me o favor…
about 12 hours ago from web in reply to ThiagoSalata

A quem fica, boa noite. Amanhã, é acordar cedo e pegar o avião rumo a Presidente Prudente. Fui!!!!!
about 12 hours ago from web
(os jogadores e Comissão Técnica, que lerão tudo isto, o aguardam ansiosamente!)

Palmeiras 4×0 Goiás

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 9:34

Por essa ninguém esperava. Tínhamos fé que esse tempo extra que o Palmeiras teve para treinar seria útil, que a mudança na postura tática seria benéfica, que os boatos estúpidos lançados por aí serviriam para deixar o grupo com mais sangue no zóio… Mas quatro a zero, com três de Obina, ninguém esperava.

Ou melhor: tem um cara que esperava. Meu amigo Toninho. Em nossa lista de e-mails durante o dia, diante da descrença de muitos, inclusive deste aqui, ele cravou: “vai ser 4×0″. E pior: disse que seriam 3 do Obina, para gargalhada geral. São 90 testemunhas.

A entrada para o jogo foi cercada de muita, muita apreensão. Todos estavam muito conscientes que era jogo de vida ou morte. Se perdesse, adeus – nem tanto pela pontuação, mas pelo moral do time, que seria esmigalhado. Encontrei o Toninho mais o Roberval e o Victor no clube antes do jogo e fomos para a arquibancada. Toninho, esbanjando confiança. Impressionante.

O jogo começou bom. No 3-5-2, o Verdão usava e abusava dos alas, que corresponderam. A defesa do Goiás, composta por três jovens cuja média era 20 anos, dava pinta que se forçasse, eles confessavam. E o Verdão foi pra dentro. Na primeira boa jogada, Obina foi ao fundo e cruzou para Ortigoza, que preferiu dominar e deu tempo para a recuperação do zagueiro. No escanteio, Ortigoza bateu firme, e ela saiu rente.

O Goiás, por sua vez, forçava as bolas enfiadas para Iarley. Nossos três zagueiros não entraram num acordo sobre quem o marcaria, e com muita movimentação, principalmente sobre Marcão, ele pintou e bordou. Com a aproximação de Fernandão, foi sempre um atacante muito perigoso. Nas bolas aéreas, o Goiás também ofereceu bastante perigo. Mas o Palmeiras ainda teria mais duas ótimas chances, com Diego Souza, que estava bastante marcado, mas conseguiu uma boa arrancada e bateu da entrada da área, rente à trave esquerda de Harlei, e numa cobrança de falta, que beijou a forquilha.

Perto dos 30, o lance decisivo: Edmilson sentiu a coxa e foi substituído por Sandro Silva. O time mudou muito. Sandro Silva, que havia treinado no time titular durante boa parte da semana, foi muito mais presente e foi preponderante no domínio definitivo do meio-de-campo. Por várias vezes se deslocou para a direita e trocou com Figueroa, confundindo a marcação. O time engrenou.

No intervalo, Toninho admitiu, preocupado, que achava que não ia mais dar seus 4×0. Fiz uma cara de desprezo, afinal, claro que não seria 4×0, era jogo pra 1×0 suado no fim do segundo tempo. Isso se tirassem o morto do Obina, que pegou três vezes na bola.

O time voltou igual. O Goiás veio mais avançado, e estranhamente escancarou o meio. Um buraco enorme deixou o trio de zagueiros completamente desprotegido. E logo aos quatro minutos, a porteira finalmente se abriu: Souza fez o que sabe fazer melhor – roubar bolas, e teve que dividir duas vezes – pra depois fazer o que faz de pior – passar a bola, o que desta vez fez magistralmente. O passe achou Obina na corrida, na distância e na passada perfeitas. E Obina, bem mais magro, em total forma física, chegou na bola e acertou um míssil, com enorme precisão, inaugurando o placar.

Foi um grito de gol muito, muito intenso. Como há muito eu não ouvia no Palestra, apesar de mais vazio que o costume. Os dezoito mil palmeirenses que compareceram ao estádio incentivaram durante todo o primeiro tempo, como uma legítima torcida portenha. Todos os que foram compreenderam a necessidade de jogar junto com o time. E os três jogos e meio sem balançar as redes já estavam judiando demais dessa torcida. O gol libertou muito mais que um grito da garganta: tirou também um caminhão das costas de cada jogador.

O Goiás, que também está numa fase terrível, tentou se rearrumar, com a entrada de Ramalho para reforçar o meio, mas não adiantou. Muricy forçou o jogo pelas laterais, e com o apoio de Ortigoza, que correu como um maluco, e de Sandro Silva, o trio defensivo dos goianos teve que se espalhar. Assim, com bastante espaço, aos 29 surgiu a jogada do pênalti sofrido por Ortigoza, e que Obina bateu não muito bem, mas forte, dificultando a defesa para Harlei que foi certinho na bola.

O placar anunciava a vitória parcial do Fluminense sobre o Atlético, e a festa estava completa. Ou pelo menos parecia. Toninho fazia as contas, e voltou a acreditar nos 4×0. Afinal, Obina já tinha feito dois. E Muricy resolveu judiar do Goiás: sentindo o bom momento, com o jogo praticamente definido, resolveu ocupar mais o espaço na frente da zaga deles e colocou Deyvid Sacconi no lugar do Ortigoza, extenuado.

Trazendo a bola de trás, mesmo com Obina isolado, o time continuou mandando no jogo, e rapidamente saiu a tabelinha do terceiro gol, o mais bonito: de Deyvid para Obina, de Obina, de calcanhar, para Deyvid, que bateu cruzado: 3×0, aos 39. A essa altura, até eu passei a acreditar no placar do Toninho, que já estava quase chorando…

E aos 42, já aproveitando o espaço deixado pela expulsão de Rafael Toloi, pra completar a festa, o gol antológico: passe de Marcão – Marcão! – para Obina, mais uma vez na velocidade – Obina na velocidade, no fim do jogo, vejam bem – ele entrou em diagonal e tocou com extrema categoria no canto oposto. Era o quarto gol, o terceiro do Obina, e a profecia do Toninho se concretizava.

O juiz carioca, que ainda deixou de dar dois pênaltis a nosso favor, apitou o fim do jogo e o que se viu no Palestra foi uma coisa maravilhosa. Ninguém arredava pé do estádio, apesar da chuva fina que resolveu cair depois do terceiro gol. O time comemorou unido, no centro do gramado. Muricy batia no braço e no peito, e vibrava como um torcedor. A torcida, aliviada, vendo o time recuperar a liderança que, afinal, nunca perdera, e assistindo finalmente a uma boa exibição, bradava: EI, IMPRENSA, VAI TOMAR NO CU! – era a resposta para o carnaval feito nas 24 horas que durou a falsa liderança bambi, à tortura mental que foi imaginar o que aconteceria em caso de mais um resultado negativo.

O Verdão lavou a alma. Recuperou a liderança, recuperou a confiança, dos jogadores e dos torcedores. Recuperou mais da metade do saldo de gols que havia perdido nas rodadas anteriores. Ganhou um ponto em relação à vantagem que tinha no início da rodada, e ainda recuperou a condição de poder tropeçar uma vez. Com esse aumento no saldo de gols, o Palmeiras pode empatar um jogo, desde que o bambi não ganhe por cinco gols, que permanece líder. E agora são apenas seis rodadas para o final.

Como as coisas mudam rápido no futebol, hein…

Atuações:
Marcos: uma boa defesa no início, uma mais ou menos no segndo tempo, e não teve muito mais o que fazer. 8
Mauricio Nascimento: um pouco confuso na marcação de Iarley. 6,5
Danilo: preciso como sempre, e ainda tentou orientar o posicionamento. 7
Marcão: uma de suas melhores partidas. O Kleine me ligou depois do jogo, emocionado. 8,5
Figueroa: participativo, tático, coletivo. Resolvemos o problema da lateral-direita. 8,5
Souza: vinha errando todos os passes no primeiro tempo. No segundo tempo, fez a jogada iluminada que abriu a porteira. 8
Edmilson: destoou do time, mais uma vez. Não joga domingo, assim como Sandro Silva, suspenso. Deve vir Jumar ou Wendel. Mesmo se não tivesse se lesionado, deveria sair da mesma forma. 4
Diego Souza: o único que teve uma marcação mais específica, mesmo assim, foi bem diferente do jogador apático que vimos depois da maledetta convocação. 8
Armero: continua pouco inteligente, mas cada vez mais importante como opção de escape pela esquerda. E como corre! 7
Ortigoza: grande partida. Auxiliou a articulação, se desdobrando pelos dois flancos; correu, brigou, até os 15 minutos do seundo tempo, quando pregou e passou a errar tudo. Mesmo assim, ainda ficou em campo mais 15 minutos, até sofrer o pênalti. 9
Obina: tem o que falar? DEZ
Sandro Silva: deu a consistência que faltava ao meio-campo. Uma pena ter recebido o terceiro amarelo. 9
Deyvid Sacconi: foi o toque de crueldade de Muricy. Com o Goiás entregue, ele transformou uma bela vitória numa goleada impiedosa. 8,5
Robert: ficou alguns segundos em campo. S/N
Muricy: chamou o time na xinxa e deu resultado. Contou com uma dose de sorte – a contusão de Edmilson. É assim que se ganha campeonato. 8

29 de outubro de 2009

O Palmeiras não é só seu

Arquivado em: Torcida — conrado @ 9:27

A mensagem já é manjada, mas o momento exige o lembrete.

Se você é um sujeito impaciente e que não consegue conter suas frustrações instantâneas…

Se você for do tipo que vai ao campo para extravasar…

Se você tem compromisso com a vitória e não com o time…

Se você não entendeu ainda que o Palmeiras não é só seu…

NÃO VÁ AO PALESTRA HOJE, SUA ANTA…

Esta noite não serão admitidas vaias durante o jogo de forma alguma. Se o jogo se mostrar difícil, o resultado deverá vir até os 90 minutos, não nos primeiros 10 ou 15. O time precisa de todo apoio do mundo. Precisamos de gente jogando junto. Não contra.

Erros de passe, desatenções, apagões devem ser tratados com gritos de “VAMO”, e não com “SEU FDP!”

De minha parte, não tolerarei nada neste sentido perto de mim e farei o que for necessário. Incentivo a todos que façam o mesmo.

Hoje é guerra. Contra o adversário; e infelizmente, também contra nós mesmos.

28 de outubro de 2009

Pau que bate em Chico bate na Francisquinha?

Arquivado em: Imprensa — conrado @ 17:54

Ano passado a Traffic contratou Marquinhos junto ao Vitória, e anunciou que o jogador atuaria pelo Palmeiras em 2009, fato que veio a se concretizar. O anúncio da transação foi feito alguns dias antes do confronto entre Palmeiras e Vitória, nas rodadas finais do Brasileirão do ano passado.

À época alguns membros da grande imprensa insinuaram que Marquinhos não se esforçaria para fazer gols pelo Vitória contra o Palmeiras, já que isso significaria diminuir suas próprias chances de jogar a Libertadores.

O jogador Fernandinho, atacante do Barueri, acertou com o São Paulo para 2010, até o fim de 2012.

O que será que os mesmos arautos da moralidade dirão? No final-de-semana, teremos, ora vejam, Barueri x São Paulo…

Entrevista para “O Chiqueiro”

Arquivado em: Outros — conrado @ 0:20

Amigos, tive a honra de ser entrevistado pelo pessoal d’O Chiqueiro, site palmeirense com ênfase em charges, cartuns e caricaturas. Aliás, um dos sites com design mais interessante e criativo da mídia esportiva brasileira. Se você ainda não conhece, não sabe o que está perdendo.

O Chiqueiro (www.ochiqueiro.com.br) é mais uma prova do quão diversificada e talentosa é a chamada Mídia Palestrina. O que tem de gente boa por aí, mostrando seu talento e amor ao Palmeiras ao mesmo tempo, nas mais diversas áreas, é impressionante.

Confiram a entrevista – e a charge que eles me deram de presente. Ao Bruno e ao André, toda a sorte do mundo com o site, e muito obrigado pela oportunidade!

27 de outubro de 2009

Nossas categorias de base

Arquivado em: Administração — conrado @ 13:01

As categorias de base do clube estão passando por uma reformulação profunda. Esta divisão do Departamento de Futebol do Palmeiras conta desde fevereiro com os serviços de Marcos Biasotto, com quem conversei na semana passada. Abaixo vocês podem conferir os vídeos desta conversa. Infelizmente, na parte final da entrevista, acabou o espaço no memory card da câmera, mas eu transcrevo o que foi dito. Vale a pena conferir o que está sendo feito em nossas categorias de base, e o que esperar para o futuro.

Parte 1 – Marcos Biasotto se apresenta e descreve toda a sua trajetória, desde o início como atleta profissional, depois como auxiliar técnico e finalmente como coordenador de divisões de base, passando por toda a sua formação acadêmica.
Parte 2 – Biasotto explica o papel do time B, hoje composto basicamente pela categoria sub-20, e a adequação das subdivisões da categoria de forma a maximizar o aproveitamento dos garotos nas competições mais importantes das categorias menores. Biasotto revela que está trabalhando nos bastidores para tentar promover uma mudança estrutural nas categorias de base do país, a fim de beneficiar o futebol brasileiro como um todo.
Parte 3 - neste trecho, Biasotto descreve toda a estrutura física e humana das categorias de base do Palmeiras. Tudo o que está por trás do desenvolvimento dos futuros craques do Palmeiras e do Brasil.
Parte 4 – Biasotto explica como é feito o processo de captação de garotos para iniciar os testes no clube, e a partir do ponto em que o garoto é aprovado, como é feito o acompanhamento e todas as reavaliações periódicas, para decidir se o atleta deve ou não continuar o processo.
Parte 5 – aqui, Biasotto explica como o atleta é preparado para integrar a equipe principal do Palmeiras.

Neste ponto, acabou o espaço na memória, mas felizmente a entrevista já estava no fim e não perdemos muito material.

Já que todo o interesse dos torcedores do Palmeiras nas categorias de base estão relacionados com conquistar a Copa São Paulo, a única competição das divisões menores com penetração na grande mídia; e com revelar novos valores para o time profissional, perguntei ao Biasotto o que esperar deste trabalho iniciado em 2009, já para 2010. Ele obviamente não prometeu títulos, mas tanto para a Copa São Paulo, como para o Campeonato Brasileiro, realizado no Rio Grande do Sul e que para ele é tecnicamente uma competição muito mais forte que a Copa São Paulo, o Palmeiras já terá uma equipe bastante competitiva.

Quanto a reforços para a equipe principal, ele preferiu não citar nomes para preservar a garotada, para evitar criar expectativas precipitadas dos torcedores, dos familiares e deles próprios em relação ao prosseguimento das carreiras. Mas afirmou que, apesar do trabalho estar no início, já será possível que Muricy alce ao time de cima alguns valores do time sub-20. E que essa tendência tende a aumentar com o passar dos anos, quando teremos, em 6 ou 7 anos uma safra de jogadores formados desde muito cedo através dessa metodologia.

Apesar de estarmos vivendo um momento bastante agitado no fechamento do Campeonato Brasileiro, espero ter conseguido colher um bom depoimento do profissional mais graduado nas nossas divisões de base. Sabemos que, com o formato atual da legislação, ser formador de valores é uma grande vantagem competitiva dentre os clubes de futebol, e o Palmeiras, cuja tradição nessa área limita-se – sabe-se lá por que – apenas à formação de goleiros, busca alcançar a excelência neste aspecto de forma mais ampla. E o Biasotto parece ser um dos caras mais adequados no país a conduzir um time a essa condição. Que seu trabalho tenha longa vida no Verdão.

26 de outubro de 2009

Ingressos à venda!

Arquivado em: Administração, Diretoria — conrado @ 14:22

E arquibancadas às moscas. É a aposta deste blog, ao tomar conhecimento oficialmente dos preços a serem praticados pelo Palmeiras para os ingressos das duas próximas partidas. O preço da arquibancada comum, inteira, para o jogo de quinta-feira contra o Goiás foi mantido a R$40. Para o Derby no Mato Grosso, R$50.

Este blog já deixou clara sua posição com relação à política de preços dos ingressos. Se tem quem pague, o ingresso tem que estar lá em cima mesmo. Mas levando em consideração a campanha recente, e que as duas partidas acontecerão antes do pingo do salário do povão, não há como concordar com a decisão. Foi equivocada. Neste momento, a diretoria poderia ponderar se é melhor ter um estadio cheio com o ingresso a R$25/R$30,  ou um estádio pela metade com o ingresso a R$40/R$50.

Retirarei a crítica se as arquibancadas estiverem repletas de palmeirenses, nos dois jogos. Mas truco. Confio no meu chutômetro. Minha aposta para quinta: 14.700 pagantes, se não chover.

***

Pois é, rezem para não chover. Lembrando que a previsão do tempo para quinta é de pancadas de chuva à tarde. Se forem ao fim da tarde, como costuma ser, é aquela chuva que deixa o trânsito da cidade um inferno e vai fazer o cara que estava em dúvida deixar de ir. Podem tirar mais uns 2.500 pagantes da previsão se cair uma chuvona daquelas.

Aliás, neste exato momento chove a cântaros na zona oeste da capital paulista.

Parabéns a você

Arquivado em: Adversários, Futebol — conrado @ 13:50

No longínquo 26 de outubro de 2006, o Palmeiras perdia por 1×0 para os gambás, gol de Marcelo Mattos. De lá para cá, foram seis jogos (podiam ter sido mais se eles não tivessem caído de divisão…), com cinco vitórias do Palmeiras e um empate, dez gols do Palmeiras e só um deles.

Relembre o que acontecia no mundo da última vez que eles ganharam da gente…

E que o time amplie essa marca no próximo domingo!

25 de outubro de 2009

Começa um novo campeonato

Arquivado em: Futebol — conrado @ 20:04

Nesta quarta-feira começa um novo campeonato. Sete jogos para cada um dos cinco times postulantes ao título. Tem ainda o Cruzeiro que ameaça correr por fora, mas por enquanto vamos nos concentrar nos cinco mais bem colocados.

E o Palmeiras, que promete uma nova atitude para as partidas finais, está em vantagem, resultado do conjunto de 31 jogos realizados até agora pelos participantes. O nosso foi ligeiramente melhor que o dos outros.

A tabela está logo abaixo. Podem começar a pirar nas comparações e nas projeções.

Uma coisa é certa: pontos corridos definitivamente não é uma fórmula sem graça.

Pts
R32
R33
R34
R35
R36
R37
R38
54
53
52
52
51
     
   
neutro casa fora

23 de outubro de 2009

Respira fundo 2

Arquivado em: Futebol — conrado @ 11:52

Já se passaram dois dias, já é possível dar uma passada no que está acontecendo fora do calor do jogo e da tristeza profunda que o mesmo provocou.

Primeiro lugar: a rodada ainda não acabou, e embora a tendência fortíssima seja da vantagem ser reduzida, ela ainda pode se manter. A ordem agora é secar os inimigos. Claro que o certo seria fazer a nossa parte e danem-se os outros, mas eles já não fizeram a parte deles nas rodadas anteriores e estão tendo que secar a gente. Se pra eles não é feio, pra nós também não é. Isso é um campeonato de pontos corridos.

Confirmando-se a tendência de que a vantagem seja diminuída a um ou dois pontos, o que não nos dá nenhuma rodada de margem como tínhamos antes, a ordem é olhar para a frente. Não temos alternativa, se ainda quisermos ganhar o título. São sete rodadas, e a vantagem, embora ínfima, ainda existe. Desconsiderando o aspecto técnico/tático/psicológico, a vantagem matemática, que é a que conta no final do campeonato, ainda é nossa, e todos queriam tê-la neste momento.

Para manter ou até ampliar novamente esta vantagem, para retomar o caminho das vitórias, entretanto, é preciso olhar um pouco para trás e tentar entender as razões desta queda tão abrupta, e corrigir os equívocos. E logo de saída quero deixar claro: esqueçam todas as teorias conspiratórias que vocês andam ouvindo. A não ser que os jogadores sejam ótimos atores quando estão fora do vestiário, treinando na Academia, não existem problemas de relacionamento, nem com Marcos, nem com Diego Souza, nem com Vagner Love – sobre quem foram levantadas suspeitas de que sua chegada teria deflagrado uma crise de ciúme relacionada a salários. Sabemos que a História do Futebol está recheada de casos assim, e no próprio Palmeiras num passado nada distante. Mas este elenco não padece deste mal. Repito: a não ser que eu esteja muito, muito enganado. Mas juro a vocês: bem de perto, não há nada que indique isso.

E se não há problemas de relacionamento, o que causou essa queda tão grande?

Pessoal, ontem foi um dia longo e triste, mas deu pra ficar pensando bastante. Revendo a fita, pra tentar achar a raiz do problema, e todos os seus desdobramentos. Gostaria aqui de expor uma sequência de fatos que, como uma bola de neve, soterraram o futebol do Palmeiras:

1) a contusão de Pierre e logo a seguir, de Mauricio Ramos: o sistema defensivo ruiu. Por cima, Mauricio Ramos tinha encontrado o posicionamento ideal com Danilo, e as poucas bolas que eram levantadas em nossa área eram rechaçadas. Com a saída de Pierre, aumentou o número de escanteios e faltas próximas à nossa área, e sem Mauricio Ramos – ou seria, com Marcão – o número de gols tomados desta forma aumentou consideravelmente. A melhor defesa do campeonato não existe sem essas duas peças, assim como não existiria sem Danilo. O conjunto era sólido, mas as peças de reposição realmente estão deixando a desejar.

2) a chegada de Vagner; e a perda do meio-de-campo: apesar do enorme talento e faro de gol de Vagner Love, o time mudou sua característica ofensiva, e defesas bem armadas conseguem neutralizar nosso sistema de ataque. Só funcionou bem contra o Santos, cuja defesa é risível. Mesmo nas vitórias contra Barueri e Atlético-PR, os gols saíram a duras penas e na base da pressão da torcida. O meio-de-campo não consegue mais se impor e servir o ataque, e as ligações diretas são recorrentes.

3) Diego Souza e Marcos: nosso goleiro andou falhando, tanto em Salvador como em Recife. Abalado, explode em campo e passa todo o nervosismo aos companheiros. Ele parece ter se conscientizado disso no ABC, e já corrigiu a falha. Mas os estragos causados até então explicam em parte a pane psicológica. Já Diego parece estar sentindo duplamente: ouviu-se muito que ele seria apontado como o melhor jogador do campeonato, principalmente após a vitória na Baixada. Tremendo oba-oba. Todos apontaram o campeonato como terminado e o Palmeiras campeão. E logo em seguida veio a convocação, e a chance de ser titular, numa roubadaça que é jogo em La Paz. Enquanto isso, o time sucumbia em Recife sem Diego, e assim aumentava ainda mais sua responsabilidade. Na volta, depois do insucesso, e com o fardo ainda maior, ele não suportou. O jogo no ABC foi a maior prova: ele correu muito até o gol. Depois disso, e com a saída de CleitonX, ele parecia outra pessoa.

4) fragilidade emocional generalizada: nos jogos contra Vitória, Cruzeiro, Atlético-PR e Santos, o Palmeiras esteve em situações ruins no placar, e exceto em Salvador, buscou o resultado. Contra o Cruzeiro, foi beneficiado pela rapidez com que o gol de empate veio, e a postura do time, respeitando o adversário e se posicionando para o contra-ataque, o que foi fundamental para a vitória. Contra o Atlético, o gol da vitória veio numa jogada de escanteio; e contra o Santos, que foi a exceção, foi um jogo em que os esquemas se encaixaram favoravelmente a nós, e o time jogou muito. Depois disso, não houve mais força mental pra buscar os resultados adversos. O último suspiro foi o empate buscado contra o Avaí, e na base da pressão do Palestra.

5) o jogo no ABC: o time vinha num declínio técnico. Vitórias suadas em casa, depois um empate com o Avaí. Não há camisa e liderança que aguente tanto tempo, e com os desfalques, veio a derrota contra o Náutico. Em seguida, um jogo contra um time em ótima fase e que encaixou bem o jogo, e com Petkovic iluminado, que foi o Flamengo. Outra derrota normal, embora frustrante. Quem deveria pagar o pato era o Santo André. E mais uma vez a expectativa da torcida foi criada. O time jogava bem, e a pinta é a de que venceria com tranquilidade, após grandes chances criadas. O domínio era nítido. Até então, nada a reclamar, nada de panelinha, nada de ciúme de salário, tudo ia bem. Aí veio o fato que mudou a história do jogo: a contusão de CleitonX. Uma opção a menos na saída de bola. Um erro lamentável de Mauricio Nascimento, na afobação. Uma bola mal passada, uma dose de má sorte do Santo André estar bem posicionado pelo lado da jogada, e saiu o gol. Aí veio a pane psicológica de Diego Souza. E ele emperrou, nitidamente. Travou. Num minuto, perdemos os dois meias. E o jogo acabou ali. Nem precisava continuar.

Para reverter a tendência, basta ao Palmeiras sair na frente num jogo, com consistência. A confiança tende a voltar, e o time vai voltar a fluir. Os adversários vão voltar a temer o líder, e as vitórias tendem a surgir com mais frequência, mesmo com os desfalques. Mas para isso acontecer, precisa desemperrar o time. E pra isso precisa resolver a parte tática, que está equivocada. Uma mudança sensível pode ser a faísca de motivação para reverter a pane mental.

Temos que jogar feio. Temos que proteger mais a defesa. Temos que jogar mais no erro do adversário, e aproveitar a força e a velocidade de Vagner. Os laterais precisam descer mais e continuar explorando o cabeceio de Robert, que tem que voltar a aparecer no segundo pau como no início, e parar de se esconder. E os volantes precisam se desdobrar para cobrir essas descidas.

Diego Souza precisa de um trabalho especial. Ele é o líder em campo, além de Marcos. E na falta de Pierre, é também o coração, o jogador mais vibrante. Ele precisa voltar a ser o jogador que conduziu o time no primeiro turno, que deu show, que acabou com as defesas adversárias, que fez golaços, que bateu no peito. Considero-o o maior responsável pela subida e pela descida do time. Portanto, não se pode pregá-lo na cruz. Temos é que apoiá-lo para que volte a ser o grande Diego Souza. Está nas mãos da diretoria e da comissão técnica.

Muricy também tem sua porção de responsabilidade. Ele precisa, num curto espaço de tempo, desenvolver esse sistema mais cauteloso, mas que permita matar o jogo, e devolver a confiança ao time. Os jogadores não podem entrar em campo apavorados. Eles precisam entrar confiantes que estão bem preparados taticamente para o jogo. Cabe ao técnico providenciar isso, e ele talvez esteja precisando de uma cobrança um pouco mais incisiva nesse sentido.

Enfim, chegamos à torcida. Protestos parecem estar sendo preparados. Nada mais justo, o futebol tem sido pífio, vergonhoso. Mas os protestos devem ser inteligentes. Nunca se pode esquecer que estamos a sete jogos de um título. Protestos legítimos devem sempre ter como objetivo chacoalhar o time para que eles melhorem. Protestos burros, em vez de ajudar, atrapalham. Esperamos que as nossas organizadas levem isso em conta.

Quanto ao torcedor desorganizado, cabe a ele respirar fundo. De novo. E guardar a grana para o próximo jogo, que é antes de pingar o salário, e ir ao Palestra sufocar o Goiás. Aliás, diante das apresentações pífias, seria de muito bom tom a diretoria considerar abaixar o preço para essa partida, para garantir o estádio mais uma vez lotado. É o tipo de ação que deve ser encarada como investimento. Mesmo porquê, duvido que o público seja maior que 20 mil se os preços forem mantidos no patamar atual.

VAMO PALMEIRAS!

21 de outubro de 2009

Santo André 2×0 Palmeiras

Arquivado em: Jogos — conrado @ 23:41

Que angústia. A torcida do Palmeiras mais uma vez passa por uma provação que não merece. A terceira derrota seguida, mais uma vez num jogo em que os três pontos eram a coisa mais natural a se conseguir, e de novo sem marcar sequer um gol, é um castigo duro demais a esta altura do campeonato. O Palmeiras enfrentou um adversário que luta contra o rebaixamento e, como nós, encarou como o jogo da vida. Mas nos detalhes, levamos novamente a pior.

Se a diferença técnica entre os times era grande, isso foi neutralizado por três fatores: o gramado alto, que prejudicou a qualidade do passe; a contusão de CleitonX, logo após o primeiro gol do time do ABC; e o nervosismo que atrapalhou mais ainda as tentativas de trocar bolas do Verdão. Assim, o Palmeiras não conseguiu fazer prevalecer sua superioridade, e viu mais uma chance de abrir vantagem na tabela escorrer pelos dedos.

Das três derrotas, podemos dizer que essa foi a que o time jogou menos mal. Talvez por isso tenha sido a mais doída. Era nítido que o time estava correndo, se doando, tentando preencher os espaços, buscando o resultado com toda a força. Mas do outro lado tinha um time desesperado, motivado por estar sendo mostrado na televisão ao vivo, e que entrou para ganhar, e não para empatar. E que foi competente nas chances que teve, em vacilos de nossa defesa – certamente causados pela ansiedade de ter que buscar o resultado. Fosse este jogo disputado pelos mesmos jogadores, na mesma data, mas o Palmeiras vindo de bons resultados, e o placar de hoje seria bem diferente.

Muricy ainda não conseguiu fechar o espaço no meio-de-campo, a distância entre os jogadores ainda está grande, mas já melhorou, principalmente pela apresentação dos laterais para o jogo. Havia mais opções para trocar passes. Mas como erraram! A cada passe errado, a cada perda de posse de bola, a cada minuto a menos restando para o fim do jogo, era um nó a mais na garganta. Às vezes cheguei a acreditar em fatores sobrenaturais pra essa bola não estar entrando, pro time estar tão emperrado, pra trave aparecer no meio do caminho, e pros gols do adversário saírem por falhas tão estúpidas.

Não há muito mais o que opinar sobre este jogo. Apenas lamentar o curto intervalo entre o último jogo e este, quando o time precisava de mais dias para desafogar a sequência ruim. Em contrapartida, o tempo a mais vem agora. Que usem para reverter tudo o que está segurando o time. Psicologia, tática, físico, e até macumba. Tá valendo tudo para fazer o time voltar a engrenar e segurar, por sete jogos, a vantagem, que pode ser de um a quatro pontos ao fim da rodada. Tendendo a um.

Nós, da torcida, temos é que nos manter firmes. Cobrando na hora de cobrar, mas durante os jogos, apoiando sempre. Nada de protestos, como os que vimos hoje. Se bem que já era no fim do jogo e pouca coisa poderia acontecer – apesar dos inacreditáveis gols perdidos por Diego Souza e Robert.

Atuações:
Marcos: pegou bolas muito boas, e ficou vendido nos dois gols. E não abriu a boca pra falar besteira. 8
Figueroa: apareceu bem para o jogo, mas falhou em sua maior qualidade: os cruzamentos. 5
Danilo: não teve o que fazer nos gols. 5,5
Mauricio Nascimento: errou o passe no primeiro gol e pôs tudo a perder. Nervoso ao extremo, foi um dos que contagiou o grupo negativamente.  1
Armero: apareceu como nunca para o jogo, mas continua se precipitando por excesso de vontade ou pela razão mais habitual: não pensa as jogadas. 6
Souza: mais um que estava tenso, e errou praticamente todos os passes. Levou bronca do time todo no início do jogo. Depois, se aprumou. 4,5
Edmilson: parece que chora enquanto joga. Ainda disperso, embora não tanto quanto domingo. Seria intolerável. 4
CleitonX: estava sumido até sentir a contusão. Sem ele para opção de passe, houve o erro e o gol dos caras. s/n
Diego Souza: sua atitude estava perfeita: correu, gritou, comandou, conduziu – até tomar o gol. O líder do time foi a nocaute após a abertura do placar e levou o time junto. 3
Obina: magro, buscou mais jogo que o habitual, demonstrando estar fechado com o espírito do grupo. Mas não foi suficiente. Meteu duas na trave. 6
Vagner Love: mais uma vez, buscou jogo o tempo todo, nunca abaixou a cabeça, o que mais resistiu e se negou a aceitar a derrota. Mas parece que está amarrado. 7
Marquinhos: foi melhor que o displiscente Marquinhos de antes da contusão. Ficou na média do time. 5
Robert: cada vez mais nulo. O gol que errou no último lance do jogo foi impressionante. E ele até que cabeceou certo. 4
Muricy: conseguiu fazer os espaços diminuírem, mas o meio continua ineficiente. É verdade que desta vez não teve tempo de fazer treinos táticos para reverter o problema – tempo que agora ele tem a mais que os adversários. Exige-se uma solução para o próximo jogo. 5

20 de outubro de 2009

Meio-de-campo

Arquivado em: Futebol — conrado @ 10:48

O Palmeiras foi derrotado nas duas últimas partidas por causa de um aspecto, cujas raízes são várias: perdeu o meio-de-campo. Futebol é muito simples, a gente é que complica. Se você ganha o meio-de-campo, o controle do jogo é seu; ganhando a meia cancha só se perde jogo por causa do imponderável.

Pierre saiu do time depois de 22 jogos. Destes, fomos derrotados em apenas três. Nos oito jogos sem Pierre, perdemos três novamente. Com o monstro na frente da zaga, levamos 19 gols, menos de um por jogo. Sem ele, levamos 14 gols em oito jogos, quase dois por jogo. Pode-se ponderar que a saída de Mauricio Ramos também contribui para esse desequilíbrio defensivo, o que é verdade principalmente nas bolas aéreas. Mas com Pierre fazendo a proteção, os adversários sequer tinham tantos escanteios e faltas perto da área.

Não adianta ficar chorando a falta que Pierre faz. Ele está fazendo trabalhos fortes para voltar ainda este ano, mas enquanto isso não acontece, temos que nos virar com o que temos. Temos que voltar a dominar o meio-de-campo. Até o Geninho e o Andrade perceberam que se colar marcadores no CleitonX e no Diego Souza, o time perde o controle do jogo. A esta altura, não importa se serão dois ou três zagueiros, dois ou três volantes. O time tem que povoar o meio e dar alternativas para a armação de jogadas, enquanto nossos meias se viram para sair da marcação adversária. Enquanto o time não recuperar o controle do meio, a alternativa continuará sendo a ligação direta, que além de pouco eficiente, é irritante.

E se os marcadores se concentram sobre nossos maiores talentos, vai sobrar espaço para os outros. Os laterais têm que aparecer mais. Os volantes têm que se desdobrar. O segundo atacante tem que se mexer de um lado para o outro, e vir buscar jogo quando preciso. A distância entre os jogadores tem que ser mais curta. O toque de bola tem que ser mais eficiente. A bola tem que rolar mais. Parece simples. E é.

Mas tem uma coisa: não existe esquema tático que funcione se os jogadores não se doarem em campo. Pierre corre por três. Que o time corra para suprir a falta de Pierre, e se cada um correr por dois, já estará bom. E isso vale não só para os meio-campistas, mas também para os laterais e atacantes, que têm que se apresentar para o jogo, fugir da marcação e impor o jogo do Palmeiras. Isto é ser líder, todos dão o máximo contra nós, tudo sempre será mais difícil.

Escolham o esquema tático: 3-5-2; 3-6-1; 4-4-2; 4-5-1; 4-2-2-2; 4-3-2-1, qualquer coisa. O que importa é recuperar o controle do meio-de-campo e do jogo. Foi assim que chegamos à liderança. É assim que chegaremos ao título.

19 de outubro de 2009

Atirando no pé

Arquivado em: Futebol — conrado @ 13:57

Primeiro foi o boato de que Valdivia já estaria acertado com o clube para o ano que vem. Agora, diante do péssimo rendimento contra o Flamengo, pipocam teorias de todos os lados, e algumas se relacionam com dinheiro.

Há quem prefira ver sua audiência explodir e pouco se lixa se vai tumultuar o ambiente ou não. Como diria o recém-demitido @joelnacopa, each one, each one.

Fatos devidamente apurados:
1) houve conversas com Valdivia, claro que o jogador interessa, mas não há nada acertado, longe disso. E mesmo que houvesse, não se poderia cometer o mesmo erro do ano passado, quando vazaram as contratações de Keirrison, CleitonX e Marquinhos, e o grupo se desinteressou;
2) tanto salários como direitos de imagem e prêmios estão absolutamente em dia;
3) as premiações já estão definidas desde o início do campeonato, não há nenhuma insatisfação do elenco quanto à parte financeira.

Não podemos entrar nessa onda. Já temos problemas demais para consertar, não precisamos nós mesmos criar mais alguns aqui na Internet.

18 de outubro de 2009

Palmeiras 0×2 Flamengo

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 19:04

A frase mais importante do final de semana foi dada por Marcos ao final da partida: “Personalidade não se treina“. Em seguida, perguntado sobre o que tinha acontecido no segundo gol do Flamengo, disparou: “Pergunte pro Robert e pro Wendel“.

A luz vermelha já estava acesa desde segunda-feira. Agora ela está piscando. O time virou o fio. Os pontos chaves do time estão falhando, e os coadjuvantes não têm como não acompanhar. É hora de um choque.

O jogo de hoje foi muito difícil, contra um time que claramente vinha numa trajetória ascendente, e que tem seus pontos fortes em grandes fases. Contra um adversário desses, só se os nossos destaques fizessem a diferença. Não foi o que se viu.

Andrade segurou seus laterais, notórios apoiadores. Nem Muricy, nem ninguém podia esperar por isso, já que nem Juan nem Leo Moura são bons marcadores – até hoje. Marcaram muito. Mas nao foram os melhores marcadores do Flamengo. Antes deles, Maldonado, Toró e principalmente Wilians foram monstros no combate a Diego Souza e CleitonX. E quando passava, Airton e Ronaldo Angelim rebatiam. Defesa que ninguém passa.

Para tentar transpor essa muralha, o Palmeiras precisaria de muita movimentação. Mas aí entra o que disse Marcos: faltou personalidade aos nossos jogadores para encarar a linha de marcação carioca e confundi-los. Vagner até que tentou, ninguém pode acusá-lo de falta de vontade: correu, movimentou-se, fez pivô, voltou pra buscar jogo, e até deu combate no meio-campo. Mas quando pegava a bola e tentava suas tradicionais arrancadas, era logo cercado por dois, e mais um na sobra. Implacavelmente.

Ora, se a marcação estava forte em cima de nossos mairoes talentos, era hora dos coadjuvantes aparecerem e fazerem a diferença nos espaços vazios. Pois nem nossos laterais, nem os volantes, nem Robert, em quem se colocava tanta esperança, mostraram a qualidade e a personalidade necessárias. São e serão coadjuvantes, pro resto da vida.

Assim, o Flamengo conseguiu criar suas oportunidades. Nada excepcional, o volume de jogo não justificaria um domínio tão grande. Mas o talento individual fez a diferença. Petkovic é um craque. Apesar de estar cercado por quatro palmeirenses no lance do primeiro gol, conseguiu proteger a bola e entrar na área, cortar para o meio e fuzilar Marcos. Mérito dele, mas também falha da defesa, que respeitou demais.

O segundo tempo foi patético. Diego Souza ainda parecia estar pensando em Dunga. Depois de hoje, pode esquecer. CleitonX até que buscou jogo, pegava a bola e estava sempre bem marcado, olhava para os lados e tinha sempre poucas opções. O mesmo se aplica a Vagner, que a partir de determinado ponto tentou resolver tudo sozinho, e foi rechaçado em todas. E o gol de Ronaldo Angelim foi o nocaute psicológico. Podia jogar até amanhã de manhã, que o Palmeiras não marcaria um gol. Nem de pênalti. A batida bisonha de Vagner Love, na piscina, refletiu todo o desequilíbrio emocional do time.

Faltam oito rodadas. O Palmeiras tem ainda quatro pontos de frente, mas está em franca decadência. É hora do choque, a única chance de reverter. O próximo jogo, contra o Santo André, teria tudo para ser daqueles pra dar tranquilidade, mas mesmo que o time goleie – coisa pouco provável – terá sido apenas uma recuperação parcial das duas derrotas sem fazer sequer um gol que sofremos esta semana. A se lamentar o curto intervalo, mais uma vez imposto pela televisão, dona do campeonato. Mais do que nunca, o Verdão precisava de um tempo para respirar.

Tentando ser frio, não existe time que não gostaria de estar na nossa posição matemática hoje. São apenas oito jogos, e ainda temos uma rodada de margem. Em futebol as coisas acontecem muito rápido, mudam muito rápido. O talento, nós sabemos que existe. A missão, dificílima, é resgatar esse desempenho técnico. Não existe tática que funcione com um time apático, sejam os reservas como em Recife, sejam os titulares como hoje.

A nossa parte, nós fizemos. Lotamos o Palestra, incentivamos, cantamos, e proporcionamos uma renda espetacular de mais de R$1,2 milhão. É querer demais pedir ao time que jogue como homens, que honrem a camisa, a torcida, e que não deixem o título mais ganho da história do futebol escapar?

Atuações:
Marcos: sem culpa nos gols, e fez boas defesas. Mas no quesito liderança vem causando vergonha. Falou algumas verdades. Mas há verdades que não podem ser ditas em certos momentos e de certas formas. Ateou fogo no elenco. Vamos torcer para que os bombeiros resolvam. 4
Wendel: até que apoiou bem, ganhou o duelo com Juan, mas cruzou mal todas as vezes. 5,5
Danilo: tenso, como todo o time. 5,5
Mauricio Nascimento: não se assustou com a presença de Adriano, que esteve longe de ser o jogador mais perigoso do Flamengo. 6,5
Armero: o de sempre: vontade infinita, inteligência nula. Pelo menos um cruzamento bom ele acertou. 6
Edmilson: o ponto de desequilíbrio do time, o pior em campo. Petkovic deitou e rolou. No final, ainda apelou em cima do sérvio, dando-lhe uma porrada desnecessária. ZERO
Souza: disparado, sua pior partida pelo Palmeiras. Nervoso, perdido, não acertou nada. 2
CleitonX: até tentou sair da marcação, mas mesmo quando se livrarva dos flamenguistas, ficava sem ter o que fazer com a bola. 5
Diego Souza: tem dois dias para esquecer a Seleção e pensar o Palmeiras. 2
Vagner: condená-lo pelo pênalti perdido seria bobagem, foi um dos menos culpados pela apresentação pífia. 5
Robert: se escondeu em campo. Desse jeito, talvez até Obina teria sido melhor opção, não fosse a multa. 1
Ortigoza e Marquinhos: entraram tarde, sem nota
Muricy: fica difícil julgar o trabalho do treinador quando os atletas não se esforçam, não fazem um jogo digno. Vai ter que chamar quatro ou cinco de canto e arrancar o toco, um por um. Principalmente do seu Marcos e do seu Diego Souza. E vai ter que quebrar a cabeça para fazer o sistema defensivo se recompor de uma vez por todas, já que desde a saída de Pierre, a maionese desandou. 5

***

A pulga que aterrisou atrás da orelha hoje: no ano passado, estávamos líderes na trigésima rodada, tomamos uma sova do Fluminense e daí pra frente foi uma sequência de vexames, que quase nos custou a vaga para a Libertadores. Depois soubemos que formou-se uma igrejinha no elenco, cheia de laranjas podres, resultado da falta de habilidade do treinador em administrar as notícias de reforma do elenco, além de não ter exercido a autoridade. Este grupo não parece estar na mesma situação. Mas que está estranho, está.

17 de outubro de 2009

Programa de índio

Arquivado em: Futebol — conrado @ 11:48

Memórias

Arquivado em: Futebol — conrado @ 8:42

Nove de dezembro de 1979, quartas-de-finais do Brasileirão. 120 mil no Maracanã, sendo uns 20 mil palmeirenses.

Meu aniversário de nove anos.

16 de outubro de 2009

Sexta pré-decisão

Arquivado em: Futebol, Torcida — conrado @ 13:06

Não é a mesma coisa que uma sexta pré-decisão de mata-mata. Mas em mata-mata não tem uma decisão como essa todo fim-de-semana. Este campeonato está muito legal. E esta semana foi mais uma vez cercada de muita ansiedade para a torcida do Palmeiras. O jogo de domingo, contra o Flamengo, além de ser sempre um clássico de muita rivalidade, pode mais uma vez dar ao Verdão uma folga na tabela quase impossível de ser alcançada pelos rivais. Mas também pode fazer a vantagem ser drasticamente diminuída, queimando toda a margem que temos hoje.

O Flamengo fez uma tentativa inusitada durante a semana, e lançou uma “promoção”: baixou a multa para que o Obina pudesse jogar, de R$1 milhão para R$400 mil. Valheu, merrmão, tu é ishperrtão merrmo hein?

Conversando com pessoas próximas aos jogadores, apurei que o elenco já encaixou a porrada levada nos Aflitos, e está totalmente focado no próximo jogo. Vagner Love é um dos mais animados. Diego Souza, de volta da Seleção, parece um pouco acabrunhado pela falta de chances no jogo contra a Venezuela, e por isso mesmo voltou toda a sua munição contra o Flamengo. Ele tá a fim.

O Flamengo, apesar do esquema cauteloso que vem sendo treinado por Andrade durante a semana, não é um time de esperar o adversário e armar contra-ataque, o que deve ser um ponto a nosso favor. Segundo informações extra-oficiais, a Globo vai liberar o sinal inclusive para a capital. O jogo será transmitido para todo o Brasil, e isso está animando mais ainda os jogadores. Nunca tinha visto um caminhão de emissora tão grande quanto o que a Globo estacionou no Palestra hoje cedo.

Aliás, mais uma vez pudemos ver cenas lamentáveis no clube esta manhã, relacionada à venda de ingressos. Filas intermináveis, tensão imensa de quem já está há horas esperando a vez, já que os ingressos podem acabar e a janelinha pode fechar a qualquer momento. Na fila interna, para sócios, bastante tranquilidade, e o comércio informal corre solto. Conselheiros retiram os ingressos a que têm direito, sócios regulares compram os seus, sócios mirins adquirem suas meias-entradas e todos repassam ao gerente dos cambistas, que todo mundo sabe quem é, dentro do clube. Depois de fazer a coleta, ele vai para fora, distribui aos seus “funcionários”, e volta para dentro para pegar uma nova remessa. Perguntado por um de seus “fornecedores” se ele não tinha pedido um lote lá dentro desta vez, respondeu negativamente, com a maior desfaçatez: “ah, tá a maior frescura isso ultimamente, viu…”. Chora, torcida do Palmeiras… chora…

E assim chegamos ao final de mais uma semana na contagem regressiva para o nono título brasileiro. Estamos atrás de seis vitórias em nove jogos. Que venha a primeira em cima dos merrmão!

14 de outubro de 2009

Respira fundo

Arquivado em: Futebol — conrado @ 16:35

Depois do vexame da partida nos Aflitos, admito que a vontade de falar sobre o Palmeiras reduziu-se quase a zero. Foi uma daquelas derrotas que realmente pesam. Não causou raiva, ou revolta. Apenas decepção, uma enorme decepção.

O Palmeiras vinha numa trajetória que parecia inabalável. Uma ou outra derrota durante a caminhada faz parte do jogo e todo esquadrão está sujeito a elas. Quando vieram, não foi nem um pouco desapontador. Isso porque, sabemos, o atual time do Palmeiras não é nenhum esquadrão – é um bom time, que comparado a seus competidores diretos, hoje, é o melhor.

A partida de segunda foi absolutamente atípica, a começar pelo dia: não me lembro do Palmeiras disputar um jogo numa segunda-feira nos últimos anos. Mas o maior desajuste, claro, foi a quantidade de reservas que fomos obrigados a usar. Para completar o quadro bizarro, um Náutico que jogou um primeiro tempo muito acima do que está acostumado, contra um mistão do Palmeiras jogando muito abaixo do que poderia, cometendo erros estúpidos – e o resultado foi esse placar desmoralizante de 3×0.

Nossa sorte foi que nenhum de nossos concorrentes diretos pelo título conseguiu vencer na rodada, senão já seria apontado pela imprensinha como o novo campeão de 2009, e certamente a pressão para tirar o Palmeiras do topo estaria muito pior. Ninguém se qualificou para tirar o favoritismo do Palmeiras. Por isso, temos uma relativa tranquilidade. Bom.

São cinco pontos. Temos direito a dois tropeços em nove rodadas, desde que não sejam duas derrotas. E cada tropeço futuro de nosso adversário mais próximo nos dá o direito de fazer igual, e a vantagem se manterá. Não é pouco. Supondo uma campanha extraordinária de sete vitórias e dois empates, o segundo colocado hoje pode atingir 72 pontos. Para que cheguemos aos mesmos 72, precisamos de seis vitórias (6V 0E 3D) – campeão, ou cinco vitórias e três empates (5V 3E 1D), bastando manter o saldo de gols favorável. Estamos muito próximos.

O que nos remete a respirar fundo, esquecer a vergonhosa surra frente ao Náutico,  e olhar para frente com alento, é a volta de nossos titulares mais importantes. Diego Souza e Vagner Love estarão de volta já para a partida contra o Flamengo. CleitonX, agora mais livre, poderá render o que sabe. Pierre está em franca recuperação e deve reforçar o time nas rodadas finais. E os reservas mais rejeitados pela torcida devem voltar ao banco – leia-se Marcão – já que Muricy parece ter simpatia por armar o time no 4-4-2 mesmo com laterais que avançam muito – espera-se que da próxima vez avisem os volantes que eles vão ter que correr bastante para cobrir.

Resta saber se o excesso de gols tomados recentemente nas bolas aéreas estão mesmo relacionados à contusão de Mauricio Ramos, ou se somente era a presença do Marcão. E que, qualquer que seja a resposta, Muricy arrume esse lado também, porque o pesadelo parece que voltou: bola alta na nossa área, é gol dos caras.

Não adianta cornetar, nossos jogadores são esses, ninguém mais pode ser contratado. Nossos reservas não são tão ruins quanto pareceram ser no último jogo. Além de terem jogado muito abaixo do que podem individualmente, vamos combinar que reserva é feito para entrar quando necessário num time titular, onde, no meio de jogadores mais qualificados, suas qualidades tendem a aflorar. Não podemos cobrar de um mistão com a maioria de reservas um desempenho digno do líder do campeonato. Claro, não há como tentar justificar uma derrota para o patético e rebaixado Náutico, muito menos aquela goleada vexatória. O ponto é que, para o futuro, essa partida não pode ser parâmetro.

Por isso, apesar de ainda estar meio de mal do time, vamos levantar a cabeça. Uma boa vitória contra o Flamengo tende a apagar a má lembrança, e reembalar o grupo e a torcida rumo ao nono título brasileiro. E não se trata de mero joguinho de palavras de cunho motivacional. Trata-se de uma possibilidade mais do que real. Só precisamos ir lá e buscar.

***

Para o jogo contra o Flamengo, o 4-4-2  deve ser mantido, e não nos deve causar tantos sustos, já que Figueroa está suspenso, e Wendel deve ficar guardando a posição. Teremos também a volta de Armero. Ambos devem neutralizar as descidas de Leonardo Moura e Juan. Danilo, o zagueiro com mais moral, deverá ficar encarregado de Adriano, caso este jogue. Willians, o deles, um dos melhores marcadores do campeonato, deve pegar CleitonX, o que significa que Diego Souza deverá mais uma vez ser o cara. Ele, que abriu o caminho para a vitória no primeiro turno no Maracanã, com direito a abrir uma chapelaria, deve ser o ponto de desequilíbrio da partida em nosso favor. E que Souza dê conta do Pet. O tiozinho inacreditavelmente ainda está jogando muita bola.

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