O futebol está recheado de canalhas. Carlos Simon é um legítimo representante do pior tipo deles. É um sujeito que quando era criança, devia roubar o doce dos coleguinhas. Devia bater nos menores e dizer que não fez nada. Ou pior, que foi outro.
Arnaldo Cezar Coelho, outro que de santo não tem nada, disse agora há pouco no Bem, Amigos! que conversou com Simon após o jogo. E o gaúcho, inacreditavelmente, alega que apitou antes da conclusão de Obina. É MENTIRA DESSE PILANTRA, ELE NÃO APITOU PORRA NENHUMA. Os jogadores do PAlmeiras comemoram, os do Fluminense levam as mãos à cabeça. Simon ensaia uma corrida para o meio, mas muda de idéia e inventa uma falta, e diz “puxou, puxou”. Nitidamente mal-intencionado, escandalosamente mal-intencionado. Simon, mentiroso, você não apitou nada! Arnaldo também já apitou final de Copa do Mundo e sabe muito bem disso. Mas está fazendo seu papel no sistema e tentando fazer o serviço de limpeza.
Sempre ouvi dizer que o meio do futebol era podre. Mas ao mesmo tempo a paixão pelo Palmeiras cresceu de forma avassaladora. E essa paixão sempre acabou por mascarar o que a razão insistia em apontar inconscientemente a todo momento: esse ambiente não presta. Os sinais eram dados a todo momento:
- Copa de 78, Argentina ganhando o Mundial na mão grande;
- Brasileiro de 80 e Libertadores de 81, Flamengo garfando o Atlético-MG;
- final do Brasileiro de 86, bambi operando o Guarani;
- final do Brasileiro de 95, Botafogo garfando o Santos;
- Brasileiro de 97, Edmundo forçando expulsão para poder participar do jogo seguinte (!?!?!?!);
- Brasileiro de 2000, Vasco atropelando o São Caetano nos bastidores, enquanto o Fluminense pulava da Terceira Divisão direto para a Primeira;
- Libertadores 2001, o Aquinogate
- o Zveitão 2005, e tudo o que cercou aquele campeonato, incluindo a entrada de capital mafioso da Rússia;
- os três campeonatos de pontos roubados conquistados pelo bambi entre 2006 e 2008. Caminhando para o quarto.
A lista certamente é muito maior, relacionei apenas os que vieram de imediato em minha cabeça. São ou não motivos suficientes para qualquer cidadão com um mínimo de inteligência e com o raciocínio livre de qualquer nebulosidade causada pela paixão se manter afastado disso, e aproveitar melhor o curto tempo que nos é proporcionado em nossa passagem por esta vida?
Dizemos brincando que o nosso fanatismo por um clube de futebol é uma “doença”. Mas no fundo sabemos que não é brincadeira nenhuma, e que essas aspas só estão ali porque não queremos reconhecer que isso de fato é um mal que nos acomete.
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Fiquei sócio do Palmeiras em 2005, porque queria ajudar a melhorar o clube através da política, lá dentro. Realmente, essa é a única forma. No meio do caminho, no início de 2007, iniciei, levado pelo gosto por escrever e pela paixão pelo Palmeiras, a escrever este blog.
Mas a jornada se mostrou sem razão. Afinal, se envolver nesse ambiente, só se for para dançar conforme a música. Como insistentemente diz meu amigo Claudio Baptista, colunista do 3VV e um dos grandes amigos que fiz nessa caminhada, não tem virgem na zona. O mundo do futebol é podre? É, porque só tem vagabundo mandando nele. Dentro do próprio Palmeiras, as coisas que ficamos sabendo de administrações anteriores, contra as quais sempre me propus a combater, são estarrecedoras. Escândalos atrás de escândalos. Melhorou demais nesses anos, mas ainda há sinais claros da podridão.
O professor Belluzzo, nosso presidente que tanto orgulho nos dá, está passando por um momento terrível pelas escolhas que sua paixão pelo clube o fez tomar. Ele está sendo cobrado por todos para que também jogue sujo, em todas as instâncias. Eu mesmo já fiz isso, e descaradamente, logo na primeira vez que o encontrei. Ele me passou uma descompostura, eu me envergonhei, afinal, não foi isso que eu aprendi em casa.
Mas refletindo depois, concluí que eu não tinha errado tanto assim, exatamente porque eu cobrava apenas que a dança fosse de acordo com a música. Estava falando como torcedor. O dilema em minha cabeça permaneceu estrategicamente sem solução, porque a paixão acabava encobrindo tudo e induzindo a deixar a questão moral de lado. Meu inconsciente me dizia: “melhor não mexer nisso, porque senão já sabemos qual será a resposta”.
Pois é, no fundo, as pessoas de bem já sabem a resposta. Ela é clara, nítida, cristalina. Se você não consegue conviver com esse tipo de postura, suma do futebol. Não é lugar para você. Pra mim, estou cansado de saber que não é, mas sempre me iludi para não ter que tomar essa decisão. O professor Belluzzo disse isso com todas as letras hoje no programa Estádio 97.
Ele não pode jogar tudo pro alto agora, em pleno exercício da presidência, porque a responsabilidade é grande demais, e ele a assumiu há pouco menos de um ano. Mas tenho a nítida impressão, pelo pouco que o conheço, que ele o faria se pudesse. Sempre fui um dos maiores apoiadores de sua gestão e lutaria a seu lado pela reeleição. Mas ele não vai aceitar. E caso sua paixão pelo Palmeiras o faça mudar de idéia, ele não terá o meu apoio.
A partir de hoje, meu apoio será a todos os que decidirem colocar o futebol de lado e dar mais apoio a suas próprias famílias, conviver mais com os amigos, viver mais a vida sem o futebol. A vida tem muito mais aspectos importantes que merecem nossa atenção. O futebol sempre teve suas mumunhas, e elas eram aceitáveis. Mas depois que foi “descoberto” pelo mercado, depois que passou a mexer com tanto dinheiro, virou uma coisa muito mais pesada. Haja estômago.
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No domingo cheguei em casa à uma e meia da manhã. Estive fora, por conta do Palmeiras. Fui ao Rio. Minha esposa passou o dia todo cuidando de nossa filhota, quando podia ter descansado um pouco caso eu estivesse junto a elas para ajudar. Quando eu cheguei, ela perguntou: “e aí, foi legal?” Ela nem sabe o que acontece, não assiste, não se interessa, mas apóia minha paixão, dentro de seus limites. Apóia porque gosta de mim. E eu retribuo ficando longe. Pra ver algo que não vale nada. Não é justo.
Adoro ver futebol. O jogo é lindo. Pratiquei durante toda a minha vida e ainda tento até hoje. Sou palmeirense e nunca deixarei de ser. Mas o envolvimento agora será outro. Ainda não sei como lidar com este blog. São quase três anos construindo um relacionamento com uma comunidade enorme, e hoje a média de acessos é de quase 7 mil por dia, beirando os 40 mil leitores únicos no mês. Até por respeito, não se larga uma multidão dessas de uma hora para outra. Mas o tempo dirá como será este novo relacionamento.
O episódio do Maracanã serviu para trazer tudo à tona, para apagar a chama, tudo isso finalmente, de forma consciente, perdeu o sentido. Percebi que era soldado numa guerra que não era a minha. Devo deixar de ir aos estádios, depois de ter ido a mais de oitocentos jogos. Devo suspender meu título no clube, e consequentemente me retirar do movimento que ajudei a fundar, o Fanfulla.
Antes de tudo, eu tenho valores. E eles me ordenam que eu não me afunde nessa pocilga, que eu saia antes de começar a afundar nela e fique realmente sujo. Futebol? Só pela TV, sem envolvimento, como se fosse um filme. Porque ao ver uma partida, hoje vejo com toda a clareza, sabemos que não são apenas 22 caras disputando para ver quem faz mais gols, numa linda e apaixonante metáfora da vida. Hoje sabemos que é apenas a parte visível de um sistema apodrecido. E não vou mais fingir que não enxergo isso.
Tenho aqui minhas desconfianças e minhas convicções. Talvez eu me arrisque a escrever um livro sobre tudo isso. O futebol começou a apodrecer em 1974, quando tomou posse na FIFA o senhor João Havelange. Coincidentemente, o time do maior interessado, juntamente com outro time de três cores, no descalabro cometido por Carlos Simon, que é apens uma pequena engrenagem da coisa toda. E a coisa vai longe.
Mas no momento vou tentar digerir a mudança no envolvimento.
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Meu amigo Américo há algumas semanas disse: “um dos maiores erros que cometi foi incentivar minha filha, que hoje beira os 30 anos, a ser fanática por futebol”. Ele está absolutamente certo. Minha pequena Cecilia, a quem comecei a incentivar a ser uma apaixonada por futebol e uma grande palmeirense, só vai fazer isso se quiser, porque meu incentivo não terá mais.
Sou muito grato ao futebol, pelos momentos bons e ruins. Os últimos cinco anos foram muito intensos, os três últimos mais ainda por conta deste blog. Fiz muitas amizades, conheci gente muito interessante. Recebi e-mails realmente emocionantes, de palmeirense espalhados por todo o mundo, falando sobre a oportunidade de pensar e falar sobre o Palmeiras que este blog proporcionou a eles. Cheguei às lágrimas em vários. No último deles, um leitor contou que no fim-de-semana foi aniversário de nove anos de seu filho, e que ele só ganhou presentes do Palmeiras. E que ele teve que se virar para responder ao menino quando este, muito frustrado, ao interromper a comemoração, perguntou: “por que não valeu o gol, papai?”
Peço desculpas às boas pessoas que atingi de alguma forma devido à ferocidade que a paixão pelo futebol muitas vezes me despertou. A maioria não merecia qualquer grosseria que tenha acontecido. Alguns são realmente pilantras e vagabundos e mereceram cada vírgula. Alguns, cada tapa. Felizmente, esses foram poucos.
O blog segue. Mas notem: provavelmente será bem diferente.
E se por um milagre desses que só acontecem no futebol o Palmeiras for campeão? Não muda nada. Não sei nem se comemorarei.