Em mais um jogo atípico, o Palmeiras não conseguiu converter sua superioridade em gols e foi derrotado pelo Rio Claro, num campo muito pesado. Choveu na cidade a tarde toda, e a água não parou de cair durante a partida. Num erro individual de Souza o Rio Claro fez seu gol, e conseguiu segurar a vantagem até o fim, diante de um Palmeiras que ainda não achou a melhor forma de jogar com o elenco extremamente limitado, principalmente no setor de ataque.
Zago escalou o time no 4-4-2 que deve caracterizar toda sua passagem pelo clube. Sem Pierre, Souza assumiu a vaga. Eduardo continua dono da lateral-esquerda, pelo menos até a recuperação de Gabriel Silva, e Wendel segue seu trabalho pela direita. E mesmo com todos esses furos na escalação, o time conseguiu se impor sobre o Rio Claro, um time muito fraco, mas valente, e ainda com a motivação renovada depois que Agnaldo, zagueiro campeão da Libertadores em 99 pelo Verdão, assumiu o time.
O Palmeiras perdeu algumas chances claras. A primeira com Robert, que arrancou pela direita e bateu cruzado, passando perto. Outra, com Souza, que bateu forte da entrada da área – a bola explodiu no travessão, bateu na linha e se ofereceu para CleitonX, impedido, que ainda assim conseguiu errar o gol. Tivemos ainda mais alguns cruzamentos que Robert aproveitava – numa delas ele colocou na gaveta pra grande defesa de Sidney, mas nas outras cabeceou sempre em cima do goleiro. E assim o Palmeiras ia forçando, até que Souza falhou: Osny girou com muita facilidade, invadiu e bateu rasteiro, entre a trave e Marcos. E nessa hora não apareceu nem uma pocinha pra quebrar o galho e atrapalhar o cara.
A chuva piorou no intervalo, e a tônica do jogo ficou clara. Os jogadores leves não tinham lugar nesse campo. Lenny foi bizarro em todo o primeiro tempo, e a opção do Palmeiras devia ser forçar as jogadas pelos lados, cavando faltas, de preferência com jogadores um pouco mais fortes, e buscando os grandões do elenco dentro da área: Diego, Robert, Danilo e Leo. Essa era a expectativa.
Depois de um início de segundo tempo onde o Rio Claro teve duas chances abertas de gol – quase Souza fez contra numa delas – o Palmeiras não teve paciência nem inteligência para cavar as faltas nos flancos, e tentava os cruzamentos com a bola rolando, ou em certos casos, boiando. E não saía nenhuma bola redondinha, bem cruzada. Zago então tirou Lenny e Souza, e colocou Ivo e Marquinhos. Ivo de fato se mostrou uma boa opção. Mas Marquinhos não tinha a menor condição de aproveitar seu ponto forte, o drible e a velocidade. Assim, com os leves CleitonX e Marquinhos em campo, apesar de Zago ter tentado uma formação mais ofensiva, o time escancarava fragilidades diretamente relacionadas com deficiências no elenco.
A última tentativa foi trocar Wendel por William, deslocando Ivo pra lateral esquerda e puxando Eduardo pra direita. E William, não exatamente é um cara pesado, forte. Assim, o Palmeiras insistiu nos cruzamentos, como deveria ter feito, mas em bolas pouco trabalhadas, através de cruzamentos feitos sem precisão e com apenas um jogador tentando aproveitá-los, Robert. E na base do vamulá, o empate até poderia ter saído, mas não deu.
O que irrita é perder do lanterna, não se pode admitir isso. Não tem campo ruim, nem juiz, nem desfalque, nem nada que justifique um time como o Palmeiras perder do lanterna de qualquer campeonato. Todo mundo ganha pontos em cima desse time, o Palmeiras fez zero. São três pontos que não se recuperam. A classificação começa a ficar complicada. Considerando que os outros grandes farão suas partes, nossos inimigos são Santo André e Botafogo. O primeiro já abriu oito pontos de frente, e é nosso próximo adversário, no Palestra. Essa diferença precisa cair para cinco, invariavelmente na próxima rodada. Se o Palmeiras não vencer, podem esquecer o Paulista.
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Sem querer colocar muito fogo na torcida, mas sabendo que é inevitável: ouvi de fonte bastante confiável hoje que estamos razoavelmente próximos de trazer um reforço de primeiro nível para o ataque, para jogar ao lado de Ewerthon. Eu diria que as chances hoje estão em torno de 50%. E nem venham me perguntar o nome, que eu não falo nem a pau.
Atuações:
Marcos: salvou a pele do Souza, que quase fez um gol contra. Ser culpado por dois gols seria pesado demais para o volante. 8,5
Wendel: com o campo encharcado, a qualidade dos jogadores é nivelada por baixo. Bom pra ele, rendeu mais. 7,5
Danilo: jogou sério, não pensou duas vezes pra jogar a bola pra lateral. Bastante maturidade. 8
Leo: vai conquistando a confiança do elenco e da torcida. Já atingiu um patamar superior ao que Mauricio Ramos chegou ano passado. 7,5
Eduardo: parecia o Wendel pela esquerda, aquele futebol low-profile, sem comprometer muito. Quando veio pra direita, parecia gêmeo. 7
Edinho: num campo como esse, tava fácil pra destruir. E ele não deixou por menos. 8
Souza: vinha fazendo uma boa partida, bem superior a Marcio Araujo tanto na marcação quanto no apoio, até cometer a falha que deu no gol dos caras. Uma pena. 5
CleitonX: ainda não achou um bom posicionamento dentro do novo qurteto ofensivo. Foi um dos mais prejudicados pelo estado do gramado. Mas tinha que ter buscado mais jogo, é uma das referências do time. 5,5
Diego Souza: bastante vontade no início, depois foi se apagando, até que sumiu completamente. 3
Lenny: outro cujo futebol não bate com o estado do campo, mas isso não justifica tantos erros. 4
Robert: deu suas cabeçadas, umas boas, a maioria ruim. Mas estava lá, bem posicionado, e brigando. 7
Ivo: entrou no segundo tempo e foi bem taticamente, mas não executou tão bem. 6
Marquinhos: além de leve demais, jogou meio que de volante, um posicionamento estranho. Foi mal. 5,5
William: até que tentou. Vamos quebrar o galho dele e dar o migué do “pouco tempo, S/N”.
AC Zago: esbarrou na limitação do elenco, embora pudesse ter insistido para que o time buscasse as faltas para poder parar a bola e jogar os zagueiros pra área. 6,5




Peladaça. Nem tem muito o que falar desse jogo, a não ser fatos isolados. Taticamente, não foi possível observar nada, já que o adversário não ofereceu a menor resistência. E num jogo como esse, é difícil manter a concentração, a pegada, e consequentemente ter um bom desempenho técnico. Foi um jogo de showbol num campo oficial, para cerca de 5 mil pagantes que sofreram com os 18 graus, chuvinha fina de vez em quando, e vento.

















Jogo na quarta de cinzas tende a dar nisso. Pra completar o cenário de tragédia, o temporal de caiu algumas horas antes sobre a zona oeste da capital afastou muita gente que teria intenção de comparecer ao jogo. Não sei se isso foi bom, porque fez menos gente passar raiva, ou se foi ruim, porque com mais gente talvez o time entrasse mais ligado. Tendo a achar que foi bom, não alteraria muita coisa. O fato: parcos 3 mil palmeirenses testemunharam uma das maiores vergonhas de nossa história recente. Um chocolate, diante de um time em posição intermediária da tabela.



