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28 de fevereiro de 2010

Rio Claro 1×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 22:27

Em mais um jogo atípico, o Palmeiras não conseguiu converter sua superioridade em gols e foi derrotado pelo Rio Claro, num campo muito pesado. Choveu na cidade a tarde toda, e a água não parou de cair durante a partida. Num erro individual de Souza o Rio Claro fez seu gol, e conseguiu segurar a vantagem até o fim, diante de um Palmeiras que ainda não achou a melhor forma de jogar com o elenco extremamente limitado, principalmente no setor de ataque.

Zago escalou o time no 4-4-2 que deve caracterizar toda sua passagem pelo clube. Sem Pierre, Souza assumiu a vaga. Eduardo continua dono da lateral-esquerda, pelo menos até a recuperação de Gabriel Silva, e Wendel segue seu trabalho pela direita. E mesmo com todos esses furos na escalação, o time conseguiu se impor sobre o Rio Claro, um time muito fraco, mas valente, e ainda com a motivação renovada depois que Agnaldo, zagueiro campeão da Libertadores em 99 pelo Verdão, assumiu o time.

O Palmeiras perdeu algumas chances claras. A primeira com Robert, que arrancou pela direita e bateu cruzado, passando perto. Outra, com Souza, que bateu forte da entrada da área – a bola explodiu no travessão, bateu na linha e se ofereceu para CleitonX, impedido, que ainda assim conseguiu errar o gol. Tivemos ainda mais alguns cruzamentos que Robert aproveitava – numa delas ele colocou na gaveta pra grande defesa de Sidney, mas nas outras cabeceou sempre em cima do goleiro. E assim o Palmeiras ia forçando, até que Souza falhou: Osny girou com muita facilidade, invadiu e bateu rasteiro, entre a trave e Marcos. E nessa hora não apareceu nem uma pocinha pra quebrar o galho e atrapalhar o cara.

A chuva piorou no intervalo, e a tônica do jogo ficou clara. Os jogadores leves não tinham lugar nesse campo. Lenny foi bizarro em todo o primeiro tempo, e a opção do Palmeiras devia ser forçar as jogadas pelos lados, cavando faltas, de preferência com jogadores um pouco mais fortes, e buscando os grandões do elenco dentro da área: Diego, Robert, Danilo e Leo. Essa era a expectativa.

Depois de um início de segundo tempo onde o Rio Claro teve duas chances abertas de gol – quase Souza fez contra numa delas – o Palmeiras não teve paciência nem inteligência para cavar as faltas nos flancos, e tentava os cruzamentos com a bola rolando, ou em certos casos, boiando. E não saía nenhuma bola redondinha, bem cruzada. Zago então tirou Lenny e Souza, e colocou Ivo e Marquinhos. Ivo de fato se mostrou uma boa opção. Mas Marquinhos não tinha a menor condição de aproveitar seu ponto forte, o drible e a velocidade. Assim, com os leves CleitonX e Marquinhos em campo, apesar de Zago ter tentado uma formação mais ofensiva, o time escancarava fragilidades diretamente relacionadas com deficiências no elenco.

A última tentativa foi trocar Wendel por William, deslocando Ivo pra lateral esquerda e puxando Eduardo pra direita. E William, não exatamente é um cara pesado, forte. Assim, o Palmeiras insistiu nos cruzamentos, como deveria ter feito, mas em bolas pouco trabalhadas, através de cruzamentos feitos sem precisão e com apenas um jogador tentando aproveitá-los, Robert. E na base do vamulá, o empate até poderia ter saído, mas não deu.

O que irrita é perder do lanterna, não se pode admitir isso. Não tem campo ruim, nem juiz, nem desfalque, nem nada que justifique um time como o Palmeiras perder do lanterna de qualquer campeonato. Todo mundo ganha pontos em cima desse time, o Palmeiras fez zero. São três pontos que não se recuperam. A classificação começa a ficar complicada. Considerando que os outros grandes farão suas partes, nossos inimigos são Santo André e Botafogo. O primeiro já abriu oito pontos de frente, e é nosso próximo adversário, no Palestra. Essa diferença precisa cair para cinco, invariavelmente na próxima rodada. Se o Palmeiras não vencer, podem esquecer o Paulista.

***

Sem querer colocar muito fogo na torcida, mas sabendo que é inevitável: ouvi de fonte bastante confiável hoje que estamos razoavelmente próximos de trazer um reforço de primeiro nível para o ataque, para jogar ao lado de Ewerthon. Eu diria que as chances hoje estão em torno de 50%. E nem venham me perguntar o nome, que eu não falo nem a pau.

Atuações:
Marcos: salvou a pele do Souza, que quase fez um gol contra. Ser culpado por dois gols seria pesado demais para o volante. 8,5
Wendel: com o campo encharcado, a qualidade dos jogadores é nivelada por baixo. Bom pra ele, rendeu mais. 7,5
Danilo: jogou sério, não pensou duas vezes pra jogar a bola pra lateral. Bastante maturidade. 8
Leo: vai conquistando a confiança do elenco e da torcida. Já atingiu um patamar superior ao que Mauricio Ramos chegou ano passado. 7,5
Eduardo: parecia o Wendel pela esquerda, aquele futebol low-profile, sem comprometer muito. Quando veio pra direita, parecia gêmeo. 7
Edinho: num campo como esse, tava fácil pra destruir. E ele não deixou por menos. 8
Souza: vinha fazendo uma boa partida, bem superior a Marcio Araujo tanto na marcação quanto no apoio, até cometer a falha que deu no gol dos caras. Uma pena. 5
CleitonX: ainda não achou um bom posicionamento dentro do novo qurteto ofensivo. Foi um dos mais prejudicados pelo estado do gramado. Mas tinha que ter buscado mais jogo, é uma das referências do time. 5,5
Diego Souza: bastante vontade no início, depois foi se apagando, até que sumiu completamente. 3
Lenny: outro cujo futebol não bate com o estado do campo, mas isso não justifica tantos erros. 4
Robert: deu suas cabeçadas, umas boas, a maioria ruim. Mas estava lá, bem posicionado, e brigando. 7
Ivo: entrou no segundo tempo e foi bem taticamente, mas não executou tão bem. 6
Marquinhos: além de leve demais, jogou meio que de volante, um posicionamento estranho. Foi mal. 5,5
William: até que tentou. Vamos quebrar o galho dele e dar o migué do “pouco tempo, S/N”.
AC Zago: esbarrou na limitação do elenco, embora pudesse ter insistido para que o time buscasse as faltas para poder parar a bola e jogar os zagueiros pra área. 6,5

26 de fevereiro de 2010

Verdazzo – clique e descubra

Arquivado em: Futebol — conrado @ 12:09

Palmeiras 4×0 Flamengo-PI

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:40

Peladaça. Nem tem muito o que falar desse jogo, a não ser fatos isolados. Taticamente, não foi possível observar nada, já que o adversário não ofereceu a menor resistência. E num jogo como esse, é difícil manter a concentração, a pegada, e consequentemente ter um bom desempenho técnico. Foi um jogo de showbol num campo oficial, para cerca de 5 mil pagantes que sofreram com os 18 graus, chuvinha fina de vez em quando, e vento.

Com o gol de Robert, de pênalti, logo a dois minutos, acabou qualquer tensão que pudesse existir. Aliás, dos dois lados. Acredito que se os piauienses tinham alguma motivação para o jogo, era tentar não tomar nenhum gol e achar um contra-ataque. Mas a porteira foi aberta logo a dois minutos, e aí foi só observar os detalhes, e se divertir com alguns lances isolados, a maioria fora de campo.

Os melhores, sem dúvida, foram protagonizados por Jardel. Eu mesmo desencanei do jogo no segundo tempo e me dediquei a ficar provocando o figura. Enquanto ele “se aquecia” perto da escadaria que leva ao vestiário do Palmeiras, fui pra mureta e mandei-lhe várias lembranças. E gostaria de dizer que nenhuma foi mal-educada, só tirando um sarrinho, sem agressividade. Avacalhando muito o tamanho de sua barriga, e aliás, o conjunto todo, aquele cabeção, que de calção e chuteira, mais o boné branco, ficava bastante pitoresco. A TUP, logo atrás, resolveu entrar com os dois pés no peito e o provocou com seu envolvimento com drogas no passado. Jardel aparentemente acusou o golpe e se dirigiu de volta ao banco, e não saiu mais de lá. Mas tudo bem, deu tempo suficiente pra sacanear bastante o cara.

Foi na medida pra subir alguns degraus e ver o quarto gol, de Edinho, na primeira jogada de Ivo. Foi a melhor jogada da noite – talvez a única que valeu a pena. A julgar por sua presença, no meio de três marcadores, a proteção à bola, o domínio, a força física e o cruzamento, trata-se de um monstro. Mas já temos algum tempo de janela pra saber que a maioria dos perebas que já jogou no Palmeiras tiveram uma estréia de regular pra boa, isso quando não foi ótima. Então calma com o Ivo. E boa sorte pra ele.

No final, a diversão de ver o placar anunciar mais uma derrota purpurinada: Once Caldas 2×1 Once Bambys. Ficou apenas a frustração de ter desperdiçado uma chance de enfiar um placar histórico. Os profissionais não ligam pra isso, mas a torcida liga. A criançada, então, adora. Lembro quando eu tinha 12 ou 13 anos e o Palmeiras enfiou 7 no CRB, eu achei uma coisa de outro mundo. Às vezes o clube precisa forçar um pouco o elenco a buscar placares elásticos nessas oportunidades cada vez mais raras do calendário atual, são ações de marketing que se faz dentro de campo a custo zero e que rendem bons frutos.

Atuações:
Pouco a ser analisado, mais a parte técnica-individual de um ou outro que se destacou. A começar pelos ruins, Deyvid Sacconi já faz por merecer de volta a alcunha Sá-Cone que havia sido posta de lado. O rapaz nunca mais quis saber de jogar bola direito desde que voltou do aeroporto, e algo precisa ser feito para recolocá-lo em condições de jogo, ou tenta negociar logo de novo. Que pena que a venda deu errado. Figueroa também não está numa fase das mais animadoras, e nem numa partida como a de hoje conseguiu fazer boas jogadas.

Por outro lado, Robert recuperou a confiança e parece estar em condições de ser nosso centroavante reserva sem a menor restrição, caso mantenha a pegada. Souza entrou muito bem no segundo tempo, sério e firme. E Pierre dá gosto de ver. Com Edinho ao lado, o Palmeiras tem realmente uma proteção e tanto à zaga. Antonio Carlos prossegue em seu trabalho de aproximação com o grupo – além de Souza, deu chances a William.

Marquinhos é que parece que, rapidamente, passou de candidato sério a Guarulhos para titular. Ele foi um que eu fiz questão de gritar uns conselhozinhos rápidos na orelha, enquanto esperava para cobrar um escanteio à medida que um atendimento médico acontecia no meio do campo. Esse menino está tendo uma segunda chance de ouro na carreira. Ele estava acabado, derrotado, e de repente o destino está lhe dando uma nova chance, algo que milhares de jovens jogadores sonham, imploram, dariam a vida para ter. Marquinhos a teve pela primeira vez e sapateou em cima. Mas ironica e curiosamente, ele poderá tentar de novo. Não pode mais desperdiçar.

25 de fevereiro de 2010

Peneiras para as categorias de base

Arquivado em: Outros — conrado @ 16:39

No mês de outubro o blog realizou uma longa entrevista com Marcos Biasotto, coordenador das divisões de base do clube. O trabalho do Departamento ficou um pouco mais visível após a Copa São Paulo, onde, apesar do resultado injusto, foram revelados muitos talentos que poderão ser aproveitados num curto espaço de tempo pelo time principal – Gabriel Silva é o primeiro da lista e deve ser reconduzido ao posto de titular assim que se recuperar da lesão muscular que sofreu em Prudente. O Palmeiras sagrou-se também Campeão Paulista sub-20 em dezembro, embora o feito não tenha repercutido nem metade do que deveria, mas sem dúvida foi mais um grande resultado para os métodos desenvolvidos pela equipe que comanda a base do Verdão.

Na entrevista concedida ao blog, Biasotto contou que no início de 2010 deveria estar disponível no site oficial do clube um formulário para que as crianças e jovens que queiram treinar no clube se inscrevam nos testes preliminares de seleção, as chamadas “peneiras”. Os últimos testes desse tipo foram realizados no início deste mês, mas atenderam apenas às inscrições feitas ainda pelo método antigo ainda no ano passado, as velhas fichinhas, que eram preenchidas das mais variadas formas possíveis e que vinham das mais diversas fontes possíveis.

No fim do ano passado, as fichinhas foram aposentadas, e todas as futuras peneiras serão alimentadas apenas por quem fizer a inscrição pelo site. Segundo a previsão do Departamento, até o final do mês de março o formulário estará disponível no www.palmeiras.com.br.

Por isso, todos que têm enviado e-mails solicitando informações de como proceder para participar da peneira, tenham um pouco mais de paciência, chequem o site oficial do clube regularmente para ver se o formulário já ficou disponível, e aproveitem esse tempinho a mais para intensificarem os treinamentos, que as seleções recomeçarão em breve e todos têm que estar tinindo.

Junqueira

Arquivado em: História — conrado @ 14:35

Amanhã, dia 26 de fevereiro, serão completados cem anos do nascimento de Junqueira, o maior defensor da história do Palmeiras. Entre outros feitos descritos nas imagens abaixo, Junqueira foi “apenas” octacampeão paulista pelo Palestra/Palmeiras. Juntamente com Waldemar Fiúme e Ademir da Guia, tem um busto em sua homenagem nas alamedas do Palestra Italia.

Para entender melhor a importância de Junqueira na história do clube, basta enxergar que, dos 96 anos de existência, ele foi capitão e líder por 14 gloriosos anos, cheios de títulos. Esse período, entre 1931 e 1944, que compreende inclusive a mudança de nome de Palestra Italia para Palmeiras, pode até ser lembrado como a “Era Junqueira“.

Abaixo estão as imagens preparadas pelo Departamento de Acervo Histórico e Memória do clube para homenagear um de seus maiores ídolos. As imagens falam por si (a da bicicleta é impressionante). Que os palmeirenses reverenciem seus ídolos para sempre.














O site Palestrinos também fez sua bonita homenagem ao ídolo, confira clicando aqui.

23 de fevereiro de 2010

Serviço de utilidade pública

Arquivado em: Futebol — conrado @ 11:00

O vereador abraça Xandão no vestiário, quando o zagueiro ainda era conhecido apenas como Xandy, enquanto segura um brinquedinho estranho

O lenhador de bonsai, escafandrista de aquário, anão de jardim, dirigente bambi e nas horas vagas, vereador da cidade de São Paulo Marco Aurélio Cunha teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por receber irregularmente verbas de campanha.

A imprensa esportiva está absolutamente calada sobre o assunto. Ninguém toca no nome do baixinho. Mas aqui no Parmerista!, e em toda a mídia palestrina, não deixamos passar.

A decisão deve ser revertida e tudo deve continuar como se nada tivesse acontecido e ele deve retornar aos trabalhos (epa!) rapidamente, afinal, aqui é Brasil-sil-sil. Mas enquanto isso, o blog presta um serviço de utilidade pública.

Deixe nos comments sua mensagem para o solerte edil. Pode ser de apoio, compaixão, ou mesmo uma mensagem de admiração; pode ser de reprovação, ou uma reprimenda, e pode xingar, se quiser. O espaço é democrático.

Só pra não esquecer: RUN BAMBIS RUN!

22 de fevereiro de 2010

Palmeiras 2×0 São Paulo

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 13:51

Agora sim, o post pós-jogo como de costume. Como já foi adiantado no post de ontem, o jogo foi muito fraco. Se colocassem uma camisa da Kanxa cor de vinho nos bambis, ninguém diria que era clássico: Palestra com 13 mil pagantes, adversário mal passando do meio de campo, Palmeiras pouco inspirado, juizinho amarrando o jogo no meio… enfim, se não fosse um clássico, teria sido um jogo bem chato de se ver.

Mas a camisa que estava do outro lado era a do INIMIGO. São aqueles que fazem que a gente lute pra deixar o time sempre forte, é pra ganhar deles, no final de tudo, que toda a confusão acontece. O mesmo se aplica ao gambá, felizmente de forma mais esportiva, mais saudável. Mas ontem não eram nossos históricos adversários. Eram nossos INIMIGOS. Então um jogo ruim virou um espetáculo de emoções incomparáveis. Ricardo Gomes que o diga. Ele estava tão nervoso ao final da partida, tão descontrolado – o que se refletiu nitidamente nas entrevistas após o fim da partida – que acabou tendo uma vasculite, um princípio de AVC, e foi hospitalizado no fim da noite. É, esse confronto não é brincadeira.

Tive dificuldade para identificar os onze titulares do bambi o início do jogo. Trata-se do pior time deles desde o histórico jogo do tobogã amarelo, em 2004. Isso facilitou bastante nossa tarefa. Troca de técnico sempre motiva o elenco. E segundo revelou o Vicente, do 3VV, Gomes teria pedido goleada a seus jogadores, e isso foi espertamente passado por nossa assessoria de imprensa aos nossos jogadores. Pronto. Com um 4-4-2 arroz-com-feijão, o Palmeiras dominou completamente o meio-campo do 3-5-2 de Ricardo Gomes. Jean, Cléber Santana e Hernanes não tiveram auxílio de Jorge Wagner e Cicinho e foram engolidos por Pierre e Marcio Araujo. Por outro lado, Diego Souza e CleitonX não fizeram uma boa partida, tiveram muita dificuldade em achar um posicionamento, e foi difícil conseguir a ligação com Lenny e Robert.

Wendel e Eduardo, dois laterais pra lá de limitados, foram os grandes destaques taticamente, segurando os alas bambis, que ficaram completamente travados. As únicas chances das moças foram quando houve falhas individuais, em erros de passes cruciais exatamente dos nossos dois laterais. O sistema defensivo foi simples e perfeito. Mas a aproximação e a criação foram ainda muito deficientes. Zago terá trabalho.

Aliás, o lance decisivo do jogo foi exatamente protagonizado por Eduardo, que se soltou mais no segundo tempo depois da bola ter queimado seus pés em boa parte do primeiro. Foi ele quem partiu pra cima de Xandão e provocou a falta que lhe rendeu o segundo amarelo e a expulsão. O cartão vermelho inflamou o Palestra, e comentei na hora que o gol ia sair, que o momento era aquele. A torcida fazendo um barulhão e a zaga desarrumada, o cenário estava montado. Não saiu como eu imaginei, logo na cobrança da falta, mas foi no lance seguinte, ainda com o estádio pulsando. Robert se antecipou à zaga e testou até que fraco, mas pegou a Rogéria no contrapé. Restou à boneca levantar o bracinho, como sempre. VAI TE CATAR, PALHAÇO!

Com o gol, o bambi tentou vir pra cima meio desordenado, e com um a menos, deixou um buracão lá atrás, e a perspectiva era de goleada. Pena que isso ainda não está nas veias de nossos jogadores. Depois do segundo gol, num escanteio cobrado na medida por Marquinhos que Robert testou de novo, desta vez muito firme – tanto que fez o goleiro de hóquei virar o rostinho de lado pra proteger a maquiagem – o Palmeiras podia ter enfiado pelo menos mais dois gols. Mas repito: muito mais pela fragilidade bambi do que por grandes méritos nossos.

Enfim, valeu demais. Nada como uma vitória em mais uma batalha para recolocar as coisas nos eixos. O que passou, passou. Várias teorias conspiratórias já pipocam na rede, principalmente as que dão conta que os jogadores derrubaram Muricy. Esqueçam isso. Enfim, nada vai mudar agora. Mais alguns dias e isso estará definitivamente enterrado, e começamos a era Zago no Palmeiras. Sua escalação, de cara, foi correta no conceito – a se estranhar apenas ter sacado Edinho e preferido Marcio Araujo. Mas isso são coisas que se ajeitam no caminho. Ewerthon assina entre hoje e amanhã, e ainda teremos mais um centroavante por vir.

Não sei se eu já disse hoje, mas se não, lá vai: CHUUUUUPA BAMBI!

Atuações:
Marcos
: me pareceu bastante inseguro no primeiro tempo. Mas pegou alguns chutes de longe que podiam ser perigosos. 7
Wendel: está há tanto tempo no time que já sabemos tudo o que ele pode fazer. Tem dia que ele se esforça mais que o normal. Ontem foi um desses dias. Sua dedicação compensou sua incurável limitação técnica. Prendeu Jorge Wagner e a jogada forte das mocinhas. 8,5
Danilo: praticamente assistiu ao jogo. O bambi só chutou de longe. 7
Leo: mesma coisa que Danilo, mesma nota. 7
Eduardo: muito assustado no primeiro tempo, só se livrava da bola. No segundo tempo, se soltou. Prendeu Cicinho do seu lado. 8
Pierre: moooonstro. Ele cresce demais contra o bambi. Parece que tem a alma palestrina. 8,5
Marcio Araujo: como volante, sem a responsabilidade de armar, apenas de fazer a burocracia do passe, se garante. 7,5
CleitonX: vem numa sequência muito fraca. Mesmo assim, foi o “culpado” pelo primeiro gol. 7,5
Diego Souza: o mais apagado do time. Mas só sua presença já deixa meio time adversário com medo. 6
Lenny: esse rapaz tem um carisma impressionante. Não faz nada que justifique tanta empatia com a torcida. É um Muñoz magrinho. OK, joga um pouco mais que o Muñoz, e não é burro como o colombiano. 6
Robert: DEZ, pô
Marquinhos: entrou bem demais, abriu o jogo pela direita e infernizou a vida dos bambis. Sem falar no escanteio cobrado na medida para o segundo gol. Se fosse sempre assim, um EXCELENTE velho reforço. Mas pé atrás com ele. Sabemos de sua “dedicação” nos treinos. Precisa manter a pegada, senão voltará a ser o Marquinhos irritante de sempre. 8
Edinho: entrou no final pra fehar o meio. S/N
Deyvid: além da viagem a Paris, a chegada de Lincoln deve ter mexido com sua cabeça. Nunca mais jogou nada. 5
AC Zago: escalação correta, mexidas legais. Marquinhos aberto pela direita foi bem interessante. Se tivesse dado liberdade para ele inverter o lado de ver em quando, pegaria o Cicinho mancando e seria mais facil ainda. Excelente estréia. 9

21 de fevereiro de 2010

Palmeiras 2×0 bambis

Arquivado em: Adversários — conrado @ 21:51

Vamos deixar a análise tática e técnica para amanhã. O jogo, vamos falar a verdade, foi um horror. Mas isso não importa. O Palmeiras surrou os bambis no Palestra mais uma vez, e o placar de 2×0 foi pouco, nem tanto pelo que o Palmeiras jogou, mas pelo que o time da encarnação de belzebu na Terra não jogou. Fazia tempo que eu não via um time deles tão ruim, mas tão ruim. Lembrei daquele timinho que tinha o patrocínio da Cirio, uma teta.

A torcidinha deles apanhou no ABC, e não contente com isso, parece que resolveu enfrentar os palmeirenses que absurdamente foram impedidos de comprar ingressos – o horário limite estabelecido foi 13 horas. Eu não sabia disso e só consegui o meu porque dentro do clube esse horário foi extendido um pouco mais. Uma multidão de palmeirenses ficou de fora. Provavelmente uma medida planejada, visando a confusão. Os bambis tocaiaram os palmeirenses, e segundo os relatos, apanharam de novo. Remember 1942, RUN, BAMBIS, RUN. No Palestra, não.

Quem foi pra ver jogo, viu uma pelada. Mas clássico com essa sub-raça é sempre tenso, e a qualidade do jogo acaba em segundo plano. Queremos a vitória de qualquer jeito. É guerra. Por mais que venham politicamente corretos e seus discursos de paz e etc, em jogo contra os bambis, não dá. Jamais pode se deixar de lado tudo o que essa corja já nos fez, e fará sempre que dermos brecha.

Quando Xandão foi expulso, o goleiro-canalha quase agarrou o zagueiro pelo pescoço para que ele voltasse para o campo, antes que ele fosse fazer seu showzinho de intimidação ao árbitro. É sempre daí pra baixo. A lista, todos sabem, é imensa: desde 1942, passando por Leivinha/Armando Marques, Wilson Mendonça, Sálvio, Bosco e sua pilha, gás de pimenta e tantas outras, por tudo isso, essa canalhada nunca pode se esconder atrás da cortina de qualquer sentimento de esportividade para amenizar o ódio que eles mesmos fizeram questão de despertar.

A cada vitória, principalmente no Palestra, vem o delicioso grito entalado: CHUUUUUUUUPA! Tomaram, malditos! E com dois gols do Robert!

RUN, BAMBIS, RUN!!!

*foto: Césão, o grande Periquito Verde
(explicando: o modelo da foto sou eu, logo depois do jogo, quem tirou a foto foi o Césão hehehe…)

19 de fevereiro de 2010

Genis

Arquivado em: Torcida — conrado @ 13:04

Joga pedra na Geni“, dizia a canção de Buarque.

A torcida do Palmeiras está ávida por Genis. A saída de Muricy, apesar de ter agradado a uma minoria – claro, não existe unanimidade – da forma como foi, deixou um gosto de desilusão muito grande na boca da torcida do Palmeiras. Só que da maneira como a coisa toda repercutiu, a impressão que fica é que parece que houve uma grande orquestração entre os malvados Belluzzo e Cipullo, que puxaram o tapete do pobre Muricy, que saiu como vítima.

Muricy de fato foi injustiçado. A forma como ele foi tratado foi dura demais. Ele não teve material humano à disposição para que pudesse ser cobrado por resultados. A escolha por um modelo de reposição de peças imediatista, que remendará as falhas do elenco e para isso se curva às exigências do parceiro é nítida. Essas são as restrições a serem feitas à decisão tomada pela direção do clube, e que mereceram deste blog reprovação e até o sentimento de vergonha.

Mas assim como o blog reprova a injustiça cometida com Muricy, também reprova o que está sendo feito com Belluzzo e Cipullo. São as Genis da vez. Eles trataram Muricy de forma dura e injusta, mas não desleal. Não houve nenhuma armação, nenhuma puxada de tapete.

Acho correto julgarmos uma atitude administrativa. Fizeram a escolha. Acho que erraram. Pau neles. Sob esse escopo, concordo em bater forte. Mas fazer conjecturas do nível que estão sendo feitas, não é justo. A fé que o clube estava indo na direção absolutamente correta sem dúvida sofreu um abalo, mas a confiança no caráter e na retidão desses dois, de forma alguma.

Tanto quanto o professor Belluzzo, Cipullo é um grande palmeirense. Está sendo execrado de forma pessoal, e isso é uma covardia. Pior: estão deixando a possível raiva que estão sentindo para associá-lo a um suposto mau-caratismo. E estão fazendo isso usando outros julgamentos, sobre o caráter de Luxemburgo e Antonio Carlos, sendo que o apreço de Cipullo é pelo modelo de trabalho dos dois, e não pela conduta. A torcida do Palmeiras, nesse momento pós descida do zepelim, julga caráter a torto e a direito. Pessoal, nem todo mundo é Rogério Ceni, pô!

Julgar caráter desse jeito é coisa pra quem está muito, mas muito acima do bem e do mal. E isso acho que nenhum de nós está. Este blog fez toda uma campanha pela queda de Luxemburgo porque seus defeitos estavam atrapalhando seu desempenho; se não estivessem, não haveria o menor problema em suas rodinhas de pôquer e em tudo o mais que isso implicava. Não vamos misturar as coisas.

Por que será que as massas precisam tanto de Genis?

A letra de Buarque é genial.

GENI E O ZEPELIM
Chico Buarque – 1977

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniquidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela famosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitad e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

18 de fevereiro de 2010

Antonio Carlos Zago, novo técnico do Palmeiras

Arquivado em: Futebol — conrado @ 22:14

Foi bem rápido. Menos de 24 horas depois do início da partida que derrubou Muricy, apenas algumas horas depois do anúncio de sua queda, e a diretoria do Palmeiras já anunciou o substituto: Antonio Carlos, ex-zagueiro bicampeão paulista e brasileiro pelo Verdão em 93/94, mas que também jogou pelos nossos três maiores rivais. Foi campeão paulista pelos quatro grandes: duas pelo bambi, uma pelo gambá e uma pelo Santos. Ganhou quatro brasileiros, sendo mais uma pelo bambi e uma pelo Santos. Ganha título por onde vai. Levou também um scudetto pela Roma e uma Liga Turca pelo Besiktas.

Como técnico, Antonio Carlos tem uma carreira curta, menos de um ano. Vinha fazendo um belo trabalho no São Caetano. Mostrou que conhece futebol, conhece tática, e é bem relacionado com os empresários e agentes de jogador. Foi muito bem na montagem do elenco gambá de 2008, quando foi diretor técnico. Mas seu estilo implica em rotatividade alta. Aposta arriscada.

O Palmeiras volta pro jogo em 2010, muito rápido. Aposto no anúncio de bons reforços num prazo muito curto. Cipullo já havia demonstrado apreço pelo trabalho de Antonio Carlos em conversas reservadas, e queria trazê-lo para o cargo de Toninho Cecilio há alguns meses. Antonio Carlos recusou, pois disse que queria abraçar a carreira de treinador. Cipullo respondeu que um dia a oportunidade surgiria. Surgiu.

***

Esta vai ser a primeira e única vez que vou tocar no assunto, e me reservo ao direito de vetá-lo nos comments. Antonio Carlos protagonizou uma cena vergonhosa em sua carreira como jogador, quando defendia o Juventude. Um ato deplorável. Ele pediu desculpas pelo ato. Foi punido. Pagou por seu erro, e não o repetiu. Fim do assunto.

É certo que a imprensa vai se esbaldar com isso. Provavelmente vão surgir provocações covardes de torcedores inimigos com associações do ato de Antonio Carlos com fascismo. Nós não podemos alimentar esse tipo de polêmica. Preparem-se, pois uma nova bateria de ataques, do naipe mais covarde possível, está para ser atirada sobre os italianinhos do Palestra Italia. Temos que agir com inteligência e não embarcar nessa, só respondendo aos ataques que realmente justifiquem uma resposta.

Cipullo esclarece a demissão de Muricy

Arquivado em: Política — conrado @ 21:03

“O time não vinha jogando bem e achamos que ainda era tempo de mudança. Nunca tive qualquer desavença com o Muricy e também quero deixar claro que a decisão foi meramente administrativa, sem nenhum envolvimento político. Ele só foi demitido porque os resultados não apareceram. A multa pela rescisão contratual será quitada.”

Site Oficial do Palmeiras

A declaração foi um desastre. Muito mal calculada. Um insulto à inteligência do torcedor palmeirense. Como é que alguém pode demitir um treinador por falta de resultados na fase de classificação do Paulista? E com um ataque desses? Lenny e Robert?

E se tivesse sido pelo resultado do ano passado, por que não o demitiram em dezembro?

Não faz sentido. Ainda mais porque todo mundo sabe que foi por incompatibilidade de método de trabalho. Pô, era muito mais fácil ter dito isso. Aliás, era muito mais fácil não ter dito nada.

Essa declaração foi muito ruim, sem sentido, e piora qualquer credibilidade que pudesse ter perante a torcida ou correligionários no clube.

Muricy demitido

Arquivado em: Futebol — conrado @ 17:15

Estou perplexo com a notícia. O presidente Belluzzo cometeu o maior erro de sua gestão até agora. Ao tomar essa decisão, aposta tudo em tentar ganhar um título desesperadamente ainda este ano, dando um viés claramente político à decisão. Como dirigente do clube, esperava que ele arcasse de forma mais firme com as consequências da perda do título do ano passado, juntasse os cacos e absorvesse a condição de que o Palmeiras voltou três anos no tempo, e começasse a remar tudo de novo.

O modelo de parceria com a Traffic precisa ser moderado, não desenfreado como na época de Luxemburgo. Muricy, ao contrário, freava tudo. Cabia à direção – Cipullo e Belluzzo, sobretudo – estabelecer a hierarquia, a mesma que eles alegaram ter sido quebrada para demitir Luxemburgo, e impor o meio-termo.

A bola da vez para o cargo de Muricy parece ser Antonio Carlos. A escolha, se confirmada, é coerente. O ex-zagueiro tem o perfil exato para retomar o “modelo parceria”. Não dou uma semana para desembarcarem reforços importantes no Palestra. Mas serão reforços temporários, caracterizando cada vez mais o chamado time de aluguel. E os meninos da base? Deus os proteja.

Assim fica cada vez mais chato torcer. Voltamos pro jogo para este ano. Mas sem nenhuma perspectiva lá na frente. O futuro é absolutamente incerto.

Para Muricy, gostaria de dizer que estou envergonhado com o que a diretoria do Palmeiras fez. Você se mostrou um puta profissional, e não merecia que a corda arrebentasse justo do seu lado, apesar de ter sido inflexível em determinadas oportunidades e de ter escalado o time muito mal em outras. Mas isso não justifica sua demissão. Você estava montando a estrutura do time, a defesa estava quase pronta, e depois era só montar a ofensiva. Com você, não tinha mais empresário rodeando a academia dia e noite, nem em cima dos meninos da base. Agora, sabe lá Deus. Desejo toda a sorte do mundo na sequência de sua carreira, e tomara que você possa voltar pra cá ainda algum dia.

Palmeiras 1×4 São Caetano

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 11:07

Jogo na quarta de cinzas tende a dar nisso. Pra completar o cenário de tragédia, o temporal de caiu algumas horas antes sobre a zona oeste da capital afastou muita gente que teria intenção de comparecer ao jogo. Não sei se isso foi bom, porque fez menos gente passar raiva, ou se foi ruim, porque com mais gente talvez o time entrasse mais ligado. Tendo a achar que foi bom, não alteraria muita coisa. O fato: parcos 3 mil palmeirenses testemunharam uma das maiores vergonhas de nossa história recente. Um chocolate, diante de um time em posição intermediária da tabela.

Boa parte da conta desse mau resultado tem que ir para o treinador. Muricy escalou o time mal. E não se trata do velho discursinho pronto de malhar a escalação de três volantes. Se o terceiro volante fosse um cara que soubesse sair pro jogo e preencher espaços com qualidade, sem problemas. Podia até ser o Souza. Mas o nosso dileto Marcio Araujo, definitivamente, não dá. Cai a lenda que ele é um bom jogador. Em teoria, sua contratação foi pra ser um volante para compor o elenco, na reserva, talvez reserva do reserva. Em raríssimas exceções deveria sair jogando como titular, muito menos como meia.

Além disso, estranhamente havia muito espaço entre os volantes e a zaga, a proteção foi muito mal feita. Como resultado disso tudo, o São Caetano teve muita posse de bola, e os gols saíram, quem diria, naturalmente. O Palmeiras estava pedindo para tomar os gols ainda no 0×0. Tomou dois gols muito próximos. Logo depois, o zagueiro deles subiu sozinho e cabeceou por cima. Estava fácil demais. Tão fácil que na chance seguinte eles não desperdiçaram: 3×0, e assim terminou o primeiro tempo.

Muricy tentou consertar no intervalo. Colocou Lenny e Sacconi, tirou o péssimo Figueroa e o inútil do Robert. Aliás, o primeiro gol do São Caetano saiu depois de uma bola açucarada de Diego Souza para Robert, que o atacante pisou bisonhamente na bola. Tivesse dominado e feito o gol, certamente o resultado seria outro.

Mas o problema do Palmeiras ontem, além de tático, também pareceu físico e emocional. Os gols seguidos do São Caetano abalaram demais o time, um velho problema. Na volta do intervalo, apesar das limitações dos substitutos, o time veio com gás e moral renovados. Só que o quarto gol dos caras jogou tudo por terra, e pior, foi um gol inexplicável. A defesa estava armada, certinha, o cara foi cercado, não tinha muito o que fazer, tomaram cuidado para não fazer o pênalti, mas TUDO deu certo para o adversário, ele conseguiu criar a condição pro arremate e tocou no canto.

Com 4×0 contra, aí restou ao time mostrar dignidade. E o gol de honra de Diego Souza pelo menos esboçou que o time não é um caso perdido. A torcida foi muito burra. Claro que todos que estava ali estava muito putos e envergonhados com o que estavam vendo. Mas será que era tão difícil assim enxergar que o problema ontem foi, pela ordem, tático, físico e emocional? Xingar os jogadores como fizeram além de burrice, é covardia. Principalmente o melhor de todos, e que ainda fez o gol dele.

O resultado não muda nenhuma impressão já emitida neste blog. O elenco precisa suprir suas lacunas. Enquanto isso não acontecer, será fraco. O discurso do diretor de futebol, de que o elenco é forte, é uma falha de retórica. O elenco tem potencial para ser forte. É diferente ter um elenco montado, e dizer que se trocar cinco peças ele será forte. Assim até o São Bento fica forte. O Palmeiras está no meio desse processo, o elenco nunca esteve pronto, por isso, jamais poderia ser dito que é forte. O processo de renovação está correto, o que faltou foi o arremate. Faltou chutar pro gol. Ainda falta.

Com a crise de relacionamento entre diretor e técnico escancarada, e com um resultado desses, pelo menos agora sabemos que alguma coisa vai acontecer. E é bom que aconteça, porque domingo pegamos os bambis.

Atuações:
Marcos: volta, Pracidelli! 4
Figueroa: escondam as tesouras dos chilenos. 3
Danilo: jogou pedrinha. Só pela tirada com o repórter depois do jogo (“-Danilo, falta alegria a esse time? -se falta alegria, vamos contratar um palhaço“), leva um 5
Leo: perdidinho, foi humilhado em certos lances. 3
Wendel: nada mais nem menos do que já sabemos que ele é capaz. Num dia ruim, fica mais evidente. 4
Pierre: um de seus piores jogos com nossa camisa. 3,5
Edinho: não viu a cor da bola 3
Marcio Araujo: espero que tenha caído a ficha de todo mundo que ele é reserva do reserva. 2
CleitonX: o segundo pior do time. Mal posicionado e mal tecnicamente. 1
Diego Souza: o único que se salvou. 7
Robert: ZERO
Sacconi: taticamente entrou certinho, mas depois de Paris, nunca mais foi o mesmo. Não que fosse um gênio. 3
Lenny: achou que iria se consagrar sozinho. Pegava a bola, abaixava a cabeça e…. perdia a bola. 2,5
Muricy: errou demais, tentou consertar no intervalo. Seu atenuante é o elenco restrito. 3

Não estou no muro

Arquivado em: Futebol — conrado @ 1:52

Tenho minha opinião bem formada. Na verdade, gostaria mesmo é que Muricy aprendesse a tolerar um ou outra tranqueira no elenco, a troco de vir um grande jogador, já que é assim que as coisas funcionam. O legal seria um modelo misto, não precisa ser um “modelo 100% Luxa”. Cipullo até que está fazendo sua parte no exercício de flexibilidade, e absorvendo os vetos de Muricy. São dois grandes caras, que infelizmente não estão se bicando.

Se realmente tiver que escolher entre um dos dois modelos, já tenho minha escolha. Os leitores mais atentos e que já estão acostumados com a linha de pensamento deste blogueiro vão matar fácil.

***

2h46: claro, amigos, que se tiver que escolher, prefiro o modelo proposto pelo Muricy. Os frutos serão colhidos lá na frente com muito mais segurança. Haverá muito mais identidade entre torcida e elenco. E muito menos comissão rolando. Mas eu não ia achar ruim ter um Sobis da vida no time ao preço de arrastar junto um Marquinhos.

***

Agora, vamos ao pós-jogo. Deve sair em cerca de uma hora.

Ô madrugada agitada!

Mais uma vez, gostaria de mandar um abração pro Raul Bianchi da rádio Mondo Palmeiras, pela tabelinha que fizemos esta noite para manter o torcedor palmeirense o mais bem informado possível, através de fontes palmeirenses. Valeu Raul!

Que lado seguir?

Arquivado em: Futebol — conrado @ 1:36

Se as correntes são bem distintas, e estão em rota de colisão, um dos dois caminhos deve ser escolhido. O modelo defendido pelo diretor Gilberto Cipullo vislumbra a montagem de elencos com jogadores fortes de imediato, cujas passagens devem ser curtas e sem identificação com o time. A chance de dar certo e converter em títulos é muito grande – maior ainda em times sem pressão, o que tende a acontecer na segunda temporada seguida nesse modelo, desde que se ganhe a primeira vez. O modelo exige alta rotatividade de jogadores. Empresários são presença constante  no ambiente do clube. É um modelo que, bem conduzido, é caneco na certa.

O modelo proposto por Muricy é de longo prazo. Quer um casamento bastante duradouro. Muricy não aceita jogadores de qualidade abaixo da linha do razoável, e mesmo que seja bom, se não encaixar em seu desejo ou no que ele enxerga na necessidade do time, ele veta. Valoriza as categorias de base e seu trabalho visa montar um elenco sem pressa, o que às vezes nos faz aturar caras como Robert por muito tempo. Mas quando o trabalho estiver pronto, o time será extremamente sólido. O caixa será bastante fortalecido e próprio. Os jogadores serão ídolos com longas passagens pelo Palmeiras. E o clube estará pronto para um círculo virtuoso. Só que a torcida terá que se resignar: pra isso, teremos que passar por mais um período de reconstrução, após a derrocada do ano passado.

O final de 2009 foi o grande desastre que se abateu sobre o Palmeiras, que fez o clube voltar três anos no tempo. E que nos jogou nessa encruzilhada.

É uma questão de filosofia. Quem gosta de alta rotatividade, e que não admite períodos sabáticos, vai preferir o modelo de Cipullo, o mesmo que Luxa pratica em todos os clubes que vai – e que quase sempre ganha títulos – mas que não dá a menor perspectiva de sequência, é uma eterna corda bamba. Quem tem mais paciência vai preferir acompanhar a reconstrução do elenco nas mãos de Muricy, e ter a perspectiva de colher resultados em apenas dois ou três anos, mas com uma base muito sólida.

Eu tenho a minha opinião. Mas não vou emiti-la explicitamente por enquanto. Gostaria de medir a preferência dos leitores antes.

Água fria na fervura

Arquivado em: Futebol — conrado @ 1:04

Hoje não cai ninguém. Vamos continuar acompanhando.

Belluzzo deve tomar a decisão amanhã, se cai um, se cai outro, ou se não cai ninguém.

Felizmente ninguém tomou nenhuma decisão de cabeça quente.

Batata assando

Arquivado em: Futebol — conrado @ 1:02

A batata de Cipullo está assando há algum tempo. Seu estilo desagrada a muitos dentro do clube. É acusado até por pessoas próximas de não dar ouvidos a ninguém – o que não é verdade, conforme pude atestar pessoalmente em longa audiência no mês de dezembro, juntamente com companheiros do grupo Fanfulla.

O modo de Cipullo conversar às vezes sugere arrogância. Insisto, não corresponde à verdade. Mas isso não importa para quem absorve essa imagem. Se o time vai bem, isso acaba ficando em segundo, ou terceiro plano. Mas com o time indo mal, ele vira um alvo muito fácil.

Ainda mais sendo o principal diretor de futebol. Em penúltima instância, o responsável é ele. Acima, só o presidente. Todos os que exigem providências apontam seus dedos para ele hoje: os que acham que o que está errado é culpa dele, e os que simplesmente querem o cargo. E isso tem aos montes, e logo após o jogo, no clube, sobravam candidatos. Era de dar nojo.

Apesar da pressão estar enorme, ainda torcemos para que as arestas sejam aparadas.

Muricy em coletiva

Arquivado em: Futebol — conrado @ 0:53

Muricy está dando sua entrevista coletiva e o assunto é o jogo de domingo contra os bambis. Parece bastante seguro. Não dá pinta de que esteja balançando.

Em seguida, Cipullo deve dar sua entrevista. A expectativa é grande, e todos os rumores apontam para sua saída. Caso isso aconteça, Toninho Cecílio deve acompanhá-lo.

Acompenhem aqui a divulgação dos fatos e a repercussão, sempre em parceria com a rádio Mondo Palmeiras e o repórter Raul Bianchi, que está lá na sala de imprensa.

Divergências insustentáveis

Arquivado em: Futebol — conrado @ 0:49

Com Muricy, a atividade de empresários no clube foi drasticamente cortada. Grandes e pequenos. Isso inclui uma série de vagabundos que rondavam as categorias de base. Isso está sendo ótimo para o Palmeiras.

Mas isso também inclui nosos grande “parceiro”, a Traffic. Não é à toa que não chega ninguém de peso. Muricy não quer saber de Fernandinho do Barueri, entre outros. Isso deixa o parceiro muito insatisfeito.

O diretor Gilberto Cipullo tem uma visão divergente. Fã notório do estilo de Luxemburgo, foi voto vencido em sua demissão. Entende que se há parceiros dispostos a investir pesado para trazer grandes talentos, as portas a eles devem se abrir. Se o preço for pequeno, como aturar um Sandro Silva aqui, um Jefferson ali, que seja. Pra ter um Diego Souza e um CleitonX, vale.

Cipullo é honestíssimo, não tira um tostão dessas operações, mas fecha os olhos se eventualmente outros envolvidos resolvam tiram seus 10% aqui ou ali. Pra ele, o que importa é o time forte. Muricy prefere apostar no crescimento a longo prazo, construindo um elenco sólido, cortando todas as peças que não servem. E isso deixa os investidores descontentes. Grandes e pequenos.

As divergências estão aí. Os dois têm suas razões. São estilos diferentes, e ambos têm prós e contras. A situação atual reflete que Muricy está ganhando a queda de braço. Mas o resultado de hoje, agravado pelo fato que ele errou feio na substituição, pode enfraquecê-lo.

Gostaria que os dois conseguissem aparar as arestas. Mas parece que de hoje não passa. Ou sai um, ou sai o outro.

Posts especiais – plantão

Arquivado em: Futebol — conrado @ 0:36

Em parceria com Raul Bianchi, da rádio Mondo Palmeiras, que está nos vestiários do time após o desastre de agora há pouco, faremos a cobertura especial da seqüência de fatos que deve acontecer agora. A primeira informação é que a probabilidade de cabeças importantes rolarem são enormes.

Fiquem ligados, aos poucos, em ritmo de Twitter, mas sem os limites de 140 caracteres, vamos informando.

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