Faltando cinco jogos para o fim do campeonato, apenas duas equipes dependem apenas dos próprios resultados para serem campeões: Palmeiras e Atlético-MG. O Galo, embora em terceiro lugar, termina o campeonato em primeiro caso vença todas as suas partidas, dentre elas o confronto direto com o Verdão, na penúltima rodada. Já o “líder” bambi tem que secar Palmeiras e Atlético se não quiser ficar para trás, mesmo que vença as quatro partidas que lhes restam.
E é irresistível para os torcedores comparar as tabelas de cada time e avaliar quem tem os jogos mais fáceis, e quem tem os mais difíceis, para saber quem está em vantagem. Amigos, vou remar contra a maré. Apesar de ter feito até um gráfico para facilitar essa visualização, penso que a comparação jogo a jogo não faz muito sentido neste Brasileirão.
Num campeonato tão equilibrado quanto este, onde o Fluminense, último colocado, virou o jogo de forma espetacular sobre o Cruzeiro, time que está em melhor fase dentre todos, no Mineirão; num campeonato onde o Santo André, que briga contra o rebaixamento, deu um baile de bola no Palmeiras, líder e com 80% da torcida do Bruno Daniel a seu favor; não há diferença técnica flagrante a ponto de se poder classificar as partidas como mais fáceis ou mais difíceis.
Os fatores que podem ponderar esse julgamento, além dos elencos, são o mando da partida e a motivação de cada time. O fator casa é o que mais conta. Os elencos, já vimos, estão muito equilibrados. Mesmo os times que contam com craques estelares não podem se considerar favoritos contra times operários, mas com um conjunto consistente. Como não se vê nenhum time se destacando positivamente, que seria o natural quando se tem um conjunto aplicado recheado com 3 ou 4 jogadores bem acima da média, a comparação elenco x elenco não é lá muito relevante.
O aspecto motivação tem sido comentado, mas considero um equívoco. Andei ouvindo que jogar contra times na zona intermediária é melhor que jogar contra quem está brigando nas pontas da tabela, seja na de cima, seja na de baixo. É nada. Vimos o Grêmio, ontem, mesmo com o Olímpico quase às moscas, endurecer bastante o jogo contra as meninas, embora já tenha jogado a toalha nas palavras de seu próprio diretor de futebol. O que provoca isso? Primeiro é a vontade natural que alguns jogadores ainda alimentam de ganhar sempre. E tem, claro, o interesse dos terceiros, que sempre faz aparecer uma mala de alguma cor nas rodadas finais.
Ou seja, times de cima ou de baixo lutam por seus objetivos, e pelos prêmios oferecidos por suas próprias diretorias. Times do miolão lutam pelos prêmios oferecidos pelos interessados. Times que estão na disputa jogam mais nervosos, mais imbuídos, o que torna o jogo difícil. Os do miolo jogam mais soltos, o que também pode ser uma dificuldade, já que diminui bastante a probabilidade de erros por falta de controle emocional. Jogar contra times sem responsabilidade tem suas dificuldades, tanto quanto jogar contra times com a adrenalina no talo. São apenas dificuldades diferentes. #ounao…
A única coisa que dá para concluir é o óbvio: está em vantagem quem está na frente, quem depende só de si. Neste caso, é nóis memo. O fator casa deve ser aproveitado ao máximo. Porque os elencos dos adversários, a motivação que cada um trará pro jogo, esses são iguais pra todo mundo. Temos que buscar sempre vitórias, contra o Fluminense (F), Sport (C), Grêmio (F), Galo (C) e Botafogo (F). O Verdão, visitante mais bem sucedido do campeonato, tem que fazer prevalecer essa condição nessa reta final.
E não ouvi ninguém na imprensa falar: com o empate entre os bambis paulistas e gaúchos, voltamos a ter a gordurinha de poder empatar um dos cinco jogos, desde que mantenhamos o saldo acima do das meninas. Quatro vitórias e um empate, é tudo o que precisamos…
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A primeira guerra será no domingo, no Maracanã, contra o Fluminense. Temos que buscar a vitória, e economizar essa gordurinha o quanto pudermos. Graças aos céus a tal de Copeta Sulamericana mandou o bambi-RJ para o Chile, onde jogaram agora há pouco contra a Universidad de Chile, e venceram até com certa autoridade, jogando bem. Teria sido melhor psicologicamente se tivessem sido eliminados. Mesmo assim, o desgaste físico não poderia ser maior. A perda de foco é outro fator importante. São vantagens que as circunstâncias nos trouxeram. A cereja no bolo é o calor infernal que promete cozinhar todos os miolos no Rio, domingo.
O Fluminense já vai entrar em campo meio baleado, sem sombra de dúvida. E quanto mais quente, pior para eles, que devem abrir o bico mais cedo. Muricy poderia prestar atenção nesse aspecto para traçar a estratégia do jogo. É certeza que o Fluminense, como todo time da casa empurrado por um grande público, vai forçar bastante nos primeiros quinze minutos. O Palmeiras tem que se poupar, induzir o adversário a se desgastar o máximo possível, e aguentar a pressão, sem tomar gols. Sem a bola, bem fechadinho. Com a posse, seria interessante que o Verdão rodasse bastante a bola, forçando os cariocas a correr, correr, correr… E forçar as faltas nas laterais para buscar o gol nas bolas paradas, aproveitando a ótima fase de Figueroa nas bolas alçadas.
Mas ficar só se defendendo não está no DNA do Palmeiras. A idéia seria que a partir dos 30, 35 minutos, quando o Fluminense tiver botado a gravata vermelha, o Verdão pode alterar a tendência e armar uma correria bruta pra cima deles, e sufocá-los com uma marcação meia-pressão – ou até pressão completa, pegando-os de surpresa. Pra nocautear. Se o plano der certo, vamos pro segundo tempo em vantagem, e aí basta repetir a estratégia Muhammad Ali, que o desespero dos cariocas fará o resto, principalmente se os outros placares ajudarem a desanimá-los ainda mais.
E que não esqueçam de marcar o Conca! Se o Pierre puder jogar, não tem nem o que pensar… Já chega o que passamos com o Pet.
Esse é o panorama que espero no primeiro dos cinco passos em direção ao título. Estaremos lá conferindo, rezando pra que o sol esteja quente, muito quente. O ingresso já está na mão. Chega logo, domingo!