A décima rodada costuma ser o primeiro checkpoint do Brasileirão por pontos corridos com 20 times. Vamos deixar o Verdão de lado por um momento e dar uma olhadinha nos nossos adversários:
Atlético-MG: com Celso Roth no comando, não tem como não pensar que trata-se de um cavalo paraguaio. Mas como isso no futebol é insuficiente para qualquer análise séria, vamos observar: sua dupla de ataque é Diego Tardelli e Eder Luiz. Na meia, Marcio Araújo e Junior. A linha de defesa só tem jogadores piores que os nossos reservas, é tudo um monte de Jeci. Estão rendendo alguma coisa porque a camisa não pesa tanto. Se chegarem na parte final como real candidato, tremem. Não preocupa.
Inter: virou o fio. foi um time que criou um encanto no início da temporada, mas que, como todos os times do falastrão Tite, não manteve a pegada. Talvez retome a sequência se fechar com Muricy. O elenco é excepcional, e até o time reserva, se estiver no embalo, joga bem – sabemos bem disso. Vamos torcer para Tite prolongar sua permanência o máximo possível.
Vitória: apesar de resultados expressivos, o time que conta com Roger como centroavante e William (o nosso, o do coração) não deve ir além de um quinto lugar. O destaque é o lateral Apodi, que já vestiu duas camisas pesadas e negou fogo. Carpegiani é outro técnico que não consegue estabelecer trabalhos longos bem-sucedidos, o prazo de validade é curto.
Barueri: surpresa do campeonato, arrozinho com feijão, comandado por Estevam “Fred Flintstone” Soares, ou Estevam “olha eu aqui, me contrata” Soares. Pedrão, Tiago Humberto na frente, André doidão Luiz na zaga e o goleiro Renê são os destaques. Vai acumulando seus pontos porque os adversários sempre entram achando que vai ser moleza. É só jogar sério contra eles, mesmo em sua casa, que vira presa fácil.
Grêmio: o trabalho do técnico Paulo Autuori é curioso. Não parece ter o apoio dos elencos que comanda. E também não tem a cara do Grêmio. O time do sul tem dois meias enganadores, mas chatos, Tcheco e Souza; e atacantes fracos, como Herrera, Jonas, Maxi Lopes e Alex Mineiro. Seu ponto forte é a zaga. Pode ser um bom adversário se Alex Mineiro resolver jogar bola.
Flamengo: tem talentos como Ibson, Kleberson. Leo Moura foi deslocado para o meio, joga como uma espécie de volante, e Juan atravessa uma fase inconstante. Mas o grande destaque, Adriano, vive de marcar gols. Se escassearem, seus privilégios devem minar a união do elenco. Sem contar que a choradeira de Cuca contagia o elenco, que parece que acorda, dá uma choradinha na frente do espelho, depois vai resolver os problemas do dia. Não deve sequer pegar Libertadores.
Cruzeiro: vai dando uma de Fluminense. A diferença é que deve ganhar a Libertadores, e terá tranquilidade para recuperar o terreno perdido. Mas já ficou muito para trás. É um belo time, com Kleber e Ramires, e Fabio de volta à boa fase no gol. Adilson Batista atualmente é o melhor técnico empregado no país.
Gambá: o recém-viúvo Ronaldo foi um tiro certeiro da diretoria trambiqueira. O volante Cristian se identificou muito com o ambiente gambazístico e é uma espécie de Magrão melhorado. E a zaga foi muito bem montada por Mano Menezes, que ainda conta com André Santos, que estava escondido no Figueirense e ninguém foi atrás. Mas esse time pode levar surras homéricas, como aconteceu hoje em Porto Alegre. Se virem que o título não rola, eles tiram o pé na fase final, já que já estão na Libertadores. Os confrontos diretos são fundamentais para mantê-los distantes.
Bambi: se não fosse o apito amigo, era pra ser o último colocado do campeonato (vide o Dossiê Bambi 2009). Não fosse o excesso de times tão ruins ou piores, e poderia ser um sério candidato à degola. Claro, num mundo sem apitos rosados. Carta foríssima do baralho.
Outros: Santos, Goiás, Santo André, Sport, Atlético-PR, Coritiba, Botafogo, Fluminense, Náutico e Avaí que se preocupem com o rebaixamento.
E o Verdão? Vamos tentar – é difícil – fazer uma análise como a feita sobre nossos adversários. O que eles diriam de nós, em poucas palavras?
Palmeiras: tem uma boa espinha dorsal: Marcos, Pierre, Diego Souza e CleitonX. Carece de um bom atacante com a saída de Keirrison. E vive a expectativa do novo treinador, embora Jorginho tenha começado o trabalho razoavelmente bem. Se repuser as saídas de Luxa e Keirrison à altura, é sério candidato.
Resta saber como os times ficarão após o fechamento da janela da agonia, a do mercado europeu. Até lá, faremos o próximo checkpoint. Por agora, devemos nos preocupar com os times gaúchos. Os confrontos diretos contra esses times são vitais: nem pensar em empatar. Palmeiras x Grêmio, 6/ago, 17ª rodada. Palmeiras x Inter, 23/ago, 21ª rodada. Os dois no Palestra.