É duro ter calma num momento como este, tentar relatar o que foi a partida, e fazer considerações sobre esse grupo que tem a honra de vestir a camisa do Palmeiras mas que mostra não ter o menor preparo para isso. Mas em respeito aos mais de 30 mil leitores deste blog, vamos lá.
Primeiro vamos aos fatos:
1) o Santo André é um time certinho, arrumadinho. Está bem colocado no campeonato, não tem camisa, nem torcida, nem pressão. Exatamente o oposto do Palmeiras hoje;
2) o Palmeiras hoje é um catadão, não tem qualquer organização tática – a ausência de padrão de jogo vista nos três últimos jogos não foram apenas porque era um clássico, ou porque o adversário era do Piauí, ou porque o campo parecia um pântano. AC Zago acabou de chegar e não teve tempo de impor qualquer mudança, mas o time esta absolutamente acéfalo, parece um time de condomínio chique;
3) qualquer time meia-boca chega no Palestra e se sente à vontade para impor seu futebol, fazer jogadas de efeito, tabelinhas, chapéu, caneta, e agora, até gol de letra. O Palmeiras, ao contrário, tem seus jogadores morrendo de medo da bola. O gol que Armero deixou de fazer é o exato retrato disso. A camisa do Palmeiras pesa demais e esses jogadores não têm condições de vesti-la. E o pior é saber que assim que vestirem a camisa de outro clube, vão jogar bem, porque são bons jogadores – a maioria deles.
O Palmeiras voltou à estaca zero. Depois de chegar muito, muito perto de conquistar o campeonato brasileiro – prova que o trabalho em linhas gerais estava sendo bem realizado – o grupo falhou. Foram três partidas em que as coisas deram errado, e a partir dessa sequência, nunca mais: Avaí, Flamengo e, quem diria, Santo André. A partir daí, o moral foi pro chão e não foi recuperado até agora. E com esse grupo, não será mais, lamento concluir que já era.
A partida de hoje joga por terra todas as teorias conspiratórias que pipocaram desde o ano passado: que Vagner Love rachou o grupo, que tinha ciumeira por causa de salário, que queriam derrubar o Muricy, e mais um monte de absurdos que sempre dissemos aqui serem contos da carochinha. O que acontece mesmo é que o grupo caiu e não consegue mais levantar, a razão é puramente psicológica.
E para que a situação tenha chegado nesse ponto é que temos que identificar uma falha muito grave na cultura recente do futebol do Palmeiras: falta cobrança pesada. Os jogadores foram tratados como adultos, como profissionais responsáveis que ganham dezenas de milhares de reais por mês, mas na verdade são como qualquer grupo de jogadores em qualquer time grande desse país: um bando de desmiolados, deslumbrados e que precisam de rédea curta, e muita porrada no vestiário.
Só que se chegar alguém da noite pro dia tentando fazer isso, não cola. Não terá moral, quem quer que seja. Luxemburgo até fazia isso e muito bem, o problema com ele era outro. Desde sua saída, acabou o poder de recuperação mental dos jogadores.
A chegada de Seraphim del Grande deve ser notada, mas não de imediato. Seraphim não é de gritar, de resolver no berro, mas é firme e respeitado. Só precisa de um certo tempo para sentar no cockpit, ajeitar os espelhos, deslizar o banco mais para trás e conduzir do seu jeito. Mas esperamos que jogador pense um milhão de vezes antes de agir como vagabundo quando estiver em campo com a camisa do Palmeiras, como fez hoje o seu Diego Souza.
Diego se escondeu da bola. Teve o controle dela por várias vezes, mas jamais buscou a jogada mais incisiva, só tocou de lado. Até que ela se ofereceu para ele na medida para mais uma de suas famigeradas e mortais bombas. O jogo estava 2×1. Agora vai! Diego deu um traque na bola. Nem se esforçou pra finalizar como o verdadeiro craque do time. Não enquadrou o corpo, não deu potência no chute, nada. Parecia que estava fazendo um favor a alguém de ter entrado em campo. Até que enjoou e forçou o segundo amarelo e a expulsão. Como um craque como Diego chega num ponto como esse?
E Armero? Mais uma vez teve uma chance, com a gripe de Wendel. Fez uma partida de Armero, nota 3 ou 4. Mas a bola que ele deixou de chutar quando estava de frente para o goleiro, preferindo dar mais um passo, com absoluta paúra de fazer o arremate, mostra como está o emocional desse time.
Eduardo, que acabou de chegar, já parece contaminado por esse espírito de derrotado. Souza, de tanto potencial ano passado, hoje não conseguiria um contrato nem com o River do Piauí, que apanha do Flamengo lá em Teresina. Pierre, até ele, parece ter jogado a toalha. Não é de admirar, também, depois da declaração de Marcos, mais uma: na saída do intervalo, disparou “a torcida pode ficar tranquila que o sofrimento comigo no gol acaba no fim do ano”.
Quando o capitão e líder do time fala uma besteira dessas, qualquer time sente. Um time já propenso a um colapso nervoso como o Palmeiras, desaba. E a pá de cal foi o terceiro gol do Santo André, uma tabelinha ousada, de time que não respeita, que não teme o Palmeiras nem o Palestra. E com requintes de crueldade, o arremate foi de letra.
O Palmeiras de hoje lembra, sob um certo ponto de vista, os times medonhos da década de 80. Tem jogadores bons, até alguns astros que brilhariam intensamente em qualquer time grande do país. Mas aqui, não vai. Tem uma âncora amarrada na cintura de cada jogador. Até ganha um jogo ou outro. Na superação, pode até ganhar clássicos. Mas você vê, está explícito e escancarado que não vai a lugar algum. Como nos anos 80. Como entoou a Mancha no fim do jogo, trata-se de um time sem-vergonha. Mas no sentido exato da palavra. O time não tem vergonha de perder, parecem desinteressados.
É necessário um grande choque na gestão do futebol. Não que todo o trabalho tenha sido uma porcaria. Mas os erros cometidos tomaram um rumo que parece impossívelcorrigir na fórmula atual. É preciso uma solução radical, e agora. Temos jogadores como Ewerthon e Lincoln que ainda nem estrearam. Eles não podem ser contaminados por esse espírito perdedor. O mesmo se aplica aos que acabaram de chegar, como Edinho e Ivo. Gabriel Silva é um menino que vale ouro, e é outro que deve ser preservado.
Mas se esses caras se misturarem com essa nuvem negra que ronda o Palestra, vão cair na vala comum. É hora de aproveitar que o Paulista já foi, aproveitar que não tem mais a pressão de ter que buscar a classificação de qualquer jeito, e fazer uma limpa. Vários bons jogadores já não tem condição de vestir nossa camisa, o prazo expirou. Além dos que acabaram de chegar, segurem:
- Marcos, o grande São Marcos, o maior de todos os tempos, mas precisa de férias. Manda pescar no Mato Grosso um mês.
- Danilo ainda tem salvação, ainda mostra alguma vergonha na cara.
- CleitonX parece ainda ter alguma disposição, e pode se entrosar bem com um novo grupo.
De resto, sobe a molecada da Copinha, contrata um centroavante de peso, e começa o trabalho praticamente do zero. Porque esse time está condenado. Podem bater o bumbo.
Atuações:
Marcos: falhou dentro e fora do campo. ZERO
Eduardo: como eu lembrei do Benazzi! Pensando bem, até que é parecido. 2
Danilo: envolvido facilmente pelo toque de bola do time do ABC. Vai ter pesadelos com o Rodriguinho. 3
Edinho: não vai funcionar como zagueiro. Seu lugar é mais à frente, dando o primeiro combate. 2,5
Armero: teve medo da bola, medo de fazer um gol. Quase tive dó. Quase. ZERO
Pierre: outro que parecia desinteressado, pensando em que time vai jogar depois da Copa. ZERO
Souza: é um desperdício comparar o potencial que ele mostrou no ano passado com o futebol podre deste ano. ZERO
CleitonX: de novo, machucou no primeiro tempo contra o Santo André. De novo, tragédia. 5
Diego Souza: tentamos apoiá-lo de todo o jeito, porque é um craque. Mas o que ele fez hoje é tão inadmissível quanto a troca de socos entre Obina e Mauricio. ZERO, e fora do Palmeiras
Lenny: um dia disseram a ele: você é craque. Estavam errados. 2,5
Robert: nem o gol limpa a barra de um centroavante que até que acerta umas cabeçadas, mas só. 2
Marquinhos: entrou no CleitonX ainda no primeiro tempo. Depois, foi pra lateral-direita porque o Eduardo saiu pro Sacconi entrar. Hein??? 2
Sá-Cone: ele resolveu que sabe bater de fora da área. É mole? 1
Ivo: a diferença de atitude de um jogador que acabou de chegar é evidente. Se nada for feito, ele se contaminará rapidamente. 6
AC Zago: alguma coisa já era pra ter aparecido, mesmo com pouco tempo. Não se viu nada vezes nada até agora. A batata começa a assar. ZERO
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A única coisa que salvou a noite foi a gravação da matéria para o programa Happy Hour, da GNT. Como foi bem legal, não vou tecer maiores comentários neste momento de extrema tensão. Amanhã, provavelmente com coisas mais legais acontecendo durante o dia, o espírito vai estar mais adequado para falar sobre a experiência e faremos um post especial. A matéria vai ao ar nesta quinta, a partir das 19h.


Em mais um jogo atípico, o Palmeiras não conseguiu converter sua superioridade em gols e foi derrotado pelo Rio Claro, num campo muito pesado. Choveu na cidade a tarde toda, e a água não parou de cair durante a partida. Num erro individual de Souza o Rio Claro fez seu gol, e conseguiu segurar a vantagem até o fim, diante de um Palmeiras que ainda não achou a melhor forma de jogar com o elenco extremamente limitado, principalmente no setor de ataque.
Peladaça. Nem tem muito o que falar desse jogo, a não ser fatos isolados. Taticamente, não foi possível observar nada, já que o adversário não ofereceu a menor resistência. E num jogo como esse, é difícil manter a concentração, a pegada, e consequentemente ter um bom desempenho técnico. Foi um jogo de showbol num campo oficial, para cerca de 5 mil pagantes que sofreram com os 18 graus, chuvinha fina de vez em quando, e vento.

Jogo na quarta de cinzas tende a dar nisso. Pra completar o cenário de tragédia, o temporal de caiu algumas horas antes sobre a zona oeste da capital afastou muita gente que teria intenção de comparecer ao jogo. Não sei se isso foi bom, porque fez menos gente passar raiva, ou se foi ruim, porque com mais gente talvez o time entrasse mais ligado. Tendo a achar que foi bom, não alteraria muita coisa. O fato: parcos 3 mil palmeirenses testemunharam uma das maiores vergonhas de nossa história recente. Um chocolate, diante de um time em posição intermediária da tabela.
Mais uma vez, jogamos muito mal, mas vencemos. Interessante como esse paradoxo vem se repetindo nestas primeiras semanas do ano, com o inverso também verdadeiro. Início de temporada é assim mesmo, não tem muita lógica. De qualquer forma, foi um dos jogos mais irritantes de se ver, talvez mais até que a vitória contra o Monte Azul.
O interior continua dando sorte ao Verdão. Mais um bom resultado conseguido em terras caipiras, desta vez contra um time que no início de sua trajetória no primeiro escalão do futebol brasileiro ameaçou ser uma asa negra em nossa história, mas que na verdade é apenas mais um grande freguês. E mais um bom resultado jogando bem abaixo do esperado, ao contrário de quando joga bem, que os resultados acabam sendo ruins. Curioso esse início de ano do Verdão. Com a rodada ainda com alguns jogos por se encerrarem, o Palmeiras alcança o quarto lugar, a quatro pontos do líder. Olha aí, senhor Armero, o que o senhor armou…
Se tivéssemos o grande George Preah, certamente ele teria feito um golzinho nos acréscimos e o Palmeiras teria conquistado os três pontos, e tudo pelo que passamos para assistir essa pelada teria valido a pena. Como nosso matador da vez é o tal de Robert, ficamos no empate, e fica a sensação que tudo deu errado, nada se salvou.
Uma hora ia acontecer. Pela primeira vez desde a existência do blog, que já está em seu quarto ano, o post pós-jogo vai falar de uma derrota para nosso maior rival. E foi o Palmeiras que perdeu, não foram eles que ganharam. Após tomar um gol ridículo, de cabeça, de um anão, e de ver o adversário ficar com um jogador a menos antes da marca de dez minutos, o Palmeiras, apesar de martelar o jogo todo, não teve a competência de fazer um mísero golzinho, e ainda consagrou o goleiro deles. O resultado escancara as já evidentes carências do elenco, e a torcida continua esperando pelos reforços – uns com mais, uns com menos paciência. E vamos combinar que após uma derrota como essa, boa parte dessa paciência realmente vai pro saco. Haja frieza e racionalidade.
Mais um jogo da série “o que importa são os três pontos”. Jogando com o freio de mão puxado, tanto no que diz respeito à escalação, quanto ao que fizeram os que entraram em campo, o Palmeiras venceu o Monte Azul por 1×0 em Ribeirão Preto, e vejam só, assumiu a liderança do campeonato. O Palmeiras só perderá essa liderança ao final da rodada, amanhã, se o Ituano vencer fora de casa o Bragantino, por dois gols, ou se a Ponte Preta vencer o Botafogo, em Ribeirão, por cinco gols. O vice-líder é o gambá, de quem estamos na frente pelo saldo de gols. O Derby de domingo ganha um ingrediente a mais – como se precisasse.
Jogando num gramado encharcado devido a mais um aguaceiro que despencou sobre a capital paulista, o Palmeiras vacilou no final e permitiu ao Ituano a conquista do empate, depois de estar ganhando por 3×1 a menos de dez minutos do fim. O resultado não refletiu a superioridade do time durante o jogo, apesar do gramado muito pesado. E com o perdão da redundância, o Palmeiras foi roubado. Junte um gramado pesado, um juiz ladrão e um time sem pegada no fim do jogo, e temos a fórmula do empate.
O volume de jogo na primeira metade do primeiro tempo, mais o resultado positivo, deixou a torcida satisfeita, mas o jogo não estava fácil. E logo na primeira jogada do segundo tempo, o Ituano empatou com um gol irregular: Gualberto, que até então era o melhor da defesa, foi traído pela poça, e a bola sobrou na direita. Havia seis palmeirenses dentro da área. O chute do jogador do Ituano foi fraco, e desviou no camisa 9 deles mesmo. Sobrou exatamente no pé do Juninho, que bateu uma vez. Deyvid Sacconi rebateu, e ela veio exatamente no pé do Juninho, de novo, que bateu fraco. O 9 deles, impedido, participou da jogada ao abrir a perna e deixar a bola passar. Gol irregular, que a arbitragem validou.
Jogando logo ali, em Presidente Prudente, o Palmeiras já foi roubado pela primeira vez no ano pela arbitragem, e teve que suar muito para arrancar um empate no final do jogo contra o time sem nome, sem torcida e sem alma. A luta foi a única coisa a se aproveitar desse jogo, já que o time foi muito mal, com uma exibição bem abaixo da do jogo anterior, contra o Mogi.
Iniciando mais uma temporada, o Palmeiras venceu o vento, que também atende por Mogi Mirim, por 5×1. O jogo serviu para iniciar um trabalho de reaproximação com a torcida, depois da grande decepção que foi o último final de temporada; para apresentar a primeira leva de reforços, Léo e Marcio Araújo; e para começar a dar ritmo de jogo para os atletas, enquanto todos ainda esperam pela chegada de mais reforços.
O Palmeiras começou o jogo muito aberto, muito vaca louca, e ainda cometeu erros básicos de marcação. Tomou dois gols, e mesmo desesperado, mesmo desarrumado, ainda buscou o empate. O que era para ser um jogo extremamente fácil, contra um adversário rebaixado e sem a menor motivação, se tornou difícil por causa da absoluta falta de preparo emocional do time, que ainda tem peças que deixam demais a desejar no aspecto técnico, e que não têm nenhuma raça.
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Diante das circunstâncias, foi um bom resultado. Para os objetivos no campeonato, foi pouco. Em mais um clássico no Paraguai, o Verdão empatou com a gambazada em 2×2, e o resultado foi apenas suficiente para manter o time na liderança, empatado com o bambi, com 3 gols a mais de saldo. Jogando com um a menos desde o fim do primeiro tempo, dá pra aceitar.
Por essa ninguém esperava. Tínhamos fé que esse tempo extra que o Palmeiras teve para treinar seria útil, que a mudança na postura tática seria benéfica, que os boatos estúpidos lançados por aí serviriam para deixar o grupo com mais sangue no zóio… Mas quatro a zero, com três de Obina, ninguém esperava.
O time voltou igual. O Goiás veio mais avançado, e estranhamente escancarou o meio. Um buraco enorme deixou o trio de zagueiros completamente desprotegido. E logo aos quatro minutos, a porteira finalmente se abriu: Souza fez o que sabe fazer melhor – roubar bolas, e teve que dividir duas vezes – pra depois fazer o que faz de pior – passar a bola, o que desta vez fez magistralmente. O passe achou Obina na corrida, na distância e na passada perfeitas. E Obina, bem mais magro, em total forma física, chegou na bola e acertou um míssil, com enorme precisão, inaugurando o placar.
O juiz carioca, que ainda deixou de dar dois pênaltis a nosso favor, apitou o fim do jogo e o que se viu no Palestra foi uma coisa maravilhosa. Ninguém arredava pé do estádio, apesar da chuva fina que resolveu cair depois do terceiro gol. O time comemorou unido, no centro do gramado. Muricy batia no braço e no peito, e vibrava como um torcedor. A torcida, aliviada, vendo o time recuperar a liderança que, afinal, nunca perdera, e assistindo finalmente a uma boa exibição, bradava: EI, IMPRENSA, VAI TOMAR NO CU! – era a resposta para o carnaval feito nas 24 horas que durou a falsa liderança bambi, à tortura mental que foi imaginar o que aconteceria em caso de mais um resultado negativo.



