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4 de março de 2010

Palmeiras 1×3 Santo André

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:25

É duro ter calma num momento como este, tentar relatar o que foi a partida, e fazer considerações sobre esse grupo que tem a honra de vestir a camisa do Palmeiras mas que mostra não ter o menor preparo para isso. Mas em respeito aos mais de 30 mil leitores deste blog, vamos lá.

Primeiro vamos aos fatos:

1) o Santo André é um time certinho, arrumadinho. Está bem colocado no campeonato, não tem camisa, nem torcida, nem pressão. Exatamente o oposto do Palmeiras hoje;

2) o Palmeiras hoje é um catadão, não tem qualquer organização tática – a ausência de padrão de jogo vista nos três últimos jogos não foram apenas porque era um clássico, ou porque o adversário era do Piauí, ou porque o campo parecia um pântano. AC Zago acabou de chegar e não teve tempo de impor qualquer mudança, mas o time esta absolutamente acéfalo, parece um time de condomínio chique;

3) qualquer time meia-boca chega no Palestra e se sente à vontade para impor seu futebol, fazer jogadas de efeito, tabelinhas, chapéu, caneta, e agora, até gol de letra. O Palmeiras, ao contrário, tem seus jogadores morrendo de medo da bola. O gol que Armero deixou de fazer é o exato retrato disso. A camisa do Palmeiras pesa demais e esses jogadores não têm condições de vesti-la. E o pior é saber que assim que vestirem a camisa de outro clube, vão jogar bem, porque são bons jogadores – a maioria deles.

O Palmeiras voltou à estaca zero. Depois de chegar muito, muito perto de conquistar o campeonato brasileiro – prova que o trabalho em linhas gerais estava sendo bem realizado – o grupo falhou. Foram três partidas em que as coisas deram errado, e a partir dessa sequência, nunca mais: Avaí, Flamengo e, quem diria, Santo André. A partir daí, o moral foi pro chão e não foi recuperado até agora. E com esse grupo, não será mais, lamento concluir que já era.

A partida de hoje joga por terra todas as teorias conspiratórias que pipocaram desde o ano passado: que Vagner Love rachou o grupo, que tinha ciumeira por causa de salário, que queriam derrubar o Muricy, e mais um monte de absurdos que sempre dissemos aqui serem contos da carochinha. O que acontece mesmo é que o grupo caiu e não consegue mais levantar, a razão é puramente psicológica.

E para que a situação tenha chegado nesse ponto é que temos que identificar uma falha muito grave na cultura recente do futebol do Palmeiras: falta cobrança pesada. Os jogadores foram tratados como adultos, como profissionais responsáveis que ganham dezenas de milhares de reais por mês, mas na verdade são como qualquer grupo de jogadores em qualquer time grande desse país: um bando de desmiolados, deslumbrados e que precisam de rédea curta, e muita porrada no vestiário.

Só que se chegar alguém da noite pro dia tentando fazer isso, não cola. Não terá moral, quem quer que seja. Luxemburgo até fazia isso e muito bem, o problema com ele era outro. Desde sua saída, acabou o poder de recuperação mental dos jogadores.

A chegada de Seraphim del Grande deve ser notada, mas não de imediato. Seraphim não é de gritar, de resolver no berro, mas é firme e respeitado. Só precisa de um certo tempo para sentar no cockpit, ajeitar os espelhos, deslizar o banco mais para trás e conduzir do seu jeito. Mas esperamos que jogador pense um milhão de vezes antes de agir como vagabundo quando estiver em campo com a camisa do Palmeiras, como fez hoje o seu Diego Souza.

Diego se escondeu da bola. Teve o controle dela por várias vezes, mas jamais buscou a jogada mais incisiva, só tocou de lado. Até que ela se ofereceu para ele na medida para mais uma de suas famigeradas e mortais bombas. O jogo estava 2×1. Agora vai! Diego deu um traque na bola. Nem se esforçou pra finalizar como o verdadeiro craque do time. Não enquadrou o corpo, não deu potência no chute, nada. Parecia que estava fazendo um favor a alguém de ter entrado em campo. Até que enjoou e forçou o segundo amarelo e a expulsão. Como um craque como Diego chega num ponto como esse?

E Armero? Mais uma vez teve uma chance, com a gripe de Wendel. Fez uma partida de Armero, nota 3 ou 4. Mas a bola que ele deixou de chutar quando estava de frente para o goleiro, preferindo dar mais um passo, com absoluta paúra de fazer o arremate, mostra como está o emocional desse time.

Eduardo, que acabou de chegar, já parece contaminado por esse espírito de derrotado. Souza, de tanto potencial ano passado, hoje não conseguiria um contrato nem com o River do Piauí, que apanha do Flamengo lá em Teresina. Pierre, até ele, parece ter jogado a toalha. Não é de admirar, também, depois da declaração de Marcos, mais uma: na saída do intervalo, disparou “a torcida pode ficar tranquila que o sofrimento comigo no gol acaba no fim do ano”.

Quando o capitão e líder do time fala uma besteira dessas, qualquer time sente. Um time já propenso a um colapso nervoso como o Palmeiras, desaba. E a pá de cal foi o terceiro gol do Santo André, uma tabelinha ousada, de time que não respeita, que não teme o Palmeiras nem o Palestra. E com requintes de crueldade, o arremate foi de letra.

O Palmeiras de hoje lembra, sob um certo ponto de vista, os times medonhos da década de 80. Tem jogadores bons, até alguns astros que brilhariam intensamente em qualquer time grande do país. Mas aqui, não vai. Tem uma âncora amarrada na cintura de cada jogador. Até ganha um jogo ou outro. Na superação, pode até ganhar clássicos. Mas você vê, está explícito e escancarado que não vai a lugar algum. Como nos anos 80. Como entoou a Mancha no fim do jogo, trata-se de um time sem-vergonha. Mas no sentido exato da palavra. O time não tem vergonha de perder, parecem desinteressados.

É necessário um grande choque na gestão do futebol. Não que todo o trabalho tenha sido uma porcaria. Mas os erros cometidos tomaram um rumo que parece impossívelcorrigir na fórmula atual. É preciso uma solução radical, e agora. Temos jogadores como Ewerthon e Lincoln que ainda nem estrearam. Eles não podem ser contaminados por esse espírito perdedor. O mesmo se aplica aos que acabaram de chegar, como Edinho e Ivo. Gabriel Silva é um menino que vale ouro, e é outro que deve ser preservado.

Mas se esses caras se misturarem com essa nuvem negra que ronda o Palestra, vão cair na vala comum. É hora de aproveitar que o Paulista já foi, aproveitar que não tem mais a pressão de ter que buscar a classificação de qualquer jeito, e fazer uma limpa. Vários bons jogadores já não tem condição de vestir nossa camisa, o prazo expirou. Além dos que acabaram de chegar, segurem:

- Marcos, o grande São Marcos, o maior de todos os tempos, mas precisa de férias. Manda pescar no Mato Grosso um mês.
- Danilo ainda tem salvação, ainda mostra alguma vergonha na cara.
- CleitonX parece ainda ter alguma disposição, e pode se entrosar bem com um novo grupo.

De resto, sobe a molecada da Copinha, contrata um centroavante de peso, e começa o trabalho praticamente do zero. Porque esse time está condenado. Podem bater o bumbo.

Atuações:
Marcos: falhou dentro e fora do campo. ZERO
Eduardo: como eu lembrei do Benazzi! Pensando bem, até que é parecido. 2
Danilo: envolvido facilmente pelo toque de bola do time do ABC. Vai ter pesadelos com o Rodriguinho. 3
Edinho: não vai funcionar como zagueiro. Seu lugar é mais à frente, dando o primeiro combate. 2,5
Armero: teve medo da bola, medo de fazer um gol. Quase tive dó. Quase. ZERO
Pierre: outro que parecia desinteressado, pensando em que time vai jogar depois da Copa. ZERO
Souza: é um desperdício comparar o potencial que ele mostrou no ano passado com o futebol podre deste ano. ZERO
CleitonX: de novo, machucou no primeiro tempo contra o Santo André. De novo, tragédia. 5
Diego Souza: tentamos apoiá-lo de todo o jeito, porque é um craque. Mas o que ele fez hoje é tão inadmissível quanto a troca de socos entre Obina e Mauricio. ZERO, e fora do Palmeiras
Lenny: um dia disseram a ele: você é craque. Estavam errados. 2,5
Robert: nem o gol limpa a barra de um centroavante que até que acerta umas cabeçadas, mas só. 2
Marquinhos: entrou no CleitonX ainda no primeiro tempo. Depois, foi pra lateral-direita porque o Eduardo saiu pro Sacconi entrar. Hein??? 2
Sá-Cone: ele resolveu que sabe bater de fora da área. É mole? 1
Ivo: a diferença de atitude de um jogador que acabou de chegar é evidente. Se nada for feito, ele se contaminará rapidamente. 6
AC Zago: alguma coisa já era pra ter aparecido, mesmo com pouco tempo. Não se viu nada vezes nada até agora. A batata começa a assar. ZERO

***

A única coisa que salvou a noite foi a gravação da matéria para o programa Happy Hour, da GNT. Como foi bem legal, não vou tecer maiores comentários neste momento de extrema tensão. Amanhã, provavelmente com coisas mais legais acontecendo durante o dia, o espírito vai estar mais adequado para falar sobre a experiência e faremos um post especial. A matéria vai ao ar nesta quinta, a partir das 19h.

28 de fevereiro de 2010

Rio Claro 1×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 22:27

Em mais um jogo atípico, o Palmeiras não conseguiu converter sua superioridade em gols e foi derrotado pelo Rio Claro, num campo muito pesado. Choveu na cidade a tarde toda, e a água não parou de cair durante a partida. Num erro individual de Souza o Rio Claro fez seu gol, e conseguiu segurar a vantagem até o fim, diante de um Palmeiras que ainda não achou a melhor forma de jogar com o elenco extremamente limitado, principalmente no setor de ataque.

Zago escalou o time no 4-4-2 que deve caracterizar toda sua passagem pelo clube. Sem Pierre, Souza assumiu a vaga. Eduardo continua dono da lateral-esquerda, pelo menos até a recuperação de Gabriel Silva, e Wendel segue seu trabalho pela direita. E mesmo com todos esses furos na escalação, o time conseguiu se impor sobre o Rio Claro, um time muito fraco, mas valente, e ainda com a motivação renovada depois que Agnaldo, zagueiro campeão da Libertadores em 99 pelo Verdão, assumiu o time.

O Palmeiras perdeu algumas chances claras. A primeira com Robert, que arrancou pela direita e bateu cruzado, passando perto. Outra, com Souza, que bateu forte da entrada da área – a bola explodiu no travessão, bateu na linha e se ofereceu para CleitonX, impedido, que ainda assim conseguiu errar o gol. Tivemos ainda mais alguns cruzamentos que Robert aproveitava – numa delas ele colocou na gaveta pra grande defesa de Sidney, mas nas outras cabeceou sempre em cima do goleiro. E assim o Palmeiras ia forçando, até que Souza falhou: Osny girou com muita facilidade, invadiu e bateu rasteiro, entre a trave e Marcos. E nessa hora não apareceu nem uma pocinha pra quebrar o galho e atrapalhar o cara.

A chuva piorou no intervalo, e a tônica do jogo ficou clara. Os jogadores leves não tinham lugar nesse campo. Lenny foi bizarro em todo o primeiro tempo, e a opção do Palmeiras devia ser forçar as jogadas pelos lados, cavando faltas, de preferência com jogadores um pouco mais fortes, e buscando os grandões do elenco dentro da área: Diego, Robert, Danilo e Leo. Essa era a expectativa.

Depois de um início de segundo tempo onde o Rio Claro teve duas chances abertas de gol – quase Souza fez contra numa delas – o Palmeiras não teve paciência nem inteligência para cavar as faltas nos flancos, e tentava os cruzamentos com a bola rolando, ou em certos casos, boiando. E não saía nenhuma bola redondinha, bem cruzada. Zago então tirou Lenny e Souza, e colocou Ivo e Marquinhos. Ivo de fato se mostrou uma boa opção. Mas Marquinhos não tinha a menor condição de aproveitar seu ponto forte, o drible e a velocidade. Assim, com os leves CleitonX e Marquinhos em campo, apesar de Zago ter tentado uma formação mais ofensiva, o time escancarava fragilidades diretamente relacionadas com deficiências no elenco.

A última tentativa foi trocar Wendel por William, deslocando Ivo pra lateral esquerda e puxando Eduardo pra direita. E William, não exatamente é um cara pesado, forte. Assim, o Palmeiras insistiu nos cruzamentos, como deveria ter feito, mas em bolas pouco trabalhadas, através de cruzamentos feitos sem precisão e com apenas um jogador tentando aproveitá-los, Robert. E na base do vamulá, o empate até poderia ter saído, mas não deu.

O que irrita é perder do lanterna, não se pode admitir isso. Não tem campo ruim, nem juiz, nem desfalque, nem nada que justifique um time como o Palmeiras perder do lanterna de qualquer campeonato. Todo mundo ganha pontos em cima desse time, o Palmeiras fez zero. São três pontos que não se recuperam. A classificação começa a ficar complicada. Considerando que os outros grandes farão suas partes, nossos inimigos são Santo André e Botafogo. O primeiro já abriu oito pontos de frente, e é nosso próximo adversário, no Palestra. Essa diferença precisa cair para cinco, invariavelmente na próxima rodada. Se o Palmeiras não vencer, podem esquecer o Paulista.

***

Sem querer colocar muito fogo na torcida, mas sabendo que é inevitável: ouvi de fonte bastante confiável hoje que estamos razoavelmente próximos de trazer um reforço de primeiro nível para o ataque, para jogar ao lado de Ewerthon. Eu diria que as chances hoje estão em torno de 50%. E nem venham me perguntar o nome, que eu não falo nem a pau.

Atuações:
Marcos: salvou a pele do Souza, que quase fez um gol contra. Ser culpado por dois gols seria pesado demais para o volante. 8,5
Wendel: com o campo encharcado, a qualidade dos jogadores é nivelada por baixo. Bom pra ele, rendeu mais. 7,5
Danilo: jogou sério, não pensou duas vezes pra jogar a bola pra lateral. Bastante maturidade. 8
Leo: vai conquistando a confiança do elenco e da torcida. Já atingiu um patamar superior ao que Mauricio Ramos chegou ano passado. 7,5
Eduardo: parecia o Wendel pela esquerda, aquele futebol low-profile, sem comprometer muito. Quando veio pra direita, parecia gêmeo. 7
Edinho: num campo como esse, tava fácil pra destruir. E ele não deixou por menos. 8
Souza: vinha fazendo uma boa partida, bem superior a Marcio Araujo tanto na marcação quanto no apoio, até cometer a falha que deu no gol dos caras. Uma pena. 5
CleitonX: ainda não achou um bom posicionamento dentro do novo qurteto ofensivo. Foi um dos mais prejudicados pelo estado do gramado. Mas tinha que ter buscado mais jogo, é uma das referências do time. 5,5
Diego Souza: bastante vontade no início, depois foi se apagando, até que sumiu completamente. 3
Lenny: outro cujo futebol não bate com o estado do campo, mas isso não justifica tantos erros. 4
Robert: deu suas cabeçadas, umas boas, a maioria ruim. Mas estava lá, bem posicionado, e brigando. 7
Ivo: entrou no segundo tempo e foi bem taticamente, mas não executou tão bem. 6
Marquinhos: além de leve demais, jogou meio que de volante, um posicionamento estranho. Foi mal. 5,5
William: até que tentou. Vamos quebrar o galho dele e dar o migué do “pouco tempo, S/N”.
AC Zago: esbarrou na limitação do elenco, embora pudesse ter insistido para que o time buscasse as faltas para poder parar a bola e jogar os zagueiros pra área. 6,5

26 de fevereiro de 2010

Palmeiras 4×0 Flamengo-PI

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:40

Peladaça. Nem tem muito o que falar desse jogo, a não ser fatos isolados. Taticamente, não foi possível observar nada, já que o adversário não ofereceu a menor resistência. E num jogo como esse, é difícil manter a concentração, a pegada, e consequentemente ter um bom desempenho técnico. Foi um jogo de showbol num campo oficial, para cerca de 5 mil pagantes que sofreram com os 18 graus, chuvinha fina de vez em quando, e vento.

Com o gol de Robert, de pênalti, logo a dois minutos, acabou qualquer tensão que pudesse existir. Aliás, dos dois lados. Acredito que se os piauienses tinham alguma motivação para o jogo, era tentar não tomar nenhum gol e achar um contra-ataque. Mas a porteira foi aberta logo a dois minutos, e aí foi só observar os detalhes, e se divertir com alguns lances isolados, a maioria fora de campo.

Os melhores, sem dúvida, foram protagonizados por Jardel. Eu mesmo desencanei do jogo no segundo tempo e me dediquei a ficar provocando o figura. Enquanto ele “se aquecia” perto da escadaria que leva ao vestiário do Palmeiras, fui pra mureta e mandei-lhe várias lembranças. E gostaria de dizer que nenhuma foi mal-educada, só tirando um sarrinho, sem agressividade. Avacalhando muito o tamanho de sua barriga, e aliás, o conjunto todo, aquele cabeção, que de calção e chuteira, mais o boné branco, ficava bastante pitoresco. A TUP, logo atrás, resolveu entrar com os dois pés no peito e o provocou com seu envolvimento com drogas no passado. Jardel aparentemente acusou o golpe e se dirigiu de volta ao banco, e não saiu mais de lá. Mas tudo bem, deu tempo suficiente pra sacanear bastante o cara.

Foi na medida pra subir alguns degraus e ver o quarto gol, de Edinho, na primeira jogada de Ivo. Foi a melhor jogada da noite – talvez a única que valeu a pena. A julgar por sua presença, no meio de três marcadores, a proteção à bola, o domínio, a força física e o cruzamento, trata-se de um monstro. Mas já temos algum tempo de janela pra saber que a maioria dos perebas que já jogou no Palmeiras tiveram uma estréia de regular pra boa, isso quando não foi ótima. Então calma com o Ivo. E boa sorte pra ele.

No final, a diversão de ver o placar anunciar mais uma derrota purpurinada: Once Caldas 2×1 Once Bambys. Ficou apenas a frustração de ter desperdiçado uma chance de enfiar um placar histórico. Os profissionais não ligam pra isso, mas a torcida liga. A criançada, então, adora. Lembro quando eu tinha 12 ou 13 anos e o Palmeiras enfiou 7 no CRB, eu achei uma coisa de outro mundo. Às vezes o clube precisa forçar um pouco o elenco a buscar placares elásticos nessas oportunidades cada vez mais raras do calendário atual, são ações de marketing que se faz dentro de campo a custo zero e que rendem bons frutos.

Atuações:
Pouco a ser analisado, mais a parte técnica-individual de um ou outro que se destacou. A começar pelos ruins, Deyvid Sacconi já faz por merecer de volta a alcunha Sá-Cone que havia sido posta de lado. O rapaz nunca mais quis saber de jogar bola direito desde que voltou do aeroporto, e algo precisa ser feito para recolocá-lo em condições de jogo, ou tenta negociar logo de novo. Que pena que a venda deu errado. Figueroa também não está numa fase das mais animadoras, e nem numa partida como a de hoje conseguiu fazer boas jogadas.

Por outro lado, Robert recuperou a confiança e parece estar em condições de ser nosso centroavante reserva sem a menor restrição, caso mantenha a pegada. Souza entrou muito bem no segundo tempo, sério e firme. E Pierre dá gosto de ver. Com Edinho ao lado, o Palmeiras tem realmente uma proteção e tanto à zaga. Antonio Carlos prossegue em seu trabalho de aproximação com o grupo – além de Souza, deu chances a William.

Marquinhos é que parece que, rapidamente, passou de candidato sério a Guarulhos para titular. Ele foi um que eu fiz questão de gritar uns conselhozinhos rápidos na orelha, enquanto esperava para cobrar um escanteio à medida que um atendimento médico acontecia no meio do campo. Esse menino está tendo uma segunda chance de ouro na carreira. Ele estava acabado, derrotado, e de repente o destino está lhe dando uma nova chance, algo que milhares de jovens jogadores sonham, imploram, dariam a vida para ter. Marquinhos a teve pela primeira vez e sapateou em cima. Mas ironica e curiosamente, ele poderá tentar de novo. Não pode mais desperdiçar.

22 de fevereiro de 2010

Palmeiras 2×0 São Paulo

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 13:51

Agora sim, o post pós-jogo como de costume. Como já foi adiantado no post de ontem, o jogo foi muito fraco. Se colocassem uma camisa da Kanxa cor de vinho nos bambis, ninguém diria que era clássico: Palestra com 13 mil pagantes, adversário mal passando do meio de campo, Palmeiras pouco inspirado, juizinho amarrando o jogo no meio… enfim, se não fosse um clássico, teria sido um jogo bem chato de se ver.

Mas a camisa que estava do outro lado era a do INIMIGO. São aqueles que fazem que a gente lute pra deixar o time sempre forte, é pra ganhar deles, no final de tudo, que toda a confusão acontece. O mesmo se aplica ao gambá, felizmente de forma mais esportiva, mais saudável. Mas ontem não eram nossos históricos adversários. Eram nossos INIMIGOS. Então um jogo ruim virou um espetáculo de emoções incomparáveis. Ricardo Gomes que o diga. Ele estava tão nervoso ao final da partida, tão descontrolado – o que se refletiu nitidamente nas entrevistas após o fim da partida – que acabou tendo uma vasculite, um princípio de AVC, e foi hospitalizado no fim da noite. É, esse confronto não é brincadeira.

Tive dificuldade para identificar os onze titulares do bambi o início do jogo. Trata-se do pior time deles desde o histórico jogo do tobogã amarelo, em 2004. Isso facilitou bastante nossa tarefa. Troca de técnico sempre motiva o elenco. E segundo revelou o Vicente, do 3VV, Gomes teria pedido goleada a seus jogadores, e isso foi espertamente passado por nossa assessoria de imprensa aos nossos jogadores. Pronto. Com um 4-4-2 arroz-com-feijão, o Palmeiras dominou completamente o meio-campo do 3-5-2 de Ricardo Gomes. Jean, Cléber Santana e Hernanes não tiveram auxílio de Jorge Wagner e Cicinho e foram engolidos por Pierre e Marcio Araujo. Por outro lado, Diego Souza e CleitonX não fizeram uma boa partida, tiveram muita dificuldade em achar um posicionamento, e foi difícil conseguir a ligação com Lenny e Robert.

Wendel e Eduardo, dois laterais pra lá de limitados, foram os grandes destaques taticamente, segurando os alas bambis, que ficaram completamente travados. As únicas chances das moças foram quando houve falhas individuais, em erros de passes cruciais exatamente dos nossos dois laterais. O sistema defensivo foi simples e perfeito. Mas a aproximação e a criação foram ainda muito deficientes. Zago terá trabalho.

Aliás, o lance decisivo do jogo foi exatamente protagonizado por Eduardo, que se soltou mais no segundo tempo depois da bola ter queimado seus pés em boa parte do primeiro. Foi ele quem partiu pra cima de Xandão e provocou a falta que lhe rendeu o segundo amarelo e a expulsão. O cartão vermelho inflamou o Palestra, e comentei na hora que o gol ia sair, que o momento era aquele. A torcida fazendo um barulhão e a zaga desarrumada, o cenário estava montado. Não saiu como eu imaginei, logo na cobrança da falta, mas foi no lance seguinte, ainda com o estádio pulsando. Robert se antecipou à zaga e testou até que fraco, mas pegou a Rogéria no contrapé. Restou à boneca levantar o bracinho, como sempre. VAI TE CATAR, PALHAÇO!

Com o gol, o bambi tentou vir pra cima meio desordenado, e com um a menos, deixou um buracão lá atrás, e a perspectiva era de goleada. Pena que isso ainda não está nas veias de nossos jogadores. Depois do segundo gol, num escanteio cobrado na medida por Marquinhos que Robert testou de novo, desta vez muito firme – tanto que fez o goleiro de hóquei virar o rostinho de lado pra proteger a maquiagem – o Palmeiras podia ter enfiado pelo menos mais dois gols. Mas repito: muito mais pela fragilidade bambi do que por grandes méritos nossos.

Enfim, valeu demais. Nada como uma vitória em mais uma batalha para recolocar as coisas nos eixos. O que passou, passou. Várias teorias conspiratórias já pipocam na rede, principalmente as que dão conta que os jogadores derrubaram Muricy. Esqueçam isso. Enfim, nada vai mudar agora. Mais alguns dias e isso estará definitivamente enterrado, e começamos a era Zago no Palmeiras. Sua escalação, de cara, foi correta no conceito – a se estranhar apenas ter sacado Edinho e preferido Marcio Araujo. Mas isso são coisas que se ajeitam no caminho. Ewerthon assina entre hoje e amanhã, e ainda teremos mais um centroavante por vir.

Não sei se eu já disse hoje, mas se não, lá vai: CHUUUUUPA BAMBI!

Atuações:
Marcos
: me pareceu bastante inseguro no primeiro tempo. Mas pegou alguns chutes de longe que podiam ser perigosos. 7
Wendel: está há tanto tempo no time que já sabemos tudo o que ele pode fazer. Tem dia que ele se esforça mais que o normal. Ontem foi um desses dias. Sua dedicação compensou sua incurável limitação técnica. Prendeu Jorge Wagner e a jogada forte das mocinhas. 8,5
Danilo: praticamente assistiu ao jogo. O bambi só chutou de longe. 7
Leo: mesma coisa que Danilo, mesma nota. 7
Eduardo: muito assustado no primeiro tempo, só se livrava da bola. No segundo tempo, se soltou. Prendeu Cicinho do seu lado. 8
Pierre: moooonstro. Ele cresce demais contra o bambi. Parece que tem a alma palestrina. 8,5
Marcio Araujo: como volante, sem a responsabilidade de armar, apenas de fazer a burocracia do passe, se garante. 7,5
CleitonX: vem numa sequência muito fraca. Mesmo assim, foi o “culpado” pelo primeiro gol. 7,5
Diego Souza: o mais apagado do time. Mas só sua presença já deixa meio time adversário com medo. 6
Lenny: esse rapaz tem um carisma impressionante. Não faz nada que justifique tanta empatia com a torcida. É um Muñoz magrinho. OK, joga um pouco mais que o Muñoz, e não é burro como o colombiano. 6
Robert: DEZ, pô
Marquinhos: entrou bem demais, abriu o jogo pela direita e infernizou a vida dos bambis. Sem falar no escanteio cobrado na medida para o segundo gol. Se fosse sempre assim, um EXCELENTE velho reforço. Mas pé atrás com ele. Sabemos de sua “dedicação” nos treinos. Precisa manter a pegada, senão voltará a ser o Marquinhos irritante de sempre. 8
Edinho: entrou no final pra fehar o meio. S/N
Deyvid: além da viagem a Paris, a chegada de Lincoln deve ter mexido com sua cabeça. Nunca mais jogou nada. 5
AC Zago: escalação correta, mexidas legais. Marquinhos aberto pela direita foi bem interessante. Se tivesse dado liberdade para ele inverter o lado de ver em quando, pegaria o Cicinho mancando e seria mais facil ainda. Excelente estréia. 9

18 de fevereiro de 2010

Palmeiras 1×4 São Caetano

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 11:07

Jogo na quarta de cinzas tende a dar nisso. Pra completar o cenário de tragédia, o temporal de caiu algumas horas antes sobre a zona oeste da capital afastou muita gente que teria intenção de comparecer ao jogo. Não sei se isso foi bom, porque fez menos gente passar raiva, ou se foi ruim, porque com mais gente talvez o time entrasse mais ligado. Tendo a achar que foi bom, não alteraria muita coisa. O fato: parcos 3 mil palmeirenses testemunharam uma das maiores vergonhas de nossa história recente. Um chocolate, diante de um time em posição intermediária da tabela.

Boa parte da conta desse mau resultado tem que ir para o treinador. Muricy escalou o time mal. E não se trata do velho discursinho pronto de malhar a escalação de três volantes. Se o terceiro volante fosse um cara que soubesse sair pro jogo e preencher espaços com qualidade, sem problemas. Podia até ser o Souza. Mas o nosso dileto Marcio Araujo, definitivamente, não dá. Cai a lenda que ele é um bom jogador. Em teoria, sua contratação foi pra ser um volante para compor o elenco, na reserva, talvez reserva do reserva. Em raríssimas exceções deveria sair jogando como titular, muito menos como meia.

Além disso, estranhamente havia muito espaço entre os volantes e a zaga, a proteção foi muito mal feita. Como resultado disso tudo, o São Caetano teve muita posse de bola, e os gols saíram, quem diria, naturalmente. O Palmeiras estava pedindo para tomar os gols ainda no 0×0. Tomou dois gols muito próximos. Logo depois, o zagueiro deles subiu sozinho e cabeceou por cima. Estava fácil demais. Tão fácil que na chance seguinte eles não desperdiçaram: 3×0, e assim terminou o primeiro tempo.

Muricy tentou consertar no intervalo. Colocou Lenny e Sacconi, tirou o péssimo Figueroa e o inútil do Robert. Aliás, o primeiro gol do São Caetano saiu depois de uma bola açucarada de Diego Souza para Robert, que o atacante pisou bisonhamente na bola. Tivesse dominado e feito o gol, certamente o resultado seria outro.

Mas o problema do Palmeiras ontem, além de tático, também pareceu físico e emocional. Os gols seguidos do São Caetano abalaram demais o time, um velho problema. Na volta do intervalo, apesar das limitações dos substitutos, o time veio com gás e moral renovados. Só que o quarto gol dos caras jogou tudo por terra, e pior, foi um gol inexplicável. A defesa estava armada, certinha, o cara foi cercado, não tinha muito o que fazer, tomaram cuidado para não fazer o pênalti, mas TUDO deu certo para o adversário, ele conseguiu criar a condição pro arremate e tocou no canto.

Com 4×0 contra, aí restou ao time mostrar dignidade. E o gol de honra de Diego Souza pelo menos esboçou que o time não é um caso perdido. A torcida foi muito burra. Claro que todos que estava ali estava muito putos e envergonhados com o que estavam vendo. Mas será que era tão difícil assim enxergar que o problema ontem foi, pela ordem, tático, físico e emocional? Xingar os jogadores como fizeram além de burrice, é covardia. Principalmente o melhor de todos, e que ainda fez o gol dele.

O resultado não muda nenhuma impressão já emitida neste blog. O elenco precisa suprir suas lacunas. Enquanto isso não acontecer, será fraco. O discurso do diretor de futebol, de que o elenco é forte, é uma falha de retórica. O elenco tem potencial para ser forte. É diferente ter um elenco montado, e dizer que se trocar cinco peças ele será forte. Assim até o São Bento fica forte. O Palmeiras está no meio desse processo, o elenco nunca esteve pronto, por isso, jamais poderia ser dito que é forte. O processo de renovação está correto, o que faltou foi o arremate. Faltou chutar pro gol. Ainda falta.

Com a crise de relacionamento entre diretor e técnico escancarada, e com um resultado desses, pelo menos agora sabemos que alguma coisa vai acontecer. E é bom que aconteça, porque domingo pegamos os bambis.

Atuações:
Marcos: volta, Pracidelli! 4
Figueroa: escondam as tesouras dos chilenos. 3
Danilo: jogou pedrinha. Só pela tirada com o repórter depois do jogo (“-Danilo, falta alegria a esse time? -se falta alegria, vamos contratar um palhaço“), leva um 5
Leo: perdidinho, foi humilhado em certos lances. 3
Wendel: nada mais nem menos do que já sabemos que ele é capaz. Num dia ruim, fica mais evidente. 4
Pierre: um de seus piores jogos com nossa camisa. 3,5
Edinho: não viu a cor da bola 3
Marcio Araujo: espero que tenha caído a ficha de todo mundo que ele é reserva do reserva. 2
CleitonX: o segundo pior do time. Mal posicionado e mal tecnicamente. 1
Diego Souza: o único que se salvou. 7
Robert: ZERO
Sacconi: taticamente entrou certinho, mas depois de Paris, nunca mais foi o mesmo. Não que fosse um gênio. 3
Lenny: achou que iria se consagrar sozinho. Pegava a bola, abaixava a cabeça e…. perdia a bola. 2,5
Muricy: errou demais, tentou consertar no intervalo. Seu atenuante é o elenco restrito. 3

13 de fevereiro de 2010

Botafogo-SP 1×1 Palmeiras

Arquivado em: Jogos — conrado @ 22:45

Eu acho esse Botinha de Ribeirão uma aberração. Time do interior paulista que paga pau pra time/praia carioca, e imita o uniforme do bambi. Desse time atual, o goleirinho é tão ordinário que até o “01″ da camisa do desqualificado canalha-mor imita. O tal de Rodrigo Pontes que jogou de volante é violento e desleal. De bom, apenas o zagueiro alguma-coisa-Amaro e o centroavante William, outro que curte um visual bambi e joga de tiarinha, mas é bom jogador. Quando ele saiu, o ataque ficou Andé Balada e Ricardinho Pé-na-Forma. Como é que o Palmeiras perde ponto pra um time desses?

Muricy contou com o retorno de Leo, mas não quis arriscar colocar o time pra cima, e em vez de sacar Marcio Araujo, povoou o meio-de-campo com três volantes, deixando Robert isolado no ataque e posicionando muito mal CleitonX e Diego Souza. O ataque funcionou muito mal, e a defesa foi muito bem. O primeiro tempo foi horrível de se assistir devido a essa configuração do Palmeiras. Extremamente eficiente na defesa, e inexistente no ataque. O Botafogo não conseguia penetrar na defesa do Verdão a não ser em erros de passe na saída de bola, mas também não corria grandes riscos a não ser em jogadas aéreas. A melhor chance do Verdão foi uma cabeçada contra do zagueiro, que explodiu no travessão.

Logo na volta do intervalo, o Botafogo veio pra cima, e forçou uma sequência de erros individuais da defesa palmeirense que resultaram no gol. A bola estava na esquerda do ataque, e foi cruzada sem maiores pretensões. Danilo falhou feio no corte, e a bola sobrou na direita com Malaquias, após Armero tentar afastá-la (o colombiano sofre falta de William no lance). Malaquias cruzou por baixo, Armero marcou o cruzamento como um juvenil, Marcos estava mal posicionado e assim ficou fácil para o atacante adversário abrir o placar.

Assim que levou o gol, Muricy colocou Lenny no Marcio Araujo, e o time pelo menos teve mais opções, mas esbarrou nas péssimas jornadas individuais de CleitonX e Diego Souza. O Palmeiras tentava sem muita organização, e o empate de Leo saiu num dos raros cruzamentos que CleitonX acertou. Quando ele acerta, é fatal. Com 15 minutos pela frente, e com o cansaço do principal atacante do Botafogo, o jogo ficou à feição do Palmeiras para a virada. E tivemos duas chances claríssimas: Diego Souza bateu uma falta com muita categoria, ela bateu no travessão e desceu, mas bateu fora – quase resvala no goleiro e entra. Na segunda, Diego Souza fez grande tabela com CleitonX que saiu na cara do goleiro, mas não concluiu tão bem quanto em Bragança, desperdiçando. Logo depois, quase o time leva o castigo num chute de André Balada que Marcos desviou com a pontinha dos dedos.

O Botafogo vai enganando os comentaristas do óbvio. É um time bem fraquinho, e está na liderança apenas por circunstâncias. O Palmeiras tinha a obrigação de trazer os três pontos nesse jogo, e falhou. A única desculpa seria o cansaço por uma semana muito dura. Mas melhor esquecer e pensar na próxima semana. Daqui a oito dias tem guerra.

Atuações:
Marcos: estava mal posicionado no gol, mas sua parcela de culpa não foi tão grande. Fez boas defesas. 7,5
Wendel: mais uma boa partida. Levou uma pancada que doeu até em mim. 7,5
Danilo: sua pior partida do ano. Falhou no gol, perdeu um gol feito lá na frente e parecia bastante desgastado. 5
Leo: ótima volta. Além da firmeza na marcação, deixou mais um gol. 8,5
Armero: até que não errou tanto, mas o futebolzinho nem de longe justifica sequer relacioná-lo para o banco. 4
Pierre: outro que mostrou bastante desgaste, não teve tanta pegada quanto de costume. 6
Edinho: o melhor em campo. Anulou completamente tanto o tal de João Henrique, quanto o Xuxa, que o substituiu. 9
Marcio Araujo: cada vez mais vai mostrando o seu real potencial: volante com algum valor no passe, apenas para compor elenco e mudar a configuração quando o time precisar sair pro jogo. 5,5
CleitonX: noite infeliz. Mesmo assim, de seus pés saíram os cruzamentos para uma bola no travessão e para um gol. É efetivo demais. 6
Diego Souza: ficou isolado nas beiradas, suas arrancadas foram rechaçadas, mas é outro cujo talento sobressai em lances isolados. Mas hoje esse talento não deu em nada. 5,5
Robert: se com o time inspirado ele já aparece apenas em lances isolados, calculem numa partida em que nossos principais valores estão em marcha lenta. 4
Lenny: jogou o time um pouco mais à frente. 7
Souza: entrou no Pierre mas mal foi visto em campo. 5
Eduardo: jogou pouco, S/N
Muricy: cauteloso demais na escalação inicial, consertou rapidamente após tomar o gol – sinal que sabia o que fazer desde o início. 5

11 de fevereiro de 2010

Flamengo-PI 0×1 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 2:48

Mais uma vez, jogamos muito mal, mas vencemos. Interessante como esse paradoxo vem se repetindo nestas primeiras semanas do ano, com o inverso também verdadeiro. Início de temporada é assim mesmo, não tem muita lógica. De qualquer forma, foi um dos jogos mais irritantes de se ver, talvez mais até que a vitória contra o Monte Azul.

O jogo foi ruim a começar pelo cenário. O estádio Albertão em Teresina tem sérias deficiências na estrutura básica. O que eram aquelas cadeiras de reunião de condomínio servindo de banco de reservas? Aliás, as mesmas que foram usadas no vestiário para os jogadores poderem se trocar. Claro que esse é apenas um detalhe, mas dá a dimensão das dificuldades extras que o Palmeiras teve que enfrentar, além do gramado, péssimo, com trechos de grama muito alta e outros bem rentes; da temperatura elevadíssima e de… ter Robert no ataque.

Não sei se foi impressão pelo ângulo da câmera, mas as dimensões do gramado me pareceram reduzidas no sentido transversal. Ou seja, a distância entre as laterais aparentava ser bem curta, o que também facilitou o trabalho de marcação do time da casa. Assim, o Flamengo, que fazia o já manjado “jogo da vida”, correu como poucas vezes alguém deve ter visto em Teresina. Some todas essas dificuldades com um time pouco inspirado e até pouco interessado, e está explicado o jogo modorrento a que tivemos que assistir.

Cá entre nós, deve ser difícil mesmo reunir motivação, ao enfrentar todas essas dificuldades e depois de uma viagem tão longa, para bater num time tão limitado. Claro, para nós, torcedores, tinha que ir lá e fazer o resultado, e de preferência com um futebol convincente. Enfim, o Palmeiras cumpriu sua missão parcialmente – apesar da vitória, não eliminou o jogo da volta, o que seria importante para ter uma semana livre e poder trabalhar um pouco mais a parte tática. Mas daí gente vê que o Atlético-PR empatou, o Botafogo perdeu, que os reservas do Vasco tomaram um sufoco, então, passado o efeito da tortura que foi assistir ao jogo, até que não foi de todo mau.

Muricy entrou com o que havia de melhor disponível, Figueroa abriu o bico logo no começo – acredito que tenha sentido o calor – e Armero, quem diria, teve mais uma chance. Marcio Araujo foi um dos principais articuladores do time, já que Diego Souza e CleitonX enfrentaram uma marcação duríssima e individual, e com gente na sobra. E aí fica difícil buscar qualidade. Sacconi, mais uma vez, foi inútil, e quando a bola chegava no Robert ele dava um jeito de perder. O primeiro tempo não teve uma chance de gol aguda sequer, no máximo um chute na rede pelo lado de fora de Deyvid.

No segundo tempo o time da casa começou a sentir o efeito da correria desmedida, e assim que o técnico deles tirou o único cara que sabia jogar alguma bola, o 10, daí a coisa ficou mais fácil. Infelizmente Muricy não quis (se eu disser que ele não soube ele pode me chamar de menininho de computador) aproveitar a brecha e colocou o Lenny no Sacconi, em vez de sacar Marcio Araujo, e assim perdeu a chance de prensar o Flamengo em seu campo. Mesmo assim, o gol acabou saindo – muito mais resultado da exaustão do adversário do que por nossos méritos.

Fazia tempo que eu não via um jogo com tantas jogadas semelhantes a um jogo de várzea – e não estou usando o sentido depreciativo da expressão, ams sim um comparativo com a crueza das jogadas. O gol de Diego Souza foi de uma simplicidade estarrecedora. Recebeu dentro da área, após jogada de Edinho(?!?). Apenas um jogador em cima dele. Errou o drible, mas o zagueiro não conseguiu aliviar. Então ele puxou um pouco de lado e chutou sem muita pretensão. A chance da bola parar no zagueiro ou no goleiro era grande, mas ela passou pelos dois.

O gol matou de vez o ânimo do Flamengo, e virou ataque contra defesa. A impressão era que o Palmeiras não faria apenas mais um, mas pelo menos mais dois gols. Aí Muricy resolveu tirar Robert pra colocar o Souza. Não que Robert fosse o matador que certamente meteria dois gols no fim do jogo, e também vamos reconhecer que Souza entrou e desempenhou um papel bastante ofensivo para seus padrões, surpreendentemente. Mas podia ter tirado o Marcio Araujo e ter insistido num centroavante enfiado no meio dos zagueiros extenuados do Flamengo.

No final, Danilo quase fechou a tampa do caixão do time da casa numa cabeçada forte, à queima-roupa, mas o goleirinho deles fez uma belíssima defesa, e garantiu a viagem do time da casa à capital paulista. Parabéns ao Flamengo. E parabéns ao torcedor palmeirense que ficou até o fim vendo um espetáculo desse nível. Isso é que é coragem. Ou paixão. O jogo da volta será daqui a duas semanas, e só deve ter um pessoal contente com esse jogo: o financeiro, afinal, é mais uma rendinha que vai entrar. O time volta a campo no domingo, contra o Botafogo, em Ribeirão, buscando voltar ao G4 do Paulista. Se jogar a bolinha que jogou hoje, leva sacode.

Atuações:
Deola: ainda não estreou de verdade. Sempre que precisamos recorrer a ele, o adversário não o exigiu. 7
Figueroa: jogou muito pouco antes de sair passando mal. S/N
Danilo: basicamente ajudou o ataque nas bolas aéreas. E quase deixou o dele. 7
Edinho: outro cuja participação foi mais ofensiva que defensiva. Participou do gol de forma determinante. 7,5
Wendel: bem no primeiro tempo, quando o Flamengo ainda ameaçou articular alguns ataques. No segundo tempo participou mais no apoio, e não conseguiu nada digno de nota. 7
Pierre: se os zagueiros participaram pouco foi graças a ele. Teve trabalho com o número 10 dos caras. 8,5
Marcio Araujo: participou ativamente por ser o que mais tinha liberdade. E convenhamos, não é muito a dele. 6,5
Deyvid Sacconi: escancara cada vez mais sua limitação nos arremates. Teve dois à disposição, e os fez de forma bisonha. 5,5
CleitonX: muito marcado, mesmo assim causava perigo ao adversário quando fugia da paulada. Só que os cruzamentos não estavam muito calibrados. 6,5
Diego Souza: outro com marcação cerrada sobre si. Apanhou bastante. Mesmo apagado, foi quem fez a diferença – é verdade que não teve lá tantos méritos. 7
Robert: vamos reconhecer que algumas vezes era uma boa opção de passe mas Diego, CleitonX e Deyvid preferiram a conclusão. É que provavelmente, nessa fase, ele erraria. 6
Armero: entrou logo no começo no Figueroa e foi razoavelmente bem na marcação. Com a bola no pé, mostrou a mesma falta de inteligência de sempre – claro, isso não se conserta com treino nem com vontade. 6
Lenny: parecia que o jogo estaria à sua feição, mas ele se preocupou mais em cavar faltas e tentar expulsar um adversário do que em partir pra dentro. 5,5
Souza: entrou no Robert e não foi tão defensivo quanto costumava ser ano passado. 7
Muricy: estranha a falta de agressividade para matar o confronto. Podia ter mostrado mais apetite. 5,5

7 de fevereiro de 2010

Bragantino 2×3 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 20:19

O interior continua dando sorte ao Verdão. Mais um bom resultado conseguido em terras caipiras, desta vez contra um time que no início de sua trajetória no primeiro escalão do futebol brasileiro ameaçou ser uma asa negra em nossa história, mas que na verdade é apenas mais um grande freguês. E mais um bom resultado jogando bem abaixo do esperado, ao contrário de quando joga bem, que os resultados acabam sendo ruins. Curioso esse início de ano do Verdão. Com a rodada ainda com alguns jogos por se encerrarem, o Palmeiras alcança o quarto lugar, a quatro pontos do líder. Olha aí, senhor Armero, o que o senhor armou

O início de jogo do Verdão foi bem forte, e logo aos sete minutos, os dois craques do time, em posições invertidas, fizeram a diferença: Diego Souza viu CleitonX entrando em velocidade e enfiou o pé embaixo da bola para fazer o balãozinho, como se estivesse na praia. CleitonX colocou na frente e tocou na saída de Gilvan, pelo alto, belíssima conclusão: 1×0.

Aí o Palmeiras, mal posicionado ofensivamente, começou a jogar no erro do Bragantino. Muito cedo para isso. O time da casa apertou a marcação e dominou o meio-de-campo. Com Deyvid muito aberto pela direita, e com os laterais presos, o Verdão não conseguia dar sequência em nenhuma jogada. E passou apertado, levando uma bola na trave e vendo o juiz Cleber Abade, péssimo como sempre, anular dois gols do Bragantino – corretamente, diga-se.

O time voltou igual no segundo tempo, mas com os laterais mais soltos. Já foi o suficiente para desafogar nossas progressões. E rapidamente saiu o segundo gol, numa improvável descida de Wendel pela esquerda, num cruzamento de esquerda mais improvável ainda, e a conclusão de Robert entrou chorando, fraquinha. 2×0.

Marcos começou a operar alguns milagrezinhos em seguida, já que o Bragantino veio com tudo pra cima, em busca de diminuir o placar. E ele vinha salvando a pátria até que, numa falta pela direita, a bola foi chutada em seu canto. Ele tentou adivinhar que a cobrança iria por cima da barreira e foi pego no contrapé: 2×1, aos 13. E tome sufoco.

Com a entrada de William no Sacconi, o panorama não se alterou muito. Mas aí foi a vez do Palmeiras apertar a marcação, e o jogo ficou travado no meio. Ao Palmeiras, bastava rodar a bola, gastar o tempo e explorar eventuais buracos que o Bragantino vivia deixando na tentativa do empate. O tempo foi passando e nosso time não teve maturidade suficiente para manter a posse da bola, permitindo ao time da casa aumentar o volume de jogo. Numa dessas, Marcio Araujo forçou um passe e errou, dando a bola nos pés do adversário, que pegou a defesa do Palmeiras de frente, toda desarrumada. Depois de mais um milagre de Marcos na conclusão de um tal de Juninho Quixadá, ele mesmo pegou o rebote e deixou tudo igual.

O gol de empate saiu quando Lenny tinha acabado de entrar no Robert, aos 33. E cinco minutos depois o gol da vitória saiu da forma mais curiosa possível: cruzamento da direita de CleitonX, bem aberto. Até aí, nada anormal. A bola foi até a marca do pênalti. Lenny, como um centroavante, se antecipou ao zagueiro e tocou de primeira no cantinho de Gilvan. Acho que nem a vovó acreditou. Voltou com estrela o menino. 3×2, e aí sim, o Palmeiras tocou a bola como time grande e gastou o tempo, não dando chance ao Bragantino de progredir no final. O time da casa só ameaçou em balõezinhos de bola parada, e não levou perigo.

E assim, aos trancos e barrancos, o Palmeiras vai se mantendo na parte de cima da tabela, enquanto os reforços não chegam. Edinho vai tomando gosto pela zaga, embora só saibamos como ficará a configuração defensiva quando Leo e Mauricio Ramos se recuperarem das lesões. Edinho vai ficar na zaga ou subirá para a cabeça da área no lugar de Marcio Araujo? Ou Muricy jogará com três volantes, tirando o Sacconi, e dando mais liberdade a CleitonX e Diego? Ou isso vai depender de cada jogo?

As dúvidas permanecem. Mas em todos os casos, ainda sabemos que precisamos de um grande centroavante. Ewerthon, praticamente fechado, não parece ser o cara que vai resolver o problema do ataque. Nem Lincoln, que caso realmente chegue, vai ser uma peça para compor o elenco no caso de contusões dos meias titulares. O cenário previsto vai se confirmando: a diretoria vai avançando nas contratações enquanto o time vai se colocando bem na tabela do jeito que dá. O que nos deixa otimistas é que o setor defensivo já está com bons nomes, e o posicionamento está evoluindo bem. Acertar a frente, pra quem tem CleitonX e Diego Souza, não é o mais difícil, basta trazer um matador à altura. O time caminha para ficar bastante competitivo. Mas continuamos à espera do NOVE-NOVE.

Atuações:
Marcos: fez alguns milagres, mas também cometeu duas falhas graves. 7
Figueroa: muito deficiente na marcação, cometendo muitas faltas. E no apoio, foi fraco. 5
Danilo: comandou bem a linha defensiva. 7,5
Edinho: joga muito sério, e é assim que a torcida gosta. 7,5
Wendel: obediente taticamente, foi decisivo quando ganhou liberdade. Acertou o cruzamento pro gol com a canhota. 8
Pierre: definitivamente entrou em condição de jogo. Xô, Lazio. 8,5
Marcio Araujo: parece que se empolgou com a boa atuação diante da Lusa e se afobou. Pode botar o segundo gol na conta dele. 5
Deyvid Sacconi: jogou muito aberto pela direita, e quando resolveu fechar pra buscar jogo, foi desarmado facilmente todas as vezes. 5,5
CleitonX: um golaço e uma assistência. E tem gente que ainda acha que ele é enganação. 9
Diego Souza: parado na falta quase todas as vezes, nem metade o Abade marcava. No final, cansou. 7,5
Robert: isoladão no primeiro tempo, parecia escondido. Apareceu mais no segundo tempo, com o avanço dos laterais. Deixou o dele, com um pouco de sorte. 7,5
William: entrou no Sacconi e não fez nada de mais, só ciscou. 6
Lenny: muita vontade, e apresentou sua estrela. 8,5
Muricy: ainda não conseguiu achar a melhor formação ofensiva. Orientou bem o time no intervalo. 7

***

Vale a pergunta: na falta de Gabriel, e com a barração de Armero, Muricy teve que escalar o Wendel invertido. Pra que serviu a contratação do Eduardo?

4 de fevereiro de 2010

Palmeiras 1×1 Portuguesa

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 22:29

Se tivéssemos o grande George Preah, certamente ele teria feito um golzinho nos acréscimos e o Palmeiras teria conquistado os três pontos, e tudo pelo que passamos para assistir essa pelada teria valido a pena. Como nosso matador da vez é o tal de Robert, ficamos no empate, e fica a sensação que tudo deu errado, nada se salvou.

O cálculo do tempo previa uma certa folga para chegar a tempo de ver o início da partida. Mas caía uma chuva fina sobre a zona oeste da capital, e o trânsito ficou um pouco mais complicado. Chegando no Shopping Bourbon, um imbecil qualquer consegue bater o carro no meu no estacionamento porque não olhou no retrovisor antes de resolver mudar de cancela. Como já estava na pilha do jogo, deixei pra lá, estacionei e corri pro Palestra. Ao chegar na Turiassu, a chuva fina tinha virado uma tempestade. Um vento fortíssimo, e uma chuva que judiou mais uma vez da cidade. E acabou a luz no Palestra. Sem um plano B, não havia como imprimir os ingressos, só se vendia os que estavam pré-impressos. E num jogo que deve ter dado uns 6 mil pagantes, mais de 20 minutos na fila interna do clube para comprar o ingresso. Entrei no estádio com mais de dez minutos de jogo.

E vi o Palmeiras com a volta de Sacconi e Diego Souza. Meias, finalmente. Mas parecia que não tinha mudado nada. Os dois tiveram atuações pífias. Sacconi se apresentou bastante, mas errou tudo o que tentou, devia estar pensando na torre Eiffel. Já Diego Souza parecia que tinha comido uma feijoada. Lento, disperso, parecia desinteressado. E o Palmeiras não conseguia criar, embora tivesse muito mais espaço do que no jogo de domingo. É verdade que o campo, mais uma vez pesadíssimo, também atrapalhou o toque de bola do Verdão, e o que já seria difícil nas CNTP, ficou quase impossível.

Como quase nada mudou, a velha escrita deu as caras de novo, “repaginada”, para usar a palavra da moda: a Lusa desceu uma vez. Só uma. Pra piorar, na única vez que desceu, NÃO fez o gol. A Lusa abriu o placar quando não atacou: Armero errou um passe mais uma vez, na frente da meia-lua, sem cobertura. Luis Carlos, um atacante gordo, muito gordo, agradeceu o presente, escolheu o canto e tocou na saída de Marcos.

Armero olhou para os céus, como que pedindo uma razão para estar sendo tão castigado pelos deuses da bola. A pequena torcida do Palmeiras ameaçou vaiá-lo no primeiro lance em que pegou na bola. No segundo, encheu-se de brios e foi pra redenção: pegou a bola na nossa intermediária, driblou meio time da Portuguesa numa arrancada sensacional pela esquerda, e… cruzou bisonhamente nas mãos do goleiro.

Na volta do intervalo, William, que entrou no lugar de João Arthur – que aparentemente sentiu uma contusão – foi o único que ainda teve uma participação ofensiva digna de algum elogio. O time foi absolutamente apático, era o reflexo daquele que devia ser o líder dentro de campo: Diego Souza, quando pegava na bola, fazia jogadas efetivamnente perigosas, lúcidas, envolventes. O grande jogador faz a diferença. Só que encostado ali, na ponta esquerda, pegou três ou quatro vezes na bola. Mesmo que por orientação de Muricy, ele tinha a obrigação de tentar algo diferente, mas acomodou-se. E o resto do time foi na sua aba. O gol de empate de Danilo, numa jogada de escanteio em que ele pegou o rebote e chutou com bastante força pro fundo da rede, deveria ter gerado alguma centelha, ter botado fogo no time, mas que nada.

O Palmeiras, mesmo com Lenny entrando no Robert, e com o deslocamento de Diego para o comando do ataque, não levou muito perigo ao gol da Lusa, a não ser numa jogada individual do próprio Diego Souza, que limpou bem e bateu rasteiro, no cantinho, mas a bola bateu na parte interna da trave e voltou pra dentro da área, sem ninguém aproveitar. Fora isso, um ou outro escanteio, uma faltinha aqui, outra ali, e mais nada. No final, um empate justo, e a Lusa, mesmo com um a menos nos minutos finais, ainda conseguiu levar a bola ao ataque, provocar um escanteio e quase ganha o jogo.

O jogo de hoje apenas reafirma algo que estamos cansados de saber: o que faz a diferença são os grandes jogadores. Diego Souza, quando pegava na bola, saltava aos olhos, tamanha a diferença no trato com a bola. Mas sozinho, e desinteressado, não resolveu. Danilo, Edinho, Armero, Marcio Araújo e principalmente Pierre foram os únicos que mostraram vontade de jogar bola e de respeitar quem tomou chuva, sofreu com as filas e se submeteu a pagar R$30, fora os que tiveram que dar perdido no trabalho ou na aula só pra ver o Palmeiras em campo.

Então vemos que uma das principais lições do ano passado não está dando muitos resultados. O time ainda tem sérios problemas de pegada, ligados ao emocional, à motivação. Muricy deu uma longa entrevista ao 3VV esta semana, aliás, uma longa e espetacular entrevista realizada pelos companheiros Jota e Vicente. Nela, dedica um bom tempo para falar da preparação psicológica a que os jogadores são submetidos. Mas cadê o resultado?

E a torcida continua, pacientemente – cada vez menos – esperando pelos reforços. Enquanto isso, vamos de Robert mesmo. A primeira fase do Campeonato Paulista é bem fraca tecnicamente, assim como as duas primeiras rodadas da Copa do Brasil, e creio que é possível caminhar aos trancos e barrancos. Mas vai chegar uma hora que o talento vai ser o diferencial. Esperamos que quando chegar essa hora, já tenhamos sido devidamente reforçados. Hoje, até o Preah teria resolvido. A areinha tá caindo.

Atuações:
Marcos: vendido no gol, assistiu o resto da partida. 7
Figueroa: outra vez, freio de mão puxado. Acorda, meu filho. 5
Danilo: vibrou durante o jogo, fez o gol, correu pra buscar a bola pra buscar o segundo logo. Já merece a faixa de capitão. 8,5
Edinho: partida tranquila, cometeu apenas uma falha sem maiores consequências. 7,5
Armero: falhou no gol, mas tentou compensar com muita garra e dedicação. Não conseguiu. 3
Pierre: o melhor em campo no primeiro tempo, cansou um pouco no segundo. 8,5
Marcio Araújo: parece estar evoluindo na marcação e no posicionamento. Foi sua melhor partida pelo Verdão. 8
Sacconi: tarde absolutamente infeliz, monsieur Saconí. 4
Diego Souza: quando pegou na bola, atormentou. Só que ou ela não chegava muito, ou ele também não fazia muita questão. 5
Robert: começa a aparecer a verdade. Nem em time pequeno, no Palestra, está resolvendo mais. E assim a sua batata vai assando. 2
João Arthur: jogou pouco e se machucou. S/N
William: dá sinais de vida. Estranhamente centralizado, jogou como ponta-de-lança, que efetivamente não é a dele. Mesmo assim, com muita vontade, tentou como pôde. 7,5
Lenny: depois de muito tempo, voltou aos gramados no lugar de Robert, e tentou acender o time com sua correria, sem resultado. 6,5
Muricy: incompreensível a insistência em Armero, e o posicionamento de Diego Souza e William. Se os dois tivessem jogado invertidos a chance de um bom resultado teria sido maior. Pode botar essa na conta dele. 3

31 de janeiro de 2010

Corinthians 1×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 20:42

Uma hora ia acontecer. Pela primeira vez desde a existência do blog, que já está em seu quarto ano, o post pós-jogo vai falar de uma derrota para nosso maior rival. E foi o Palmeiras que perdeu, não foram eles que ganharam. Após tomar um gol ridículo, de cabeça, de um anão, e de ver o adversário ficar com um jogador a menos antes da marca de dez minutos, o Palmeiras, apesar de martelar o jogo todo, não teve a competência de fazer um mísero golzinho, e ainda consagrou o goleiro deles. O resultado escancara as já evidentes carências do elenco, e a torcida continua esperando pelos reforços – uns com mais, uns com menos paciência. E vamos combinar que após uma derrota como essa, boa parte dessa paciência realmente vai pro saco. Haja frieza e racionalidade.

O gol deles saiu em uma falta desnecessária cometida pela anta suprema Pablo Armero. O jogador mais burro do mundo podia ter apenas cercado a jogada, na lateral da área, mas foi afobado e atingiu o corpo de Iarley. Tcheco levantou no segundo pau e Jorge Henrique testou pra dentro com muita tranquilidade. Falha de Edinho. Marcos ainda chegou a tocar na bola, mas não conseguiu evitar.

O Pacaembu, longe de sua lotação máxima e com maioria de torcedores do mandante não chegou a explodir como o esperado. O barulho foi meia-boca, chocho. Depois de dois anos, a expectativa era de um Derby com casa cheia, com os ingressos disputados a tapa. Nem palmeirenses nem corintianos pareceram empolgados com o jogo, infelizmente. Certamente a ausência dos maiores craques dos dois lados, Diego Souza e o gordo, influenciaram nesse desinteresse, mas não podemos descartar também o medo da violência, tanto das organizadas quanto da polícia.

Depois do gol, o lance que mudou completamente o jogo. João Arthur recebeu pela meia e tinha boas chances de girar e avançar em direção ao gol, quando sofreu um violento carrinho de Roberto Carlos, por trás. Com menos de dez minutos, o Ajeitador de Meia Perdedor de Pênaltis estava fora do Derby. E o adversário então tratou apenas de se defender, por mais de oitenta minutos. Mano Menezes deslocou Danilo para a lateral-esquerda (?!?), Muricy deixou o jogo rolar um pouco para ver se ele não mexeria na sequência. Como Mano não fez mais nada, Muricy tirou Gualberto e colocou Lovinho aberto, em cima do Danilo, e puxou Edinho pra zaga. Também tirou Armero e colocou Wendel, antes dos 30 minutos, já que o colombiano, além de burro, estava nervoso demais e já tinha levado o amarelo.

E o Palmeiras massacrou. No primeiro tempo, algumas chances claras – na maior delas, Robert ficou de frente para o gol, sem goleiro, mas preferiu servir Lovinho que mandou pro gol mas estava impedido. Chutes de longe de Pierre e Edinho também assustaram Felipe. No final do primeiro tempo, o domínio do Palmeiras era claro, mas as chances não foram tão frequentes.

Mano Menezes, das duas uma: ou estava testando a resistência defensiva de seu time pensando na Libertadores, ou é um puta de um covarde. O Palmeiras estava com um a mais, mas jogou contra um time que marcou todo o segundo tempo com todos atrás da linha da bola. E foi um massacre palmeirense, com muitas chances claríssimas. A quantidade de escanteios a favor do Palmeiras foi impressionante, a bola passava por cima da área, saía de um lado, voltava, saía do outro lado, e assim foi durante todo o segundo tempo. Robert teve algumas chances em seus pés, numas até foi bem e parou em Felipe, noutras perdeu de forma bizarra. O lance final da partida foi ridículo. Era só matar no peito, livre, colocar no chão e escolher o canto. Precipitado, preferiu cabecear de qualquer jeito, e a bola saiu fraquinha, nas mãos do goleiro.

Com o apito final, o fim da diversão que começou em 2006, mas uma sensação boa de voltar a ver um Derby na Capital, num estádio neutro e sem dar um tostão pra clube vagabundo nenhum. Para os palmeirenses que não se sentem em casa também no Pacaembu, que acham que o palco de muitas de nossas maiores conquistas é a casa deles, vão estudar um pouquinho de História. Agora, que está estranho ver nos corredores superiores, tanto do lado das numeradas cobertas, quanto do lado oposto, painéis com o símbolo do inimigo pintados nas paredes, como se o Estádio Municipal realmente fosse deles, isso está. Espero que aquelas porcarias sejam removíveis, não deu pr ter certeza olhando do tobogã.

Quanto a reforços, o raciocínio permanece, Principalmente agora, que o Derby já passou. Se poderia haver algo que justificasse alguma correria, era exatamente o Derby. Se a postura da Diretoria foi de não fechar com ninguém às pressas, preocupada em trazer nomes realmente de qualidade para todo o ano, se entrarem numa correria agora, aí é que não vai fazer sentido nenhum. Principalmente agora que as lesões de Léo e Diego estão quase curadas.

Atuações:
Marcos: pouco trabalho, nada a fazer no gol – pelo menos foi a impressão lá do estádio. 7
Figueroa: apoiou bastante, cruzou várias bolas, a sequência dos lances não foram culpa dele. 7,5
Danilo: foi bem no cerco a Iarley, e ainda subiu com perigo ao ataque. Quase fez um, num chute de fora, que ia na gaveta. 7,5
Gualberto: outro que demonstrou bastante tranquilidade até ser substituído. 6,5
Armero: pra não dizer que errou tudo que tentou, acertou uma matada de bola. ZERO
Pierre: continua crescendo. Foi sua melhor partida no ano, está quase no nível a que estamos acostumados. 8
Edinho: não fosse a falha no gol, e teria sido um partidaço. Mais uma vez veio pra zaga, e foi perfeito. Ainda apoiou no ataque, tanto batendo de fora quanto chegando pelos lados e tentando cruzar. 6
Marcio Araujo: foi bem na ocupação de espaços, Tcheco mal foi visto em campo. 8
CleitonX: é um desperdício ter um arco tão bom e não ter flechas para disparar. No final, perdeu a cabeça. 7
João Arthur: é abusado, e isso é bom. Precisa de tempo ainda pra aprender a tomar as decisões certas, e também pra pegar um pouco mais de corpo. 6,5
Robert: parece que ele só vai fazer gols contra os pequenos e no Palestra. Hoje era dia pra ele se consagrar, mas ele negou fogo. 2
Wendel: entrou no Armero e foi muito melhor. Se não vai o Eduardo, vai o Wendel Mas definitivamente, ARMERO NÃO! 7
Lovinho: com a chuva que caiu, virou rojão encharcado. Filhote do Armero. 3
William: não mostrou a que veio. Vamos poupá-lo. S/N
Muricy: foi perfeito nas substituições, nos nomes e no timing. ele não tem culpa do time que tem nas mãos. 9

28 de janeiro de 2010

Monte Azul 0×1 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 0:43

Mais um jogo da série “o que importa são os três pontos”. Jogando com o freio de mão puxado, tanto no que diz respeito à escalação, quanto ao que fizeram os que entraram em campo, o Palmeiras venceu o Monte Azul por 1×0 em Ribeirão Preto, e vejam só, assumiu a liderança do campeonato. O Palmeiras só perderá essa liderança ao final da rodada, amanhã, se o Ituano vencer fora de casa o Bragantino, por dois gols, ou se a Ponte Preta vencer o Botafogo, em Ribeirão, por cinco gols. O vice-líder é o gambá, de quem estamos na frente pelo saldo de gols. O Derby de domingo ganha um ingrediente a mais – como se precisasse.

Muricy prestigiou pra valer as categorias de base. Podia ter apostado em William e Eduardo, mas foi mesmo de João Arthur e Gabriel Silva. Edinho, liberado pela burocracia hoje à tarde, entrou como zagueiro pela esquerda e foi o melhor em campo. E o Palmeiras, todo remendado e com um clássico pela frente, contou com a sorte de enfrentar um time totalmente desmotivado e sem qualquer inspiração.

O jogo foi uma porcaria. Nem de longe teve a vibração da estréia, contra o Mogi, nem a pegada do jogo em Prudente, nem as variações do jogo do último domingo no Palestra. Foi sempre aquela coisa modorrenta: o Palmeiras pegando a bola, rodando o jogo, até CleitonX ou Deyvid Sacconi tentarem uma enfiada para alguém passando por trás da zaga. Vez ou outra, uma bola alçada na área buscando Robert, ou uma tentativa de jogada individual de João Arthur. Nada funcionava.

Do lado de lá, menos ainda. A bola mal chegava em nossa área. Pierre deu sinal de começar a entrar em ritmo de jogo. O que passava dele, parava em Danilo ou Edinho. Deola foi um mero espectador.

Assim, o gol só poderia sair num erro do Monte Azul, ou numa jogada de bola parada. O Verdão fez 1×0 numa cobrança de pênalti emocionante de CleitonX. O juizão, vamos e venhamos, foi esperto. Não que tenha roubado o Monte Azul – o pênalti existiu. Mas é daqueles que ninguém dá. Vemos aqui claramente como funciona a arbitragem. O juiz entrou sabendo que não poderia roubar o Palmeiras, depois de dois assaltos seguidos. E usou um artifício simples, principalmente num jogo com um grandão e um bem pequenininho. Dar um pênalti que existiu, a favor do grandão, é certeza de sair tranquilo no fim do jogo. Arbitragem de futebol é uma atividade para ratos.

Com 1×0 no placar, parece que as duas equipes ficaram satisfeitas já no intervalo. Incompreensível por parte do Monte Azul, mas essa foi a impressão. O segundo tempo não teve a menor emoção. Bem, na verdade teve, só porque a bola rondou nossa área nos quinze minutos finais, e embora não tenhamos sofrido nenhuma ameaça real, o cheiro de arroz queimado era grande. Depois de tanta urucubaca, parecia que mais uma vez, do nada, sem merecer, o Palmeiras sofreria um gol e perderia pontos.

Mas dessa vez a tragédia não resolveu dar o ar da graça, e o Palmeiras, mesmo dando sopa pro azar contra um arremedo de time, que ainda estava com um a menos, conseguiu segurar o placar e trouxe os três pontos para casa. Foi a pior partida do time no ano, disparado. Não só pela escalação modesta, mas também pela postura, deixando o Monte Azul com um a menos trocar passes e tentar armar ataques, que só não foram perigosos pela limitação técnica. Nenhuma variação, nenhuma ousadia, nada. Deviam devolver o dinheiro do ingresso.

No fim, pra deixar todo mundo preocupado, CleitonX e Gabriel Silva saíram de campo sentindo o posterior da coxa. Mais dois que se juntam a Marcos, Leo e Diego Souza, por quem devemos rezar nos próximos dias para que se recuperem e fiquem em condição de entrar em campo no Pacaembu domingo e destruir os gambás. Aliás, a pegada o jogo de hoje deixou bem claro no que eles estão pensando. Não deixa de ser um bom sinal.

Atuações:
Deola: boas… reposições de bola, e… uniforme bonito. 8
Figueroa: displiscente e desinteressado. 3
Danilo: embora o adversário não tenha exigido muito, foi soberano. 8
Edinho: estreante, improvisado como zagueiro, mostrou muita personalidade. Com contrato longo, parece que vai criar bastante identificação com a torcida. 9
Gabriel Silva: começou bastante tímido, afinal, era outro estreante. No fim do primeiro tempo começou a se soltar e lembrou suas atuações pela copinha. Depois da expulsão do ponta adversário, cresceria mais ainda no jogo, mas contundiu-se logo a seguir. 7,5
Pierre: vai voltando ao velho ritmo. Que chegue a milhão no domingo. 8
Marcio Araujo: irregular. Faz boas jogadas no apoio, mas falha constantemente na cobertura. E errou muitos passes desta vez, coisa que não era observada antes. 4,5
CleitonX: sem grandes opções para fazer suas assitências, até arriscou jogadas individuais e a receber bolas na área. 8
Deyvid Sacconi: era jogo pra ele se destacar, mas não aproveitou. A se reconhecer seu esforço na marcação, o que ameniza a atuação fraca no ataque. 6
João Arthur: futebol-moleque, mas pouco inspirado. Talvez meio travado pela responsabilidade. Vamos prestigiar. 7
Robert: um horror. Era pra deitar e rolar em cima desses zagueiros, mas a partida de hoje lembrou bondes como Gioino e Kahê. 2
Eduardo: entrou no Gabriel Silva e parecia fugir da bola. 4
Daniel Lovinho: só entrou no CleitonX porque não tinha coisa melhor no banco. Pobre William. 3
Anselmo: entrou bem no finzinho, mas fez até mais que os outros dois que saíram do banco. Mesmo assim, fica sem nota.
Muricy: não dá nem pra avaliar, já que montou o time com o pouco que tinha nas mãos. Por optar pelos meninos da base, merece aplauso. 8

24 de janeiro de 2010

Palmeiras 3×3 Ituano

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Jogando num gramado encharcado devido a mais um aguaceiro que despencou sobre a capital paulista, o Palmeiras vacilou no final e permitiu ao Ituano a conquista do empate, depois de estar ganhando por 3×1 a menos de dez minutos do fim. O resultado não refletiu a superioridade do time durante o jogo, apesar do gramado muito pesado. E com o perdão da redundância, o Palmeiras foi roubado. Junte um gramado pesado, um juiz ladrão e um time sem pegada no fim do jogo, e temos a fórmula do empate.

O Palmeiras começou voando em campo, e com vinte minutos já tinha colocado duas na trave, uma com Diego Souza de falta e outra com Robert de cabeça. As duas linhas de quatro da defesa do Ituano estavam muito distantes, e além das bolas na trave, o Verdão criou cerca de quatro ou cinco chances reais. A linha de frente do Ituano, então, recuou um pouco, compactando a marcação, e nossas chances pararam de aparecer. Foi bem fácil neutralizar a força ofensiva do Palmeiras. E o Ituano começou a achar que poderia atacar, conseguindo até chegar frente a frente com Marcos, que salvou num tapinha uma conclusão que iria por cobertura para o gol. Deu contra-ataque, e Deyvid lançou Diego Souza, que pegou a bola um metro depois da linha divisória, levou até a meia-lua e fuzilou o goleiro, abrindo o placar.

O volume de jogo na primeira metade do primeiro tempo, mais o resultado positivo, deixou a torcida satisfeita, mas o jogo não estava fácil. E logo na primeira jogada do segundo tempo, o Ituano empatou com um gol irregular: Gualberto, que até então era o melhor da defesa, foi traído pela poça, e a bola sobrou na direita. Havia seis palmeirenses dentro da área. O chute do jogador do Ituano foi fraco, e desviou no camisa 9 deles mesmo. Sobrou exatamente no pé do Juninho, que bateu uma vez. Deyvid Sacconi rebateu, e ela veio exatamente no pé do Juninho, de novo, que bateu fraco. O 9 deles, impedido, participou da jogada ao abrir a perna e deixar a bola passar. Gol irregular, que a arbitragem validou.

O Palmeiras não sentiu o gol, e passou a massacrar o Ituano em seu campo. Várias chances em seguida, com Robert, Diego, Sacconi e CleitonX foram desperdiçadas. Até que aos 11 minutos CleitonX caiu pela esquerda, e descolou um cruzamento perfeito para Robert, que desta vez acertou a testada, de manual: forte, cruzada, no chão, mortal.

O Ituano morreu em campo, então o juiz resolveu dar mais uma força, ao expulsar Gualberto injustamente: cartão vermelho direto depois de uma bola disputada na linha lateral. Tremenda sacanagem. Pierre então foi recuado pra zaga, CleitonX ficou como segundo volante e Diego preferiu ficar como atacante em vez de ajudar na armação e deixar Robert isolado. Resta saber se foi opção dele ou se foi o Muricy que deixou assim.

Talvez por isso Diego nem apareceu na tela na jogada do terceiro gol: Sacconi dominou na intermediária e esticou para CleitonX. O toque de chaleira buscou Robert, que disputou com o zagueiro; a bola sobrou de novo para CleitonX em condições de bater pro gol. O meia, no entanto, enxergou Sacconi chegando na corrida e preferiu rolar, aumentando sua lista de assistências – Sacconi só teve o trabalho de tirar do goleiro e aumentar para 3×1.

O jogo parecia resolvido, apesar de estarmos com um a menos. O Ituano não demonstrava vontade de reação, as substituições foram seis por meia dúzia. Mas as peças que entraram botaram fogo no jogo, os reservas entraram bastante motivados, como se deve. Ao Palmeiras, bastava colocar a bola no chão e rodar, pois o gramado já não estava tão ruim. Mas o time parece não ter aprendido com a molecada dos juniores ontem, e 3×1 no fim do jogo não é garantia de nada. Além de tudo, os caras são largos. O segundo gol, se fosse no pebolim, a gente chamava de gol de chupeta. Bola enfiada por Juninho, sem o menor perigo; Armero chegou na cobertura, desesperado, e rebateu pro lado. Ela bateu na cabeça de Danilo e encobriu Marcos. Inacreditável. Os caras estavam de volta pro jogo.

E na base do entusiasmo, o Ituano veio pra cima busando o empate, e numa jogada de escanteio, de novo a bola sobrou pra Armero, que tinha 10 metros de cada lado pra escolher pra onde ia rebater. Ele escolheu bicar a bola exatamente onde tinha um jogador do Ituano. Ela voltou pra área, foi alçada na linha da pequena área. Marcos saiu borboletando e bateu na nuca do atacante do Ituano. A bola podia cair em qualquer lugar, mas escolheu onde estava o zagueiro Rodrigão, que apenas tocou para o gol vazio.

No final, o Verdão até tentou ir pro abafa, tentou algumas bolas por cima, mas não teve jeito. Final, 3×3, e toda a fúria da torcida sobre Pablo Armero. Inclusive a deste blogueiro. O juiz também foi homenageado. A pergunta que não quer calar é: até quando vão continuar nos roubando sem a menor cerimônia? Mais um gol irregular, e uma expulsão indevida. Não se trata de atribuir à arbitragem o mau resultado. Essa é apenas mais uma frente de trabalho a ser malhada. Precisamos trabalhar o emocional dos nossos jogadores; precisamos contratar reforços para as posições carentes; e precisamos parar de ser roubados, seja em casa, seja fora, seja contra grandes, ou contra pequenos.Ser roubado contra o Ituano no Palestra é o fim do mundo.

Atuações:
Marcos: falhou no gol decisivo. 5
Figueroa: nulo no apoio, discreto na defesa. 5,5
Gualberto: era o melhor da defesa. Foi traído pela poça d’água no primeiro gol e sacaneado pelo juiz que o expulsou injustamente. Como reconhecimento e apoio, 8
Danilo: firme, líder, mas azarado. 6
Armero: o padrão do blog é não dar notas negativas. ZERO. E que não vista mais nossa camisa.
Pierre: continua fora de forma, com o tempo de bola descalibrado. Foi pro sacrifício no final, jogando como zagueiro. 6
Marcio Araujo: não parece ser bom marcador, vamos aguardar mais um pouco pra ver se tem a ver com o físico. No apoio, vai melhor. 6,5
Deyvid Sacconi: discreto, mas fez 90% do terceiro gol, que seria aquele pra matar o jogo. 7,5
CleitonX: decisivo. Não apareceu tanto, mas quando pegou na bola, os lances foram mortais. 8,5
Diego Souza: o primeiro gol foi uma pintura, ele parecia que ia engolir o gol tamanha a intensidade da arrancada e do chute. No segundo tempo, abusou do individualismo. 7,5
Robert: continua fazendo o mínimo que se espera de um centroavante do Palmeiras em jogo contra pequeno em casa: no mínimo, um gol. 8
João Arthur: má sorte; entrou no Sacconi quando estava 3×1, pouco depois saíram os gols do Ituano sem que ele tivesse a menor culpa. O time ficou nervoso, e ele teve que fazer jogadas sozinho. S/N
Muricy: mais uma vez, arroz com feijão correto, corrigiu o ataque no intervalo, e deu a última chance a Armero. Se escalá-lo no próximo jogo, vai pedir pra ser cornetado. 7,5

22 de janeiro de 2010

????? 2×2 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 0:00

Jogando logo ali, em Presidente Prudente, o Palmeiras já foi roubado pela primeira vez no ano pela arbitragem, e teve que suar muito para arrancar um empate no final do jogo contra o time sem nome, sem torcida e sem alma. A luta foi a única coisa a se aproveitar desse jogo, já que o time foi muito mal, com uma exibição bem abaixo da do jogo anterior, contra o Mogi.

O time sem nome não passa de um catadão de refugos. A maioria dos jogadores têm passagens medíocres por times grandes ou médios do futebol brasileiro, mas na base da experiência, e contando com a fraca condição física do Verdão, conseguiu equilibrar o jogo e até comandar as ações em certos momentos.

O Palmeiras veio no 4-4-2, mesma formação do jogo no Palestra, mas com Deyvid Sacconi no lugar de William. Obviamente não houve tempo para corrigir o maior defeito exibido domingo, a falta de sincronia entre os volantes para cobrir os laterais e proteger a zaga. E foi assim que o time sem nome começou atropelando o Verdão, em dois lances de muito perigo, com Tadeu e Flavinho. No terceiro, Flavinho recebeu por trás de Marcio Araujo – que marcou a bola – girou, invadiu e deixou no cantinho de Marcos.

Aos poucos o Palmeiras foi tomando conta do jogo, e o time sem nome recuou como se já fosse o segundo tempo. Encurralando o adversário em sua área, o Verdão sofreu pelo menos três pênaltis. É verdade que nenhum deles foi aquela coisa cristalina e escandalosa, mas era só querer pra colocar na cal. Para o Palmeiras, nada feito. E quando parecia que a pressão do Palmeiras tinha acabado, Deyvid Sacconi tomou a decisão errada ao arriscar de muito longe, mas finalmente a sorte sorriu para o Verdão, e houve um desvio, matando o goleiro, e decretando o justo empate.

A marcação do time sem nome conseguiu fazer uma barreira entre o meio-campo palmeirense e o ataque, com dois jogadores grandes e não tão rápidos. Assim, as melhores chances do Palmeiras foram em bolas paradas, com bons cruzamentos de Figueroa e CleitonX, rechaçados principalmente por Daniel Marques, que continua se mostrando um bom zagueiro, ele que foi inexplicavelmente dispensado do Palmeiras em 2004.

Para o segundo tempo, o time sem nome veio com muito mais disposição, prensou o Palmeiras em seu campo, mas não conseguiu fazer o segundo gol. Quando o Palmeiras saiu do sufoco e ameaçou reagir, encaixando um bom contra-ataque com Diego Souza que Robert carimbou a trave, veio a grande pilantragem: numa investida pela esquerda, Tadeu invadiu a àrea, já ia ficando sem ângulo quando levou o bote de Danilo, precipitado. O contato foi tão claro quanto os pênaltis que o juiz ignorou no primeiro tempo a nosso favor. Mas contra o Palmeiras, pênalti. Tadeu bateu na trave, Eder pegou o rebote e tocou de novo para Tadeu, escandalosamente impedido, a dois metros do juiz bem posicionado. Contra o Palmeiras, gol legal.

É impressionante como as coisas não mudam. Na verdade, até mudam. O Palmeiras, pelo menos contra times do interior, no Paulista, não costumava ser roubado. Parece que agora vai ser todo jogo, todo campeonato.

Muricy tirou os dois laterais, colocou Eduardo na esquerda e Lovinho como atacante, oferecendo o contra-ataque pela esquerda ao time sem nome – Marcio Araujo ficou improvisado no setor. Se ele não marcava direito em sua posição de origem, não o faria na direita – a sorte foi que o time sem nome também não teve coragem, e preferiu apostar em segurar o resultado. Faltando seis minutos para o fim, a jogada de bola parada do Palmeiras finalmente deu certo, CleitonX levantou mais uma e Diego Souza se deslocou para subir no terceiro andar e testar pro gol. Mais uma vez, justiça no placar, pelo que apresentaram os dois times, apesar das cirurgias do juiz, o pilantra Paulo Cesar de Oliveira.

Os maiores inimigos do Palmeiras hoje, depois da arbitragem, foram o preparo físico (ou a falta dele), o que nivelou as duas equipes, e a ausência clara de um atacante rápido, que caia pelos lados, que puxe a marcação e seja capaz de encostar no comandante do ataque. Continuamos aguardando a sequência do ciclo de contratações. Próximo prélio: Ituano, de Juninho Paulista, no Palestra. Faltam só dez dias para o Derby.

Atuações:
Marcos: uma boa defesa num chute de longe, e só. Saiu meio estranho, de carrinho, no primeiro gol. 6,5
Figueroa: guardou um pouco a posição, tentando segurar o rápido Flavinho, que caiu pelos dois lados. Pela nossa direita não saiu quase nada. E ainda fez um ou outro bom cruzamento. 7
Danilo: falhou no pênalti, foi precipitado. Típico de início de temporada. 5
Leo: excessivamente faltoso. Podemos atribuir à mesma razão, pelo menos por enquanto. 6
Armero: anta suprema. Tomou um baile do tal de Flavinho. 3,5 (ah, esqueci que saiu andando com displiscência. ZERO)
Pierre: assim como Leo, fez muitas faltas, e quase foi expulso. Mas foi importantíssimo para segurar a armação do time sem nome, já que esse nosso setor estava uma bagunça. 7,5
Marcio Araujo: continua completamente perdido. Mas se demos tanto desconto por ser início de temporada, vamos pegar leve com ele também. 5,5
Deyvid Sacconi: ficou preso na forte marcação, principalmente de Marcos Assunção. Arriscou errado e deu sorte, deixando seu gol. 7,5
CleitonX: fraco com a bola rolando, essencial com a bola parada. 8
Diego Souza: anulado taticamente, manteve a pegada durante o jogo todo, salvando a pátria no final. Ah, se tivesse tido essa atitude nos jogos importantes do ano passado… 8
Robert: outro que perdeu muitas jogadas por falta de arranque e de tempo de bola. 6
Lovinho: vai preenchendo as lacunas do elenco, e não dá a menor pinta de que vai aproveitar a chance. 5
Eduardo: jogou 15 minutos, não fez nada de mais – mas o suficiente para ter sido melhor que o Armero. 5,5
Muricy: demorou um pouco para mexer – mas cá entre nós, olhando pro nosso banco, não tinha muito o que fazer. Gostei da reclamação acintosa em cima da arbitragem ao final. 7

16 de janeiro de 2010

Palmeiras 5×1 Mogi Mirim

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 20:44

Iniciando mais uma temporada, o Palmeiras venceu o vento, que também atende por Mogi Mirim, por 5×1. O jogo serviu para iniciar um trabalho de reaproximação com a torcida, depois da grande decepção que foi o último final de temporada; para apresentar a primeira leva de reforços, Léo e Marcio Araújo; e para começar a dar ritmo de jogo para os atletas, enquanto todos ainda esperam pela chegada de mais reforços.

Antes da bola rolar, um surpreendente coro contra Diego Souza, advertindo-o para ter respeito com a camisa do Verdão. Vindo de quem tem fama de bater em jogador, a manifestação soou mais do que ameaçadora, dificultando ainda mais a situação de quem está trabalhando para trazer novos valores para o time. Pra variar, o Palmeiras luta antes de tudo contra si mesmo.

A bola rolou, e a falta de ritmo era gritante. O Mogi, com mais tempo de treino, prevalecia nas disputas de bola, e levava perigo quando aproveitava os espaços nas costas de nossos laterais. Era evidente a falta de sintonia com os dois volantes no trabalho de cobertura. E Marcos teve trabalho.

Mas a diferença técnica era brutal, e mesmo fora de forma e sem ritmo, o Palmeiras já levava mais perigo, até que aos 30, numa falta batida pela esquerda por CleitonX, Diego Souza surgiu por trás da zaga e, com estilo, cabeceou forte para o fundo do gol, abrindo a contagem da temporada 2010. Um belo gol.

A jogada desarmou a torcida, que já ameaçava uma cornetagem. E logo em seguida, Diego expulsou o tal de Baraka ao lhe dar um chapéu a la Sandro Silva na lateral da área, sofrer a falta e forçar o segundo cartão amarelo. E o vento, que já era fraquinho, já não soprou mais nada.

E não demorou muito pra sair o segundo gol, numa boa enfiada de bola – não vi quem foi – para CleitonX pela esquerda, ele levou para o fundo e cruzou para trás, rasteiro; Léo chegou na corrida e já marcou seu primeiro gol com a camisa do Verdão. E vibrou muito.

Muricy mexeu no intervalo, trocando William por Deyvid Sacconi. No início do segundo tempo, o time pareceu sonolento, inclusive na marcação, permitindo chegadas perigosas do Mogi. Na primeira delas, Marcos fez uma das maiores defesas que eu já vi em estádio, numa cabeçada à queima-roupa, da linha da pequena área. Pena que logo no lance seguinte, nem São Marcos deu jeito, e em nova bola levantada na área – cruzamento sem marcação – o Mogi descontou.

O Palmeiras não deixou nenhum fantasma se criar e rapidamente abriu a vantagem, numa falta cobrada com perfeição por CleitonX: ela beijou o travessão, bateu no goleiro e se ofereceu para Robert, que estava no lugar certo para conferir o terceiro e cumprir o papel do atacante do Palmeiras num jogo contra time pequeno no Palestra: tem que deixar pelo menos um lá dentro.

Aí virou treino, e com naturalidade o Palmeiras fez mais dois, graças ao talento de Diego Souza: no primeiro, ele recebeu pela esquerda, entrou na área, cortou o zagueiro pra dentro e fuzilou, marcando seu segundo gol no jogo e calando de vez o corinho que o ameaçou no início do jogo. E em seguida invadiu a área novamente pela esquerda, tirou o zagueiro pra dançar, quase perdeu a jogada mas contou com a burrice extraordinária do adversário, que cometeu o pênalti de forma bizarra. CleitonX foi premiado com a cobrança e com seu primeiro gol no ano, fechando o placar.

Muricy ainda promoveu a entrada de Gualberto no Danilo e Wendel no Figueroa, provavelmente por cansaço. Taticamente não houve muito o que notar a não ser a total falta de entrosamento entre os volantes e os laterais. Diego Souza, jogando próximo ao gol, é letal, apesar da zaga do vento ser como o vento. Valeu como estréia, como aquecimento. Que ninguém se empolgue demais. Mas é fato que meter cinco é sempre digno de reconhecimento, goleadas sempre devem ser elogiadas. Se ganhasse só por 2×0, todos sabem, choveriam críticas, diriam que é obrigação – e de fato seria.

E que venham os reforços.

Atuações:
Marcos: uma defesaça-aça-aça, daquelas de videoclipe. DEZ
Figueroa: desceu bastante ao ataque, muitas vezes sem cobertura. Acertou quase todos os cruzamentos. 8
Léo: estréia tranquila, e ainda meteu um bonito gol, em jogada de atacante. 8
Danilo: xerifão, nem parece que chegou ano passado. Parece que tem dez anos de casa. 8
Armero: continua o mesmo. Nem vou cornetar muito pra não parecer pegação no pé. 6,5
Pierre: a raça de sempre, e até arriscou algumas descidas, dada a fragilidade do adversário. 7,5
Marcio Araujo: mostrou segurança no passe, não se afobou, e cobriu os espaços bem pelo meio. Busca o entrosamento. 7
William: foi o que mais deixou a desejar. Perdido pelo lado esquerdo, não conseguiu engatar nenhuma jogada interessante. Muricy fez bem em sacá-lo. 5
CleitonX: voltou com tudo. Duas assistências, uma na trave que deu em gol, e deixou o seu de pênalti. 9,5
Diego Souza: acabou com o pobre Mogi. Dois gols, sofreu o pênalti, expulsou um jogador deles e ainda não caiu na pilha da arquibancada. DEZ
Robert: não é aquele NOVE-NOVE que precisamos, mas quebra o galho. Fez um, marcou outro que foi anulado por impedimento, e ainda quase derrubou o travessão no fim do jogo. Foi o retrato do Palmeiras no início de temporada: fez até mais que a obrigação, mas sem empolgar. 8,5
Deyvid Sacconi: é muito mais objetivo e perigoso que William. Nesta fase inicial, enquanto não chegam os reforços, tem lugar no time titular. 7,5
Gualberto e Wendel: entraram no fim, algumas jogadas com bastante vontade. S/N
Muricy: arroz-com-feijão correto, fez a mexida certa no intervalo, vai trabalhando bem com o que tem. O time chutou bastante a gol – apesar de ser contra o vento, já é uma evolução em relação ao jogo de espera do ano passado. 7,5

19 de novembro de 2009

Grêmio 2×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 10:06

Ainda dá!!! [/ironia]

O pior é que, matematicamente, ainda há chances. Mas só quem não faz a lição de casa é o Palmeiras. O Galo também costuma pipocar no fim, ainda mais com o técnico que tem. E talvez por isso ainda possamos sonhar com uma vaga na Libertadores, quem sabe até uma vaga direta. Mas o título, mesmo com as chances matemáticas, agora acho que não há quem acredite. Querem saber? Ainda bem. Tão ruim quanto saber que éramos carta fora do baralho era ver um monte de palmeirenses com o coração sangrando, e tentando acreditar no inacreditável.

O jogo de ontem foi uma ilustração perfeita deste fim de campeonato do Palmeiras, com exceção de um jogador: Diego Souza. Ele voltou a ser o grande jogador que sabemos que ele é. Bastou colocar Deyvid Sacconi ao seu lado, para encurtar os passes e dividir um pouco a marcação. Com Deyvid a seu lado, ele pôde até jogar um pouco mais perto do gol e arriscar algumas finalizações. E no lance mais bonito do jogo, ele matou a bola, cortou para dentro, viu os atacantes marcados e tentou colocar a bola no ângulo. Admito que saí da minha posição blasé vendo o jogo estiradão no sofá com uma lata de cerva na mão e me levantei para gritar gol, mas a bola, sacanamente, se manteve irredutível e não quis entrar.

A boa atuação de Diego Souza deveu-se à presença de Sacconi, mas não pelo que o menino fez em campo. Ele até que tentou acelerar a partida, mas seu porte físico ainda não permite que ele aguente os trancos de um jogo normal – calculem o de um jogo contra o Grêmio no Olímpico. Mas era o que tínhamos. Até os 20 minutos, só deu Palmeiras, e  rondamos o gol dos caras com alguma consistência, o gol era um detalhe, como disse um dia Parreira. Mas o Grêmio intensificou  marcação no miolo e perdemos o momento, o jogo voltou ao equilíbrio e ao marasmo do duelo infrutífero no meio de campo.

Douglas Costa, meia habilidoso, foi o primeiro a exigir algo de Marcos, num chute cruzado, quando já tinha ficado claro que a mina de ouro do Grêmio era pela esquerda, sobre os avanços de Figueroa e sobre o atrapalhado Mauricio. No último momento do primeiro tempo, mais um castigo – parece que o destino matou o Palmeiras este ano com requintes de crueldade: cruzamento da esquerda, Obina falhou na tentativa de corte, Maxi Lopez matou a bola levantando o pé quase na cabeça de Mauricio, que em vez de projetar o corpo e impedir a progressão do argentino, abaixou a cabeça e provavelmente fechou os olhos. Lopez agradeceu e tocou para o gol, Marcos ainda fez uma grande defesa, mas não tinha ninguém no rebote e o zagueiro deles empurrou pra dentro.

Aí vem o lance que acabou com tudo: na saída para o intervalo, Obina e Mauricio, os dois culpados pelo gol, não suportaram a frustração. Em peladas, em campeonatos universitários, e principalmente na várzea, isso até pode acontecer. Mas não num ambiente profissional. Não onde os salários de um mês são mais do que um torcedor médio consegue somar em um ano. Muito menos numa rodada decisiva, apenas alguns dias depois que dois bambis também resolveram discutir a relação em público e foram punidos. Será que ninguém comentou com o elenco que isso jamais poderia acontecer conosco?

Poderia até ser objeto central da discussão, mas acho que já viramos essa página: quando André Dias e Hugo se hostilizaram, foram advertidos com o amarelo. Heber certamente não viu o entrevero entre Mauricio e Obina, já que estava conversando com Marcos, que reclamava do pé alto de Maxi Lopes. Deve ter sido orientado pelo celular no intervalo. Voltou e deixou o Palmeiras com nove.

Aí já era. O segundo tempo foi apenas para cumprir o compromisso com os patrocinadores e com a televisão. Diego Souza tomou a frente e reorientou rapidamente seus sete companheiros de linha. Formaram-se duas linhas de quatro, e as tentativas de empatar e virar seriam em lances fortuitos, em bolas paradas, ou até cavando pênaltis caso alguém conseguisse entrar na área. Foi um segundo tempo digno, de bastante luta e vergonha na cara. Mas o suficiente para ver que mesmo assim Marcão e Armero são dois incapazes. Maxi Lopez recebeu uma bola e passou como quis pelos dois, pelo meio deles, “como uma faca na manteiga”, tirou Marcos e concluiu. Marcão ainda fez questão de deixar claríssima sua incapacidade, e fechou o gol para defender a bola, mas apenas resvalou nela e pôs pra dentro.

Muricy assistia a tudo, atônito, resmungando uma série de palavrões. Não havia o que fazer. Não naquele momento. Mas isso merece um capítulo especial. No fim do jogo, duas declarações à beira do gramado: Marcos, jogando a toalha, o que era meio óbvio; e Danilo, dando eco a declarações anteriores de Marcos, de que tem gente que não está correndo. Deu pra ver a indignação no rosto do nosso zagueiro, cujo contrato acaba em dezembro.

Serão dois melancólicos jogos até o fim desta fracassada temporada. O mundo não vai parar de girar, e temos que decidir o que queremos da vida. O próximo projeto é a Libertadores. Mas primeiro é preciso estar nela. Depois, pensar com que roupa vamos. Ou com que jogadores, e com que técnico. Até mesmo com que diretoria. Tudo deve ser minuciosamente pensado. Assunto para os próximos posts, já que teremos dez dias sem jogo para isso.

***

E Mauricio e Obina? Ouvi dizer até que já foram afastados do elenco. Juro que eu não consigo sentir raiva dos dois. A reação deles foi de extrema frustração, coisa de quem estava com muita vontade de vencer. A energia foi mal administrada. Atitude não-profissional. Burros! O afastamento, se confirmado, é o mínimo. Multá-los nos salários pode até ser uma punição a ser considerada.

Mas admito que não sei se eu teria sido muito mais inteligente e profissional no lugar deles naquele momento.

Atuações? bah…

12 de novembro de 2009

Palmeiras 2×2 Sport

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 0:48

O Palmeiras começou o jogo muito aberto, muito vaca louca, e ainda cometeu erros básicos de marcação. Tomou dois gols, e mesmo desesperado, mesmo desarrumado, ainda buscou o empate. O que era para ser um jogo extremamente fácil, contra um adversário rebaixado e sem a menor motivação, se tornou difícil por causa da absoluta falta de preparo emocional do time, que ainda tem peças que deixam demais a desejar no aspecto técnico, e que não têm nenhuma raça.

O primeiro gol foi uma gracinha. Após boa tabela pelo nosso lado direito, Dutra recebeu de Wilson e cruzou para Arce, que estava no meio de Mauricio e Armero, livrinho, e abriu o placar. Mauricio não tinha que ter saído, e Armero, ao ver Mauricio sair, tinha que ter feito a cobertura. Ridículo.

Quatro minutos depois, ficou pior: com nossa defesa ainda atônita por ter levado o primeiro gol, outro contra-ataque: Figueroa perdeu a bola, Adriano conduziu e enfiou para Wilson, que recebeu na entrada da área. Souza e Armero nele, os dois não muito bem posicionados, mas mesmo assim em condições de cercarem o infeliz. O colombiano, o cara mais burro do mundo, passou lotado. Marcos, desesperado, saiu da meta sem precisar e ofereceu o gol para o atacante do Sport, que ainda não teria muito o que fazer caso nosso goleiro tivesse ficado lá atrás.

Aí, com 2×0, a coisa ficou feia. O Sport fez o óbvio, ficou fechadinho atrás e se armou para o contra-ataque. Mas é um time ruim demais. E o Palmeiras foi pra cima. Diego Souza, sozinho, sem ninguém encostado, tentava, mas perdia. Obina e Ortigoza esbarravam na limitação técnica. Mesmo assim, na vontade, o paraguaio ainda meteu uma na trave. E ainda tinha as bolas paradas. Num escanteio, Figueroa meteu na cabeça de Danilo, uma pedrada que Magrão só conseguiu defender parcialmente, ela foi na trave de novo e saiu.

Com Souza amarelado, Muricy colocou Pierre em seu lugar. Sacconi também entrou, no lugar do Sandro Silva, e encostou no Diego. Aí deu jogo. Tava na cara que ia funcionar. O Verdão forçou muito. A melhor chance foi com Edmilson, que furou uma cabeçada dentro da pequena área, sozinho. Muricy então o tirou do jogo e colocou Marquinhos. E o gol saiu: Diego Souza coordenou a jogada e meteu pra Ortigoza, que fez o pivô, com muita luta, a la Kleber, e meteu pra Sacconi, que chutou forte, de pé direito, diminuindo aos 26.

O Palestra se incendiou, mas o time curiosamente não correspondeu. O Sport, obviamente, recorreu a toda a cera do mundo, e esfriou o jogo. Parecia que não ia sair, até que Armero meteu uma segunda bola na área. Danilo, em condição legal, matou, girou, coçou o saco, ligou pra patroa pra dizer que tava tudo bem e daí fez o gol. Não deu pra ouvir na transmissão da Bandeirantes, mas apesar de não haver impedimento, o juiz parece ter apitado, mesmo que fraquinho. Surpreso com a corrida do bandeira para o meio, ficou apavorado e deu o gol. Tava na cara que o juiz ia ajudar o Palmeiras hoje, como se isso fosse pagar o escândalo de domingo…

O Palmeiras ainda teve dez minutos para a virada, tentou, mas muito fraco, sem força mental para esmagar um time rebaixado com um a menos. E ficou nisso. Palmeiras líder, mas podendo cair para quarto lugar ao fim da rodada. Um papelão.

A psicóloga do Palmeiras deve ser a mesma do Rubinho Barrichello.

Marcos, ao final do jogo, perguntado sobre o que o torcedor poderia esperar, soltou a pérola: “Já não vou prometer mais nada. Toda vez eu prometo que o time vai lutar, mas tem uns aí que não lutam. Então eu só posso prometer que EU vou lutar muito”.

Atuações:
Marcos: no pior momento do jogo fez duas ótimas defesas. Mas falhou no segundo gol, a saída foi tola, desnecessária. E fez declarações estúpidas no fim do jogo. 5
Mauricio: comete erros básicos. Metade da culpa do primeiro gol, foi dele. 3
Edmilson: uma lesma. tem a desculpa do ritmo de jogo, mas num jogo decisivo isso tem que ser superado. Mal tecnicamente, mal taticamente. 1,5
Danilo: saiu ileso. Jogou muito bem, tanto na defesa quanto no ataque, como finalizador. Liderou o time em campo e ainda deixou mais um. 9
Figueroa: fez bem seu papel de cruzador de bolas. Podia ter encostado um pouco mais no Diego no primeiro tempo. 6,5
Souza: muito nervoso, foi engolido pelo tal de Adriano. 4
Sandro Silva: praticamente não pegou a bola. Foi tão bem domingo, e se escondeu hoje. 3
Diego Souza: o esquema o deixou na mão de novo. Dessa vez ele não se escondeu, tentou muito, mas estava sempre isolado. No segundo tempo conseguiu render mais, iniciou a jogada do primeiro gol. Mas não foi o cara pra fazer a diferença. 6,5
Armero: desisto de cornetar essa múmia. 3
Obina: é um lutador. Esbarra em sua ruindade. Mas eu prefiro ter um grosso brigador que um boleirão estrelinha. 6,5
Ortigoza: junto com Danilo, o melhor do time. Se tivesse metade do crisma do Kleber seria ídolo. Já aprendeu a xingar o juiz em português direitinho. 9
Pierre: sozinho na frente da zaga fez mais que Souza e sandro Silva juntos. É verdade que o Sport já não saiu tanto. Mas se saísse, lá estava MONSTRO PIERRE. 8
Deyvid Sacconi: al;em do gol, permitiu que Diego voltasse pro jogo. Teve um momento do jogo em que ele estava participando da jogada de ataque e marcando perto da área de defesa, tudo em questão de segundos. E fez o seu. 8,5
Marquinhos: a cartada decisiva de Muricy, que quase deu certo. Mesmo assim, ainda erra uns lances por pura displiscência. 4
Muricy: armou o time muito mal, Edmilson não sabia se era zagueiro ou volante. Nos bons tempos ele jogava por dois, fazia as duas. Hoje, não fez nenhuma. Era jogo pro Sacconi sair jogando. Não entendo como é que ele não fica incomodado em ver o Diego Souza tão isolado, logo ele que foi meia, e dos bons. 2

9 de novembro de 2009

Fluminense 1×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 11:01

O post será telegráfico, na medida da vontade que eu estou para falar sobre Palmeiras e sobre futebol em geral.

O time começou jogando bem, controlando o ímpeto do Fluminense. As principais chances do início do jogo foram do Palmeiras, com Vagner Love, que disputou uma bola na área e por pouco não finalizou com totais condições; Figueroa também teve uma ótima oportunidade num chute cruzado; e Obina cabeceou bem numa bola dividida na área. O Fluminense também teve suas chances, mas parecia estar correndo muito mais, e acumulando desgaste para o segundo tempo. Por estar correndo mais, os cariocas davam espaços na retaguarda, e o Palmeiras parecia estar muito mais próximo do gol que o time da casa.

E estava: cruzamento de Figueroa, Obina se antecipou a Maicon e abriu o placar para o Verdão. Foi quando o principal personagem do campeonato resolveu se manifestar: a arbitragem, mais uma vez. Carlos Eugênio Simon, o rei do apito, o cara que faz o que quer e vai a Copas do Mundo, ele foi emblematicamente escolhido para ser o agente da operação que tirou o Palmeiras da liderança deste campeonato. Estudiosos em linguagem corporal podem falar mais a respeito, mas quando a bola beija a rede, ele dá um passo para a direita, em direção ao meio do campo. Rapidamente, arrepende-se, e marca o que ninguém viu, anulando o gol. Isso corrobora com a tese levantada pelo professor Belluzzo em excelente entrevista ao Salata. É vigarista sim, como toda essa comissão de arbitragem. Ainda esta semana, prometo, contarei uma história que eu acompanhei pessoalmente, sobre bastidores de arbitragem neste país.

A anulação do gol pesou no emocional do time, como no jogo no ABC há três semanas. O time não jogou mais nada no primeiro tempo, e nem o intervalo serviu para que o time respirasse fundo e voltasse para um jogo que ainda estava empatado e o adversário era inferior, e já estava mais cansado. Isso sem falar nos três meses de salários atrasados. Ainda era o cenário para retomar a liderança.

O Fluminense jogou pedrinha. Não fez nada que o credenciasse à vitória. Aos 15 minutos, um escanteio e o gol de cabeça de Fred, onde falharam Mauricio e Bruno. Mas isso foi apenas um detalhe do jogo. Porque se o Fluminense jogou pedrinha, o Palmeiras foi pior ainda. E podemos apontar três jogadores fundamentais: Diego Souza, acometido do mesmo mal do Bruno Daniel, apatia e a inaceitável brincadeira de esconde-esconde; Vagner Love, com quem definitivamente perdi a paciência, que vem perdendo gols e, talvez sentindo a responsabilidade, tenta resolver as jogadas sozinho, e obviamente as erra; e Armero, que pode ser um cara cheio de vontade, mas é extremamente burro, sacrifica uma quantidade enorme de jogadas por causa de decisões erradas que toma. Não se trata da limitação técnica. É falta de capacidade intelectual mesmo.

Claro que Marcão também andou dando suas entregadas, que Souza nem de longe mostrou o brilho das partidas iniciais desde que se tornou titular, que a zaga deixou livre justamente o Fred, que é um finalizador de enorme qualidade, e que o Bruno foi com a mão meio esquisita na bola. É verdade também que Muricy, embora tenha demordo para mexer no esquema tático, o fez de forma correta, desistindo das bolas alçadas que não estavam dando resultado – Gum tinha liberdade para aplicar ippons em quem achasse que devia – e formando uma linha de quatro na retaguarda, e lançando Sacconi para tetar ajudar Diego a voltar para o jogo. Mas cadê a capacidade de reação? Cadê a pegada? Cadê o time com vontade de destruir o adversário? Será que é aceitável constatar que a atuação da arbitragem causa tantos estragos assim? Será que o roubo justifica a apatia?

O campeonato, na teoria, está aberto. Na teoria. Porque na prática, as coisas que a gente vê, a despeito da má atuação do time, fazem a gente repensar não o amor pelo Palmeiras, mas o tempo que se gasta dedicando nossas vidas para um passatempo chamado futebol. Tenho certeza que minha família queria que eu tivesse o domingo com elas. Estou me sentindo um idiota.

Atuações:
Carlos Simon: Um gol legítimo de Obina anulado; um pênalti não marcado sobre Sandro Silva, outro sobre Danilo, e outro sobre Vagner Love. DEZ!!!

8 de novembro de 2009

Dia de decisão no Rio

Arquivado em: Jogos — conrado @ 0:18

Amigos, acessem este post durante todo o domingo, e também o nosso twitter. Haverá atualizações constantemente, na medida do possível, na tentativa de fazer vocês se sentirem indo ao Maracanã conosco, com textos e imagens.


Já encontramos o pessoal da organizada no pedágio…


Tá todo mundo confiante!


Parada básica pra dar uma mijada e tomar um lanche. Metade do caminho já foi.


Já no Rio, a caminho do Maraca.

Abaixo, as primeiras imagens direto do Maraca.

1 de novembro de 2009

Palmeiras 2×2 Corinthians

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 23:50

Diante das circunstâncias, foi um bom resultado. Para os objetivos no campeonato, foi pouco. Em mais um clássico no Paraguai, o Verdão empatou com a gambazada em 2×2, e o resultado foi apenas suficiente para manter o time na liderança, empatado com o bambi, com 3 gols a mais de saldo. Jogando com um a menos desde o fim do primeiro tempo, dá pra aceitar.

O Verdão entrou todo de branco, para obrigar o adversário a jogar todo de preto, num jogo que na real foi às 3 da tarde numa cidade extremamente quente. Detalhes que poderiam fazer – e quem sabe até fizeram – a diferença, para que o placar não fosse pior.

No 3-5-2, ainda com os desfalques de Pierre, Mauricio Ramos e CleitonX, o time começou o jogo fazendo o que bem entendia. Vagner e Obina parecem estar entrando em acordo um com o outro, e por algumas vezes Obina foi lançado em condições, ou quase, de meter pra dentro. Ou estava impedido por centímetros, ou a bola era um pouquinho mais forte do que devia – enfim, por algumas vezes apenas o detalhe impediu o Verdão de abrir o placar. A defesa gambá, desprotegida, era um convite à festa, principalmente em cima de Balbuena.

Mano acertou a marcação lá pelos 25, e o jogo voltou a ficar equilibrado, e truncado no meio. O Palmeiras já vinha fazendo esse papel de amarrar o meio desde o início. Quando a imundície resolveu fazer o mesmo, o jogo ficou pau a pau e muito feio, e qualquer lance de gol só poderia sair num lance isolado.

E foi o que ocorreu. Defederico, surpreendentemente solto, achou Jorge Henrique por trás da zaga. Mauricio Nascimento deu condição e levantou o braço. Jorge Henrique driblou Marcos, que na saída do gol tocou nas pernas do atacante gambá. Heber meteu na cal e expulsou Marcos. A baleia cobrou bem, no ângulo de Bruno, que entrou para o sacrifício de Obina.

Com o final do primeiro tempo, as perspectivas eram terríveis. Perdendo o Derby, com um a menos, e vendo a liderança sumir depois de 300 rodadas, bem na reta final, e justamente para o bambi. Era demais.

Muricy ainda fez outra mudança antes da volta para o segundo tempo: colocou Marquinhos no Marcão, e o time voltou a ficar com dois zagueiros. Assim, Muricy abriu mão de que os laterais continuassem forçando pelos flancos para conseguir os cruzamentos, já não havia mais uma presença constante na área, e passou a tentar achar um buraco na zaga gambá forçando através do toque de bola.

Só que não foi assim que o Verdão chegou ao empate. Numa falta pela esquerda, Figueroa colocou na marca do pênalti, e Danilo se antecipou ao goleiro e guardou, explodindo a torcida do Verdão. E pela nova configuração do jogo, embora mostrasse uma vantagem numérica para a imundície, não dava muita pinta de que correríamos grandes riscos.

Mas novamente Defederico aproveitou uma liberdade e enfiou para a baleia por trás da zaga. Todo mundo levantou o braço. Bruno saiu pra fechar o ângulo, e todo mundo acreditou que ele o faria, menos Free Willy, que deu um drible de corpo, conseguindo prolongar o movimento, e tocou no único espaço em que a bola entraria. Bruno falhou, fato. Mas já quero desde já repudiar qualquer tentativa de crucificá-lo. Tenho convicção que esse gol só se toma quando se é muito ruim, ou quando não se está ritmo de jogo. Bruno já mostrou a todos que está longe de ser ruim. Trata-se de um grande goleiro que não estava numa sequência de partidas, e por isso cometeu uma falha.

A vaca caminhava para o brejo a passos largos. Diego Souza, Marquinhos e Vagner, um trio de bastante habilidade, passava longe de exibir qualquer inspiração capaz de envolver a zaga gambá. E ainda com um a menos. Até que Diego Souza sofreu uma falta na intermediária, pela direita, longe. Figueroa levantou com muita precisão, e Mauricio Nascimento se recuperou da falha no primeiro gol, conseguindo uma cabeçada belíssima, no cantinho de Fiiiiiiiliiiipiiiiiiii. O Verdão chegou ao empate a 6 minutos do fim. Mauricio não ficou com o menor receio e subiu no alambrado pra comemorar com a galera.

A imundície ainda buscou a vitória e esteve mais perto do que nós, mas perderam a bola do jogo com Dentinho. E assim o Verdão ampliou para sete a sequência de Derbies sem perder, com cinco vitórias e dois empates, 12 gols marcados e apenas 3 sofridos. Como o próximo confronto deve ser em fevereiro ou março, pelo Paulistão, provavelmente na Bolívia, deveremos atingir 40 meses sem perder praquilo lá. E cá entre nós: com nosso trio de criação e ataque jogando tão mal, se não ganharam hoje, não sei quando isso vai acontecer.

A vitória do Fluminense sobre o Cruzeiro foi um resultado muito ruim para nós. O Fluminense, em caso de derrota hoje, provavelmente jogaria a toalha e já começaria a pensar na preparação para a série B. Mas o triunfo, ainda mais do jeito que foi, no Mineirão, dá uma injeção de ânimo nos cariocas que seria preferível que eles não tivessem, embora devam virar o foco para a partida na Argentina pela Sulamericana no meio da semana. Por outro lado, as meninas, depois de enfrentarem um Barueri tão surpreendentemente desfalcado, vão a Porto Alegre enfrentar o Grêmio, que até agora não perdeu de ninguém no Olímpico.

***

Serviço de utilidade pública: irei a Porto Alegre a trabalho durante a semana, e se alguém quiser que eu leve alguma coisa, tipo uma mala ou algo do gênero, pra alguém de lá, estou à disposição. Não deixem de fazer a entrega.

Atuações:
Marcos: não foi exigido até o lance do pênalti, que ele poderia até ter evitado. Mas é uma decisão muito rápida. 6,5
Mauricio Nascimento: deu espaço para Jorge Henrique no primeiro gol, mas compensou com o golaço salvador no final. 7
Danilo: teve o timing perfeito após a expulsão de Marcos. Seria muito difícil até para o Heber expusar mais um do Palmeiras tão rápido, e deu no meio do baixinho, que não fez mais nada no resto do jogo. E ainda guardou um no segundo tempo. 8
Marcão: um perigo no mano a mano com a rolha de poço. Mas não chegou a comprometer. 7
Figueroa: com a bola parada, já supriu a ausência de CleitonX. Como cruza bem. Já com ela rolando, nem tanto. Pelas duas assistências, 9
Jumar: continua sendo o velho Jumar que dá medo em todo mundo. Defederico agradece. 4
Souza: encarou o espírito do Derby, e mesmo jovem, foi pra porrada. Fez a sua parte. Na hora de jogar bola, entretanto, não parecia muito focado. 5,5
Diego Souza: apagado, tentou uma ou outra jogada de força. Numa delas, podia ter passado a bola, mas sentiu que deveria insistir e perdeu. Faz parte. Tirando essa jogada, mais nada. 4,5
Obina: sempre bem colocado, constituía um perigo enorme pra defesa da imundície. Era inclusive a referência para o jogo de Vagner fluir. Infelizmente foi sacrificado com a expulsão de Marcos. 6,5
Vagner: enquanto tinha Obina a seu lado, era bastante lúcido e perigoso. Com sua saída, ficou completamente perdido. 5
Bruno: falhou no segundo gol e assstiu as outras bolas saírem. 4
Marquinhos: boa tentativa de Muricy de afunilar o jogo, mas ficou na marcação. 5,5
Ortigoza: entrou no final e teve poucas chances. S/N
Muricy: as jogadas de bola parada vêm dando resultado, méritos dele. A tentativa de ir pra cima com um a menos foi corajosa, embora não tenha funcionado. Mas o posicionamento da defesa, a proteção da zaga e a coordenação de quem pega quem, ainda está muito confusa. Volta logo, Pierre! 6,5

30 de outubro de 2009

Palmeiras 4×0 Goiás

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 9:34

Por essa ninguém esperava. Tínhamos fé que esse tempo extra que o Palmeiras teve para treinar seria útil, que a mudança na postura tática seria benéfica, que os boatos estúpidos lançados por aí serviriam para deixar o grupo com mais sangue no zóio… Mas quatro a zero, com três de Obina, ninguém esperava.

Ou melhor: tem um cara que esperava. Meu amigo Toninho. Em nossa lista de e-mails durante o dia, diante da descrença de muitos, inclusive deste aqui, ele cravou: “vai ser 4×0″. E pior: disse que seriam 3 do Obina, para gargalhada geral. São 90 testemunhas.

A entrada para o jogo foi cercada de muita, muita apreensão. Todos estavam muito conscientes que era jogo de vida ou morte. Se perdesse, adeus – nem tanto pela pontuação, mas pelo moral do time, que seria esmigalhado. Encontrei o Toninho mais o Roberval e o Victor no clube antes do jogo e fomos para a arquibancada. Toninho, esbanjando confiança. Impressionante.

O jogo começou bom. No 3-5-2, o Verdão usava e abusava dos alas, que corresponderam. A defesa do Goiás, composta por três jovens cuja média era 20 anos, dava pinta que se forçasse, eles confessavam. E o Verdão foi pra dentro. Na primeira boa jogada, Obina foi ao fundo e cruzou para Ortigoza, que preferiu dominar e deu tempo para a recuperação do zagueiro. No escanteio, Ortigoza bateu firme, e ela saiu rente.

O Goiás, por sua vez, forçava as bolas enfiadas para Iarley. Nossos três zagueiros não entraram num acordo sobre quem o marcaria, e com muita movimentação, principalmente sobre Marcão, ele pintou e bordou. Com a aproximação de Fernandão, foi sempre um atacante muito perigoso. Nas bolas aéreas, o Goiás também ofereceu bastante perigo. Mas o Palmeiras ainda teria mais duas ótimas chances, com Diego Souza, que estava bastante marcado, mas conseguiu uma boa arrancada e bateu da entrada da área, rente à trave esquerda de Harlei, e numa cobrança de falta, que beijou a forquilha.

Perto dos 30, o lance decisivo: Edmilson sentiu a coxa e foi substituído por Sandro Silva. O time mudou muito. Sandro Silva, que havia treinado no time titular durante boa parte da semana, foi muito mais presente e foi preponderante no domínio definitivo do meio-de-campo. Por várias vezes se deslocou para a direita e trocou com Figueroa, confundindo a marcação. O time engrenou.

No intervalo, Toninho admitiu, preocupado, que achava que não ia mais dar seus 4×0. Fiz uma cara de desprezo, afinal, claro que não seria 4×0, era jogo pra 1×0 suado no fim do segundo tempo. Isso se tirassem o morto do Obina, que pegou três vezes na bola.

O time voltou igual. O Goiás veio mais avançado, e estranhamente escancarou o meio. Um buraco enorme deixou o trio de zagueiros completamente desprotegido. E logo aos quatro minutos, a porteira finalmente se abriu: Souza fez o que sabe fazer melhor – roubar bolas, e teve que dividir duas vezes – pra depois fazer o que faz de pior – passar a bola, o que desta vez fez magistralmente. O passe achou Obina na corrida, na distância e na passada perfeitas. E Obina, bem mais magro, em total forma física, chegou na bola e acertou um míssil, com enorme precisão, inaugurando o placar.

Foi um grito de gol muito, muito intenso. Como há muito eu não ouvia no Palestra, apesar de mais vazio que o costume. Os dezoito mil palmeirenses que compareceram ao estádio incentivaram durante todo o primeiro tempo, como uma legítima torcida portenha. Todos os que foram compreenderam a necessidade de jogar junto com o time. E os três jogos e meio sem balançar as redes já estavam judiando demais dessa torcida. O gol libertou muito mais que um grito da garganta: tirou também um caminhão das costas de cada jogador.

O Goiás, que também está numa fase terrível, tentou se rearrumar, com a entrada de Ramalho para reforçar o meio, mas não adiantou. Muricy forçou o jogo pelas laterais, e com o apoio de Ortigoza, que correu como um maluco, e de Sandro Silva, o trio defensivo dos goianos teve que se espalhar. Assim, com bastante espaço, aos 29 surgiu a jogada do pênalti sofrido por Ortigoza, e que Obina bateu não muito bem, mas forte, dificultando a defesa para Harlei que foi certinho na bola.

O placar anunciava a vitória parcial do Fluminense sobre o Atlético, e a festa estava completa. Ou pelo menos parecia. Toninho fazia as contas, e voltou a acreditar nos 4×0. Afinal, Obina já tinha feito dois. E Muricy resolveu judiar do Goiás: sentindo o bom momento, com o jogo praticamente definido, resolveu ocupar mais o espaço na frente da zaga deles e colocou Deyvid Sacconi no lugar do Ortigoza, extenuado.

Trazendo a bola de trás, mesmo com Obina isolado, o time continuou mandando no jogo, e rapidamente saiu a tabelinha do terceiro gol, o mais bonito: de Deyvid para Obina, de Obina, de calcanhar, para Deyvid, que bateu cruzado: 3×0, aos 39. A essa altura, até eu passei a acreditar no placar do Toninho, que já estava quase chorando…

E aos 42, já aproveitando o espaço deixado pela expulsão de Rafael Toloi, pra completar a festa, o gol antológico: passe de Marcão – Marcão! – para Obina, mais uma vez na velocidade – Obina na velocidade, no fim do jogo, vejam bem – ele entrou em diagonal e tocou com extrema categoria no canto oposto. Era o quarto gol, o terceiro do Obina, e a profecia do Toninho se concretizava.

O juiz carioca, que ainda deixou de dar dois pênaltis a nosso favor, apitou o fim do jogo e o que se viu no Palestra foi uma coisa maravilhosa. Ninguém arredava pé do estádio, apesar da chuva fina que resolveu cair depois do terceiro gol. O time comemorou unido, no centro do gramado. Muricy batia no braço e no peito, e vibrava como um torcedor. A torcida, aliviada, vendo o time recuperar a liderança que, afinal, nunca perdera, e assistindo finalmente a uma boa exibição, bradava: EI, IMPRENSA, VAI TOMAR NO CU! – era a resposta para o carnaval feito nas 24 horas que durou a falsa liderança bambi, à tortura mental que foi imaginar o que aconteceria em caso de mais um resultado negativo.

O Verdão lavou a alma. Recuperou a liderança, recuperou a confiança, dos jogadores e dos torcedores. Recuperou mais da metade do saldo de gols que havia perdido nas rodadas anteriores. Ganhou um ponto em relação à vantagem que tinha no início da rodada, e ainda recuperou a condição de poder tropeçar uma vez. Com esse aumento no saldo de gols, o Palmeiras pode empatar um jogo, desde que o bambi não ganhe por cinco gols, que permanece líder. E agora são apenas seis rodadas para o final.

Como as coisas mudam rápido no futebol, hein…

Atuações:
Marcos: uma boa defesa no início, uma mais ou menos no segndo tempo, e não teve muito mais o que fazer. 8
Mauricio Nascimento: um pouco confuso na marcação de Iarley. 6,5
Danilo: preciso como sempre, e ainda tentou orientar o posicionamento. 7
Marcão: uma de suas melhores partidas. O Kleine me ligou depois do jogo, emocionado. 8,5
Figueroa: participativo, tático, coletivo. Resolvemos o problema da lateral-direita. 8,5
Souza: vinha errando todos os passes no primeiro tempo. No segundo tempo, fez a jogada iluminada que abriu a porteira. 8
Edmilson: destoou do time, mais uma vez. Não joga domingo, assim como Sandro Silva, suspenso. Deve vir Jumar ou Wendel. Mesmo se não tivesse se lesionado, deveria sair da mesma forma. 4
Diego Souza: o único que teve uma marcação mais específica, mesmo assim, foi bem diferente do jogador apático que vimos depois da maledetta convocação. 8
Armero: continua pouco inteligente, mas cada vez mais importante como opção de escape pela esquerda. E como corre! 7
Ortigoza: grande partida. Auxiliou a articulação, se desdobrando pelos dois flancos; correu, brigou, até os 15 minutos do seundo tempo, quando pregou e passou a errar tudo. Mesmo assim, ainda ficou em campo mais 15 minutos, até sofrer o pênalti. 9
Obina: tem o que falar? DEZ
Sandro Silva: deu a consistência que faltava ao meio-campo. Uma pena ter recebido o terceiro amarelo. 9
Deyvid Sacconi: foi o toque de crueldade de Muricy. Com o Goiás entregue, ele transformou uma bela vitória numa goleada impiedosa. 8,5
Robert: ficou alguns segundos em campo. S/N
Muricy: chamou o time na xinxa e deu resultado. Contou com uma dose de sorte – a contusão de Edmilson. É assim que se ganha campeonato. 8

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