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21 de outubro de 2009

Santo André 2×0 Palmeiras

Arquivado em: Jogos — conrado @ 23:41

Que angústia. A torcida do Palmeiras mais uma vez passa por uma provação que não merece. A terceira derrota seguida, mais uma vez num jogo em que os três pontos eram a coisa mais natural a se conseguir, e de novo sem marcar sequer um gol, é um castigo duro demais a esta altura do campeonato. O Palmeiras enfrentou um adversário que luta contra o rebaixamento e, como nós, encarou como o jogo da vida. Mas nos detalhes, levamos novamente a pior.

Se a diferença técnica entre os times era grande, isso foi neutralizado por três fatores: o gramado alto, que prejudicou a qualidade do passe; a contusão de CleitonX, logo após o primeiro gol do time do ABC; e o nervosismo que atrapalhou mais ainda as tentativas de trocar bolas do Verdão. Assim, o Palmeiras não conseguiu fazer prevalecer sua superioridade, e viu mais uma chance de abrir vantagem na tabela escorrer pelos dedos.

Das três derrotas, podemos dizer que essa foi a que o time jogou menos mal. Talvez por isso tenha sido a mais doída. Era nítido que o time estava correndo, se doando, tentando preencher os espaços, buscando o resultado com toda a força. Mas do outro lado tinha um time desesperado, motivado por estar sendo mostrado na televisão ao vivo, e que entrou para ganhar, e não para empatar. E que foi competente nas chances que teve, em vacilos de nossa defesa – certamente causados pela ansiedade de ter que buscar o resultado. Fosse este jogo disputado pelos mesmos jogadores, na mesma data, mas o Palmeiras vindo de bons resultados, e o placar de hoje seria bem diferente.

Muricy ainda não conseguiu fechar o espaço no meio-de-campo, a distância entre os jogadores ainda está grande, mas já melhorou, principalmente pela apresentação dos laterais para o jogo. Havia mais opções para trocar passes. Mas como erraram! A cada passe errado, a cada perda de posse de bola, a cada minuto a menos restando para o fim do jogo, era um nó a mais na garganta. Às vezes cheguei a acreditar em fatores sobrenaturais pra essa bola não estar entrando, pro time estar tão emperrado, pra trave aparecer no meio do caminho, e pros gols do adversário saírem por falhas tão estúpidas.

Não há muito mais o que opinar sobre este jogo. Apenas lamentar o curto intervalo entre o último jogo e este, quando o time precisava de mais dias para desafogar a sequência ruim. Em contrapartida, o tempo a mais vem agora. Que usem para reverter tudo o que está segurando o time. Psicologia, tática, físico, e até macumba. Tá valendo tudo para fazer o time voltar a engrenar e segurar, por sete jogos, a vantagem, que pode ser de um a quatro pontos ao fim da rodada. Tendendo a um.

Nós, da torcida, temos é que nos manter firmes. Cobrando na hora de cobrar, mas durante os jogos, apoiando sempre. Nada de protestos, como os que vimos hoje. Se bem que já era no fim do jogo e pouca coisa poderia acontecer – apesar dos inacreditáveis gols perdidos por Diego Souza e Robert.

Atuações:
Marcos: pegou bolas muito boas, e ficou vendido nos dois gols. E não abriu a boca pra falar besteira. 8
Figueroa: apareceu bem para o jogo, mas falhou em sua maior qualidade: os cruzamentos. 5
Danilo: não teve o que fazer nos gols. 5,5
Mauricio Nascimento: errou o passe no primeiro gol e pôs tudo a perder. Nervoso ao extremo, foi um dos que contagiou o grupo negativamente.  1
Armero: apareceu como nunca para o jogo, mas continua se precipitando por excesso de vontade ou pela razão mais habitual: não pensa as jogadas. 6
Souza: mais um que estava tenso, e errou praticamente todos os passes. Levou bronca do time todo no início do jogo. Depois, se aprumou. 4,5
Edmilson: parece que chora enquanto joga. Ainda disperso, embora não tanto quanto domingo. Seria intolerável. 4
CleitonX: estava sumido até sentir a contusão. Sem ele para opção de passe, houve o erro e o gol dos caras. s/n
Diego Souza: sua atitude estava perfeita: correu, gritou, comandou, conduziu – até tomar o gol. O líder do time foi a nocaute após a abertura do placar e levou o time junto. 3
Obina: magro, buscou mais jogo que o habitual, demonstrando estar fechado com o espírito do grupo. Mas não foi suficiente. Meteu duas na trave. 6
Vagner Love: mais uma vez, buscou jogo o tempo todo, nunca abaixou a cabeça, o que mais resistiu e se negou a aceitar a derrota. Mas parece que está amarrado. 7
Marquinhos: foi melhor que o displiscente Marquinhos de antes da contusão. Ficou na média do time. 5
Robert: cada vez mais nulo. O gol que errou no último lance do jogo foi impressionante. E ele até que cabeceou certo. 4
Muricy: conseguiu fazer os espaços diminuírem, mas o meio continua ineficiente. É verdade que desta vez não teve tempo de fazer treinos táticos para reverter o problema – tempo que agora ele tem a mais que os adversários. Exige-se uma solução para o próximo jogo. 5

18 de outubro de 2009

Palmeiras 0×2 Flamengo

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 19:04

A frase mais importante do final de semana foi dada por Marcos ao final da partida: “Personalidade não se treina“. Em seguida, perguntado sobre o que tinha acontecido no segundo gol do Flamengo, disparou: “Pergunte pro Robert e pro Wendel“.

A luz vermelha já estava acesa desde segunda-feira. Agora ela está piscando. O time virou o fio. Os pontos chaves do time estão falhando, e os coadjuvantes não têm como não acompanhar. É hora de um choque.

O jogo de hoje foi muito difícil, contra um time que claramente vinha numa trajetória ascendente, e que tem seus pontos fortes em grandes fases. Contra um adversário desses, só se os nossos destaques fizessem a diferença. Não foi o que se viu.

Andrade segurou seus laterais, notórios apoiadores. Nem Muricy, nem ninguém podia esperar por isso, já que nem Juan nem Leo Moura são bons marcadores – até hoje. Marcaram muito. Mas nao foram os melhores marcadores do Flamengo. Antes deles, Maldonado, Toró e principalmente Wilians foram monstros no combate a Diego Souza e CleitonX. E quando passava, Airton e Ronaldo Angelim rebatiam. Defesa que ninguém passa.

Para tentar transpor essa muralha, o Palmeiras precisaria de muita movimentação. Mas aí entra o que disse Marcos: faltou personalidade aos nossos jogadores para encarar a linha de marcação carioca e confundi-los. Vagner até que tentou, ninguém pode acusá-lo de falta de vontade: correu, movimentou-se, fez pivô, voltou pra buscar jogo, e até deu combate no meio-campo. Mas quando pegava a bola e tentava suas tradicionais arrancadas, era logo cercado por dois, e mais um na sobra. Implacavelmente.

Ora, se a marcação estava forte em cima de nossos mairoes talentos, era hora dos coadjuvantes aparecerem e fazerem a diferença nos espaços vazios. Pois nem nossos laterais, nem os volantes, nem Robert, em quem se colocava tanta esperança, mostraram a qualidade e a personalidade necessárias. São e serão coadjuvantes, pro resto da vida.

Assim, o Flamengo conseguiu criar suas oportunidades. Nada excepcional, o volume de jogo não justificaria um domínio tão grande. Mas o talento individual fez a diferença. Petkovic é um craque. Apesar de estar cercado por quatro palmeirenses no lance do primeiro gol, conseguiu proteger a bola e entrar na área, cortar para o meio e fuzilar Marcos. Mérito dele, mas também falha da defesa, que respeitou demais.

O segundo tempo foi patético. Diego Souza ainda parecia estar pensando em Dunga. Depois de hoje, pode esquecer. CleitonX até que buscou jogo, pegava a bola e estava sempre bem marcado, olhava para os lados e tinha sempre poucas opções. O mesmo se aplica a Vagner, que a partir de determinado ponto tentou resolver tudo sozinho, e foi rechaçado em todas. E o gol de Ronaldo Angelim foi o nocaute psicológico. Podia jogar até amanhã de manhã, que o Palmeiras não marcaria um gol. Nem de pênalti. A batida bisonha de Vagner Love, na piscina, refletiu todo o desequilíbrio emocional do time.

Faltam oito rodadas. O Palmeiras tem ainda quatro pontos de frente, mas está em franca decadência. É hora do choque, a única chance de reverter. O próximo jogo, contra o Santo André, teria tudo para ser daqueles pra dar tranquilidade, mas mesmo que o time goleie – coisa pouco provável – terá sido apenas uma recuperação parcial das duas derrotas sem fazer sequer um gol que sofremos esta semana. A se lamentar o curto intervalo, mais uma vez imposto pela televisão, dona do campeonato. Mais do que nunca, o Verdão precisava de um tempo para respirar.

Tentando ser frio, não existe time que não gostaria de estar na nossa posição matemática hoje. São apenas oito jogos, e ainda temos uma rodada de margem. Em futebol as coisas acontecem muito rápido, mudam muito rápido. O talento, nós sabemos que existe. A missão, dificílima, é resgatar esse desempenho técnico. Não existe tática que funcione com um time apático, sejam os reservas como em Recife, sejam os titulares como hoje.

A nossa parte, nós fizemos. Lotamos o Palestra, incentivamos, cantamos, e proporcionamos uma renda espetacular de mais de R$1,2 milhão. É querer demais pedir ao time que jogue como homens, que honrem a camisa, a torcida, e que não deixem o título mais ganho da história do futebol escapar?

Atuações:
Marcos: sem culpa nos gols, e fez boas defesas. Mas no quesito liderança vem causando vergonha. Falou algumas verdades. Mas há verdades que não podem ser ditas em certos momentos e de certas formas. Ateou fogo no elenco. Vamos torcer para que os bombeiros resolvam. 4
Wendel: até que apoiou bem, ganhou o duelo com Juan, mas cruzou mal todas as vezes. 5,5
Danilo: tenso, como todo o time. 5,5
Mauricio Nascimento: não se assustou com a presença de Adriano, que esteve longe de ser o jogador mais perigoso do Flamengo. 6,5
Armero: o de sempre: vontade infinita, inteligência nula. Pelo menos um cruzamento bom ele acertou. 6
Edmilson: o ponto de desequilíbrio do time, o pior em campo. Petkovic deitou e rolou. No final, ainda apelou em cima do sérvio, dando-lhe uma porrada desnecessária. ZERO
Souza: disparado, sua pior partida pelo Palmeiras. Nervoso, perdido, não acertou nada. 2
CleitonX: até tentou sair da marcação, mas mesmo quando se livrarva dos flamenguistas, ficava sem ter o que fazer com a bola. 5
Diego Souza: tem dois dias para esquecer a Seleção e pensar o Palmeiras. 2
Vagner: condená-lo pelo pênalti perdido seria bobagem, foi um dos menos culpados pela apresentação pífia. 5
Robert: se escondeu em campo. Desse jeito, talvez até Obina teria sido melhor opção, não fosse a multa. 1
Ortigoza e Marquinhos: entraram tarde, sem nota
Muricy: fica difícil julgar o trabalho do treinador quando os atletas não se esforçam, não fazem um jogo digno. Vai ter que chamar quatro ou cinco de canto e arrancar o toco, um por um. Principalmente do seu Marcos e do seu Diego Souza. E vai ter que quebrar a cabeça para fazer o sistema defensivo se recompor de uma vez por todas, já que desde a saída de Pierre, a maionese desandou. 5

***

A pulga que aterrisou atrás da orelha hoje: no ano passado, estávamos líderes na trigésima rodada, tomamos uma sova do Fluminense e daí pra frente foi uma sequência de vexames, que quase nos custou a vaga para a Libertadores. Depois soubemos que formou-se uma igrejinha no elenco, cheia de laranjas podres, resultado da falta de habilidade do treinador em administrar as notícias de reforma do elenco, além de não ter exercido a autoridade. Este grupo não parece estar na mesma situação. Mas que está estranho, está.

12 de outubro de 2009

Náutico 3×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 18:44

Mais uma da série “fizemos a nossa melhor partida do campeonato“, e sempre contra o Palmeiras. Por que será que essas porcarias de times resolvem jogar o que sabem e o que não sabem exatamente contra nós?

Pela primeira vez este ano o Palmeiras envergonhou seu torcedor, levou uma surra do ridículo Náutico, mas novamente contou com a sorte e viu todos os perseguidores tropeçarem na rodada, e no balanço final, diante de tantos desfalques, a contabilidade das duas últimas rodadas não foi tão ruim.

Só que uma lavada dessas é difícil de engolir. O time do Náutico é aquele que tinha onze contra sete, num jogo contra o Grêmio, decidindo a vaga de volta para a série A, e perdeu, tendo um pênalti a favor a dez minutos do fim quando estava 0×0. Nem precisamos ir tão longe: a partida que eles pipocaram para o bambi, há duas semanas, foi outra vergonha. Empatar com esse timinho, em qualquer estádio do mundo, é uma vergonha. E o Palmeiras conseguiu ser goleado.

Vamos ao jogo: Muricy montou o time com o que sobrou do elenco, diante dos oito desfalques. Muricy então armou um 4-4-2, mas esqueceu de combinar com os volantes pra cobrirem as descidas dos laterais. Desta forma, o Náutico fez uma festa nas costas de Marcão e Figueroa. Não que isso fosse causar grandes problemas, porque o ataque deles é muito fraco tecnicamente e as bolas cruzadas não deveriam causar problemas. Mas não há ruindade no mundo que consiga perder para um time tão errado defensivamente e com desempenhos individuais tão sofríveis. O primeiro gol, aos seis minutos, nasceu de uma falha de Marcos, que socou uma bola cruzada para baixo, nos pés do zagueiro do Náutico, que apenas fechou os olhos e chutou, abrindo o placar. Marcos tem essa deficiência crônica, e quase tomou o segundo gol da mesma forma, mas ele se recuperou no chute de Carlinhos Mala fazendo uma grande defesa. Nada mais que a obrigação.

O Náutico jogou como nunca, mas na verdade não foi grande coisa. Qualquer time um pouquinho mais organizado teria neutralizado as descidas do time da casa. Mas a bagunça na defesa do Verdão era tão grande que uma jogadinha meia boca deu o segundo gol ao futuro integrante da série B, em mais uma jogada nas costas de Marcão – Carlinhos Bala avançou como quis e rolou para trás para Bruno Mineiro, que completou mesmo cercado por três defensores nossos: 2×0, quando o Verdão ameaçava fazer uma pressão em busca do empate.

Era só jogar bola. CleitonX, Willians, Ortigoza e Robert têm capacidade para envolverem a fraca defesa do Náutico, principalmente se devidamente apoiados por Figueroa e até por Souza. Mas entre mortos e feridos, ninguém se salvou, não houve um jogador do Palmeiras que prestasse para nada. A esperança era uma boa mexida no intervalo, tanto na disposição tática do time, como no moral dos jogadores; e também a tradição do Náutico em fazer partidas vexaminosas. Nada disso aconteceu.

Com dez minutos, Muricy trocou Souza, um dos amarelados pelo irritante Wagner “Madonna” Tardelli, por Sandro Silva; e colocou Wendel no Figueroa, também advertido. A única diferença tática é que Sandro Silva ficou um pouco mais liberado para descer do que Souza parecia estar, e a covardia do Náutico, que tratou de esperar e se defender desde o início, dava a esperança de que algo poderia mudar.

Mas a inoperância do Palmeiras foi tão grande que até o Náutico, depois de trocar um meia por um volante, percebeu que o bicho não era tão feio, muito ao contrário, e resolveu atacar de novo. Nem precisou forçar muito para achar o terceiro gol, mais uma vez Bruno Mineiro, desta vez impedido por centímetros, isolado no meio de nossos marcadores, testar pra o gol. Marcos não foi na bola, podia ter pego facilmente – para ele – se pulasse. É o segundo jogo seguido que Marcos deixa muito a desejar no aspecto emocional, ele que deve exercer liderança sobre o elenco.

No final, o Palmeiras esteve mais perto de tomar o quarto do que de fazer o gol de honra. Marcos fez dois milagres seguidos, e garantiu… olha, não garantiu coisa nenhuma, essa é que é a verdade. Só evitou um vexame maior, pelo qual ele foi um dos maiores responsáveis.

Muito bem, hora de levantar a cabeça e respirar fundo, olhar a tabela e ver que, mesmo perdendo a chance de estar a DEZ pontos do segundo colocado, estamos a cinco, o que é uma vantagem muito boa. Entrar numas de cornetar, de pressionar negativamente, não vai levar a nada. Pensem num tenista que esta sacando para ganhar o jogo e o campeonato, está 40-0 e ele comete três duplas faltas. Pensar nos erros não adianta, temos que olhar para a frente. Tem que continuar sacando e ganhar os pontos seguintes.

A nós cabe apenas lotar o Palestra no próximo domingo, e empurrar o time contra o Flamengo, que vem embalado. Com a volta de Diego Souza, sabemos, o time é outro, a marcação sobre CleitonX tende a afrouxar, e as bolas tendem a chegar em melhores condições para o ataque, que se hoje foi uma completa decepção, esperamos que se recupere com a volta de Vagner Love.

Vamos tentar nos esquecer rápido desta porcaria de segunda-feira, e correr atrás da primeira das seis vitórias que nos darão o título deste ano.

Atuações: não tem nem o que pensar, é ZERO pra todo mundo. Inclusive para o operador de som do SporTV, que contrariou a tendência que se vê em todos os jogos, que é de valorizar a torcida adversária, e caprichou no volume da cornetinha insuportável e dos gritos patéticos da torcida do Náutico, o terceiro time do Recife. Que volte logo para a série B. Pena que não com nossa ajuda.

9 de outubro de 2009

Palmeiras 2×2 Avaí

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 7:33

Tá ruim, mas tá bom. Em termos absolutos, o empate em casa jamais pode ser considerado um bom resultado. Mas devido às circunstâncias que envolveram a partida, antes e durante, o resultado não foi de todo mau. Vamos tentar botar a cabeça no lugar e enxergar todos esses aspectos, detonar o que tem que ser detonado, mas tambem entender algumas das razões por que esse pontinho solitário pode ser considerado bem-vindo.

Foi um jogaço. Não é o nosso caso, mas para quem não torcia para nenhum dos dois times, foi um grande espetáculo. Se é que isso serve de alento.

Pra início de conversa: jogo em casa contra time pequeno, a obrigação é ganhar. Mas esqueceram de combinar com o Avaí, time de camisa pequena, mas futebol bem maior que as aparências sugerem. Recheado de jogadores sem brilho ou refugos de times grandes, mas que formam um conjunto consistente, o time catarinense veio com a clara proposta de contra-atacar, valendo-se da velocidade de Muriqui, principalmente nas costas de Jefferson.

O Palmeiras ensaiou durante a semana um 4-4-2, mas Muricy mandou um “enganei todo mundo” ao entrar de 3-5-2, com Jumar e Souza protegendo a zaga, formada por Danilo, Edmilson e Marcão. Jefferson e principalmente Figueroa se mandaram pro ataque. Obina continuou fazendo o peso de papel, e Vagner correu feito um maluco, mostrando que a parte física já está ok.

Com o campo úmido, o Palmeiras recorreu bastante aos chuveirinhos, mas também tentou várias jogadas pelo meio com Vagner fazendo o pivô, e também tentou alguns chutes de longe. Com CleitonX obviamente muito marcado, coube a outras peças fazer “o passe” para armar os ataques. Na maioria das vezes que a bola caiu no pé do Souza, ele falhou. Isso fez com que o domínio do Palmeiras fosse estéril: bola no pé, mas pouca efetividade.

Ao contrário, o Avaí, se não teve o controle da bola, teve o dos nervos: em duas bolas aéreas, um escanteio e uma falta, dois gols de cabeça na badalada melhor defesa do campeonato. No primeiro, William disputou com Marcão no primeiro pau, a bola foi na cabeça de um dos dois e foi pro gol. No segundo, falta pela direita, deixaram o zagueiro deles sozinho e ele só cumprimentou – quem estava nele era o Obina, que ficou pregado só olhando. Isso porque Eltinho perdeu um gol que até a minha vó faria no comecinho do jogo – sem goleiro, era só escolher um dos sete metros do gol que a bola entraria, ele escorou a bola pro oitavo.

A maionese ameaçou desandar. O Palmeiras teve apenas uma chance realmente boa, com Vagner que partiu com bola dominada e bateu cruzado, rente à trave do goleiro que estava batido. A torcida se enervou, a paciência tão pedida antes da partida foi pras cucuias, e até demora em passar a bola era vaiada. Marcos começou a chilicar, CleitonX não se livrava da marcação, e a casa parecia que ia cair. Até que, em mais um escanteio, quase no fim do primeiro tempo, Love pegou a sobra na pequena área e fuzilou, para o alto: 2×1.

O gol animou o time e a torcida, e o astral do estádio voltou a ficar verde. O Palmeiras voltou mais rápido do que o costume do intervalo, com duas alterações: saíram os péssimos Jefferson e Obina, entraram Willians e Robert. Assim, Marcão foi pra esquerda, e Willians ficou jogando de meia-atacante, se mexendo por todo o campo de ataque, tendendo mais para a esquerda. E a pressão foi fortíssima, tivemos duas chances claras com Robert e Marcão de cabeça, mas os catarinenses se seguraram. Usaram e abusaram da cera, como não podia ser diferente. O árbitro, complacente, não coibiu o artifício.

E tome pressão de um lado; e tome cera do outro. Sem conseguir conciliar a pressão no ataque com uma boa postura defensiva, o Palmeiras escancarou o contra-ataque pra eles. A última mexida mostra bem o desespero: Muricy tirou Souza e colocou Ortigoza, deixando Jumar como único volante. Nosso meio ficou muito fraco, e para desespero dos mais de 16 mil pagantes que pegaram chuva fina durante o jogo todo e pagaram $40 no ingresso, a tentativa desesperada era de ligação direta, com muito tempo pela frente. “Isso não é nada bom”.

Virou pelada. O nosso campo era um salão de festas, e o Avaí poderia ter matado o jogo em pelo menos três lances claros. Num deles, Edmilson era nosso último homem e caiu deitado quase sobre a risca, sem tempo de reação. A bola sobrou pro atacante deles que não chutou por cima sabe-se lá por que, e a bola foi a escanteio porque bateu no nosso zagueiro. Pelada mesmo. E numa jogada de pelada, com a defesa deles inexplicavelmente desorganizada, Ortigoza recebeu pela esquerda, errou na primeira, insistiu, ganhou a jogada, avançou, fez o breque, levantou a cabeça e cruzou; e ela foi certinho em direção à corrida de Robert, que desviou com muita felicidade, empatando a partida.

O Palestra se inflamou em busca do gol da virada, mas o time do Avaí, depois de fazer um gol corretamente anulado por impedimento em mais um contra-ataque, teve experiência suficiente para segurar a bola quando a teve, e se garantiu nas últimas tentativas de bola aérea do Palmeiras. Numa delas, Figueroa foi claramente empurrado quando tentava o cabeceio. Pênalti que o carioca Marcelo de Lima Henrique deveria ter assinalado, mas, sabem como é, melhor não…

No final, Vagner Love acabou expulso numa entrada excessivamente dura, sem necessidade. Como se não tivéssemos desfalques suficientes. no fim, empate justo, e um grande jogo de futebol. Resultado, péssimo. A torcida preferiu valorizar o empenho mostrado e a qualidade do jogo das duas equipes, e aplaudiu. Estar líder com cinco pontos de frente e derrotas dos adversários ajudam. E parabéns ao Avaí que, conforme previsto, foi um adversário duríssimo e fez muito bem sua parte

De bom: empenho durante todo o jogo, enorme capacidade de reação, comunhão com a torcida, e uma contabilidade não tão desastrosa na rodada, diante do desempenhos dos adversários.

De ruim: baixa capacidade do elenco em repor determinadas peças, descontrole emocional, perda do controle tático da partida, e a óbvia perda de dois pontos obrigatórios em casa.

Que falta faz Diego Souza!

Atuações:
Marcos
: no primeiro tempo só pegou uma bola que voltou da placa para o campo. Deu chilique entre o segundo gol deles e o nosso primeiro, e contribuiu para a instabilidade emocional do time. No segundo tempo, uma boa defesa numa falta de Marquinhos, e de resto, foi salvo pelos zagueiros e pela sorte. 5
Danilo: amarelado no início, não rendeu bem no campo molhado. 6
Edmilson: perde disputas bobas porque se atrasa. Não se sabe se por falta de atenção ou se por já estar olhando o jogo pra saber o que fazer. De qualquer forma, como zagueiro, não se pode dar esses vacilos. Salvou uma em cima da risca. 7
Marcão: se não foi ele que fez o gol contra, permitiu. Na chance de se redimir, sua cabeçada foi pra fora. Deviam trocar o 13 pelo 31, ou pelo 666, qualquer coisa. E mesmo assim não sei se resolve. 4
Figueroa: um dos melhores do time. Seus cruzamentos são de uma qualidade impressionante. No fim, caiu para o meio, para preencher o espaço, e correspondeu. 8,5
Souza: bem na marcação, lamentável nos passes. 5,5
Jumar: bastante vigor físico e presença por todo o setor, mas afobado e cometendo faltas desnecessárias, como a que originou o segundo gol. 6
CleitonX: obviamente muito marcado. Mesmo assim, decisivo na bola parada. 6,5
Jefferson: terrível. Já pedimos aqui paciência com o menino, mas admito: esgotou. 3
Obina: entrar com ele ultimamente tem sido jogar com um a menos. 2
Vagner Love: incorporou o espírito do time. Correu, lutou, marcou, partiu com ela dominada. Teria sido uma grande partida se fosse mais feliz nas conclusões e não tivesse sido expulso. Mesmo assim deixou o seu. 8
Robert: sua entrada mais uma vez mudou o jogo. Se for pra deixar ele no banco, então que se escale o Ortigoza, mas chega de Obina. Golaço decisivo. 9
Willians: importante taticamente, ajudou a abrir os espaços no segundo tempo. Ainda tentou uma boa conclusão de fora da área, quase fez. 7
Ortigoza: brilhou num momento solitário, mas decisivo. 7,5
Muricy: boa tática pré-jogo, mas apostou em peças que definitivamente não servem. Enxergou o erro e corrigiu no intervalo. Foi pra cima sem medo. Mas isso não apaga o erro da escalação inicial. 6

5 de outubro de 2009

Santos 1×3 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 0:42

Por culpa de mais mudanças na tabela, tivemos que ouvir por quatro dias que a vitória bambi quarta no Recife foi “vitória de campeão”. Coisa de menininha empolgadinha. Ganharam no Náutico e começaram a se achar. Pois precisou a tabela ser completada para que o Brasil todo visse ao vivo o que é de fato uma vitória de campeão. Os 3×1 de virada desta tarde mostraram o exato poder deste time, contra um Santos combalido, é verdade, comandado por um arremedo de técnico e aspirante a PokerStar, mas como já diria Chavão, clássico é clássico – ainda mais na casa deles. Ou melhor, “casa”, com muitas aspas, mas vamos deixar isso pro fim do post.

Muricy foi de 4-4-2, Edmilson ficou mesmo como volante, embora houvesse a expectativa de que ele pudesse se posicionar como terceiro zagueiro. Com isso, nossos laterais desceram pouco, e CleitonX e Diego Souza buscavam armar as jogadas para que Vagner fizesse o pivô e tentasse dar sequência na jogada devolvendo a bola ou buscando Obina. Já o Santos pareceu não acreditar no poder aéreo de nossa defesa, e cansou de alçar bolas. Luxa cansou de ver Danilo e Mauricio Nascimento, rejeitado por ele, tirarem todas.

Cada time teve um pequeno período de pressão um pouco mais intensa, mas nada que fizesse por merecer a abertura do placar. O 0×0 do intervalo foi justo. Mas havia um componente tático fundamental: Luxa perdeu Fabão e George Lucas, contundidos. Com isso, Muricy ficou com duas cartas na manga (epa!). Bastava uma alteração para obrigar Luxa a dar sua última cartada (eeepa!), e assim ter mais duas alterações para deixar o jogo à nossa feição. Mas não deu tempo.

Numa boa jogada de Neymar pela esquerda, se aproveitando do baixo poder de marcação de Figueroa, a bola foi cruzada por baixo, para o outro lado, onde Luizinho concluiu com rara felicidade da entrada da área, abrindo o placar. Estava nítido que Obina destoava do resto do time, e a entrada de Ortigoza, ou de Robert, era urgente. Muricy optou por Robert. E nem precisou induzir Luxa para sacramentar o nó tático.

O Palmeiras ainda tomou um sufoco do Santos depois de levar o gol, mas após o breve período de empolgação do time da casa, começou o show alviverde. A entrada de Robert mudou completamente o jogo. Veloz, tático, feijão com arroz, Robert foi o oposto de Obina – lento, individualista e sempre tentando jogadas de efeito. A defesa santista parecia um pouco confusa diante da nova proposta ofensiva do Palmeiras; Figueroa apenas fez o que faz de melhor: alçou uma bola da direita, Diego Souza cabeceou para o chão, cruzado, e empatou.

Foram três seguidas. Não deu tempo nem de respirar. Edmilson rachou uma bola pela direita e ela sobrou limpa para Figueroa. O chileno cruzou mais uma, Vagner espanou e ela achou Diego do outro lado. Ele levou pro fundo e bateu cruzado, pra Robert apenas empurrar pra dentro. Salvio até que ameaçou anular, mas não teve o que fazer quando o bandeirinha correu pro meio.

E logo em seguida, fechamos a tampa, e com um golaço: começou com Diego Souza no meio, e um passe erguendo a bola pra CleitonX. De primeira, o passe pra Vagner, que retribuiu, e correu pro meio. CleitonX então recolheu, na velocidade, e deu um passe monstruoso pra Robert, na direita, nas costas de Triguinho. Na força, Robert ganhou a jogada e tocou no meio das pernas do goleiro, e a bola foi rolando fraquinha em direção ao gol. Vagner vinha fechando na corrida e deu o tiro de misericórdia. Um gol que teve toda a participação do quarteto ofensivo, e que mostrou para todo o país quem é o dono do futebol brasileiro em 2009.

Daí em diante, não vi mais nada. Porque foi o fim de outra história, que começou na quinta, quando a diretoria do Santos destinou meia dúzia de ingressos à torcida do Palmeiras. Sem condições de sequer tentar comprar ingressos, nos vimos obrigados a ir novamente no Visa deles, que é um lixo. Nos posicionamos junto à bandeirinha de escanteio, do lado direito de quem assistia pela TV. No gol dos caras, ouvimos umas gracinhas, porque já tinha ficado meio óbvio pelos lances do primeiro tempo que éramos palmeirenses, um grupo de mais ou menos 15. Sempre é bom lembrar: não tínhamos a menor intenção de estar misturados, mas para ver o Verdão, não tivemos outra opção.

O problema ficou maior quando o Palmeiras empatou. Como foi pouco tempo depois do gol deles, nossa reação foi, digamos, um pouco mais explosiva do que seria em circunstâncias normais. E isso incomodou alguns – poucos, é verdade – torcedores do futuro primeiro ex-grande paulista. O segundo gol veio rápido, e aí já tinha virado sacanagem, não dava pra segurar o sorrisão enquanto éramos jurados de morte. A movimentação dos seguranças ficou intensa em volta de nós, eles já se preparavam para nos isolar do resto quando a bola do Robert passou pelo frangueirinho deles e o Vagner encheu a rede com um míssil. Não teve como segurar, e aí o pau ficou muito perto de quebrar.

Os seguranças “gentilmente” nos acompanharam até a saída, e não vimos mais nada. Rapidamente tomamos um táxi e voltamos para nosso ponto de concentração. Ainda deu pra ouvir pelo rádio que o Salvio quis dar um pênalti de todo jeito pra eles, mas foi fora da área. E ficou nisso.

Resta saber qual será a postura de nossa diretoria com relação à afronta cometida. No mínimo, a reciprocidade. O santistas que ousarem colocar o pé no Palestra no próximo confronto deveráo ser confinados num cubículo – é pena que não haja pontos cegos no Palestra – e tratados com a mesma “gentileza” que nos foi prestada. É o mínimo que esperamos.

E voltando ao futebol, mantivemos os cinco pontos e nosso próximo jogo é em casa, contra o Avaí. Há quem diga que com 72 pontos o título está garantido. Pra nós, faltam 19 pontos, o que são 5 vitórias e 4 empates, nos 11 jogos restantes. Absolutamente possível. Eu não vou dizer porque dá azar, mas eu tenho certeza. Certeza. Mas não vou dizer.

Notas:
Marcos: quando foi preciso, ele estava lá. 8
Figueroa: dois gols saíram de seus pés. Colocou o pobre Wendel no bolso. 9
Mauricio Nascimento: calou a Luxa e a seus detratores em nossa própria torcida. Xiu. 8,5
Danilo: subiu de patamar, hoje pode ser considerado um acima da média e indispensável ao time. 8
Armero: preso, marcou dentro de suas limitações, e não apoiou quase nada. 6,5
Souza: discreto e eficiente. 7
Edmilson: como volante, faz seu melhor papel. Liderança inquestionável. E tuitou depois do jogo do vestiário, vibrando. Ótimo sinal. 7,5
CleitonX: a jogada do terceiro gol foi um primor. É um meia inteligentíssimo, quebra quinhentos galhos por jogo pros companheiros de ataque. 8
Diego Souza: concluiu bem o cruzamento de Figueroa no primeiro gol, e iniciou de forma surpreendente a jogada do terceiro. Muito marcado, mas nas brechas que teve, aproveitou. 8,5
Vagner: até pivô ta fazendo. Está mostrando qualidades que não víamos em sua passagem anterior. 7,5
Obina: destoando. Uma pena, ele é legal. Quem sabe o destino dele seja fazer gol no gambá. 5
Robert: tem jogos em que o jogo dele encaixa muito bem com a defesa adversária. Hoje foi um deles, fácil. 9,5
Willians: sei que entrou, mas não vi. s/n
Muricy: tinha a chance de humilhar Luxa, mas não usou. Fez bem. 8

26 de setembro de 2009

Palmeiras 2×1 Atlético-PR

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 23:34

Cada vez mais com a cara de Muricy, o Verdão levou de vencida mais uma vez, e mostrou que de fato está caminhando a passos largos para ser campeão. É verdade que o time levou um sufoco no final, desnecessário, mas compreensível dado o desgaste físico acumulado durante a semana. O Atlético aproveitou bem essa condição e forçou bastante no final, e foi quando encontrou pela fente duas paredes: Danilo e Marcos.

O jogo começou mais tenso do que devia, principalmente pra quem estava no estádio e entrou cedo. O maledetto operador de som deixou tocando, do início ao fim, um CD de forró absolutamente insuportável, num volume ensurdecedor. Ainda descubro quem é o animal. Quando finalmente o som abaixou, pudemos focar na partida, que estava para começar. E veio a surpresa: Danilo, que tinha uma multa prevista em contrato e em tese não poderia jogar contra seu ex-clube, foi escalado, já que o Palmeiras bancou os R$ 100 mil, a pedido de Muricy. Nosso treinador não abriu mão de jogar com três zagueiros, principalmente devido à questão do desgaste físico.

Mas o esquema não encaixou. Com Figueroa solto pela direita; Mauricio Ramos, Edmilson na sobra e Danilo na esquerda; e mais Marcão na “ala” esquerda, o time precisaria de mais consistência no miolo, mas Souza, Jumar e Diego Souza não conseguiram fazer o time dar liga. O resultado foi que o primeiro tempo foi muito chato, com poucas chances de parte a parte, e com o Palmeiras não conseguindo fazer valer o fator campo e sufocar o adversário. Muricy até teve a chance de rever o esquema quando Mauricio Ramos sentiu uma fisgada no púbis e teve que sair. Poderia ter posto Willians, ou Sacconi. Pensou bem e resolveu colocar Mauricio Nascimento e manteve tudo igual.

Quando o primeiro tempo se encaminhava para o 0×0, tivemos o primeiro sinal de que a partida de hoje será daquelas que sempre lembraremos por causa de um personagem especial. Diego Souza disputou uma bola na esquerda, ela espirrou e Danilo emendou uma virada de bola espetacular. Figueroa, aberto pela direita, teve muita calma para dominar, proteger do adversário e fuzilar: 1×0, e assim acabou o primeiro tempo.

Na volta para o segundo tempo, vimos o Atlético usando bem mais o vigor físico, e, precisando do resultado, o time paranaense veio pra cima. A defesa do Palmeiras se houve muito bem, apesar da proteção não estar tão eficiente como no jogo de quarta. Com a habilidade de Paulo Baier e Marcinho Porpeta nas bolas alçadas, os paranaenses eram sempre perigosos. E num desses escanteios, numa cabeçada que Marcos defenderia facilmente, a bola desviou em Danilo, logo quem, e foi para as redes: 1×1, aos 17.

A preocupação em buscar o placar durou apenas sete minutos, apesar de quase termos levado a virada num contra-ataque deles pela direita, que Marcinho Porpeta invadiu a área e bateu cruzado, para grande defesa de Marcos. Mas na nossa pressão, o escanteio veio da direita e Danilo se atirou nela, fazendo o gol meio de tornozelo, meio de canela, para alívio da torcida.

Alívio numas. O Palmeiras pregou. Muricy já estava com Williams pronto para entrar antes de sair o gol de Danilo, e mudou de idéia. Colocou Ortigoza no lugar de Obina, apostando no contra-ataque. O Palmeiras se fechou, e mais tarde Muricy confirmou a opção colocando Willians no Vagner. Mas não adiantou nada, já que as bolas não chegavam – a opção se mostra ineficiente sem CleitonX.

Assim, foi um sufoco absurdo até o apito final, já que o time não mostrou maturidade para segurar a bola com o placar a favor. Ela queimava nos pés de nossos jogadores, e a pressão foi infernal. No pior dos lances, Edmilson tentou sair jogando, Wesley cortou com a mão e ganhou a jogada, foi pro fundo. Marcos não conseguiu interceptar o cruzamento e ficou batido, Paulo Baier chegou batendo, sem goleiro, mas DANILO tirou a bola em cima da risca e vibrou, comemorou como se fosse um gol – e na verdade, valeu tanto quanto. Marcos ainda fez um par de defesas espetaculares, até o apito final.

Vitória dramática, com personagens épicos, Palestra Italia mais uma vez lotado e renda de mais de R$1 milhão. Há algumas rodadas, comemorávamos quando íamos dormir líderes, ou com dois ou três pontos de vantagem. Hoje, a doze rodadas do fim, vamos dormir com seis pontos de margem. Tô feliz.

Atuações
Marcos: só não pegou a bola que desviou no Danilo e foi pro gol. 9,5
Mauricio Ramos: sentiu uma lesão cedo. S/N
Edmilson: mais uma partida atrapalhada. É para se pensar se o desempenho dele está acompanhando o do resto do time. 4,5
Danilo: foi o cara. DEZ
Figueroa: pela primeira vez como titular, dá munição para Marcos avacalhar com Wendel, já que deixou o seu logo na primeira chance que teve. Fez muito bem a ala direita, e já mostrou que sabe cruzar. 9
Jumar: quase fez um golaço num chute de fora, no mais, falhou ao formar a linha de proteção à zaga. 6,5
Souza: ficou maluco com as descidas do Marcão, e não deu conta de cobrir direito. 6
Diego Souza: muito apagado, parecia o mais cansado de todos do elenco. Sentiu a falta de CleitonX para dividir um pouco mais a marcação dos volantes do Atlético. 6
Marcão: um desastre, tanto na marcação como no apoio. Impressionante com ele fica olhando os lances e não se mexe. E não parece ser por falta de vontade, é esquisito. É raçudo, mas não serve. 2,5
Vagner Love: ficou isolado, lutou, mas não conseguiu produzir muito. Mas a qualidade continua latente. 6
Obina: sofreu do mesmo mal de Vagner, mas sua situação é pior porque o físico e a técnica não ajudam. Deu um passe de letra que, apesar de irrelevante, foi bonito. 5
Mauricio Nascimento: partidaço, muito mais seguro que seu xará. 8,5
Ortigoza: entrou tarde, produziu pouco. S/N
Willians: mesmo caso de Ortigoza. S/N
Muricy: teima com um esquema que nem sempre pode ser o mais eficiente, mas também ponderou por causa do desgaste físico. Deu sorte. E quanto mais se treina, mais sorte se tem, como dizia o filósofo. 7

24 de setembro de 2009

Cruzeiro 1×2 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 9:48

Espetacular. O adjetivo é manjado, porque tentar usar qualquer outro para descrever a vitória do Verdão no Mineirão seria pretensão demais. O Palmeiras lutou contra a pressão pré-jogo da imprensa, contra o estádio cheio, contra um forte adversário, contra um árbitro que tem histórico e que já tinha nos tungado três pontos, e mesmo assim venceu um jogo importantíssimo, de virada, e abriu três pontos do bambi, com larga margem de gols. Faltam treze jogos, sete em casa. Tá ficando muito bom.

O duelo do meio-de-campo começou aguerrido. O Palmeiras veio com Jumar ao lado de Souza, já que Edmlson não conseguiu se recuperar na lesão muscular que teve no início da semana. Perdemos em qualidade no passe. Mas ganhamos em… emoção. Jumar em campo é emoção pura, não exatamente no melhor sentido. Pra completar, Marcão ficou do lado esquerdo da zaga porque Danilo estava suspenso.

E foi em cima de Marcão o gol do Cruzeiro, logo a sete minutos: o glorioso zagueiro-iron-maiden ficou olhando uma bola resvalada por Henrique espirrar em direção a Tiago Ribeiro, que veio na corrida e, livre, tocou na saída de Marcos: 1×0. Sem sacanagem, um gol ridículo.

O Palmeiras reagiu rápido, graças ao talento individual, e a uma ajudinha do adversário: falta da intermediária, a barreira estava a um passo da entrada da área. Diego Souza bateu com muito veneno. A bola mesmo assim era do Fábio, que se atrapalhou com a serpenteada da bola ao melhor estilo bambi Ceni, e, a la Leo Lima, o Verdão empatava o jogo um minuto depois de ter sofrido o gol.

Logo em seguida, mais uma falta bem próxima, bola na barreira, no rebote CleitonX bateu e a bola de novo ficou no bolo de jogadores na risca da área. Parecia que o nosso volume iria aumentar e que o Cruzeiro tinha sentido o empate. Mas não foi bem assim.

O Palmeiras, no 4-4-2, se armou para o contra-ataque, e atraiu o Cruzeiro para seu campo. Extremamente confiante nas linhas defensivas, principalmente na proteção feita por Jumar e Souza, este, um monstro mais uma vez, o Verdão suportou a pressão e apostou nos contra-ataques com Robert e Vagner. Uma hora ia funcionar.

O Cruzeiro manteve o volume de jogo bastante elevado, conseguiu várias finalizações, todas pressionadas, mas apenas uma realmente perigosa, com Diego Renan, que Marcos fechou o ângulo e defendeu com o joelho. Já o Verdão, embora com menos chances, levou mais perigo nas que teve, numa cabeçada de Robert e numa chegada forte de Armero que Fabio defendeu. Sempre pela nossa esquerda.

Adilson já estava enxergando o mapa da mina, e mandou forçar o jogo em cima do Wendel. Muricy então resolveu surpreender o adversário alterando o esquema para três zagueiros, colocando Mauricio no lugar de Robert. Vagner ficou como único atacante, e numa bola roubada, logo no início do segundo tempo, o contra-ataque foi iniciado, Souza foi esperto e enfiou para Il Fodone no meio dos zagueiros. Love teve velocidade, e depois mostrou habilidade para cortar Fabio e rolar para o gol vazio. Com todo o respeito ao Obina, se fosse ele a jogada morreria no lançamento. Como é bom ter um NOVE-NOVE!

Nem deu tempo para ver a postura do time após o gol, porque Evandro “Beltrão” Roman inventou de expulsar Armero numa disputa de bola na lateral da área. Além de dar ao adversário uma falta perigosíssima, o pilantra nos deixou com um a menos. Emergencialmente, Marcão foi pra esquerda, e a idéia de três zagueiros foi pro espaço.

Com o placar adverso, o Cruzeiro passou a forçar mais ainda, e Adilson mostrou que não é nem um pouco bobo, ele que já vai completar dois anos à frente do Cruzeiro. Tirou Elicarlos na lateral direita, já que ficou claro que não seriam por ali os ataques do Palmeiras, e aumentou o poder de fogo colocando Guerrón. E não foi nada fácil para o Verdão, que teve que claramente se posicionar para o contra-ataque, mais do que nunca. Percebendo isso, Muricy trocou Vagner por Willians, para aproveitar sua velocidade. Em seguida, tirou Wendel, que sangrava após uma cotovelada de Kleber e colocou Figueroa, finalmente .

O Cruzeiro veio pra pressão, e o auge dela foi em duas bolas seguidas, lá pelos 25: num chute cruzado de Kleber que Marcos desviou e ela foi na trave, e numa cabeçada de Leonardo Silva, para o chão, mas que, com muito efeito, saiu lambendo a trave à direita de Marcos. Depois dos sustos, o Verdão achou o posicionamento correto, armou a defesa e a pressão dos mineiros foi neutralizada, restou a eles os chutes de longe. E a impressão que dava é de que se o jogo tivesse mais meia hora, não levaríamos o gol nem a pau.

A imprensa, desolada, reclama de lances que poderiam ser pênaltis contra o Verdão, mas aí entrou outro componente da partida: a pressão feita sobre o canalha de preto, que estava de amarelo. Ninguém o deixou esquecer da patifaria no Serra Dourada, e ele teve que pensar muito antes de dar um pênalti contra nós. De todos os lances reclamados, o único que realmente pode ser discutido foi a dividida de Jumar com Fabrício, no primeiro tempo. Mas esse foi bem “menos pênalti” que o de Miranda em Fernando, na rodada de domingo. Por isso, calem-se, bambis. Aliás, RUN BAMBIS, RUN!

A festa foi completa ontem no Boleiros. Com direito a quadro com a camisa bambi destroçado. Queria que todos os parmeristas soubessem que foi uma noite espetacular, graças ao time e à presença de todos no bar, o clima estava maravilhoso, com direito a hino, gritos de ” é campeão”, e tudo o mais que se tem direito numa arquibancada. Um grande abraço ao Marcão, do Boleiros, que levou tudo na esportiva.

Mas tem uma coisa: a vitória de ontem valeu três pontos. Iguaizinhos aos três pontos que estarão em jogo sábado, contra o Atlético-PR, no Palestra. Se perdermos pontos nesse jogo, de nada terá adiantado a épica vitória de ontem. Que a empolgação fique apenas entre nós, torcedores. Depois de amanhã, já teremos mais uma batalha.

Atuações:
Marcos: dois milagres, e muita segurança. Deu uma borboletada no primeiro tempo, mas não houve consequências. DEZ
Wendel: foi o setor explorado em nossa defesa, e não deu conta. Deve ter sido sua última partida como titular do time. DEZ
Mauricio Ramos: demorou um pouco para achar o posicionamento com Marcão, depois se firmou e foi uma parede. DEZ
Marcão: depois da falha no gol, fez uma boa partida. Se perdêssemos algum ponto, as trombetas iriam em sua direção. DEZ
Armero: foi uma das opções de ataque mais importantes do time. Descia como uma vaca louca, e quando perdia a bola os contra-ataques mineiros eram perigosíssimos. DEZ
Jumar: eu tenho medo, muito medo. DEZ
Souza: monstro, além de compor a primeira linha de combate, ainda foi o responsável por deixar Vagner livre no lance do segundo gol. O melhor em campo. DEZ
CleitonX: muito marcado, apareceu pouco, mas mostrou bastante experiência num jogo decisivo como este. prendendo a bola e invertendo as jogadas. DEZ
Diego Souza: a atuação teria valido só pelo gol. Também sofreu com a forte marcação feita por Adilson, mas como CleitonX, soube controlar o jogo e a pressão. DEZ
Robert: sacrificado no esquema, ainda conseguiu lgumas jogadas de pivô e uma boa finalização. DEZ
Vagner Love: não apenas fez um golaço ao melhor estilo old times, mas também ajudou na marcação no campo de defesa. Já encaixou no time. DEZ
Mauricio: entrou na fogueira, e saiu-se bem. DEZ
Figueroa: penteado de muito bom gosto. DEZ
Willians: Muricy tentou posicioná-lo no buraco deixado por Adilson, quando este tentou aumentar a pressão sobre nós, mas seu jogo não rendeu por uma falta de referência na área. DEZ
Muricy: só não acertou na entrada de Willians, de resto, foi perfeito, administrando bem os desfalques e posicionando o time muito bem. DEZ
Kleber: DEZ

13 de setembro de 2009

Vitória 3×2 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 22:17

O tal de Barradão é outro estádio que podia se juntar ao Serra Dourada e ao Beira-Rio. Tira uma foto de cada um e entrega pro Bin Laden, e fala alguma coisa que deixe ele bem brabo. Impressionante.

É claro que não existe sobrenatural, e o mau resultado de hoje, justo, deve ser atribuído a uma somatória de fatores: limitação técnica incorrigível de algumas peças, atuações individuais fraquíssimas dos melhores jogadores do time, sem falar na ausência de dois destaques – Diego Souza e Pierre, e opção tática discutível de Muricy. Se precisou de tudo isso pra perder, e mesmo assim Ortigoza teve a bola do empate à disposição no minuto final e desperdiçou, então não há tanto motivo para desespero, afinal, esse time do Vitória só perdeu um jogo em seus domínios até agora – e foi do time mais rabudo do mundo, numa partida típica desse viés.

Muricy decidiu pelo 3-5-2 com dois volantes – Souza e Edmilson, e com isso dependeu do desempenho dos laterais. Vamos lá: eles são Wendel e Armero. Então já escolheu mal. A alternativa seria um 4-4-2, mas Saconni não desperta muita confiança. Então podia ser um 4-4-2 com três volantes, e seria Sandro Silva em vez de Marcão. Não melhoraria muito. Então não dá pra cornetar muito a escolha, no máximo discutir. Mesmo assim, apesar de um Edmilson desatento, tivemos Souza comendo a bola e jogando por todos os compeanheiros do meio de campo. Incrivelmente o setor foi nosso, e o Palmeiras evitou a pressão inicial do Vitória. Jogava como líder, mandando no jogo.

Mas nosso meio-campo sem Pierre e Diego fica muito comum, por mais que Souza se desdobre. Com Edmilson e CleitonX e partidas ruins, aí não tem jeito. E assim o Vitória inverteu a tendência inicial, primeiro arriscando chutes de longe – num deles Roger carimbou o travessão de Marcos. Depois, contando com a ruindade do juiz Sandro Ricci, se aproveitou de muitas faltas cobradas por Ramon para levar perigo no jogo aéreo. E foi numa dessas que Marcos cometeu sua primeira falha fatal: socou a bola para baixo, ela bateu em Uelitton e entrou. Gol de chupeta, como no pebolim. Se o cara estivesse virado de costas para o lance, poderia ter feito um gol de bunda. Incrível.

Demorou uns 20 minutos até o Palmeiras se recuperar do lance, o que demonstra uma certa fragilidade emocional do grupo. Circunstancial ou não, isso não pode acontecer, é outra coisa para ser querstionada nesse intervalo de dez dias. E assim o Vitória, apesar de taticamente inferior, conseguiu prevalecer graças a partidas individuais patéticas dos palmeirenses. Marcos deu o segundo vacilo ao soltar uma bola na fogueira para Danilo, que perdeu a dividida. Marcos ainda consertou e Danilo completou.

A entrada de Robert no Obina, que sentiu uma dividida com Fabio Ferreira, melhorou o time, já que sua movimentação é muito maior que a do Obina. Aliás, até a da minha vó é maior. O primeiro sinal da recuperação foi numa bola da esquerda cruzada por CleitonX que Vagner testou pra dentro, mas, assim como contra o Barueri, estava um pouco adiantado. Mas alguns minutos depois, o gol, e foi muito bem trabalhado: bola na direita, CleitonX trouxe pra dentro e tentou Robert pra fazer o pivô. Veio o corte da zaga, que Souza interceptou e rapidamente inverteu a jogada para Armero, no bico da área, que cortou pra dentro e fez o passe alto pro Robert, que cumprimentou Viáfara e empatou. Vejam: uma coisa é um passe pelo alto, como esse. Outra é um cruzamento. São fundamentos diferentes.

E o Palmeiras podia ter virado ainda no primeiro tempo, quando Wendel levantou pra Vagner, na marca do pênalti, que cabeceou forte, mas no centro do gol, em cima de Viáfara. E ficou assim. O Palmeiras teoricamente melhor, e que só não traduziu a superioridade em gols por causa de um longo apagão entre os 15 e os 35 minutos. O Vitória não tinha nada com isso e fez sua parte.

Os times voltaram iguais para o segundo tempo, e Vagner parecia que tinha finalmente se encapetado, com duas jogadas interessantes, ambas rechaçadas por Viáfara. Mas nosso nove ficou por aí. Depois disso, não fez mais nada. O Palmeiras podia ter dado sequência à pressão inicial, mas o Vitória fez como no primeiro tempo e usou os chutes de longe e as bolas paradas para frear o ímpeto do Verdão.

Muricy teve que tirar Mauricio, e optou por colocar Sandro Silva, puxando Edmilson para a zaga e mantendo o esquema. É a falta que faz um substituto convincente para a meia. A zaga ficou mais confusa após a saída do prata-da-casa, Marcos trabalhou bem em uma ou duas bolas, até que Vagner perdeu uma bola no ataque, e o Vitória desceu com velocidade. Sandro Silva, que estava cobrindo nosso lado esquerdo, caiu seco com o pé direito e foi facilmente fintado. O cruzamento veio no segundo pau, a conclusão de Roger foi bisonha. Mas quando não é pra ser, não é: a bola sobrou pro tal de Neto Berola, que ainda contou com Wendel tropeçando sozinho; ele errou o chute, a bola bateu na trave e entrou: 2×1.

O Verdão até buscou a reação, nos minutos finais Muricy (demorou) colocou Ortigoza no Wendel, nossa pressão pelo empate cresceu, mas aí vem o inexplicável: num escanteio cobrado por Ramon, pela direita, com a parte interna do pé direito, Marcos tentou tirar quase dentro do gol. A bola, que pra não ter vindo por fora descreveu uma trajetória que nem Einstein explicaria, ficou viva dentro da pequena área; Edmilson e Sandro Silva foram duas gracinhas tentando salvar o perigo, e Derlei também fez o seu, igual ao gol tomado contra o Barueri. Durma-se com esse barulho.

O que irrita mais é saber que o time tinha plenas condições de vencer o jogo. Pois aos 43, diminuímos num levantamento de Ortigoza que Robert concluiu de cabeça com precisão, e o mesmo Ortigoza teve a bola do terceiro gol, que era só ele ter matado no peito e concluído – mas em vez disso escorou de cabeça para ninguém, no meio. Some-se aos gols bestas tomados, e o resultado, mesmo com esquema tático duvidoso, mesmo com atuações individuais rídiculas, mesmo com erros de arbitragem (não se pode deixar de citar que o juiz compensou seus erros contra nós ao não dar um pênalti de Souza no início do segundo tempo), podia ter sido 2×1, 3×2 ou até 3×1 para nós.

O palmeirense bipolar arranca os cabelos. Entra na pilha da imprensa bambi, que na semana passada, quando nós fizemos o resultado em casa e o bambi foi a Belo Horizonte, num jogo fora muito mais difícil que o nosso hoje, não botou nem metade da pressão que colocou sobre nós. Que a imprensa vai jogar para elas, não é novidade, não podemos é ser burros de entrar na deles.

Temos é que ver que houve erros individuais, ver que há limitações gritantes no elenco, e que mesmo assim, ficamos perto do resultado. O Inter, que semana passada era a assombração aos nossos sonhos, perdeu em casa, e o bambi, acreditem, não pode ter essa força toda, basta olhar o futebolzinho meia-boca. Não podemos entrar na pilha, não podemos jogar contra.

A briga por Edno fica cada vez mais necessária e uma solução para a ala esquerda começa a ficar muito urgente. Vamos rezar para que Figueroa finalmente estreie, e bem, no Mineirão, e que Diego Souza devolva a tranquilidade para todos os nossos titulares de destaque que jogaram mal hoje. Principalmente o senhor Vagner Love.

Diego Souza adora o Mineirão, e temos dez dias para aumentar o entrosamento do time com a nova dupla de ataque. Nenhum bom jogador joga tão mal duas vezes seguidas. E o líder isolado tem plenas condições de retomar a marcha. Não há motivo para pânico, nem espaço para burrice.

Atuações:
Marcos: até que fez boas defesas, mas as falhas nos dois gols derrubam qualquer santo. 4
Mauricio: vinha bem, sua saída desestabilizou a zaga. 7
Danilo: outro que foi bem, considero que não teve culpa na lambança do primeiro tempo, quando recebou uma bola no fogo do Marcos. 7,5
Marcão: continua irritante quando resolve lançar, mas não prejudicou enquanto zagueiro. 7
Wendel: sem comentários. 4
Souza: partida quase perfeita. 9,5
Edmilson: desatento no primeiro tempo, sem garra no segundo. 3
CleitonX: de bom mesmo foi o cruzamento para o gol do Vagner, que não valeu. Sentiu falta de alguém para dividir as atenções da marcação do Vitóra. 5
Armero: o passe para o primeiro gol não me convence. É fraco demais, não serve. 3
Obina: jogou pouco, e enquanto jogou, ficou muito fixo. s/n, pra quebrar o galho.
Vagner Love: um gol anulado, duas tentativas no seundo tempo, e só. É pouco. Mas ele mesmo disse que não estaria 100% no jogo de hoje, a promessa é pro Mineirão. OK. Mas o que ele errou de passes foi uma grandeza. 4
Robert: ótima presença, movimentou-se, fechou sempre bem no segundo pau, fez pivô, e mostrou-se um grande cabeceador, coisa que sentíamos falta. 9,5
Sandro Silva: renovaram o contrato dele, né? Que coisa… 3,5
Ortigoza: entrou faltando muito pouco, e participou de duas jogadas agudas. 6,5
Muricy: demorou pra enfiar mais um atacante depois de tomar o segundo gol; mas esbarrou na limitação do elenco, principalmente na meia e nas laterais. E foi bem ao não escancarar isso nas entrevistas. 6

6 de setembro de 2009

Palmeiras 2×1 Barueri

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:28

Um jogo difícil, como se esperava, e o resultado, mais uma vez, veio. O Verdão, com la maglia azzurra, despachou mais um adversário no Palestra que, com pouco mais de 23 mil pagantes e renda de 994 mil reais, promoveu a estréia de Vagner Love e mostrou que, assim que o esquema ficar redondo, vai ser difícil segurar esse time. O Barueri foi um adversário bravíssimo, um time pequeno que se comportou como grande, não se encolheu – jogou e deixou jogar. A partida foi muito boa. O resultado, melhor ainda. A arbitragem, uma porcaria.

No início, o Barueri surpreendeu, marcando a nossa saída de bola e aproveitando o espaço entre os volantes e a zaga. Marcos foi exigido, e foi fácil perceber que teríamos trabalho durante toda a partida. Mas aos poucos, as peças foram se encaixando; em fogo lento, o time do Palmeiras com sua nova arma foi dando liga.

Diego Souza e CleitonX estavam muito abertos, distantes do resto do time. Com isso, tanto os volantes quanto os laterais buscavam auxiliar a armação, e assim proporcionavam um certo espaço em relação à dupla de zaga, que ficou desprotegida. Muricy certamente foi surpreendido pela postura do Barueri,  armou uma blitz que não deu certo, principalmente pela falta de qualidade dos nossos laterais na troca de passes. Os volantes não foram tão mal, mas também estiveram longe de se destacarem neste fundamento.

Assim, depois de sofrer mais finalizações do que criá-las, o Palmeiras corrigiu a postura aos poucos, até que o time engrenou. Na primeira boa jogada, CleitonX levantou e Vagner conferiu de cabeça, mas estava ligeiramente impedido. Na segunda, conclusão cruzada de Diego Souza, passou muito perto da trave – Vagner ainda se atirou nela e quase deu um biquinho de chuteira – mas ele estaria impedido de novo.

No final, o 0×0 foi justo, mas o Palmeiras deu bons sinais de reação e acendeu a confiança da torcida para o segundo tempo. E logo aos cinco minutos, Wendel CleitonX fez um cruzamento de balãozinho, a zaga do Barueri permitiu que Diego Souza, em posição legal, se antecipasse e testasse cruzado, inapelável para Renê: 1×0, e festa no Palestra. Ô coisa boa.

E só dava Verdão, Vagner pegou o ritmo do time rapidamente, e já se converteu no melhor em campo. Marcou saída de bola, recuperou a posse várias vezes, puxou a marcação, tabelou, fez jogadas individuais, sofreu faltas, carregou o time deles de cartões… E foi premiado quando Cleber Abade foi no grito da torcida (e que grito!), numa jogada onde houve duas cavadas de pênalti. Na primeira ele não embarcou, mas na segunda, 3 ou 4 segundos depois, não teve como, ele medrou. Obina pegou a bola, mas quem cobrou foi o dono da festa: Vagner estufou as redes do Palestra e marcou seu 50° gol com a camisa do Palmeiras.

O Barueri, se já estava jogando com valentia, perdendo por dois ficou mais valente ainda, e não teve medo de tomar mais. Veio pra cima, martelou, e numa linha de passe de cabeça, Leandro Castan obrigou Marcos a fazer um milagre numa bola cabeceada para o chão. Nossa zaga ainda estava aplaudindo Marcos quando Castan pegou o rebote e concluiu bem, para cima, antes que Marcos pudesse se levantar para rachar com ele de novo.

Muricy então tirou Vagner para a entrada de Jumar, para reforçar a defesa e ganhar tempo, já que o fim do jogo estava bem próximo. O Verdão controlou a posse de bola e mais uma vez saiu vencedor, somando mais três pontos e dormindo com quatro pontos de folga para o segundo colocado. Domingo é macarrão da mamma e secação nos caras, que ficaram secando a gente hoje, se deram mal, e agora vão com mais peso ainda para as difíceis partidas desta rodada: Inter pega o Avaí na ressacada e o bambi pega o Cruzeiro no Mineirão. Apenas o Goiás tem um jogo onde a tendência é levar três pontos: pega o Coxa, em casa.

Já passamos pelos nossos dois adversários mais diretos, que ainda se matam uns aos outros. Nossos próximos quatro jogos: Vitória (F), Cruzeiro (F), Atlético-PR (C), e Santos (F). Seis pontos nesses jogos praticamente nos manterão na liderança, contando com uma gordurinha e com alguns tropeços dos adversários. Os oito jogos seguintes são uma tabela bastante favorável (AVA-C, NAU-F, FLA-C, STA-F, GOI-C, GAM-N, FLU-F, SPT-C), e não há por que não esperar menos que vinte pontos. Assim, chegaríamos com 70 pontos a três rodadas do fim. A empolgação fica inevitável.

Vamo Verdão!

Atuações:
Marcos: grande partida do Santo, e sua postura foi de campeão. 9
Wendel: era o pior em campo até acertar um cruzamento, meio esquisito até, mas que serviu pra Diego Souza abrir o placar. Lance decisivo limpa um pouco a barra. Foi o pior em campo. 6,5 4
Mauricio Nascimento: encarou os adversários como um veterano. Como tirava tudo por cima e por baixo, tentaram desestabilizá-lo, mas ele não entrou na onda. 8,5
Danilo: partida firme, mas cometeu um erro, daqueles iguais aos do Mauricio Ramos. Nossa zaga tem que cometer um erro grave por jogo, não tem jeito. 7
Marcão: partida dentro de suas limitações. 5,5
Edmilson: sua experiência foi importante na hora de segurar os ânimos. Boa partida, tanto na marcação quanto no passe. 7
Souza: não é um Pierre. Mas é o Souza, o que é ótimo. 7,5
CleitonX: sumidão no primeiro tempo, apareceu mais no segundo, mas não empolgou. Assistência sobe a nota. 7 8
Diego Souza: jogou menos ainda que CleitonX, mas fez um gol. 7,5
Obina: o carismático avante está aprendendo a ser um mero coadjuvante. Ele serviu mais para puxar um marcador do que pra jogar com bola. Sou mais o Ortigoza. 7
Vagner Love: Il Fodone. Joga muito. Voltou com sede de jogo e de gols. Já deixou o primeiro – de pênalti, é verdade, mas sua qualidade foi latente. Boa parte do otimismo nas projeções deste post se devem a ter um cara como ele no elenco. 9
Jumar: entrou pra fazer o relógio passar, s/n
Muricy: gosto de técnico que não mexe quando o time está bem. Ele conseguiu acertar o time no intervalo e deixou rolar. Sua nota só não é mais alta porque tomou um pau no primeiro tempo, apesar de ter sido mais por méritos do técnico do Barueri do que por burrice dele. 7

31 de agosto de 2009

SPFW 0×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 0:54

Num jogo de disputa ferrenha no meio de campo, o Verdão ficou no 0×0 com as moças, e manteve os 4 pontos de frente sobre o inimigo. Faltam dezesseis rodadas para o fim do campeonato, é bastante coisa. Mas com a chegada de Vagner Love, o Palmeiras deve resolver uma de suas maiores deficiências, a qualidade na finalização. Love tem uma média de quase 0,8 gols por jogo em toda a carreira. Se mantiver essa marca, pode fazer algo em torno de treze gols até o fim do campeonato.  Brigaria até pela artilharia, o que seria fantástico pelas circunstâncias.

Muricy, conforme previsto, escondeu até o fim a condição de CleitonX para a partida. Com isso, Ricardo Gomes ficou vendido na armação de sua equipe, e tentou fazer o mesmo colocando em dúvida a masc escalação de Richarlyson. Como se fosse a mesma coisa. A meia hora do início do jogo, fim do mistério, e CleitonX estava escalado. O Verdão foi de 4-4-2 básico, simples. Ricardo Gomes armou os bambis no 3-5-2, com André Dias na sobra, e liberando Junior César e Jean para o apoio.

É realmente uma pena que nossos laterais não têm a qualidade que gostaríamos. Os flancos seriam um dos caminhos mais fáceis para a nossa vitória. Jogando nas costas dos alas bambis, a chance de sucesso teria sido muito maior, já que havia uma multidão no meio-campo, por parte dos dois times. Assim como os nossos laterais são fracos, os deles também não produziram lá grande coisa.

Assim, com uma guerra entre volantes, o jogo ficou por uma falha individual, por uma bola parada ou por um repente de talento de alguém. Para nosso desespero, Mauricio Ramos sentiu uma contusão muscular logo no início e teve que dar lugar a Marcão. O que era garantia de apenas uma falha, virou um perigo constante. E lá na frente, Diego Souza e CleitonX não conseguiam articular nada, além de presos na marcação, pareciam não tão ligados no jogo quanto deveriam.

Assim, no primeiro tempo houve poucas chances. No início, após excesso de soberba da biba-mor que acha que é o Ademir da Guia e tentou sair jogando, Ortigoza pegou a sobra e rolou pra Armero, na corrida, que chutou na rede, por fora. No último lance do primeiro tempo, Diego Souza roubou a bola na saída delas, tocou pra Ortigoza e recebeu de volta, o paraguaio estava aberto pela esquerda, livre, mas Diego foi fominha e decidiu bater para o gol, errando o alvo. Entre esses dois perigosos ataques do Verdão, as moças tiveram suas chances: uma tentativa individual de infiltração de Dagoberto, travado por Edmilson; a mais perigosa, numa ajeitada de peito de Dagoberto que Jorge Wagner bateu bem no canto, pra ótima defesa de Marcos; e uma tabelinha dos avantes delas, que Washington bateu forte de fora, e Marcos pegou novamente.

Hernanes não conseguiu voltar para o segundo tempo, e Ricardo Gomes colocou Arouca. Já Muricy voltou com Souza no lugar de Ortigoza. E os volantes dos dois times ditaram o rumo do jogo com ótimas atuações. O Verdão chegou a dominar o setor no segundo tempo, até Ricardo Gomes colocar Hugo no lugar de Dagoberto para voltar a equilibrar as ações. Assim, as duas equipes ficaram com apenas um atacante enfiado, esperando um erro do adversário. Marcão não errou, e a nossa parte lá atrás foi até que tranquila. Na frente, paramos na apatia de Diego Souza, no nervosismo de Deyvid Sacconi, que entrou no lugar de CleitonX e na falta de recursos de Obina. Danilo chegou a cabecear uma bola que raspou (mesmo) o travessão num escanteio, Armero teve outra boa chance numa tabela rápida em que ele novamente chegou na corrida. As frangas tiveram a chance de matar o jogo perto do fim, numa bola que rondou nossa área mas Jean bateu muito mal, por cima, quando tinha boas condições. Mas ficou nisso. Ruim para os dois, bem menos ruim pra nós, que continuamos na liderança.

Chamou a atenção a dedicação do time na parte tática. A cada paralisação da partida, sempre dois ou três jogadores corriam em direção a Muricy para buscar orientações. A aplicação e seriedade dos jogadores foi impressionante – dos dois lados, vamos reconhecer – com exceção do goleirinho delas, um mascarado incorrigível. A se lamentar apenas o estado de ânimo de Diego Souza, que em boa parte do jogo se conformou com a forte marcação bambi, e só se soltou mesmo nos quinze minutos finais, depois de ficar o jogo todo tentando cavar faltas, em vão.

O árbitro Heber Pilantra Lopes não cometeu nenhuma falha em lance decisivo. Mas ajudou a amarrar o jogo, e exagerou na tendência a marcar as faltas dos nossos jogadores e deixar seguir lances iguais do outro lado. O critério para os cartões também foi diferente dependendo da camisa. Mas é um caseirão, pilantrão, não deveríamos esperar nada diferente, ainda mais em jogo do Engenheiro Beltrão.

Temos uma sequência razoável pela frente agora: Barueri no Palestra, e o decadente Vitória na Bahia são jogos para vencer, e qualquer tropeço dos adversários aumentará nossa vantagem – um empatezinho do Inter contra o Galo, no jogo atrasado na quarta seria espetacular. Depois, teremos uma última sequência difícil, com jogos no Mineirão e na Vila (uma molezinha entre os dois, Atlético-PR no Palestra); e então uma fila de oito jogos* que, na boa, dá pra ganhar todos, e botar a faixa no peito a três rodadas do fim. Com os reforços entrando bem no ritmo do time, e não sendo tratados como Engenheiro Beltrão, o Palmeiras só perde o título para si mesmo.

* Avaí (C), Náutico (F), Flamengo (C), Santo André (N), Goiás (C), Gambá (N), Fluminense (F) e Sport (C)

Atuações:
Marcos: três boas defesas, nenhuma chegou a ser milagrosa, mas ele estava sempre lá. 8,5
Wendel: ah, se ele soubesse cruzar… 6
Mauricio Ramos: lesionou-se logo no início.
Danilo: não deu chances para nenhum atacante bambi. Nada foi em cima dele. E ainda quase fez um lá na frente. 8,5
Armero: correr, pensar, correr, pensar… Apesar dessa dificuldade, chegou duas vezes como surpresa para concluir, e não foi mal. 7
Pierre: não foi de suas melhores partidas, pro que estamos acostumados. 7
Edmilson: jogou muito, fez as vezes de zagueiro, volante e meia. Um líder em campo. 9
CleitonX: era nítido que estava sem ritmo, a falta de treinos por conta da recuperação da lesão cobrou o preço. 6
Diego Souza: era um jogo pra ele decidir, mas ficou na marcação bambi. 5
Ortigoza: uma ou outra participação efetiva. 6
Obina: outro que não apareceu porque a bola não chegava. Quando poderia fazer alguma diferença, esbarrou nas próprias limitações. 5,5
Marcão: vamos parar de pegar no pé dele. Eu teria colocado o Mauricio Nascimento, mas o Marcão entrou e foi bem, não errou nenhuma. 7
Souza: entrou no intervalo e foi responsável pelo domínio do meio-campo por boa parte do segundo tempo. 8
Deyvid Sacconi: vai queimando suas últimas chances. Pena. Tem talento, mas parece ser daqueles que com a camisa do Palmeiras, não faz tudo o que pode. 5
Muricy: armou o time com o regulamento debaixo do braço. Até tentou ganhar, mas não achou o empate ruim em momento algum. Ao contrário da torcida, que queria demais uma vitória. Coisas de quem acabou de chegar. 6,5

23 de agosto de 2009

Palmeiras 2×1 Inter

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 3:04

Noite perfeita. Todos os testes foram feitos, e o Palmeiras passou em todos. O Verdão retoma o caminho das vitórias e o rumo do título, na hora mais exata possível, afastando o início de crise que poderia se instalar no Palestra. Mais uma rodada, líderes.

A pressão estava grande. O Palmeiras suportou. A camisa estreou. Não teve nada de zica, deu foi muita sorte, além de ser linda. O adversário era um concorrente direto pelo título, e o Palmeiras o derrotou. O camisa 10 saiu machucado no início do jogo, mas o volume de jogo do Palmeiras se manteve alto. Enfrentamos um time muito bom, levamos pressão no final, e suportamos. Os cartões foram bem administrados e ninguém foi suspenso para o jogo no panetone. Queríamos mais o que?

Muricy veio de feijão com arroz. 4-4-2, com Mauricio Nascimento e Danilo na zaga, Wendel e Armero pelas laterais, Souza e Edmilson na proteção, CleitonX e Diego Souza nas meias, e Ortigoza e Obina no ataque. Simplezinho mas bonitinho.

O Inter parecia um pouco ansioso no início, talvez efeito do bafo quente na nuca, e não quis sair muito pro jogo no primeiro tempo. O Palmeiras manteve o domínio da bola, trocou passes com consciência, e criou as melhores chances. Em quase todas, a finalização chegou a sair, mas era sempre mascada pela defesa gaúcha, bastante precisa. No melhor lance, Deyvid Sacconi, que entrou aos 10 minutos no lugar de CleitonX, com uma torção no tornozelo, chegou em velocidade após passe de Ortigoza e bateu forte, da entrada da área, para defesa de Lauro.

Até que Diego Souza, chapa quente, resolveu o jogo: entrou driblando pela direita na área do Inter, e foi derrubado. Pênalti que Obina cobrou muito bem e abriu o placar, aos 38 minutos. O Palestra se inflamou, e a sensação é de que poderia vir mais.

Muricy não mexeu no intervalo, e o time voltou quente. Logo aos dois minutos, Diego Souza mais uma vez entrou com bola dominada, driblou, abriu o espaço e bateu forte. A bola espirrou em Sorondo (nome legal de ficar falando. “Soronnnnndo”) e sobrou para Ortigoza, que ainda disputou com Danny Moraes antes de bater cruzado no canto esquero de Lauro. Admito que subestimei o poder de reação do Inter e já comecei a pensar no bambi neste momento.

O Inter foi um bravo adversário, e não entregou os pontos. Taison e Alecsandro estavam sempre perturbando nossa defesa, e Giuliano passou a comandar as investidas, já que Andrezinho estava meio mascaradinho. E o Palmeiras passou por poucas e boas, embora tivesse se postado muito bem no contra-ataque, e acabou perdendo mais duas chances claras de gol. Mas o Inter também tem seus talentos, e Andrezinho pegou a sobra de uma jogada de Giuliano e bateu muito bem, forte, alto. Marcos resvalou nela, que foi explodir no travessão.

A história ds últimos jogos se repetiu, e depois dos 25 minutos o time amarrou a gravata vermelha. O cansaço bateu forte, e o time não conseguia mais acompanhar o ritmo do Inter, que passou a dominar o jogo. E aí valeu muito a catimba do Palmeiras, que segurou a bola nos cantos do gramado, provocou faltas, escanteios, parou o jogo sempre que pôde.

Edmilson sentiu o cansaço e foi trocado por Jumar, enquanto Deyvid Sacconi deu seu lugar a Sandro Silva. Sempre com a missão de fechar o meio, e segurar o tempo. E a pressão gaúcha no final foi terrível, principalmente depois do golaço de Giuliano aos 42. Os sete minutos finais foram extremamente tensos. E o Verdão foi aprovado, porque segurou a bola, resistiu à pressão e sacramentou mais uma estréia de camisa vitoriosa na História do clube.

Foi um belíssimo teste, e o Verdão passou com louvor. A motivação volta a ficar em alta, a liderança na tabela já foi assegurada para o complemento da rodada, e tirando a preocupação com a lesão de CleitonX, o astral é o mais alto possível para iniciar a semana de preparação para a guerra no panetone. Muricy finalmente terá um período livre para fazer mais treinos táticos e acertar de uma vez esse 4-4-2, todos nós esperamos, para a partida.

É importante lembrar que a torcida do Pameiras, especialmente a Mancha, desta vez deu um show antes e durante a partida, incentivando de forma muito vibrante o Verdão em nossa casa, no que foram seguidos pela massa. Quando mandam bem, a gente elogia, assim como descemos a ripa na hora das bobagens. Que continue sempre assim, principalmente quando o time estiver perdendo.

Atuações:
Marcos: pouco exigido, e não teve chances no gol. 7,5
Wendel. estréia logo, Figueroa! 5
Danilo: tomou posse da defesa do Palmeiras. Tem que pedir licença pra ele. 9
Mauricio Nascimento: grande partida, queimou de uma vez o filme do Marcão. Agarrou a terceira vaga na zaga com força nesta partida. 9
Armero: continua pouco inteligente e afobado, mas conseguiu encaixar algumas jogadinhas interessantes. 6,5
Edmilson: sua presença em campo dá outra cara ao time. Muricy vai ter problemas para definir os titulares quando todos estiverem disponíveis. Ê problema bom. 8
Souza: simplesmente o melhor em campo. Que personalidade. Já não tenho dúvidas que o Souza virou jogador de time grande pro resto da carreira, trata-se de uma realidade, não de uma promessa. DEZ
CleitonX: s/n; deu lugar a Deyvid Sacconi que não mostrou muito a que veio, estando até desligado em alguns lances. 6
Diego Souza: o comandante do time. Ainda jovem, Diego já está maduro o suficiente para liderar qualquer grupo. Segura a bola quando precisa, ganha tempo, dá dribles humilhantes, sofre faltas. Sem falar que os dois gols tiveram sua participação. Sempre decisivo. Chapa quente. 9,5
Ortigoza: é rápido, insistente, pentelho… Como deve ser chato jogar contra ele. Fez um gol de raça, de insistência. Esse o Palmeiras já pode consultar o Sol de América e pedir pra estabelecerem o preço. 8
Obina: taticamente muito bem, ajudando muito inclusive na defesa. O pênalti foi muito bem batido. 8
Jumar e Sandro Silva, s/n
Muricy: muda de esquema com bastante facilidade. Nem sempre dá resultado. Mas o 4-4-2 vem se mostrando de longe o esquema mais eficiente com este grupo. Hoje, Urtigão foi bem. 8,5

20 de agosto de 2009

Coritiba 1×0 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 0:43

20090819_ctb1x0palO ruim nem é perder. O pior nem é perder roubado. O desastroso mesmo é perder roubado nos descontos. Na verdade, pelo que apresentaram em campo, Coxa e Palmeiras mereciam ficar no 0×0, a mesma nota do juiz, um palhaço que quis aproveitar a transmissão ao vivo para todo o país em TV aberta para aparecer. Estragou a partida, distribuindo cartões sem parcimônia, como aquele segurança com síndrome de pequeno poder. E não se trata de critério, porque se tivesse, já teria dado o vermelho para Leandro Donizete com 15 minutos ao pegar CleitonX por trás. Só o expulsou aos 40, pelo segundo amarelo, isso depois de ter mandado Pierre pro chuveiro numa falta que era no máximo pra amarelo.

Mas o Palmeiras não pode reclamar do juiz, apesar de tudo, porque não conseguiu vencer um time com Jeci na zaga, e ainda sofreu o gol de pênalti – roubado, é verdade – em cima simplesmente de Thiago Gentil. Muricy mostrou que ainda não pegou a mão do time, ao testar mais um esquema diferente, desta vez um improvável 3-4-3, que se mostrou ineficiente contra um time muito fraco na defesa, imaginem quando pegar um time forte. É esquema pra abandonar correndo.

O 3-4-3 proposto por Muricy não segurou a pressão inicial do Coritiba, que só não abriu o placar porque a linha defensiva comandada por Danilo estava firme nas bolas aéreas. Tudo bem que era contra um ataque de pigmeus, mas a obrigação era tirar todas. Aos poucos, o Palmeiras foi colocando a bola no chão e assumiu o controle da partida, mas dependia sempre do apoio de um dos zagueiros ou de Pierre para preencher o toque de bola, e aí complicava.

O juizinho resolveu aparecer, expulsando Pierre numa jogada que claramente era para advertir com o amarelo. Como perdeu um volante, Muricy teve que recompor o setor, tirando o desesperado Daniel Lovinho para a entrada de Jumar. Depois o juiz deu o segundo amarelo para Leandro Donizeti, numa falta exatamente sobre Jumar. Tirou um de cada lado, pronto, apareceu.

As nossas chances só surgiam em bolas paradas ou quando CleitonX conseguia dominar a bola e partir em direção à área. Numa dessas, ele achou Obina livre, na corrida. Mas o nosso pesado atacante não tem a menor velocidade, e preferiu bater de fora, já que estava de frente. Podia até ter feito, se tivesse batido no canto esquerdo, de curva, por fora da trave. Mas bateu cruzado de forma bisonha. Na sequência, Mauricio Ramos cometeu a falha nossa de cada jogo, e a bola foi cruzada da esquerda encontrando Marcelinho Paraíba livre, da linha da pequena área, que cabeceou firme. Bruno pegou, e acabou o primeiro tempo.

Muricy não mexeu no time, e vimos um dos piores momentos do Palmeiras no campeonato. Sem a menor consistência no meio-campo, sem conseguir trocar dois passes seguidos no setor ofensivo, o jogo foi modorrento, com as equipes valorizando a posse de bola e tentando furar a defesa adversária sem sucesso, apesar de ter mais espaços no campo com as duas expulsões. O Coritiba esteve mais próximo de fazer o gol, principalmente com Marcelinho Paraíba, mas sem grande volume.A melhor chance do Verdão foi com Armero, em mais um passe de CleitonX.

Enquanto Muricy trocou nos dez minutos finais Obina e Ortigoza por Robert e Deyvid Sacconi, Ney Franco mandou pro jogo Thiago Gentil. O que seria a garantia de pelo menos trazer um empate virou a definição da derrota: numa jogada morta, Marcão bloqueava Thiago Gentil numa disputa normal, em que os dois jogadores se puxavam, como em toda jogada. O juiz resolveu colocar na cal após o mergulho patético de Thiago Gentil. Marcelinho Paraíba bateu muito bem, Bruno quase pegou, mas não deu, 1×0. Deu tempo pro palhaço expulsar mais um de cada lado antes de encerrar uma melancólica partida.

Luz vermelha acesa. A hora da reação é agora. Com a volta de Diego Souza, com o Inter tendo perdido pro gambá em casa, o jogo de sábado no Palestra, seguido da guerra no panetone são as partidas que o time precisa para sair da turbulência, já que são os rivais diretos pela disputa do título. E não tem que ser na base da motivação, mesmo porque, o time não vence há quatro jogos, que motivação teria? Tem é que jogar bola, corresponder ao apoio da torcida que tem enchido o Palestra com 25 mil por jogo, honrar a postura da diretoria em manter o grupo intacto na hora em que a liderança era folgada, e voltar a abrir frente no campeonato.

Não se esqueçam que ainda somos líderes. Pelo menos até esta quinta.

Atuações:
Bruno: fez o que tinha que fazer, e ainda quase pegou o pênalti. 7
Mauricio Ramos: já é uma tradição, uma falha por jogo, e de resto vai bem. 6
Danilo: a parte dele foi muito bem feita. 8,5
Marcão: garantia de emoção. Pior que dessa vez ele não fez o pênalti, mas sempre que tem batatada, ele tá no meio. Acabou expulso. 4
Souza: conseguiu ocupar bem os espaços, apesar de ter pouca gente por perto. Mesmo isoladão, se garantiu. 7,5
Pierre: fazia uma marcação implacável sobre Carlinhos Paraíba e Pedro Ken, até ser tirado do jogo na maldade pelo safado de amarelo. 6,5
CleitonX: uma ilha de talento e inteligência num mar de mediocridade. 9
Armero: correr e pensar ao mesmo tempo não é para qualquer um. 5,5
Daniel Lovinho: não deu tempo da defesa do Coxa perceber que esse a natureza marca. Por isso, apesar dele mesmo, levava preocupação para a zaga, e abria espaços. Mas errava absolutamente tudo. Saiu antes de passar vergonha. 5
Obina: perdeu o duelo para Jeci. É irritante as jogadas que deixa de concluir do jeito certo porque não tem velocidade. 4
Ortigoza: apenas esforçado, precisava de gente mais encostada nele para fazer as tabelas que gosta tanto. 6
Jumar: fez muito bem o papel do Pierre. Mas não vamos esquecer que ele é só o Jumar, não o Flavio Conceição. 6,5
Sacconi e Robert: sem nota, mal pegaram na bola.
Muricy: tentou, e errou. Num jogo onde o mais lógico seria dominar o meio de campo, ele preferiu esvaziar o setor e apostar em bolas esticadas. Meio-campo povoado não é sinônimo de retranca, ataque povoado não é sinônimo de valentia. Pelo menos mostrou que não é retranqueiro. Só que custou caro essa auto-afirmação perante a torcida e os conselheiros mais cornetas. 1,5

16 de agosto de 2009

Palmeiras 1×1 Botafogo

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:02

20090815_pal1x1botPode parar. Diante de quase 25 mil pessoas, que mais uma vez proporcionaram uma renda perto de 900 mil reais, o Palmeiras protagonizou um vexame, e fechou o turno, apesar de mantendo a dianteira, permitindo aos rivais tirar a distância, e deixando a disputa muito aberta depois de ter sinalizado que seria um time que dispararia na liderança, mesmo com os empates frente ao Grêmio em casa e Atlético, fora. O Inter, com dois jogos a menos, volta a ser líder por pontos perdidos.

Nesses jogos o Palmeiras se impôs, e os resultados foram apenas circunstanciais. O time mostrou uma superioridade incontestável, e a impressão é que, em jogos fáceis como os de hoje, o resultado a ser esperado não poderia ser outro a não ser uma vitória esmagadora, não necessariamente uma goleada elástica, mas a imposição da autoridade típica dos times campeões. Infelizmente o que se viu hoje no Palestra foi um time vacilante, com limitações técnicas gritantes, mais falhas grosseiras, e um problema sério quando precisa recorrer ao banco.

O Botafogo, apesar da camisa gloriosa num passado distante, hoje é um time pequeno, com orçamento de time pequeno, com torcida de time pequeno, em colocação de time pequeno. Só podia vir ao Palestra e se comportar como time pequeno, não se podia esperar nada diferente disso. O Palmeiras, como time grande, com estádio lotado, líder do campeonato, tinha que agir como time grande, e sufocar o adversário, não deixá-los respirar, e impor a derrota com a devida autoridade. Mas podemos notar que uma perigosa auto-suficiência começa a tomar conta do elenco. E esse é o primeiro passo para o fracasso.

O senhor Diego Souza, hoje, brincou com a torcida. Não é porque tem sido um jogador brilhante há vários meses que está imune a críticas e não pode ser responsabilizado pelos maus resultados quando é o caso. Hoje ele teve uma bola dominada, em velocidade, sozinho, de frente para o gol, era só escolher o canto. Sua tentativa de driblar o goleiro foi ridícula, um insulto à massa palmeirense no Palestra. Isso não se faz.

Muricy armou o time novamente no 4-5-1, ou podemos até interpretar como um 4-3-2-1, com Diego Souza e CleitonX com bastante liberdade para chegar à frente, e um trio de volantes que em tese deveria dar consistência ao meio-campo, como fez em BH no jogo passado. Mas sábadão, feijoada, sabe como é. O time estava com o freio de mão puxado, as coisas não aconteciam, e embora o Botafogo não conseguisse jogar, isso se deu mais pela postura tática retraída que convinha a um time pequeno. Ainda no primeiro tempo, os cariocas perceberam que o bicho não era tão feio assim, e passaram a acreditar que poderiam sonhar em algo a mais que segurar um empate.

Essa impressão ficou mais latente ainda quando, numa falta batida pela esquerda, a bola foi rebatida para o chão por Mauricio Ramos – a falha nossa de cada jogo – e sobrou para André Lima dentro da área; o atacante bateu firme e venceu Marcos, aos 24 minutos. O Botafogo ainda teve um pênalti não marcado, de Pierre sobre Lúcio Flavio. Sim, amigos, dessa vez o juiz errou a nosso favor. Pelo menos isso.

O Palmeiras tinha perdido até então apenas duas oportunidades de gol, e em bolas paradas: um desvio de Diego Souza, de cabeça, de costas para o gol, e uma falta cobrada na trave por CleitonX. Nada que intimidasse ao Botafogo, que após seu gol fechou mais ainda o meio de campo, fazendo com que o Palmeiras passasse a depender demais de jogadas pelos flancos, com os avanços de Wendel e Armero. Aí complica…

Mesmo assim, o Verdão conseguiu o empate – e só podia ser de bola parada. CleitonX cobrou uma falta longa, mas frontal, na marca do pênalti. Pela trajetória da bola, a hora que o goleiro ameaçou subir e Danilo saiu do chão já se podia comemorar. Fazia tempo que um gol não era desenhado tão antes da conclusão da jogada. E com trinta e poucos minutos, apesar da péssima partida, podíamos ter esperança de que as coisas, se não fossem mudar ainda no primeiro tempo, mudariam no segundo.

Mas não foi o que se viu. Com Diego Souza exagerando nas jogadas de efeito, Souza e Sandro Silva nem de longe dando a qualidade no passe que se precisa num esquema como o proposto por Muricy, e principalmente a burrice de Wendel e Armero na construção de suas jogadas pelas laterais, a esperança do Palmeiras passou a ser apenas as bolas paradas, principalmente depois da jogada em que Diego Souza saiu na frente do goleiro e não decidiu a partida, ainda aos 10 minutos da etapa final. Isso porque Marcos já tinha salvado a pátria antes desse lance, numa jogada em que Armero levou até drible da vaca e André Lima saiu de frente com nosso santo, depois de tabelinha envolvente do ataque do Botafogo (onde vamos parar assim?). No final, apesar das tentativas de Muricy colocando Daniel e promovendo a estréia de Robert, o time não teve forças para buscar o resultado, frustrando a massa que lotou o Palestra, e deixando um gosto amargo nesse fechamento de turno.

Se temos que tirar lições de vexames como o de hoje, que sejam tiradas: Armero não está nem perto de ser a solução para a nossa lateral-esquerda. Se tivermos que optar entre ele e Ortigoza para abrirmos mais uma vaga para estrangeiro, o paraguaio, de longe, merece permanecer no Palestra. Wendel é um caso perdido, mas pra posição dele esperamos a estréia do chileno Figueroa. Alguém sabe por que ele não joga? O Robert foi contratado outro dia e já entrou em campo…

Sandro Silva e Souza precisam entrar numa maré de regularidade se quiserem garantir um lugar no time. Edmilson, apesar da deficiência no combate, faz muita falta quando temos a posse de bola. Por fim, Diego Souza fez uma de suas piores partidas pelo Verdão, pior que as piores do ano passado, com preciosismo, displiscência e excesso de auto-confiança. Tá precisando levar uma bela comida de rabo.

E pra não ficar só descendo a ripa, vamos elogiar o desempenho de CleitonX e Ortigoza. O primeiro, além da assistência para o gol de Danilo, ainda bateu uma bola na trave e arrumou o passe com açúcar pra Diego Souza fazer aquela presepada. Já Ortigoza esbanja vontade, mesmo com o contrato por vencer, e sua movimentação e força deixam qualquer defesa preocupada. Gostei quando Muricy tirou o Sandro Silva, mas não quando saiu o paraguaio, para colocar dois atacantes descansados. Sou mais o Ortigoza cansado que qualquer um dos que entrou.

É verdade que o Palmeiras foi o time mais prejudicado pela tabela nessas rodadas, tendo o jogo adiado para o meio da semana à noite, e jà tendo que jogar de novo no sábado, enquanto todos os times vieram com a semana limpa – com exceção do Atlético, e dos times que jogaram a Sulamericana. Mesmo assim, o desgaste físico, que é real e certamente foi uma das razões da apatia vista hoje, não pode ser desculpa. São profissionais que têm que aguentar esse tranco, por isso que tem um nível de remuneração tão elevado. O resultado de hoje é inaceitável. Alguma coisa tem que mudar.

Atuações:
Marcos: um milagre e algumas saídas atrapalhadas em bolas altas. 8
Wendel: vai fazendo o que pode, ele é um cara legal. 5
Mauricio Ramos: jogou bem, mas o gol saiu em mais uma falha sua. 4
Danilo: fez o dele, mas lá atrás vacilou, tomando até tabelinha do ataque do Botafogo. 7
Armero: parecia o Baiano canhoto. 2,5
Pierre: muito distante dos outros dois volantes, não teve a eficiência de costume. Precisam compactar mais. 6
Sandro Silva: pra fazer o que fez, até o Wendel de volante faria. 4
Souza: parecia que estava numa noite boa, com duas jogadas de efeito. Depois, sumiu. 6
CleitonX: já ultrapassou Diego Souza como o melhor do time. Se ele pudesse repartir sua inteligência com dois ou três do time… 9
Diego Souza: sem firula, seu Diego. Vamos jogar bola, pô. 1,5
Ortigoza: em outubro seu contrato vai vencer de novo. Fica, Ortigoza. 8,5
Daniel: vai se soltando, até achei que ele ia dar uma de Lovão e ia fazer o dele. Foi um delírio de arquibancada, momentâneo. 6
Robert: tímido, até teve tempo pra levar uma nota, mas vamos quebrar o galho. S/N
Muricy: já se ligou que com esses laterais não rola, e fez o esquema pelo miolo, que não é seu favorito. Podia ter funcionado, o que atrapalhou hoje foi a falta de presença de nossos jogadores. 7

13 de agosto de 2009

Atlético-MG 1×1 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 11:29

20090812_cam1x1palO resultado até que não foi ruim, apesar de extremamente injusto. O Verdão manteve a escrita de não perder para o Galo no Mineirão há quase dez anos, e só não trouxe os três pontos na bagagem porque foi assaltado mais uma vez, desta vez por um gatuno velho conhecido: Djalma Beltrame, que não deu dois pênaltis para o Palmeiras. De qualquer forma, o time jogou muito bem, o comportamento foi de líder, e a missão de impor o respeito perante todos os adversários e imprensa foi plenamente cumprida.

Muricy entrou com o time num 4-5-1, surpreendentemente deixando Obina de fora e incumbindo a Ortigoza a missão solitária de comandar o ataque do Verdão. Com Pierre, Souza e Sandro Silva fazendo a proteção, Diego Souza e CleitonX tiveram bastante liberdade, e o meio de campo do Atlético não teve a menor chance durante todo o jogo.

Com a defesa muito bem armada, o Palmeiras só sofreria algum gol em erros individuais. E foram logo dois no mesmo lance: Marcão falhou bisonhamente num domínio, a bola caiu com Eder Luiz que avançou e bateu cruzado. A bola serpenteou e enganou Marcos, que tentou encaixar e frangou feio. Parecia que seria uma noite difícil, com mais de 50 mil pessoas enlouquecidas no estádio.

Mas o Verdão colocou a bola no chão, e apesar das deficiências dos laterais, manteve o controle da partida. O volume de jogo do Palmeiras foi massacrante, parecia que a partida era no Palestra. E o empate saiu naturalmente, numa jogada em que Diego Souza entortou o zagueiro Welton Felipe umas três ou quatro vezes e cruzou com perfeição para Ortigoza, no segundo pau, que apenas cumprimentou: 1×1.

Enquanto Marcos assistia ao jogo, o Palmeiras forçava e podia ter chegado à virada se Djalma Beltrame tivesse dado um pênalti claro sobre CleitonX, num empurrão do goleiro Bruno. O panorama para o segundo tempo era o de uma partida de xadrez, e Muricy tinha a vantagem de poder esperar o movimento de Celso Roth, já que tinha o domínio tático do jogo. Mas em mais um erro individual, Wendel cometeu um pênalti estúpido sobre Reanan Oliveira, que foi incumbido de bater. Poucas vezes ficou tão nítido que o jogador estava se borrando. Ele ia errar, estava na cara. Bateu telegrafado, e Marcos defendeu com certa tranquilidade, se redimindo da falha no gol sofrido.

E então Celso Roth mostrou por que é tão ridicularizado, apesar das boas campanhas: ao perder o volante Serginho, melhor jogador deles, machucado, colocou o atacante Tchô, e se o meio-campo já era nosso, depois dessa colocamos até nossa decoração. A cereja no bolo foi a troca de Junior por Alex Bruno, numa tentativa de mudar para o 3-5-2. Se nossos laterais são fracos, os deles são piores, e o tal de Tiago Feltri conseguiu perder a única chance real que o Atlético teve durante todo o jogo.

Enquanto isso, o Verdão perdeu gol atrás de gol, a começar de uma falta batida dentro da área que foi defendida com as mãos por um zagueiro mineiro, mas o pilantra vestido de rosa – ora vejam – mandou seguir. Depois, Diego Souza meteu uma bola na trave, CleitonX desperdiçou duas chances claríssimas de frente para o gol, tendo uma defendida por Bruno, e outra escorada por cima. Diego Souza tentou mais uma num chute de fora que passou muito perto. Mas ficamos no 1×1, mesmo com as entradas de Daniel e Deyvid, pra botar correria no final. O jogo terminou com o Palmeiras acuando o Galo em seu campo, buscando o gol. Coisa de time vencedor, coisa de campeão.

No final, o resultado pode ser considerado um tropeço, pelas circunstâncias do jogo. Apesar disso, o time cumpre os objetivos de conquistar pontos e de não deixar os rivais tirarem a diferença. Os próximos a serem tirados do caminho são o Inter e o bambi, daqui a três e quatro jogos. Antes, vitórias obrigatórias contra Botafogo e Coritiba. E que venha o segundo turno, e que venha mais um título.

Atuações:
Marcos: um frango e um pênalti defendido. Prevalece a defesa no momento crítico do jogo. 9
Wendel: entra em forma logo, Figueroa… 5,5
Mauricio Ramos: uma parede. Mas continua cometendo uma falha grosseira por jogo. 7,5
Danilo: não fosse uma afastada errada, teria sido uma partida perfeita. 9,5
Marcão: cometeu uma bizarrice no gol do Galo, logo no início, mas surpreendentemente melhorou bastante depois do erro, e fez uma partida interessante, segurando Eder Luiz e ajudando na saída de bola com alguma qualidade. 7
Pierre: quando o narrador diz “…recebe o combate de Pierre…”, a gente fica tranquilo. 8,5
Sandro Silva: taticamente bem, mas tecnicamente deixou a desejar, cometendo muitos erros. O domínio do meio-campo teria sido ainda maior se ele estivesse ligado. 6
Souza: mostrou que não sentiu o chá de banco, e voltou muito bem. Seu setor não teve sustos. 8
CleitonX: partidaço, pena que errou as duas bolas de frente para o gol que teve. Tem crédito. 7,5
Diego Souza: o Mineirão parece ser o quintal de sua casa. E como está com fome de bola. So precisa ser mais comedido na distribuição de chapéus, às vezes a jogada acaba sendo desnecessária. 8,5
Ortigoza: além do gol, infernizou a defesa deles. O Kleber genérico paraguaio mostra que tem muitas qualidades, e a diretoria vai ter que se virar em outubro, quando vence a prorrogação de seu contrato. 9
Lovinho e Sacconi entraram no fim, sem nota.
Muricy: banho tático em Celso Roth. Deu até dó. Mostra que já está com o elenco quase todo na mão, ainda falta acabar a paixão pelo Wendel, e de resto já entendeu o terreno onde está pisando. 9,5

7 de agosto de 2009

Palmeiras 1×1 Grêmio

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:05

20090805_pal1x1greUm empate pra ficar esperto, e manter a seriedade, já que continuamos líderes isolados. Sempre entramos para ganhar, mas contra times de camisa forte como o Grêmio, empates no Palestra não chegam a ser completos desastres, embora o Palmeiras tenha jogado melhor e tenha sofrido um gol irregular. Surpreendentemente, o Grêmio veio para empatar, e se comportou como o XV de Campo Bom, desesperado pra ganhar um pontinho mesmo precisando tirar mais de dez para aspirar ao título. Não entendo como um time com essa camisa pode abrir mão de disputar o campeonato ainda no primeiro turno.

De qualquer maneira, o Palmeiras podia ter saído com a vitória, mas além do erro do juiz, esbarrou em partidas muito ruins de Jefferson e principalmente Willians, e em erros de Muricy nas substituições. Não vale a pena crucificar ninguém, cada um tem seus motivos e seus devidos créditos para serem descontados. Mas os erros não vão deixar de ser apontados.

A escalação veio diferente de novo: voltou ao 4-4-2, com Ortigoza fazendo dupla com Obina, e Marcão na lateral. E os primeiros trinta minutos do Verdão foram excelentes, com marcação adiantada, toque de bola rápido, e algumas chances de gol desperdiçadas, principalmente nas cabeçadas que Obina insistia em fechar os olhos antes do golpe. Na melhor chance, entretanto, foi Diego Souza quem recebeu lindo passe de CleitonX e tocou na saída de Victor, mas a defesa gaúcha salvou em cima da risca.

Até que aos 28, Wendel foi acionado pela direita e cruzou muito bem – logo ele – para Obina, que fechava pelo meio. A bola passou pelo atacante, mas CleitonX surgiu muito rápido e testou para o chão, cruzado, sem chances para Victor. Gol muito justo, e festa no Palestra com mais de 25 mil parmeristas, que proporcionaram quase 900 mil reais de renda.

O Palmeiras precisava de alguns minutos para aproveitar que o Grêmio finalmente saiu pro jogo, e na rapidez de Ortigoza, na movimentação de Diego Souza e no oportunismo dele’e, o segundo gol era a maior tendência. O Grêmio até então não havia passado da nossa intermediária. Numa jogada isolada, Ortigoza disputou uma bola no meio-campo e segundo o juiz, fez falta – muito, muito discutível. O jogador do Grêmio bateu rápido. Tão rápido que a bola ainda estava rolando. A bola foi esticada para Souza, pela direita, nas costas de Marcão. Danilo cercou, Mauricio Ramos ficou no mano a mano com Maxi Lopez na área. A bola mesmo assim foi cruzada, chegou na área, e o argentino conseguiu escorar para o gol, num chute mascado.

Foram 3 minutos em que o Grêmio jogou bola, e fez um gol irregular. Depois, voltou a ser o XV de Campo Bom. O Palmeiras sentiu o empate, e deu espaços que não dava antes, e numa dessas quase Maxi Lopez fez o segundo, mas Marcos estava lá para salvar a pátria. E assim terminou o primeiro tempo, com pleno domínio alviverde, quase meia hora de futebol bem jogado, e todo o segundo tempo para fazer a superioridade refletir no placar.

Mas Muricy não foi bem na primeira mexida. Voltou com Willians no lugar de Ortigoza. Até que a intenção era boa, embora o paraguaio estivesse bem no jogo, mas a movimentação de Willians poderia ajudar a abrir mais espaço para Obina e Diego Souza, aproveitando que CleitonX estava claramente numa noite diferenciada. Só que Willians não se saiu nada bem quando esteve com a bola nos pés, e errou praticamente todas as jogadas, quebrando o ritmo do time e enervando a torcida.

Muricy, percebendo que o Grêmio havia bloqueado as entradas congestionando o meio, abriu o jogo, tirou Obina para colocar Jefferson como ala pela esquerda, recuou Marcão pra zaga e liberou Wendel pra descer pela direita. Se Diego Souza já estava distante do jogo devido à forte marcação, depois dessa ficou mais ainda. O lado esquerdo não funcionou, já que Jefferson, conforme previsto, errou muitos passes. Era jogo pra ele sair desde o início. Ao entrar no momento crítico do jogo, com a missão de resolver, até abaixar a adrenalina já era tarde. Se não era Willians quem errava, era Jefferson, e assim nosso lado esquerdo foi marcado pela natureza.

Pela direita, Wendel até que tentou. Correu como nunca. Pensou como sempre. Diego Souza, que virou centroavante, e que teve até a companhia de CleitonX no ataque em determinadas jogadas, brigava para não cair na linha burra gaúcha, mas quase não conseguiu. Quando o fez, o bandeira, uma toupeira, parou o jogo. Muricy ainda melhorou o time colocando Marquinhos no Marcão, abrindo mão dos três zagueiros, e o time ficou de fato mais perigoso. Willians teve a bola do jogo, ao receber a bola na meia lua, com caminho livre. Mas errou o domínio.

O relógio passou rápido, o Grêmio fez cera como se fosse um jogo de mata-mata em que estivesse se classificando para alguma coisa, e contou ainda com o desmaio de Rever, que deixou os gaúchos com um a menos, mas que comeu bons três minutos da partida. O atendimento ao zagueiro demorou mais de quatro minutos. O juiz deu cinco minutos a mais. Ou seja, na verdade todo o acréscimo foi gasto nesse atendimento, e o tempo da cera gremista ficou pro jogo da volta.

O time parece bastante tranquilo, demonstrou bastante serenidade apesar do tropeço nas declarações após a partida. A torcida soube assimilar os dois pontos perdidos, apoiando o time na saída. Sabe que o próximo jogo é um confronto direto, na casa do adversário, e essa partida começou um segundo depois do apito final do pilantra pernambucano que vestiu amarelo. Aliás, mais uma vez, roubados no Palestra. Como é que pode acontecer isso tantas e tantas vezes…?

Conforme já dito no início do post, nada de pregar ninguém na cruz, a hora é de remar junto. Mas sr. Jefferson, sr. Muricy, e principalmente sr. Willians, não comecem a gastar crédito tão cedo que estamos no primeiro turno ainda.

Atuações:
Marcos: mais uma defesa monstruosa na conclusão à queima-roupa de Maxi Lopez. Nada a fazer no gol. 8,5
Wendel: pelo menos cruzou bem para o gol de CleitonX, já é um avanço. 7
Mauricio Ramos: mais uma vez, sua marca registrada: muita seriedade, aplicação, e tira todas, menos uma. Sempre uma falha por jogo. E dessa vez, custou dois pontos. 4,5
Danilo: cercou Souza marromenos, e o cruzamento acabou saindo. De resto foi bem. 6
Marcão: muito caneludo, foi disparado o jogador que mais recorreu a bicão pra se livrar da bola. 5
Pierre: no primeiro tempo, monstro Pierre. No segundo, quando o time se lançou mais à frente, não manteve o nível. 6,5
Edmilson: na distribuição, ótimo. No combate, não passa tanta segurança. E erra por excesso de confiança, andou perdendo jogadas bestas. 6
CleitonX: o melhor em campo, estava inspiradíssimo, solto, uma pena que o time não estava no mesmo compasso. 9,5
Diego Souza: muito marcado, ainda assim saiu na cara do gol duas vezes, mas não deixou o seu. 6,5
Ortigoza: muito útil, um inferno para qualquer zaga. Não gostei de sua saída no intervalo. 7,5
Obina: falhou em fundamentos em das conclusões. Juro que não é pegação no pé. 6
Willians e Jefferson: pra não sacanear, não vou dar nota.
Marquinhos: voltou de chuteira vermelha. Mas até que não foi mal. 6,5
Muricy: substituiu mal, e deu azar porque os caras que ele colocou estavam em suas piores noites. Corrigiu a rota com a entrada de Marqunhos, mas foi insuficiente – e tarde. 3

E não percam a última edição da rádio Fanfulla. O programa foi muito bom.

1 de agosto de 2009

Sport 0×1 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 22:38

20090801_spo0x1palLíder, seis pontos na frente do segundo colocado. Mesmo com um jogo a mais, chegando na parte final do primeiro turno, essa é a posição que qualquer time planejaria estar. O Verdão chega a 34 pontos, e assiste o Galo entrar em campo pressionadíssimo contra o Coxa no Mineirão. Tá com cara de tropeço.

O jogo no Recife foi fraco. E aqui cabe uma observação inicial: assisti ao jogo num bar, bebendo chopp com os amigos. Logo, seria uma tentativa de enganação fazer qualquer análise tática mais detalhada, todo mundo sabe que assim não dá pra assistir a futebol direito. Mesmo assim, dá pra dar alguns pitacos, e por favor, me corrijam se eu estiver equivocado.

Muricy optou pelo 3-5-2. Quem prestou atenção nas entrevistas dos jogadores durante a semana, principalmente ontem após o treino fechado pra imprensa, entendeu que alguma novidade ia aparecer. Batata. Ninguém esperava que ele fosse deixar o Souza no banco e colocar o Marcão. E o Verdão começou encapetado, com duas chances claras de gol, com Pierre pegando de bate-pronto, e CleitonX, que limpou o marcador e bateu de fora, à la Colo-Colo, mas a bola foi rasteira, para fora.

Parecia que seria mais um massacre do Verdão, mas parou nisso. O Sport congestionou o meio-campo, se preocupou apenas em destruir, o que fez com certa competência, mas não importunou a defesa palmeirense em momento algum. Assim, o jogo consistiu num ataque contra defesa tático: o Palmeiras tentando achar um jeito de furar o bloqueio do Sport, e o time da casa, que um dia achou que poderia se tornar um rival nosso – vejam se tem cabimento – tentando garantir o empate em casa buscando fugir da zona do rebaixamento. Em dois lances seguidos, Obina tinha a chance de fazer o gol, mas o juiz carioca parou o jogo no primeiro alegando empurrão do nosso atacante. Minutos depois, o contato foi igualzinho, mas ao contrário, dentro da área: ele’e sofreu o contato e foi ao chão. O pilantra mandou seguir. Ninguém pode falar que ele não tem critério: na dúvida, contra o Palmeiras. Continuamos sendo tratados como Engenheiro Beltrão pela arbitragem.

No segundo tempo Muricy, depois de fazer a leitura tática da partida, fez as substituições para garantir o resultado: tirou Marcão e colocou Willians, e para recompor a defesa, colocou o Souza no Edmilson, claramente com um posicionamento mais recuado. Com o Sport retraído, o Verdão abriu mão de um defensor e assim preencheu um espaço que estava vazio em nosso ataque. Assim, em questão de minutos saiu a jogada do gol, com Obina chegando pela esquerda e cruzando para Willians, livre, que empurraria para o gol. Só não o fez porque, no desespero, Bruno Telles tentou cortar e fez contra.

Na sequência, o Palmeiras ainda ficou muito mais próximo do segundo gol do que o Sport de empatar. Contra um adversário fraquíssimo, que fatalmente não chegaria entre os seis primeiros se estivesse disputando a série B, o Palmeiras administrou a vantagem e trouxe na mala mais três pontos, com absoluta autoridade. Não tem como não ficar empolgado.

Para a sequência do campeonato, o Verdão tem duas vantagens competitivas significativas: está começando um trabalho novo agora, ou seja, tudo o que foi observado no Palmeiras até agora pelos adversários tende a sofrer alguma mudança, e mesmo visados pela liderança, vamos demorar um pouco mais para ficarmos manjados. E não disputaremos a Copa Sulamericana, o que deve dar a Muricy bastante tempo entre um jogo e outro para desenvolver alternativas táticas, enquanto os outros vão se desgastar física e tecnicamente disputando esse torneio.

Estamos muito, muito bem posicionados. Quem quiser comprar Palmeiras no mercado financeiro, indico com toda a tranquilidade.

Peço que me perdoem, mas não estou à vontade para dar notas, pelos motivos já explicados. Mas os leitores, façam as honras da casa nos comentários.

Boa noite, líderes.

30 de julho de 2009

Palmeiras 1×0 Fluminense

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:29

20090729_pal1x0flu_bO que interessa são os três pontos. No primeiro jogo sob o comando de Muricy Ramalho, o Verdão fez o suficiente para furar a retranca do Fluminense uma vez, e contou com alguma sorte para não sofrer o empate, jogou para o gasto num gramado molhado e abriu três pontos para o Galo, a quem secaremos amanhã. Boa noite, líderes!

Muricy veio com o mesmo time de Jorginho. Houve um zé da imprensinha que já tascou um “Muricy implanta esquema sãopaulino no Palmeiras” no jornal. É desses babacas que a gente fala que os próprios profissionais que cobrem o Palmeiras deveriam “dar um toque”, para tentar melhorar a relação entre clube e imprensa. Depois eles reclamam.

Voltando ao time, Muricy não mexeu no esquema de domingo, e promoveu um rodízio entre Souza e Edmilson; ora um, ora outro apoiava, e encostava no CleitonX. Os laterais se mantiveram retraídos, descendo só na chamada “boa”. Mas diante de uma retranca vergonhosa do Fluminense, que parecia o Juventus, o time ficou dependendo de lances individuais ou de tabelinhas rápidas que pudessem envolver os cariocas.

Souza estava numa noite pouco inspirada, e errou passes demais, prejudicando a transição. O time tentava rodar a bola até achar um espaço, mas os erros de passe interrompiam as tentativas. Wendel era outro que estava em suas piores noites, parece que ele sempre tomava a decisão errada sobre o que fazer. Assim, o Palmeiras criou poucas chances no primeiro tempo, a melhor foi com Diego Souza, que recebeu na área, como um autêntico centroavante, girou sobre Edcarlos e bateu cruzado, para defesa de Fernando Henrique.

20090729_pal1x0flu_aDiante de um time que esperava o Palmeiras com onze no campo de defesa, Muricy fez o óbvio no intervalo: tirou um volante e colocou Ortigoza. Até se esperava que ele fosse puxar Diego Souza para jogar mais encostado no CleitonX, mas ele o manteve na frente, enfiado como um nove-nove. Obina ficou aberto pela esquerda e Ortigoza abriu pela direita. Assim, com um volante carioca deslocado para marcar o paraguaio, sobrou um pouco mais de espaço para CleitonX, que fez uma jogadaça pelo meio, avançou e enfiou para nosso centroavante Diego Souza, que, como no primeiro tempo, recebeu, girou e bateu cruzado – se vi bem na hora, de bico. Verdão 1×0.

Aí o Fluminense teve que sair pro jogo, já que sua situação na tabela beira o desespero. E começou o período mais complicado do jogo para o Palmeiras, que aparentemente sentiu o cansaço nos 20 minutos finais. Essa situação vinha se repetindo por todo o período em que Jorginho esteve à frente da equipe, e foi agravada com o desgastante fim-de-semana do derby. No domingo, a partida foi de superação, e o reflexo foi visto hoje. Um time como o Fluminense nos deu um pequeno sufoco no final. Um time que outro dia estava com o Ruy Cabeção como camisa 10, e que hoje tinha o Marquinho, aquele que era nosso, envergando a camisa que já foi de Gerson e Romerito.

O Palmeiras bloqueou um pouco melhor as investidas dos cariocas com a entrada de Marcão no Obina perto do final do jogo, e assim o resultado, que era o mais importante, veio. É assim que se joga pontos corridos. O árbitro, da federação mineira, foi o pior em campo, amarrando o jogo no primeiro tempo, quando o Palmeiras fazia a pressão, e amarelando mais da metade da nossa defesa, injustamente. No segundo tempo, com o placar favorável ao Verdão, deixou o jogo correr à vontade. Houve um lance em que Diego Souza ia sair na cara do gol depois de fazer uma linda jogada, um chapéu de costas para o adversário, depois de um totozinho por baixo da bola e de um corte seco no segundo zagueiro. A falta foi escandalosa, na meia lua, e o safado mandou seguir. Não se pode permitir que um árbitro mineiro apite nossos jogos quando nosso principal adversário na luta pela liderança é o Atlético Mineiro.

20090729_pal1x0flu_cMais de 16 mil palmeirenses desafiaram a noite chuvosa da capital e viram um time que parece entender perfeitamente o que é vestir essa camisa. E viram um técnico estreante caminhar em direção ao túnel batendo no braço, e sendo efusivamente saudado. Empolgou-se, e bateu no peito, na altura do escudo palmeirense várias vezes, com força. Estava a poucos metros da cena e admito que tendi a acreditar que era um gesto sincero, de quem realmente já está envolvido com o clube. Muricy começou muito, muito bem.

Atuações:
Marcos: espectador. 7
Wendel: foi mais Wendel do que nunca: esforçadíssimo, correndo o tempo todo, e sempre tomando as decisões erradas. 4,5
Mauricio Ramos: cada vez mais regular. Inclusive numa característica: uma falha importante por jogo. Se controlar esses vacilos pontuais, garante a titularidade sem questionamentos. 6,5
Danilo: é bom quando um dos zagueiros quase não é visto em campo. 7
Armero: lembrei do Lucio várias vezes durante o jogo. 6
Pierre: sem maiores comentários, pra evitar redundâncias. 9,5
Edmilson: liderança cada vez mais latente. Com a bola, no entanto, foi arroz-com-feijão. 7
Souza: a personalidade que já conhecemos, tanta que errou passes demais por excesso de confiança. Aos poucos vai encontrando o equilíbrio. Tem crédito. 5
CleitonX: partidaço, conseguiu se sobressair mesmo isolado, contando, é claro, com o apoio dos volantes e eventualmente dos laterais. Jogadaça no gol e uma bela conclusão na trave perto do fim. 9
Diego Souza: foi o jogador mais perigoso, o que fez a jogada mais bonita, e o que decidiu o jogo. Só isso. 9
Obina: deu uns carrinhos, correu, bastante, manteve Luiz Alberto ocupado, nada de mais. 7
Ortigoza: papel tático importante, puxou um marcador para abrir espaço para CleitonX. 7
Marcão entrou no final e ajudou a segurar o resultado. s/n
Muricy: aqui é PALMEIRAS, meu filho! 7

27 de julho de 2009

Curtinhas do Derby

Arquivado em: Adversários, Futebol, Jogos, Torcida — conrado @ 0:53

Menos de 30 mil pessoas estiveram presentes ao Prudentão. Caberiam fácil no Pacaembu. E eles ainda tiveram que dividir a renda conosco. O fato é que foi uma grande festa no interior, um filézão – enquanto isso, os que roem o osso ficam relegados a ver jogos contra o Vitória, Santo André…

***

Jorginho passa a ser auxiliar técnico de Muricy, junto com Tata. Perguntado se gostaria de fazer parte da comissão técnica de forma permanente, rechaçou. Diz que o que Milton Cruz faz no São Paulo é legal, mas não serve pra ele. Jorginho quer ser técnico, e já provou que pode ser um, e dos bons. Mesmo assim, declarou que pretende cumprir o compromisso que assumiu com a atual diretoria de futebol, e vai permanecer no Palmeiras até o fim da gestão. Claro, ainda vai aprender bastante na atual posição. Depois, seguirá a carreira de técnico, seja aqui, seja em outro clube.

***

Aliás, Jorginho teve o salário aumentado, e passou a receber cerca de 40 mil mensais. Mas disse que enquanto for auxiliar técnico, até cone ele carrega. Bom, por esse salário, até eu… O fato é que Jorginho fez por merecer a valorização que teve; seu desempenho, tanto na prática quanto nas estatísticas, foi fantástico. Muricy pega o time na melhor posição possível. O que aumenta sua responsabilidade.

***

Aliás, os elogios de Muricy ao Palmeiras foram carregados de cutucadas extremamente sutis no inimigo. Ao comentar sobre a viagem de ônibus, sobre o ambiente que encontrou, e sobre a seriedade das pessoas com quem vai trabalhar, ele sempre deu um jeito de fazer comparações com “lugares” onde trabalhou antes.

Esse já vestiu a camisa. Aliás, quem o viu comemorando os gols nas tribunas não tem dúvidas disso.Só de imaginar a cara de um certo barbudinho, e de um certo pinguço vendo a cena e se rasgando todas de raiva, é pra ir dormir dando risada…

***

Parece que fazia mais de um ano que a dupla William/Chicão não perdia uma partida jogando juntos. Sacanagem, hein…

***

Mas uma coisa não podemos negar: a camisa dos caras tem uma mística que nenhum outro time tem.

É uma coisa impressionante. Nossa!

Pena que é só encontrar o Verdão pela frente que tomam naba.

***

Coisa mais linda o mosaico feito pela Mancha em Prudente, antes do jogo, com as cores da bandeira italiana em movimento e a inscrição “SEP” em azul, com cartazes, parada. Nunca tinha visto esse efeito visual, belíssimo.

Deu muito orgulho do time, e também da nossa torcida, parabéns à Mancha.

Se fosse sempre assim…

mosaico_sep

26 de julho de 2009

Corinthians 0×3 Palmeiras

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 20:05

Foi um massacre em Presidente Prudente. Nossos guerreiros enfiaram uma goleada humilhante, com direito a olé. Obina fez três, o primeiro deles um golaço de cabeça, e ficou a apenas um de Val Baiano. E o Palmeiras traz de novo a Taça Derby pra nossa sala de troféus. Pra completar, o Atlético perdeu em casa pro Goiás, e o Verdão só não é líder por um gol. Precisava mais?

Desde o início o Palmeiras tomou conta da partida. Com oito minutos, o bandeirinha já havia dado dois impedimentos inexistentes de Diego Souza, num deles o gol estava feito, era só rolar para Obina. O Corinthians insistia em tentar fazer linha de impedimento, já que seus volantes estavam perdidos na marcação de Cleiton Xavier e dos três volantes que se revezaram no apoio.

Numa cobrança de escanteio, a bola foi escorada para Obina, na mesma linha da defesa, talvez avançado por milímetros, e ele empurrou pra rede, mas o impedimento foi marcado mais uma vez. Enquanto isso, o Corinthians mal passava do meio-de-campo, e perdeu seu principal jogador aos 22 minutos: Souza chegou junto de Ronaldo, que caiu, tentou apoiar-se com a mão esquerda, que não suportou o peso do corpo do atacante. Ronaldo acabou saindo do jogo com suspeita de fratura no pulso. Hilário!

No lugar de Ronaldo entrou Moradei, mais um volante. Sem sua principal referência em campo, o Corinthians sucumbiu à pressão alviverde, num golaço de Obina: Pierre passou por fora de Wendel pela direita, recebeu e cruzou. Obina’a escapou de Chicão e mergulhou para desviar a bola de Felipe, colocando no ângulo: 1×0. Na sequência, o Verdão teve mais duas chances claras de fazer o segundo, num chute de fora de Edmilson e numa cabeçada de Diego Souza.

Ao contrário do Palmeiras, os três volantes do Corinthians não funcionaram, nem defensiva, muito menos ofensivamente. O domínio do Verdão era incontestável, e o placar do primeiro tempo ficou barato para eles. Mano então tirou o jovem Diogo e colocou Alessandro, o titular que está voltando de contusão, pra tentar reforçar um pouco o setor. Deu dó. Alessandro levou cartão amarelo na reclamação do pênalti claro de Chicão em CleitonX, e depois foi expulso por uma entrada estúpida sobre Pierre. Alessandro ainda levou um chute no saco enquanto Pierre caía, antes de ser expulso. Sensacional!

Numa troca de passes pela direita, a bola caiu nos pés de CleitonX dentro da área. Ele girou rápido sobre Chicão e ia sair na cara do gol quando foi empurrado. Gaciba não teve como não marcar o pênalti. Obina’a bateu e fez, mas um pé do Pierre sobre a linha foi o suficiente para que o árbitro gaúcho tentasse reverter a situação, mandando voltar a cobrança. Obina foi pra bola de novo e bateu no mesmo canto, aumentando o placar.

Rapidamente o Verdão fez o terceiro e fechou o caixão: num contra-ataque, Obina ganhou de Moradei de cabeça, e a bola sobrou para CleitonX, livre. Ele’e acompanhou e já dentro da área recebeu de volta, e só teve o trabalho de rolar pra dentro. Goleada desenhada, humilhação consumada. O Verdão poderia ter aumentado a surra, mas preferiu se poupar para os próximos jogos.

Em tarde de Magrão (o Giuliano, centroavante), Obina foi fenomenal. Como todo o time. Uma partida perfeita, numa tarde perfeita. Muricy assistiu das tribunas e não poderia estar recebendo um time em melhor situação. Empatado com o Galo, e com quatro pontos de diferença para o terceiro colocado, o Palmeiras pega o Fluminense em casa para assumir a liderança do campeonato, pra não largar mais até o fim do campeonato. A missão de Muricy será manter este grupo, que deverá receber reforços, focado, sem subir no salto. Se ele conseguiu fazer isso do lado de lá, aqui vai ser fácil.

Atuações:
Marcos: uma bola no gol, uma defesa em que ele até deu uma exageradinha na pose. 8
Wendel: vibrante, como deve ser num clássico. 7,5
Mauricio Ramos: fez sua melhor partida pelo Palmeiras. As poucas bolas que passaram pela proteção foram rechaçadas por ele sem dó. Ronaldo who? 9
Danilo: nem teve tanto trabalho. 7
Armero: outro que teve vida fácil hoje, seu setor quase não foiatacado e ainda deu boas arrancadas. 7,5
Pierre: mostrou como é que se faz num Derby. deeu até assistência. DEZ
Edmilson: tomou um cartão muito cedo, mas administrou a situação, ajudou a formar a parede e ainda apoiou com qualidade. Quase deixou o dele num sem-pulo de fora da área. 8,5
Souza: marcador leal e implacável, passe preciso e muita personalidade. E ainda mandou Ronaldo pro spa. DEZ
CleitonX: bateu uma falta na trave, sofreu um pênalti e fez a jogada do terceiro gol com Obina. Há quem ache que ele não é decisivo. DEZ
Diego Souza: excelente no primeiro tempo, deixando a defesa deles doidinha, sempre bem posicionadoe com arrancadas implacáveis. No segundo tempo, diminuiu o ritmo. 8,5
Obina: ele meteu só cinco bolas na rede, só três valeram. Isso num Derby. DEZ
Sandro Silva, Marcão e Deyvid Sacconi entraram com o jogo já morno, sem nota
Jorginho fecha sua passagem como técnico do Verdão de forma exemplar. Deu um baile em Mano Menezes ganhando o meio-campo e fazendo Diego Souza empurrar a defesa deles para trás, abrindo Obina e fazendo jogadas alternativas com os laterais e com os volantes. DEZ

23 de julho de 2009

Goiás 2×1 Engenheiro Beltrão

Arquivado em: Futebol, Jogos — conrado @ 1:07

O Beira-Rio e o Serra Dourada são dois estádios malditos. Até quando jogamos bem, o resultado quase sempre é ruim. Pra piorar, no caso de hoje, o placar foi negativo exclusivamente por culpa da arbitragem. Desfalcado de três jogadores que forçaram o terceiro amarelo para poderem jogar o Derby, além de Souza machucado, o Verdão foi bravo, mas não resistiu ao apito de Evandro Roman e seus asseclas.

O começo foi complicado, o Palmeiras teve que suportar a pressão inicial do Goiás bloqueando a intermediária e a entrada da área, e praticamente o time todo se compactou na retaguarda para segurar o ímpeto dos donos da casa. Até as coisas se acalmarem, já tinham se passado cerca de 20 minutos, e o Palmeiras não tinha tentado um ataque sequer.

É verdade que o sistema defensivo funcionou perfeitamente. Edmilson fez mais uma partida muito boa, e Sandro Silva fechou o setor de maneira perfeita. Na falta de Pierre e Souza, continuamos tendo uma proteção à defesa extremamente eficiente. E foi essa proteção que permitiu ao Palmeiras jogar no erro do Goiás, que infelizmente não cometeu nenhum. Com Wendel mais preso, coube a Armero puxar as descidas do time pela esquerda, mas os meias e os atacantes estavam muito distantes um do outro. Faltava talvez uma centelha, algo para despertar o time, parecia que estavam com confiança demais que tinham o controle do jogo.

O papo no intervalo deve ter sido por aí: mais garra, precisavam entrar em campo mais acesos. E como entraram, especialmente o craque: Diego Souza recebeu uma bola na frente da área, limpou um marcador, avançou com a bola e soltou um míssil de esquerda. A bola entrou na gaveta, ainda subindo. Mais um golaço para a já extensa lista de gols bonitos do Verdão neste Brasileiro.

O Goiás, para quem o empate parecia bom, resolveu colocar fogo no jogo, e partiu pra cima, dando ao Palmeiras a chance do contra-ataque. E aí faltou a presença de um jogador mais forte, como Ortigoza, um dos que forçou o terceiro amarelo na última partida. Willians não fez uma boa partida, sentiu o peso do gramado, muito alto; não se deslocou como de costume nem impôs sua velocidade. E no banco as alternativas não eram animadoras: Lovinho e Sacconi, mais dois pesos-pena. Jorginho soltou Armero de vez, já que Vitor saiu machucado no primeiro tempo, e quem fazia a lateral-direita deles era um menino improvisado no setor. O colombiano foi sempre uma boa opção de jogada, mas não conseguiu armar nenhum ataque mais agudo – sem trocadilho.

Assim, tudo se encaminhava para o final no 1×0 para o Verdão. O time da casa não havia dado nenhum chute perigoso, não produziu nenhum lance de perigo real a Marcos. Se passava pela primeira linha de proteção, o ataque do Goiás já chegava prejudicado para a conclusão da jogada, já que a nossa linha de zaga estava sempre chegando antes. A cozinha do Palmeiras realmente se acertou. E não vamos atribuir essa melhora apenas ao Jorginho – temos que reconhecer que o Luxa já havia iniciado esse processo de recuperação da defesa.

Faltando quinze minutos, o lance que mudou a partida: ataque do Goiás pelo nosso lado direito, Wendel faz o desarme na bola, o atacante se atira e Evandro Roman deu pênalti. Léo Lima bateu. Marcos foi muito bem nela mas não deu, empatou. Jorginho tentou então dar mais velocidade ao time com Daniel Lovinho. Quase funcionou. CleitonX achou um passe açucarado, Daniel entrou na corrida e bateu, livre, de frente, mas não tirou do alcance de Harlei. Era a bola do jogo. Pouco depois, num ataque despretensioso, bem cercado pela nossa defesa, Bruno Meneghel recebeu em impedimento em posição legal, segundo o vídeo da globo.com, trouxe para o meio e bateu. A bola chutada desviou em Marcão e tirou Marcos da jogada. Um pecado. Um gol muito semelhante ao que o Náutico marcou no Palestra. A diferença é que o placar estava empatado. No final, 2×1 pra eles.

Nada a reclamar do time. Até o preparo físico aparentemente melhorou, mesmo no gramado alto. Perdeu porque futebol tem dessas coisas, porque tinha um trio de safados vestidos de preto, que trataram o Palmeiras como o Engenheiro Beltrão. Não entenderam? Pois vejam este vídeo. É a quarta partida seguida que o Palmeiras é escandalosamente prejudicado pela arbitragem, mas só agora o prejuízo veio em forma de pontos perdidos. Nossas relações institucionais têm que fazer seu papel e exigir providências contra esse pilantra, e tem que ser uma punição exemplar, pros outros juízes passarem a nos respeitar de verdade, de uma vez por todas. O clamor continua: ATÉ QUANDO vão roubar o Palmeiras desse jeito? Nós não somos o Engenheiro Beltrão! Saco…

Sabe quem mais tem que pagar por isso? A gambazada. Domingo está chegando. Para nos despedirmos de Jorginho, e darmos aquele reconhecimento a ele, para recuperarmos esses pontos, mais do que nunca, Palmeiras vai jogar, eu vou. E você?

Atuações:
Marcos: pouco exigido, fez uma boa defesa num lance que já estava parado. Quase pegou o pênalti. 7,5
Wendel: fez uma partida defensiva, e foi bem. Arriscou-se um pouco no ataque, e nem foi tão mal. 8 Mas a falha no segundo gol foi fatal. 5
Marcão: ele tem um pouco de volante, um pouco de lateral, e um pouco de zagueiro. Não consegue fazer nenhuma das três coisas muito bem. 6,5
Danilo: cada vez mais xerifão. Vai mostrando agora porque chegou a ostentar até a faixa de capitão em algumas partidas no Paulista. Muita personalidade. 8,5
Armero: falta aquela última bola, o último passe. Mas defendeu e atacou com muita intensidade. Não sentiu o gramado alto. 8,5
Edmilson: outra partida muito boa. Falta apenas aquele bote mais incisivo no desarme, mas acho que já passou da hora dele aprender isso, não aprende mais. 8,5
Sandro Silva: percebeu que três vagas de volante já estão preenchidas, e tratou de agarrar a última. Voltando de contusão, já parece estar em ritmo de jogo. fez ótima dupla com Edmilson. 8,5
CleitonX: se preocupou bastante com a marcação, e com isso ficou um pouco distante do ataque. Mesmo assim, o passe que ele arrumou pro Lovinho já valeu pela atuação toda. 8
Diego Souza: não fez uma boa partida, mas fez um gol que faz a gente sentir muito prazer em ser palmeirense. A nota é só pelo gol. 9
Willians: parece estar sentindo a sombra de Ortigoza, que vem conseguindo cada vez mais espaço no grupo e já arrancou elogios dos companheiros. 5,5
Obina: dessa vez não teve nenhum lance grotesco, mas mal pegou na bola. 6
Jumar: entrou no Sandro Silva, que já tinha tomado cartão, pra continuar fechando o meio. Levou outro cartão rapidinho, e teve que se segurar no final. A jogada do gol saiu em cima dele e da cobertura do Wendel. 4
Lovinho: perdeu um gol feito, a bola do jogo. Aí, panicou e achou que ia resolver o jogo com um chute do meio da rua. Vamos deixar ele sem nota que é melhor.
Jorginho Cantinflas: não apenas não sentiu o anúncio de Muricy, como não deixou o moral do time se alterar. Armou o time de forma correta, mesmo com os desfalques, e administrou bem o jogo. A fase está tão boa que quando perde, a culpa não é do técnico. 8

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