Que angústia. A torcida do Palmeiras mais uma vez passa por uma provação que não merece. A terceira derrota seguida, mais uma vez num jogo em que os três pontos eram a coisa mais natural a se conseguir, e de novo sem marcar sequer um gol, é um castigo duro demais a esta altura do campeonato. O Palmeiras enfrentou um adversário que luta contra o rebaixamento e, como nós, encarou como o jogo da vida. Mas nos detalhes, levamos novamente a pior.
Se a diferença técnica entre os times era grande, isso foi neutralizado por três fatores: o gramado alto, que prejudicou a qualidade do passe; a contusão de CleitonX, logo após o primeiro gol do time do ABC; e o nervosismo que atrapalhou mais ainda as tentativas de trocar bolas do Verdão. Assim, o Palmeiras não conseguiu fazer prevalecer sua superioridade, e viu mais uma chance de abrir vantagem na tabela escorrer pelos dedos.
Das três derrotas, podemos dizer que essa foi a que o time jogou menos mal. Talvez por isso tenha sido a mais doída. Era nítido que o time estava correndo, se doando, tentando preencher os espaços, buscando o resultado com toda a força. Mas do outro lado tinha um time desesperado, motivado por estar sendo mostrado na televisão ao vivo, e que entrou para ganhar, e não para empatar. E que foi competente nas chances que teve, em vacilos de nossa defesa – certamente causados pela ansiedade de ter que buscar o resultado. Fosse este jogo disputado pelos mesmos jogadores, na mesma data, mas o Palmeiras vindo de bons resultados, e o placar de hoje seria bem diferente.
Muricy ainda não conseguiu fechar o espaço no meio-de-campo, a distância entre os jogadores ainda está grande, mas já melhorou, principalmente pela apresentação dos laterais para o jogo. Havia mais opções para trocar passes. Mas como erraram! A cada passe errado, a cada perda de posse de bola, a cada minuto a menos restando para o fim do jogo, era um nó a mais na garganta. Às vezes cheguei a acreditar em fatores sobrenaturais pra essa bola não estar entrando, pro time estar tão emperrado, pra trave aparecer no meio do caminho, e pros gols do adversário saírem por falhas tão estúpidas.
Não há muito mais o que opinar sobre este jogo. Apenas lamentar o curto intervalo entre o último jogo e este, quando o time precisava de mais dias para desafogar a sequência ruim. Em contrapartida, o tempo a mais vem agora. Que usem para reverter tudo o que está segurando o time. Psicologia, tática, físico, e até macumba. Tá valendo tudo para fazer o time voltar a engrenar e segurar, por sete jogos, a vantagem, que pode ser de um a quatro pontos ao fim da rodada. Tendendo a um.
Nós, da torcida, temos é que nos manter firmes. Cobrando na hora de cobrar, mas durante os jogos, apoiando sempre. Nada de protestos, como os que vimos hoje. Se bem que já era no fim do jogo e pouca coisa poderia acontecer – apesar dos inacreditáveis gols perdidos por Diego Souza e Robert.
Atuações:
Marcos: pegou bolas muito boas, e ficou vendido nos dois gols. E não abriu a boca pra falar besteira. 8
Figueroa: apareceu bem para o jogo, mas falhou em sua maior qualidade: os cruzamentos. 5
Danilo: não teve o que fazer nos gols. 5,5
Mauricio Nascimento: errou o passe no primeiro gol e pôs tudo a perder. Nervoso ao extremo, foi um dos que contagiou o grupo negativamente. 1
Armero: apareceu como nunca para o jogo, mas continua se precipitando por excesso de vontade ou pela razão mais habitual: não pensa as jogadas. 6
Souza: mais um que estava tenso, e errou praticamente todos os passes. Levou bronca do time todo no início do jogo. Depois, se aprumou. 4,5
Edmilson: parece que chora enquanto joga. Ainda disperso, embora não tanto quanto domingo. Seria intolerável. 4
CleitonX: estava sumido até sentir a contusão. Sem ele para opção de passe, houve o erro e o gol dos caras. s/n
Diego Souza: sua atitude estava perfeita: correu, gritou, comandou, conduziu – até tomar o gol. O líder do time foi a nocaute após a abertura do placar e levou o time junto. 3
Obina: magro, buscou mais jogo que o habitual, demonstrando estar fechado com o espírito do grupo. Mas não foi suficiente. Meteu duas na trave. 6
Vagner Love: mais uma vez, buscou jogo o tempo todo, nunca abaixou a cabeça, o que mais resistiu e se negou a aceitar a derrota. Mas parece que está amarrado. 7
Marquinhos: foi melhor que o displiscente Marquinhos de antes da contusão. Ficou na média do time. 5
Robert: cada vez mais nulo. O gol que errou no último lance do jogo foi impressionante. E ele até que cabeceou certo. 4
Muricy: conseguiu fazer os espaços diminuírem, mas o meio continua ineficiente. É verdade que desta vez não teve tempo de fazer treinos táticos para reverter o problema – tempo que agora ele tem a mais que os adversários. Exige-se uma solução para o próximo jogo. 5

A frase mais importante do final de semana foi dada por Marcos ao final da partida: “Personalidade não se treina“. Em seguida, perguntado sobre o que tinha acontecido no segundo gol do Flamengo, disparou: “Pergunte pro Robert e pro Wendel“.
Mais uma da série “fizemos a nossa melhor partida do campeonato“, e sempre contra o Palmeiras. Por que será que essas porcarias de times resolvem jogar o que sabem e o que não sabem exatamente contra nós?
Tá ruim, mas tá bom. Em termos absolutos, o empate em casa jamais pode ser considerado um bom resultado. Mas devido às circunstâncias que envolveram a partida, antes e durante, o resultado não foi de todo mau. Vamos tentar botar a cabeça no lugar e enxergar todos esses aspectos, detonar o que tem que ser detonado, mas tambem entender algumas das razões por que esse pontinho solitário pode ser considerado bem-vindo.
Por culpa de mais mudanças na tabela, tivemos que ouvir por quatro dias que a vitória bambi quarta no Recife foi “vitória de campeão”. Coisa de menininha empolgadinha. Ganharam no Náutico e começaram a se achar. Pois precisou a tabela ser completada para que o Brasil todo visse ao vivo o que é de fato uma vitória de campeão. Os 3×1 de virada desta tarde mostraram o exato poder deste time, contra um Santos combalido, é verdade, comandado por um arremedo de técnico e aspirante a PokerStar, mas como já diria Chavão, clássico é clássico – ainda mais na casa deles. Ou melhor, “casa”, com muitas aspas, mas vamos deixar isso pro fim do post.
Cada vez mais com a cara de Muricy, o Verdão levou de vencida mais uma vez, e mostrou que de fato está caminhando a passos largos para ser campeão. É verdade que o time levou um sufoco no final, desnecessário, mas compreensível dado o desgaste físico acumulado durante a semana. O Atlético aproveitou bem essa condição e forçou bastante no final, e foi quando encontrou pela fente duas paredes: Danilo e Marcos.
Espetacular. O adjetivo é manjado, porque tentar usar qualquer outro para descrever a vitória do Verdão no Mineirão seria pretensão demais. O Palmeiras lutou contra a pressão pré-jogo da imprensa, contra o estádio cheio, contra um forte adversário, contra um árbitro que tem histórico e que já tinha nos tungado três pontos, e mesmo assim venceu um jogo importantíssimo, de virada, e abriu três pontos do bambi, com larga margem de gols. Faltam treze jogos, sete em casa. Tá ficando muito bom.
O Cruzeiro manteve o volume de jogo bastante elevado, conseguiu várias finalizações, todas pressionadas, mas apenas uma realmente perigosa, com Diego Renan, que Marcos fechou o ângulo e defendeu com o joelho. Já o Verdão, embora com menos chances, levou mais perigo nas que teve, numa cabeçada de Robert e numa chegada forte de Armero que Fabio defendeu. Sempre pela nossa esquerda.
O Cruzeiro veio pra pressão, e o auge dela foi em duas bolas seguidas, lá pelos 25: num chute cruzado de Kleber que Marcos desviou e ela foi na trave, e numa cabeçada de Leonardo Silva, para o chão, mas que, com muito efeito, saiu lambendo a trave à direita de Marcos. Depois dos sustos, o Verdão achou o posicionamento correto, armou a defesa e a pressão dos mineiros foi neutralizada, restou a eles os chutes de longe. E a impressão que dava é de que se o jogo tivesse mais meia hora, não levaríamos o gol nem a pau.
O tal de Barradão é outro estádio que podia se juntar ao Serra Dourada e ao Beira-Rio. Tira uma foto de cada um e entrega pro Bin Laden, e fala alguma coisa que deixe ele bem brabo. Impressionante.
Assim, depois de sofrer mais finalizações do que criá-las, o Palmeiras corrigiu a postura aos poucos, até que o time engrenou. Na primeira boa jogada, CleitonX levantou e Vagner conferiu de cabeça, mas estava ligeiramente impedido. Na segunda, conclusão cruzada de Diego Souza, passou muito perto da trave – Vagner ainda se atirou nela e quase deu um biquinho de chuteira – mas ele estaria impedido de novo.
O Barueri, se já estava jogando com valentia, perdendo por dois ficou mais valente ainda, e não teve medo de tomar mais. Veio pra cima, martelou, e numa linha de passe de cabeça, Leandro Castan obrigou Marcos a fazer um milagre numa bola cabeceada para o chão. Nossa zaga ainda estava aplaudindo Marcos quando Castan pegou o rebote e concluiu bem, para cima, antes que Marcos pudesse se levantar para rachar com ele de novo.
Num jogo de disputa ferrenha no meio de campo, o Verdão ficou no 0×0 com as moças, e manteve os 4 pontos de frente sobre o inimigo. Faltam dezesseis rodadas para o fim do campeonato, é bastante coisa. Mas com a chegada de Vagner Love, o Palmeiras deve resolver uma de suas maiores deficiências, a qualidade na finalização. Love tem uma média de quase 0,8 gols por jogo em toda a carreira. Se mantiver essa marca, pode fazer algo em torno de treze gols até o fim do campeonato. Brigaria até pela artilharia, o que seria fantástico pelas circunstâncias.
Noite perfeita. Todos os testes foram feitos, e o Palmeiras passou em todos. O Verdão retoma o caminho das vitórias e o rumo do título, na hora mais exata possível, afastando o início de crise que poderia se instalar no Palestra. Mais uma rodada, líderes.
Até que Diego Souza, chapa quente, resolveu o jogo: entrou driblando pela direita na área do Inter, e foi derrubado. Pênalti que Obina cobrou muito bem e abriu o placar, aos 38 minutos. O Palestra se inflamou, e a sensação é de que poderia vir mais.
Edmilson sentiu o cansaço e foi trocado por Jumar, enquanto Deyvid Sacconi deu seu lugar a Sandro Silva. Sempre com a missão de fechar o meio, e segurar o tempo. E a pressão gaúcha no final foi terrível, principalmente depois do golaço de Giuliano aos 42. Os sete minutos finais foram extremamente tensos. E o Verdão foi aprovado, porque segurou a bola, resistiu à pressão e sacramentou mais uma estréia de camisa vitoriosa na História do clube.
O ruim nem é perder. O pior nem é perder roubado. O desastroso mesmo é perder roubado nos descontos. Na verdade, pelo que apresentaram em campo, Coxa e Palmeiras mereciam ficar no 0×0, a mesma nota do juiz, um palhaço que quis aproveitar a transmissão ao vivo para todo o país em TV aberta para aparecer. Estragou a partida, distribuindo cartões sem parcimônia, como aquele segurança com síndrome de pequeno poder. E não se trata de critério, porque se tivesse, já teria dado o vermelho para Leandro Donizete com 15 minutos ao pegar CleitonX por trás. Só o expulsou aos 40, pelo segundo amarelo, isso depois de ter mandado Pierre pro chuveiro numa falta que era no máximo pra amarelo.
Pode parar. Diante de quase 25 mil pessoas, que mais uma vez proporcionaram uma renda perto de 900 mil reais, o Palmeiras protagonizou um vexame, e fechou o turno, apesar de mantendo a dianteira, permitindo aos rivais tirar a distância, e deixando a disputa muito aberta depois de ter sinalizado que seria um time que dispararia na liderança, mesmo com os empates frente ao Grêmio em casa e Atlético, fora. O Inter, com dois jogos a menos, volta a ser líder por pontos perdidos.
O resultado até que não foi ruim, apesar de extremamente injusto. O Verdão manteve a escrita de não perder para o Galo no Mineirão há quase dez anos, e só não trouxe os três pontos na bagagem porque foi assaltado mais uma vez, desta vez por um gatuno velho conhecido: Djalma Beltrame, que não deu dois pênaltis para o Palmeiras. De qualquer forma, o time jogou muito bem, o comportamento foi de líder, e a missão de impor o respeito perante todos os adversários e imprensa foi plenamente cumprida.
Um empate pra ficar esperto, e manter a seriedade, já que continuamos líderes isolados. Sempre entramos para ganhar, mas contra times de camisa forte como o Grêmio, empates no Palestra não chegam a ser completos desastres, embora o Palmeiras tenha jogado melhor e tenha sofrido um gol irregular. Surpreendentemente, o Grêmio veio para empatar, e se comportou como o XV de Campo Bom, desesperado pra ganhar um pontinho mesmo precisando tirar mais de dez para aspirar ao título. Não entendo como um time com essa camisa pode abrir mão de disputar o campeonato ainda no primeiro turno.
Líder, seis pontos na frente do segundo colocado. Mesmo com um jogo a mais, chegando na parte final do primeiro turno, essa é a posição que qualquer time planejaria estar. O Verdão chega a 34 pontos, e assiste o Galo entrar em campo pressionadíssimo contra o Coxa no Mineirão. Tá com cara de tropeço.
O que interessa são os três pontos. No primeiro jogo sob o comando de Muricy Ramalho, o Verdão fez o suficiente para furar a retranca do Fluminense uma vez, e contou com alguma sorte para não sofrer o empate, jogou para o gasto num gramado molhado e abriu três pontos para o Galo, a quem secaremos amanhã. Boa noite, líderes!
Diante de um time que esperava o Palmeiras com onze no campo de defesa, Muricy fez o óbvio no intervalo: tirou um volante e colocou Ortigoza. Até se esperava que ele fosse puxar Diego Souza para jogar mais encostado no CleitonX, mas ele o manteve na frente, enfiado como um nove-nove. Obina ficou aberto pela esquerda e Ortigoza abriu pela direita. Assim, com um volante carioca deslocado para marcar o paraguaio, sobrou um pouco mais de espaço para CleitonX, que fez uma jogadaça pelo meio, avançou e enfiou para nosso centroavante Diego Souza, que, como no primeiro tempo, recebeu, girou e bateu cruzado – se vi bem na hora, de bico. Verdão 1×0.
Mais de 16 mil palmeirenses desafiaram a noite chuvosa da capital e viram um time que parece entender perfeitamente o que é vestir essa camisa. E viram um técnico estreante caminhar em direção ao túnel batendo no braço, e sendo efusivamente saudado. Empolgou-se, e bateu no peito, na altura do escudo palmeirense várias vezes, com força. Estava a poucos metros da cena e admito que tendi a acreditar que era um gesto sincero, de quem realmente já está envolvido com o clube. Muricy começou muito, muito bem.

Numa cobrança de escanteio, a bola foi escorada para Obina, na mesma linha da defesa, talvez avançado por milímetros, e ele empurrou pra rede, mas o impedimento foi marcado mais uma vez. Enquanto isso, o Corinthians mal passava do meio-de-campo, e perdeu seu principal jogador aos 22 minutos: Souza chegou junto de Ronaldo, que caiu, tentou apoiar-se com a mão esquerda, que não suportou o peso do corpo do atacante. Ronaldo acabou saindo do jogo com suspeita de fratura no pulso. Hilário!
Numa troca de passes pela direita, a bola caiu nos pés de CleitonX dentro da área. Ele girou rápido sobre Chicão e ia sair na cara do gol quando foi empurrado. Gaciba não teve como não marcar o pênalti. Obina’a bateu e fez, mas um pé do Pierre sobre a linha foi o suficiente para que o árbitro gaúcho tentasse reverter a situação, mandando voltar a cobrança. Obina foi pra bola de novo e bateu no mesmo canto, aumentando o placar.
Atuações:
O Beira-Rio e o Serra Dourada são dois estádios malditos. Até quando jogamos bem, o resultado quase sempre é ruim. Pra piorar, no caso de hoje, o placar foi negativo exclusivamente por culpa da arbitragem. Desfalcado de três jogadores que forçaram o terceiro amarelo para poderem jogar o Derby, além de Souza machucado, o Verdão foi bravo, mas não resistiu ao apito de Evandro Roman e seus asseclas.



