Se tivéssemos o grande George Preah, certamente ele teria feito um golzinho nos acréscimos e o Palmeiras teria conquistado os três pontos, e tudo pelo que passamos para assistir essa pelada teria valido a pena. Como nosso matador da vez é o tal de Robert, ficamos no empate, e fica a sensação que tudo deu errado, nada se salvou.
O cálculo do tempo previa uma certa folga para chegar a tempo de ver o início da partida. Mas caía uma chuva fina sobre a zona oeste da capital, e o trânsito ficou um pouco mais complicado. Chegando no Shopping Bourbon, um imbecil qualquer consegue bater o carro no meu no estacionamento porque não olhou no retrovisor antes de resolver mudar de cancela. Como já estava na pilha do jogo, deixei pra lá, estacionei e corri pro Palestra. Ao chegar na Turiassu, a chuva fina tinha virado uma tempestade. Um vento fortíssimo, e uma chuva que judiou mais uma vez da cidade. E acabou a luz no Palestra. Sem um plano B, não havia como imprimir os ingressos, só se vendia os que estavam pré-impressos. E num jogo que deve ter dado uns 6 mil pagantes, mais de 20 minutos na fila interna do clube para comprar o ingresso. Entrei no estádio com mais de dez minutos de jogo.
E vi o Palmeiras com a volta de Sacconi e Diego Souza. Meias, finalmente. Mas parecia que não tinha mudado nada. Os dois tiveram atuações pífias. Sacconi se apresentou bastante, mas errou tudo o que tentou, devia estar pensando na torre Eiffel. Já Diego Souza parecia que tinha comido uma feijoada. Lento, disperso, parecia desinteressado. E o Palmeiras não conseguia criar, embora tivesse muito mais espaço do que no jogo de domingo. É verdade que o campo, mais uma vez pesadíssimo, também atrapalhou o toque de bola do Verdão, e o que já seria difícil nas CNTP, ficou quase impossível.
Como quase nada mudou, a velha escrita deu as caras de novo, “repaginada”, para usar a palavra da moda: a Lusa desceu uma vez. Só uma. Pra piorar, na única vez que desceu, NÃO fez o gol. A Lusa abriu o placar quando não atacou: Armero errou um passe mais uma vez, na frente da meia-lua, sem cobertura. Luis Carlos, um atacante gordo, muito gordo, agradeceu o presente, escolheu o canto e tocou na saída de Marcos.
Armero olhou para os céus, como que pedindo uma razão para estar sendo tão castigado pelos deuses da bola. A pequena torcida do Palmeiras ameaçou vaiá-lo no primeiro lance em que pegou na bola. No segundo, encheu-se de brios e foi pra redenção: pegou a bola na nossa intermediária, driblou meio time da Portuguesa numa arrancada sensacional pela esquerda, e… cruzou bisonhamente nas mãos do goleiro.
Na volta do intervalo, William, que entrou no lugar de João Arthur – que aparentemente sentiu uma contusão – foi o único que ainda teve uma participação ofensiva digna de algum elogio. O time foi absolutamente apático, era o reflexo daquele que devia ser o líder dentro de campo: Diego Souza, quando pegava na bola, fazia jogadas efetivamnente perigosas, lúcidas, envolventes. O grande jogador faz a diferença. Só que encostado ali, na ponta esquerda, pegou três ou quatro vezes na bola. Mesmo que por orientação de Muricy, ele tinha a obrigação de tentar algo diferente, mas acomodou-se. E o resto do time foi na sua aba. O gol de empate de Danilo, numa jogada de escanteio em que ele pegou o rebote e chutou com bastante força pro fundo da rede, deveria ter gerado alguma centelha, ter botado fogo no time, mas que nada.
O Palmeiras, mesmo com Lenny entrando no Robert, e com o deslocamento de Diego para o comando do ataque, não levou muito perigo ao gol da Lusa, a não ser numa jogada individual do próprio Diego Souza, que limpou bem e bateu rasteiro, no cantinho, mas a bola bateu na parte interna da trave e voltou pra dentro da área, sem ninguém aproveitar. Fora isso, um ou outro escanteio, uma faltinha aqui, outra ali, e mais nada. No final, um empate justo, e a Lusa, mesmo com um a menos nos minutos finais, ainda conseguiu levar a bola ao ataque, provocar um escanteio e quase ganha o jogo.
O jogo de hoje apenas reafirma algo que estamos cansados de saber: o que faz a diferença são os grandes jogadores. Diego Souza, quando pegava na bola, saltava aos olhos, tamanha a diferença no trato com a bola. Mas sozinho, e desinteressado, não resolveu. Danilo, Edinho, Armero, Marcio Araújo e principalmente Pierre foram os únicos que mostraram vontade de jogar bola e de respeitar quem tomou chuva, sofreu com as filas e se submeteu a pagar R$30, fora os que tiveram que dar perdido no trabalho ou na aula só pra ver o Palmeiras em campo.
Então vemos que uma das principais lições do ano passado não está dando muitos resultados. O time ainda tem sérios problemas de pegada, ligados ao emocional, à motivação. Muricy deu uma longa entrevista ao 3VV esta semana, aliás, uma longa e espetacular entrevista realizada pelos companheiros Jota e Vicente. Nela, dedica um bom tempo para falar da preparação psicológica a que os jogadores são submetidos. Mas cadê o resultado?
E a torcida continua, pacientemente – cada vez menos – esperando pelos reforços. Enquanto isso, vamos de Robert mesmo. A primeira fase do Campeonato Paulista é bem fraca tecnicamente, assim como as duas primeiras rodadas da Copa do Brasil, e creio que é possível caminhar aos trancos e barrancos. Mas vai chegar uma hora que o talento vai ser o diferencial. Esperamos que quando chegar essa hora, já tenhamos sido devidamente reforçados. Hoje, até o Preah teria resolvido. A areinha tá caindo.
Atuações:
Marcos: vendido no gol, assistiu o resto da partida. 7
Figueroa: outra vez, freio de mão puxado. Acorda, meu filho. 5
Danilo: vibrou durante o jogo, fez o gol, correu pra buscar a bola pra buscar o segundo logo. Já merece a faixa de capitão. 8,5
Edinho: partida tranquila, cometeu apenas uma falha sem maiores consequências. 7,5
Armero: falhou no gol, mas tentou compensar com muita garra e dedicação. Não conseguiu. 3
Pierre: o melhor em campo no primeiro tempo, cansou um pouco no segundo. 8,5
Marcio Araújo: parece estar evoluindo na marcação e no posicionamento. Foi sua melhor partida pelo Verdão. 8
Sacconi: tarde absolutamente infeliz, monsieur Saconí. 4
Diego Souza: quando pegou na bola, atormentou. Só que ou ela não chegava muito, ou ele também não fazia muita questão. 5
Robert: começa a aparecer a verdade. Nem em time pequeno, no Palestra, está resolvendo mais. E assim a sua batata vai assando. 2
João Arthur: jogou pouco e se machucou. S/N
William: dá sinais de vida. Estranhamente centralizado, jogou como ponta-de-lança, que efetivamente não é a dele. Mesmo assim, com muita vontade, tentou como pôde. 7,5
Lenny: depois de muito tempo, voltou aos gramados no lugar de Robert, e tentou acender o time com sua correria, sem resultado. 6,5
Muricy: incompreensível a insistência em Armero, e o posicionamento de Diego Souza e William. Se os dois tivessem jogado invertidos a chance de um bom resultado teria sido maior. Pode botar essa na conta dele. 3