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17 de julho de 2009

Efetivar ou não efetivar, não é a questão

Arquivado em: Administração, Diretoria, Especulações, Futebol, Imprensa, Torcida — conrado @ 16:21

É como uma novela, daquelas da Globo mesmo. Todo mundo quer saber o final. Tem que ter um final, um sim ou um não, mas tem que ter. E enquanto não tem, tal qual os folhetins e revistas de fofoca, a especulação sobre o possível desfecho é o combustível para as vendas. Antes era: Muricy vem ou não vem? Agora é: Jorginho efetiva ou não efetiva?

Eu não gostaria de estar na pele do Cipullo agora. Porque a situação é bem chata. Vejamos:

  • Se a diretoria “efetivar” Jorginho, incorre em um risco enorme. Um eventual fracasso no Brasileiro, e toda a responsabilidade que a diretoria já tem será potencializada, afinal de contas, onde já se viu colocar um elenco caro desses nas mãos de um interino, ou como preferem os mais ferinos, de um “estagiário”?
  • Por outro lado, “efetivar” Jorginho renderá uma boa folga no orçamento, que deverá ser imediatamente revertida no investimento em reforços. E essa decisão não pode demorar. O tempo urge, e o mercado é muito dinâmico.
  • Já a contratação de um técnico “de verdade” faz com que se mantenha a coerência no discurso de planejamento que sempre foi a pauta principal – e correta – desta diretoria. As palavras ” interino” e “planejamento” são como água e óleo, não combinam de forma alguma.
  • Mas contratar um técnico “de verdade” implica em interromper o trabalho que Jorginho vem desenvolvendo, que até agora tem sido muito bom, e além de tudo conta com o apoio irrestrito de todo o elenco, que tem orbitado uniformemente em torno do treinador. Na primeira derrota do novo técnico, sem dúvida nenhuma as cornetas perguntarão: por que não deixaram o Jorginho, porra?

E agora, Gilberto? Se me permite uma sugestão, faça o seguinte: aproxime-se dos líderes do elenco, que você sabe muito bem quais são. Pergunte a eles o que eles acham, de verdade, do Jorginho. Porque com microfone na frente diz-se uma coisa, mas off the records, pode ser diferente.

Se eles de fato avalizarem o interino, mantenham-no, sem anunciar nada, e iniciem uma discussão sobre os reforços. Quais são as posições mais carentes, e que características seriam as mais interessantes num jogador para reforçar nosso elenco? O grupo parece estar bastante coeso, e o Willians, o Obina, o Sacconi, o Mauricio Ramos não vão ficar chateados e não vão criar racha se de repente ganharem um pouquinho mais de concorrência em suas posições.

Caso eles não estejam botando fé no Jorginho, corram atrás de um bom nome, mas não deixem ninguém saber. Dêem um miguézão na imprensa, deixem-nos a ver navios. Quando eles menos esperarem, anuncia-se o técnico. Porque assim acaba essa pressão sobre Jorginho, esse efetiva-ou-não-efetiva que só serve para encher o saco, só causa tumulto.

As duas hipóteses se encaixam no cenário atual, se os parmeristas repararem bem. Nós não sabemos exatamente o que está acontecendo. Essa conversa até já pode ter acontecido. Tanto podem estar correndo atrás de dois ou três reforços, como de outro técnico. Sem dar pistas pra ninguém.

A declaração do professor Belluzzo ontem deixou a imprensa furiosa. Provavelmente farto dessa novelinha artificial, depois da ducentésima vez respondendo a mesma coisa, o presidente foi irônico: “efetivado ele já está”. Claro, efetivado como profissional do departamento de futebol. Neste momento, exercendo a função de técnico. Resposta capciosa, interpretação idem. Horas depois, teve que vir a público desdizer uma coisa que não disse exatamente como foi manchetado. O presidente deu brecha, eles aproveitaram. E vai ser sempre assim.

Portanto, acho que é hora de ignorar a encheção de linguiça da imprensa, que parece que não tem pauta e só arruma assunto besta pra falar, e vamos nos preocupar em apoiar o time que está numa fase ascendente, e que pode até fechar a próxima rodada na liderança. O assunto até podia ter relevância no início da situação, mas da forma como vem se desenrolando, a solução passa por uma série de avaliações, conversas, e reuniões, e quanto mais elas forem feitas sem alarde, melhor para o Palmeiras.

Pra concluir, me esclareçam uma coisa, se souberem: que técnico, seja ele interino ou não, permanece no cargo após uma sequência desastrada de resultados? Rapaziada, não lhes parece que todos os técnicos deste mundo são interinos?

***

Aliás, o Palmeiras está treinando em dois períodos quase todos os dias agora. E também treinou fundamentos. Semana histórica!

6 de julho de 2009

A oposição e a mídia

Arquivado em: Imprensa, Política — conrado @ 13:08

Manter um embate com uma oposição leal é saudável a qualquer situação. Este blog jamais apoiará qualquer atitude de qualquer gestão do Palmeiras que busque artifícios como mudanças estatutárias, listas negras, ou mesmo uso de força por parte dos seguranças do clube para abafar manifestações políticas como o mero uso de camisetas. Sim, isso aconteceu em nosso Palestra há poucos anos.

As oposições podem e devem se manifestar constantemente, da forma como conseguirem. É através da cobrança da oposição que a situação consegue identificar mais rapidamente seus erros e tomar as devidas rotas de correção. Isso, claro, num mundo ideal, onde a oposição critica porque quer o bem do clube, não porque quer o poder a qualquer preço, mesmo que isso signifique piorar o ambiente interno, mesmo que isso signifique ter que torcer contra o time para enfraquecer a situação.

Pergunto ao leitor: vocês sabem o nome dos líderes opositores do Santos? Do bambi? Do gambá, só por ser folclórico, alguns vão se lembrar do Citadini, apenas alguns. Mas pergunte a qualquer torcedor desses times se eles sabem quem é o ícone da oposição palmeirense. A resposta vem de bate-pronto.

Não se vê em nenhum meio de comunicação tanto debate sobre os balancetes (curiosamente, sempre com uma visão tendenciosa, com análises pobres e risíveis) como os do Palmeiras. Não se fala dos bastidores dos clubes com tanta frequência como sobre os nossos. Como somos expostos!

Mas por que a imprensa dá tanto espaço à oposição palmeirense? E por que reverbera de forma tão tendenciosa seus argumentos? Por que publica com tanta frequência boatos lançados por “conselheiros”, a maioria absoluta de teor polêmico? Trocando em miúdos, de onde vem o gosto por fazer o circo pegar fogo, e por que ele não era assim antes, e por que isso ocorre com tanta assiduidade na cobertura do Palmeiras?

Caros “colegas” jornalistas, setoristas do Palmeiras: questionem seus pares, que vocês sabem muito bem quem são, que dão esse tipo de enfoque, e que dão essa quantidade toda de espaço a essas fontes nem um pouco desinteressadas. Façam entender que esse tipo de atitude depõe não apenas contra o veículo para o qual trabalham, mas contra toda a classe. É por essas e outras que foi cunhado o termo “imprensinha”. É generalizar, concordo que é errado. Mas nós somos os amadores. Vocês é que são os profissionais e são pagos para isso.

Me parece que uma das maiores diferenças entre um jornalista com graduação e um amador é o estudo profundo da postura ética para se fazer jornalismo. Pois às vezes a impressão que dá é que alguns colegas fazem questão de aplicar o contrário daquilo que se deve ensinar no banco da faculdade, sobre o que não deve ser feito. E acabam deixando de lado tudo o que aprenderam com os pais, sobre certo e errado. Que é o que nós, jornalistas sem diploma, continuamos fazendo desde criancinhas.

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