Caros leitores,
Óbvio que eram esperadas as mais diversas reações diante do último post. Reconheço, feliz, que percebi muito menos manifestações de revolta e acusações de traição ou de frouxidão que eu esperava. A maioria absoluta foi de apoio, ou de pedidos de reconsideração. Todos são demontrações de reconhecimento. Agradeço a todos, sem exceção.
Gostaria de responder um a um, tanto os comments quanto os e-mails. Li todos. Devido à quantidade, com a qual fiquei muito contente, e principalmente à qualidade, o que me deixou mais contente ainda, vou tentar fazer isso neste único post, e fechar de uma vez o assunto, já que o blog não é sobre mim e sim sobre o Palmeiras.
Em primeiro lugar, para aqueles a quem não ficou clara a mensagem principal: este blogueiro não mudou de time, nem desistiu do Palmeiras, nem deixou de “acreditar” no título de 2009. Eu desisti foi do futebol, de direcionar tanta energia para um sistema ao qual eu concluí ser viciado, podre e injusto. A torcida inflamada pelo Palmeiras só faz sentido quando acredita-se no contexto no qual o Palmeiras está inserido. Sem acreditar no futebol, não dá para torcer como antes.
O Palmeiras sempre foi uma parte de mim, sempre fiz do Verdão uma parte de minha própria personalidade. Palmeirense sempre foi um dos adjetivos que as pessoas usavam para me descrever ou distinguir de outros. “Conrado, aquele palmeirense”. E agora isso deve mudar, e eu ainda não sei como vai ser. Repito: não deixei e jamais deixarei de ser palmeirense. Mas a intensidade é outra. O enfoque é outro.
Claro que eu assistirei ao jogo hoje. Até pretendia ir ao Palestra, mas já mudei de idéia, e verei de casa, no sofá, ou provavelmente pela Internet. Sim, um jogo importante desses. Que, para mim, deixou de ter aquela importância. Afinal, é apenas o Sport. E tudo o que eles fizeram nesses dois anos? E o gosto de chutá-los para o inferno da segundona? Irrelevante. O Sport jamais será rival do Palmeiras.
Continuo gostando muito de futebol. Do jogo. De assistir a uma partida. Penso que devo aproveitar muito mais a beleza do futebol assistindo sem tanto envolvimento. Deverei assistir a muito mais partidas de outros times. Passarei a ver mais jogos europeus, afinal, é inegável que a qualidade dos jogadores lá é maior que aqui. Claro que, por outro lado, perco na emoção, na intensidade. Mas aí entra o lado racional: dada a conclusão sobre a lisura da coisa toda, essa emoção me parece sem sentido.
Foi como disse a meus amigos mais próximos ontem. Parodiando o filme The Matrix, eu tomei a pílula vermelha. Pode soar arrogante, admito, e espero que os leitores não se ofendam, embora compreenderei se isso acontecer, mas o futebol como um todo nada mais é que um teatro de marionetes. Jogadores, técnicos, jornalistas, árbitros, e todos os profissionais que rodeiam o sistema, não passam de marionetes – algumas muito bem pagas, sem dúvida. Mas cumprem o script, muitas vezes sem saber, escrito pelos oráculos, os manda-chuvas da parada.
E os torcedores, esses são a platéia, que acham que estão vendo uma coisa decidida dentro do campo, e que se envolvem, se emocionam, gastam dinheiro e tempo, choram por um campeonato que foi decidido de forma muito diferente que eles gostariam que fosse. Tô fora. Uma vez fora da Matrix, não posso me permitir fazer parte disso.
Quem nela permanece, eu não condeno. Em vez da vermelha, escolhi a pílula azul centenas de vezes, a cada vez que via um roubo descarado decidindo campeonato, com ou sem o Palmeiras envolvido. Sempre escolhi continuar vibrando com as sensações que o teatrão me proporcionava. As metáforas de luta, guerra, etc, são lindas, e eu mesmo as usei e acreditei nelas por muito tempo. Lembram do filézão que o Cypher comia no filme?
E não quero dizer com isso que em determinados jogos, essas lindas histórias de superação não foram verdadeiras. Há muitos jogos, quero crer até que a maioria deles, são decididos no campo sim, e vale cada gota de suor que os atletas derramaram, e estar nas arquibancadas vendo isso é um grande prazer. Jorge Preá foi um legítimo herói ano passado, na partida contra a Lusa, lembram-se? Jorge who?
Mas o campeão, o vencedor lá no final, ou os que serão (ou que não podem ser) rebaixados, esses quem decide não calça chuteira. O grande herói ao fim do ano na maioria das vezes é um merda. Comprovem: nos últimos anos, o escolhido pelos caras para ser o maioral foi o pilantra do Rogério Ceni.
E foi assim que a chama se apagou. Precisei me tornar um palmeirense ocasional. Um cara para quem um jogo é mais importante que um campeonato. Ser campeão ou não, agora, passou a ser um detalhe. O mais importante agora é torcer para ver o time jogando bem a cada jogo, principalmente contra os rivais e inimigos. Jogos contra times pequenos deixaram de ter importância.
Digo mais, com uma ponta de pretensão: talvez se todos encarassem o futebol assim, as rivalidades jamais teriam se transformado em ódio. O futebol jamais teria deixado de ser o que foi há décadas atrás. Continuaria sendo um esporte, e apenas um esporte, não o business, onde ganhar ou perder passou a ter um significado maior, o do sucesso econômico-financeiro. Hoje há a busca pelo título a qualquer custo, QUALQUER CUSTO MESMO. Porque onde há muito dinheiro, há essa obrigação.
O dinheiro acabou com o futebol. Desse futebol, eu tô fora. Como dizem alguns colegas blogueiros: “ódio eterno ao futebol moderno”. Só que ao adquirir essa compreensão e passar a odiá-lo, melhor não se envolver com ele. Se ele é tão ruim, por que segui-lo?
O amor ao Palmeiras continua. Diferente, mas continua. Não existe clube com história mais linda. Ser palmeirense é especial demais, e isso não tem oráculo que mude. Não há nada comparado à emoção de estar no Palestra e ouvir o alarido da torcida quando entra em campo o alviverde imponente. De gritar GOL! Não deixarei de viver essa emoção. Só não será todas as vezes. E nem me fará perder um domingo inteiro. O grito de gol virá sempre junto com um sorriso, e não com o punho cerrado e seguido de dezenas de palavrões contra supostos inimigos.
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Os posts pós-jogo continuarão. Possivelmente haverá um ou outro post aleatoriamente. Mas a frequência deve diminuir. Os leitores estão acostumados com um estilo de escrita, onde os parágrafos sempre foram saindo naturalmente, conforme passava o filme do jogo na minha cabeça. Agora, como verei sob outra lente, não sei como será. Talvez não agradem mais. Talvez não mude nada. Sei lá. Tenho consciência, e muitos e-mails e comentários do post passado confirmaram, que uma das maiores virtudes dos posts deste blog é a emoção transformada em linhas. Espero que essa visão diferente continue sendo satisfatória à maioria. Se não for, OK. É porque será realmente hora de passar o bastão e dar a missão como encerrada.
Até o post pós-jogo de hoje à noite!