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18 de fevereiro de 2010

Cipullo esclarece a demissão de Muricy

Arquivado em: Política — conrado @ 21:03

“O time não vinha jogando bem e achamos que ainda era tempo de mudança. Nunca tive qualquer desavença com o Muricy e também quero deixar claro que a decisão foi meramente administrativa, sem nenhum envolvimento político. Ele só foi demitido porque os resultados não apareceram. A multa pela rescisão contratual será quitada.”

Site Oficial do Palmeiras

A declaração foi um desastre. Muito mal calculada. Um insulto à inteligência do torcedor palmeirense. Como é que alguém pode demitir um treinador por falta de resultados na fase de classificação do Paulista? E com um ataque desses? Lenny e Robert?

E se tivesse sido pelo resultado do ano passado, por que não o demitiram em dezembro?

Não faz sentido. Ainda mais porque todo mundo sabe que foi por incompatibilidade de método de trabalho. Pô, era muito mais fácil ter dito isso. Aliás, era muito mais fácil não ter dito nada.

Essa declaração foi muito ruim, sem sentido, e piora qualquer credibilidade que pudesse ter perante a torcida ou correligionários no clube.

31 de janeiro de 2010

Causo

Arquivado em: Política — conrado @ 1:22

Não sou o Jota, mas também conto um causinho de vez em quando. E este é um clássico instantâneo. Aconteceu na sexta à noite, no chamado Bar Inglês, e já entrou para o folclore do clube. É uma história que deve ser contada e recontada por muitas vezes.

O vice-presidente Salvador Hugo Palaia, ao entrar no bar, avistou um conselheiro oposicionista conhecido como “Perfuminho”. Tem esse apelido por ganhar alguns trocados vendendo frascos de perfume aos sócios do clube. Ele votou contra a aprovação das contas.

Palaia, aos berros, dirigiu-se ao conselheiro:

- Porra, gastei 740 paus nesses perfumes fedidos e você ainda votou contra? Não podia ter saído sem votar, pelo menos?

Perfuminho tentava imaginar alguma coisa para responder, ficou todo atrapalhado, e antes que saísse qualquer coisa Palaia virou as costas e foi saindo do bar. Mas antes que passasse pela porta ainda vociferou:

- Pior que eu nunca vi o Mustafá usando perfume!

29 de janeiro de 2010

Contas aprovadas. E agora?

Arquivado em: Administração, Diretoria, Especulações, Política — conrado @ 11:02

O Conselho Deliberativo aprovou ontem à noite as contas do primeiro ano da administração Belluzzo. O barulho que a oposição fez, ameaçando rejeitar as contas, era fanfarronice da grossa. Era apenas espuma, coisa para tumultuar, diminuir um pouco mais o crédito do clube na praça no período de contratações e fazer a vida do time ficar mais difícil. A estratégia é simples: quanto pior ficar, mais fácil ganhar as eleições daqui um ano. Ou menos difícil, já que o grupo está cada vez mais isolado – é o que os números sugerem.

A estratégia da oposição, se pretendia mesmo reproar as contas, foi um fracasso. A situação, que dava alguns sinais de enfraquecimento e aparentava ter algumas divisões, diante da ameaça, cimentou rapidamente as rusgas. Pode haver interesses conflitantes dentro do macro-grupo situacionista, mas numa análise imediata, os interesses do clube prevaleceram.

O placar foi 132 x 82, totalizando 214 votantes. Cerca de 70 não compareceram ou se abstiveram. Como o voto era aberto e nominal, 70 é o número aproximado de muristas, que estão sempre de bem com todo mundo mas não votam em nada abertamente para não se comprometerem. A oposição mais uma vez bate na casa dos oitenta, que parece ser o número limite do grupo comandado por Mustafá. O número não cresce – ao contrário, diminui a cada minuto de silêncio nos jogos no Palestra.

***

O resultado da votação em tese joga por terra a lenda de que a reeleição de Belluzzo – ou a mais provável indicação de um sucessor – estaria condenada ao fracasso, e que o grupo oposicionista estaria em seu melhor momento após a eleição de Della Monica. Apesar de tudo, o presidente mostrou bastante força, e o número alcançado ontem, se for sólido, com mais algumas adesões dentre os faltantes garante maioria absoluta qualquer que seja o quórum.

***

Contra esse raciocínio de que o Conselho está alinhado politicamente com Belluzzo e que na próxima eleição há uma tendência de que a presidência continue com a atual situação, existe um argumento bastante sólido: uma eventual reprovação de contas implicaria na responsabilização cível não apenas do presidente do clube, mas também de todos os vices. Isso significa que Clemente Pereira e Salvador Hugo Palaia, nomes intimamente ligados a Della Monica, sofreriam as consequências. Daí a adesão maciça deste grupo à aprovação. Há até quem diga que Della Monica nem exerce tanta liderança assim, e que os próprios vices estariam à frente dessa operação sobre uma fatia considerável dos que votaram a favor das contas, mas que podem mudar de lado no ano que vem, ou mesmo lançar uma terceira candidatura. O ano de 2010 pomete ser bastante agitado politicamente. Vai ser um tal de neguinho pulando de um lado pro outro do muro… pula pra lá, pula pra cá…  Haja estômago.

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Reforços - foi disseminada uma corrente na Internet de que após a aprovação de contas, o Palmeiras voltaria a se reforçar, e que os anúncios só dependeriam disso. Não é bem assim. Primeiro porque as contas em questão são relativas a 2009, e nada do que for feito agora influenciaria nessa análise. Segundo que a votação das contas não é um processo de análise econômica, administrativa ou contábil, mas sim político.

As únicas relações que a aprovação das contas tem com a vinda de reforços são que a diretoria estava dividindo um pouco suas atenções entre o mercado e os membros do conselho, e que a suposta dúvida sobre a saúde financeira do clube, levantada pela oposição nas semanas que antecederam a votação, prejudicava um pouco o poder de negociação do Palmeiras, diminuindo o crédito.

O Palmeiras vai às compras, mas sem loucuras. Devem vir grandes nomes, inclusive com a ajuda do parceiro, a Traffic. Não serão do nível do Messi nem do Eto’o, mas serão bons valores. E não necessariamente amanhã, ou semana que vem. Ainda será preciso ter um pouco de paciência até que as negociações se concretizem. Não há sangria desatada.

***

Diretas - existe no clube um movimento favorável às eleições diretas. Por princípio, obviamente este blog apóia as diretas para presidente do clube. Mas há que se observar todos os desdobramentos imediatos disso. A situação precisa se precaver para que esse passo não seja em falso, dando a chance à oposição tirar vantagem.

Sabemos que o clube está loteado em diversos departamentos. Existe a turma da hidroginástica, da dança de salão, da bocha, da musculação, do tênis, e assim por diante. Esses associados, por sua vez, tendem a seguir a orientação do diretor do departamento, de acordo com o prestígio que este sente perante a presidência.

Por exemplo: o pessoal da bocha certamente vai votar contra Belluzzo, já que ele cortou a verba mensal de R$30 mil que o departamento tinha para custear os jogadores profissionais da modalidade. Sim, o Palmeiras mantinha profissionais de bocha. Essa torneira já foi fechada. O diretor da bocha imediatamente aderiu à oposição. No caso de diretas, isso significaria todos os votos do departamento. E esse cenário se repete em todos os departamentos que eventualmente estão descontentes com alguma medida impopular do presidente, que está primando por estancar todas as sangrias no clube.

Além dos sócios ligados diretamente aos diversos departamentos e modalidades esportivas do clube, existem, claro, os sócios que estão lá só pelo relacionamento social e principalmente pelo futebol – este blogueiro, por exemplo. Infelizmente, somos minoria. Esta turma, claro, apóia Belluzzo em peso. E existem os torcedores de outros clubes, que não se ligam muito na política, e que eventualmente votariam no presidente que for pior para o futebol do clube. Estima-se que esse tipo de sócio esteja na casa dos 10%.

Para o bem do Palmeiras, é necessário fazer um mapeamento completo do quadro associativo antes de dar esse importante e saudável passo rumo à democracia plena.  Se  o mapa de associados indicar uma vitória da oposição, por conta da estrutura de feudos que existe no clube, esse grupo, que é useiro e vezeiro em tramóias e golpes, rapidamente vai jogar no ralo a semente democrática. Tudo será como antes, a lista negra no clube voltará, todos os que se opuseram a eles serão perseguidos no clube e provavelmente expulsos – tenho convicção que estarei no bolo – e claro, as diretas serão imediatamente revogadas através de alguma manobra e não haverá eleição seguinte para que a democracia corrija seu eventual erro.

Por isso, vamos com calma com essa história de diretas. O processo é o mais bem-intencionado e puro possível, mas feito na porra-loquice, pode ser uma dose de remédio mal calculada que acaba matando o paciente. O Conselho dá sinais que pode permanecer favorável à atual administração, e esse passo, se for para ser dado, tem que ser só na boa, só na certeza que não se estará entregando o ouro ao inimigo.

Uma vez com a certeza de que a democracia não correrá riscos no futuro, a direção é inequívoca: DIRETAS NO PALMEIRAS.

23 de novembro de 2009

Nota de repúdio do Grupo Fanfulla

Arquivado em: Política — conrado @ 20:40

O grupo Fanfulla repudia de forma veemente as agressões dirigidas ao Diretor Administrativo e conselheiro vitalício da S.E.Palmeiras, Wlademir Pescarmona, através de cartas anônimas.

O método utilizado por essa sanha de covardes reflete bem o pensamento de alguém que pode tê-los inspirado em outras ações no passado: “uma mentira dita cem vezes torna-se verdade”, disse uma vez Joseph Goebbels, ministro da propaganda do III Reich.

É por esta razão que, embora o bom senso indique o contrário, não podemos ignorar tais achaques, e os repudiamos com energia.

O Fanfulla conclama a todos os palmeirenses de bem, cujos objetivos pessoais jamais suplantam os interesses de crescimento e desenvolvimento da S.E.Palmeiras a nos acompanhar neste repúdio, em solidariedade a um companheiro cuja honra está sendo vilmente atingida para atender a interesses egoístas e mesquinhos.

Grupo Fanfulla

13 de novembro de 2009

Manifesto de apoio do grupo Fanfulla ao presidente Belluzzo

Arquivado em: Administração, Diretoria, Imprensa, Política — conrado @ 18:40

Palmeiras, 12 de Novembro de 2009

O Grupo Fanfulla, formado por sócios do clube, palmeirenses apaixonados por futebol e que desejam fazer do Palmeiras um padrão de excelência tanto dentro quanto fora de campo, vem, neste momento, prestar solidariedade ao presidente Luiz Gonzaga Belluzzo.

Infelizmente, no curso da história recente do clube, a imprensa, outros dirigentes e diversas outras personagens do meio do futebol acostumaram-se com uma diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras que era omissa e que calava em momentos cruciais como quando impediram nossa participação no Mundial FIFA de maneira autoritária e injustificada. Neste tipo de situação, a coletividade palmeirense espera um revide. Nossa história de perseguição deixou marcas que não podemos apagar e é lembrando do passado que defenderemos nosso futuro.

E foi lembrando deste passado inglório que o Profº. Belluzzo, que desde o momento em que assumiu a presidência disse que não pretendia se instalar na máquina que é o futebol, fez romper o silêncio e expôs situações indignas porém verdadeiras que assombram o futebol brasileiro. Situações estas que culminaram na anulação por parte do Sr. Carlos Eugênio Simon de um gol legítimo, objetivo último do futebol.

Alguns descontentes com as declarações do Prof.º Belluzzo tentam, desesperadamente, desqualificá-las bem como ao próprio presidente, afirmando que este estaria se portando como um mero torcedor. Não restam dúvidas de que o coração de nosso presidente bate como o de um torcedor mas, acima disso, está a consciência de que deve-se defender os interesses de seu clube até as últimas conseqüências, em especial quando se é prejudicado como o Palmeiras foi.

São em horas como essa que nos sentimos honrados de saber que aquele que ocupa a cadeira de presidente pensa, acima de tudo, no sucesso, na glória e na história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Luiz Gonzaga Belluzzo é alguém que sabe da grandeza do clube que comanda e faz questão de que o Palmeiras seja tratado com a dignidade, honestidade e hombridade que merece, mesmo que tenha que lutar, e muito, por isso.

Ao presidente Belluzzo, fica a garantia que estamos ao seu lado e que esta luta não é só sua, é de todos os palmeirenses e deveria ser de todos aqueles que apreciam um futebol decidido por vinte e dois homens, sem interferências externas e interesses econômicos.

Grupo Fanfulla

26 de setembro de 2009

Enquanto isso, na Turquia…

Arquivado em: Política — conrado @ 9:24

Pelo título parece, mas infelizmente este post não vai falar de Alex. O assunto é chato, mas não pode ser deixado de lado.

A política interna do Palmeiras ferve. E não estamos perto de nenhuma eleição, vamos deixar claro. O que acontece é que o fim da velha política do é dando voto que se recebe agradinhos (às vezes mais que simples mimos, bem mais) ainda repercute, e mal, nas alamedas do clube.

Outro ponto que incomoda algumas velhas lideranças é a perda de poder e prestígio no clube. Poder pelo poder, prestígio pelo prestígio. Amor à carteirinha de Diretor. Apesar de algumas composições inevitáveis por ocasião da eleição, a turma da carteirinha em sua grande maioria ficou a ver navios na diretoria da atual gestão. Ao contrário da política reinante, na maioria dos casos hoje é diretor quem está a fim de trabalho. Meritocracia. Hoje o Palmeiras pode olhar para si e ver que a poeira está sendo sacudida, e o avanço é visível.

É só ver as notícias por aí, mesmo que mascaradas pela imprensa oposicionista ou por blogueiros mal intencionados. Não há como não notar a retomada do basquete, a volta do pugilismo, a guinada no tênis. Só sinto falta, particulamente, do judô, esporte que eu gosto muito. Temos ainda a profissionalização das divisões de base, a visível melhora na gestão financeira. A Arena, que finalmente vai sair do chão. Por mais que os painéis tentem soltar as notícias contra, só há evolução, mesmo que algumas estejam em ritmo mais lento do que gostaríamos.

Vem aí em outubro o novo projeto de sócio-torcedor, o qual, esperamos, seja o marco da mudança de relacionamento com o torcedor de estádio. E não precisamos mais falar sobre o futebol profissional, que voltou a ser o time a ser batido, coisa que, no fundo, é o que mais nos interessa. Tem mais? Sim, muito mais. Basta se interessar em saber. Tem coisa que ainda precisa melhorar muito? Sim, claro que tem. O que não se pode é se apegar a esses aspectos, diga-se, criados por eles próprios, e acusar a gestão atual de não resolvê-los imediatamente.

Mas as velhas alas de políticos do clube não querem nem saber, estão achando que tá tudo ruim no clube, e ameaçam unir forças para combater a atual gestão. Não há qualquer possibilidade de debate em que essa gente consiga se sair bem. Mas como o interesse é só nas amadas carteirinhas, isso não importa. Infelizmente o lado da política do clube sediado na Turquia ainda tem condições de fazer muitos estragos.

É verdade que quem quer trabalhar muitas vezes não tem tempo pra satisfazer as necessidades que a política do Palmeiras tem. A gestão Della Monica foi importantíssima nesse processo de retomada ao fazer a transição, e se preocupou bastante em manter o aspecto político consistente – mas por outro lado não conseguiu avanços palpáveis na gestão. O oposto acontece agora.

A atual gestão tem que tirar forças de algum lugar para apagar esses pequenos focos de incêndio, antes que eles fiquem incontroláveis. Infelizmente já ouvi de figuras de alta patente no clube a seguinte expressão: “Tô cagando pra política do clube, o que eu vou fazer é trabalhar“. É bonito, mas perigoso. Se por um lado a atual gestão está fazendo com que o clube evolua dez anos em dois, por outro não vem fazendo nenhum trabalho político. Até alas da composição que ajudou a eleger Belluzzo começam a chorar pelos cantos porque esperavam mais reconhecimento – ou carteirinhas. E isso pode ser perigoso para as próximas eleições. Corre-se o risco de se construir uma Ferrari e dar pro Rubinho pilotar, de novo. Ou pior, pro rato do Piquezinho. Os riscos de voltarmos vinte anos em um mês existem.

***

Para minimizar esse risco, o trabalho é de formiguinha, e tem que partir de nós, torcedores. É muito fácil ficar assistindo tudo de longe e só xingar, criticar, mostrar a bunda, tirar onda de guerrilheiro. Mas quem quer mesmo fazer a diferença, morando aqui na Capital Paulista, ou mesmo em cidades próximas, tem é que ficar sócio, e se entranhar na política do clube. O caminho é a renovação do conselho, jamais vou cansar de repetir. O Palmeiras precisa de sócios jovens, dispostos a desenvolver projetos em favor do clube e não de si próprios.

Essa turma da carteirinha está é de olho no centenário do clube. Querem ser importantes no ano das festividades, que também é ano de Copa. Querem ter privilégios. Há quem declaradamente sonhe em ser conselheiro no ano do centenário. Ok, cada um com seus sonhos. Mas o clube precisa é de quem sonhe em ser conselheiro, não importa o ano, para manter o Palmeiras no lugar onde ele merece.

Os leitores mais antigos e/ou mais atentos já sabem que este blog tem participado ativamente do desenvolvimento do movimento Fanfulla, de sócios do clube. Em sua primeira eleição, elegeu três conselheiros. A tendência para a próxima é emplacar mais sete ou oito. E no longo prazo, mantendo-se o trabalho, ser um bloco com 50/60 conselheiros, e decidir eleições, e ser a proteção da torcida do clube contra a política das carteirinhas.

O Fanfulla não é apenas um grupo político, mas também um fomentador de idéias e projetos. Visitem o site do grupo – www.fanfulla.com.br, e façam o cadastro. Participem do fórum, mesmo sem serem sócios, e coloquem suas idéias para serem desenvolvidas. Dentro da seção Atuação, há uma listagem do que o grupo, nessa curta existência, já produziu em favor do clube. E caso você já seja sócio do clube, ajude a aumentar a lista de feitos desta página, e a representatividade da torcida dentro da política do Palmeiras.

Estamos esperando por você e por suas idéias lá no Fanfulla. Participem!

28 de agosto de 2009

Pronto, Vagner Love. E agora?

Passada, e muito, a euforia pela confirmação da contratação de Vagner Love, do qual este blog infelizmente foi alijado de viver o momento junto com a torcida, podemos começar a pensar em todos os desdobramentos desta contratação.

Primeiramente, devemos analisar as condições em que essa negociação se concretizou. Em princípio, noticiou-se que o Palmeiras adquiriria Obina do Flamengo, e imediatamente o repassaria ao CSKA, e os atacantes seriam trocados por empréstimo de um ano, com opção de compra ao final. Não se sabe de onde a impresa tirou isso. O fato é que Obina fica no Palmeiras, e Love vem por empréstimo, sem custo, a não ser os salários. Obina joga domingo contra o bambi, normalmente. Como é que Cipullo e cia. conseguiram isso, não se sabe. Só sabemos que é para se tirar o chapéu. O time não perde nenhuma peça, não se enfraquece, e ainda ganha um reforço desse quilate.

Há ainda duas questões para serem esclarecidas. A primeira é com relação aos salários a serem pagos para Love. Trata-se de um jogador com salários altos. A imprensa chegou a noticiar que Love teria baixado seus salários para poder se encaixar no orçamento do futebol do Verdão. De qualquer forma, não há motivos para desconfiar da gestão financeira no clube. Se houve o acordo, é porque há como pagar. Aqui não é Flamengo.

Seja alto ou adequado – e entenda-se por adequado um salário que respeite o teto definido em acordo com o elenco, o mesmo que recebe Marcos – a segunda questão saber como o grupo receberá Love. Apenas Marcos foi seu companheiro em sua passagem anterior pelo clube. O ambiente entre os jogadores hoje é muto bom. A chegada de um jogador de peso, badalado, sempre altera a rotina e pode mexer com algumas cabeças. Esse fator fica potencializado devido à personalidade de Love – alegre, extrovertido, e ainda por cima baladeiro, pelo menos em sua primeira passagem por aqui, quando tinha apenas 20 anos.

Seria muito interessante saber do jogador o que o motivou a vir para o Brasil após cinco anos em Moscou. Morar lá deve ser um saco. Preocupa saber que a motivação do jogador foi saudades do país, e da alegria de se morar aqui. Se a motivação foi aparecer mais de perto para Dunga, aí a coisa melhora. O procurador de Love foi bem quando deu essa justificativa, mas entre o discurso e a verdade, nem sempre a distância é curta.

***

Preocupações à parte, é hora de celebrar. Na semana do aniversário do clube, a torcida ganha mais um presentaço. A verdade é que não existe torcida neste país que não esteja invejando os palmeirenses neste momento. Vejam que eespinha dorsal: um time que conta com Marcos, Pierre, CleitonX, Diego Souza e Vagner Love, bem treinadinho, pode se candidatar a qualquer título no planeta. Contando ainda com coadjuvantes de qualidade como Danilo, Souza, Edmilson e Ortigoza, entre outros, e com um treinador do gabarito de Muricy, o caminho está muito bem traçado.

É isso que esperamos da diretoria de futebol. É sempre bom lembrar que este trabalho começou em dezembro de 2006, ainda na administração Della Monica. Gilberto Cipullo assumiu a direção de futebol e montou o primeiro time da fase de reconstrução, após a desastrada passagem de Salvador Hugo Palaia. Sem caixa, com alguns talentos esparsos, como Valdivia e Edmundo, Cipullo começou o trabalho, de longo prazo – o tal planejamento, que por não ter dado frutos nos primeiros campeonatos disputados, foi tão ironizado.

Mas a reconstrução técnica e financeira exigia tempo. Aos poucos, as peças foram sendo trocadas. O time de 2007, que era apenas para não fazer feio, realmente não fez feio. E quase fez bonito, raspou a Libertadores. A recuperação financeira avançou. Em 2008 veio um parceiro, e o modelo, apesar de não permitir ao clube todo o poder de decisão desejado, foi suficiente para a conquista de um Campeonato Paulista, aliviando a pressão por um título e dando mais tranquilidade para a sequência do plano. Já sob o comando de um técnico de renome, o Palmeiras buscou seu primeiro vôo, e chegou na reta fina do Brasileiro com plenas chances de conquista, que não aconteceu por um erro fatal no percurso. Mas o caminho continuava certo.

Com a eleição de Belluzzo, todas as fichas foram jogadas para o time de futebol. A reconstrução financeira avançou mais ainda; e também a relação com o parceiro, já mais disposto a atender às necessidades do clube e deixando um pouco de lado a realização imediata dos lucros pretendidos. E assim o grupo apenas se fortaleceu, esteve muito próximo da conquista do bi Paulista e da Libertadores, mas sucumbiu a mais erros de percurso: o comandante estava fraquejando.

Uma importantíssima correção de rota, que exigia muita coragem, foi feita: a troca de comando na comissão técnica. E passadas algumas semanas, sob o comando de outro grandíssimo treinador, o grupo hoje é sem dúvida o mais encorpado do país, inicia o segundo turno liderando o campeonato sem perder nenhuma peça, e ao contrário da tendência de todos os rivais, fortaleceu o time. A meta é nada menos que a conquista do Brasileiro, e da Libertadores, no centenário do rival. E agora não há mais desculpas de que é pro ano seguinte, pra 2011…

A chegada de Vagner Love, além da importância que tem por si só, sela o fim da fase de crescimento. Alguns reforços ainda podem aparecer até segunda-feira, principalmente na zaga e na meia. Mas a chegada de Love é o grande símbolo. Hoje o Palmeiras é Palmeiras. Não existe mais a síndrome de vira-latas, aquele fantasma oitentista que voltou a assombrar o clube desde a saída da Parmalat. A imprensa já não tem mais como desdenhar o clube – pode até fingir que não vê, mas atingindo os resultados, nem isso será possível.

Bem-vindo, Vagner Love, e toma juízo. Parabéns, diretoria do Palmeiras, e muito obrigado. Parabéns, torcida do Palmeiras.

Parabéns, Palmeiras!

3 de agosto de 2009

Mais uma eleição para vitalícios

Arquivado em: Política — conrado @ 23:58

O Conselho Deliberativo do Palmeiras reuniu-se na noite desta segunda-feira para eleger mais uma leva de conselheiros vitalícios. Foram dezoito os conselheiros que reuniam condições estatutárias para pleitear a condição, e dez vagas disponíveis.

Após a votação, apenas dois conselheiros conseguiram o número de votos necessário para a eleição: Gilto Avallone e Ronaldo Mastropietro.

Os conselheiros que passam à condição de vitalício abrem suas vagas ordinárias aos suplentes. Os dois conselheiros eleitos militam na oposição, mas Avallone mudou de lado recentemente. Desta forma, as duas vagas serão preenchidas por um conselheiro da situação, e outro da oposição.

6 de julho de 2009

A oposição e a mídia

Arquivado em: Imprensa, Política — conrado @ 13:08

Manter um embate com uma oposição leal é saudável a qualquer situação. Este blog jamais apoiará qualquer atitude de qualquer gestão do Palmeiras que busque artifícios como mudanças estatutárias, listas negras, ou mesmo uso de força por parte dos seguranças do clube para abafar manifestações políticas como o mero uso de camisetas. Sim, isso aconteceu em nosso Palestra há poucos anos.

As oposições podem e devem se manifestar constantemente, da forma como conseguirem. É através da cobrança da oposição que a situação consegue identificar mais rapidamente seus erros e tomar as devidas rotas de correção. Isso, claro, num mundo ideal, onde a oposição critica porque quer o bem do clube, não porque quer o poder a qualquer preço, mesmo que isso signifique piorar o ambiente interno, mesmo que isso signifique ter que torcer contra o time para enfraquecer a situação.

Pergunto ao leitor: vocês sabem o nome dos líderes opositores do Santos? Do bambi? Do gambá, só por ser folclórico, alguns vão se lembrar do Citadini, apenas alguns. Mas pergunte a qualquer torcedor desses times se eles sabem quem é o ícone da oposição palmeirense. A resposta vem de bate-pronto.

Não se vê em nenhum meio de comunicação tanto debate sobre os balancetes (curiosamente, sempre com uma visão tendenciosa, com análises pobres e risíveis) como os do Palmeiras. Não se fala dos bastidores dos clubes com tanta frequência como sobre os nossos. Como somos expostos!

Mas por que a imprensa dá tanto espaço à oposição palmeirense? E por que reverbera de forma tão tendenciosa seus argumentos? Por que publica com tanta frequência boatos lançados por “conselheiros”, a maioria absoluta de teor polêmico? Trocando em miúdos, de onde vem o gosto por fazer o circo pegar fogo, e por que ele não era assim antes, e por que isso ocorre com tanta assiduidade na cobertura do Palmeiras?

Caros “colegas” jornalistas, setoristas do Palmeiras: questionem seus pares, que vocês sabem muito bem quem são, que dão esse tipo de enfoque, e que dão essa quantidade toda de espaço a essas fontes nem um pouco desinteressadas. Façam entender que esse tipo de atitude depõe não apenas contra o veículo para o qual trabalham, mas contra toda a classe. É por essas e outras que foi cunhado o termo “imprensinha”. É generalizar, concordo que é errado. Mas nós somos os amadores. Vocês é que são os profissionais e são pagos para isso.

Me parece que uma das maiores diferenças entre um jornalista com graduação e um amador é o estudo profundo da postura ética para se fazer jornalismo. Pois às vezes a impressão que dá é que alguns colegas fazem questão de aplicar o contrário daquilo que se deve ensinar no banco da faculdade, sobre o que não deve ser feito. E acabam deixando de lado tudo o que aprenderam com os pais, sobre certo e errado. Que é o que nós, jornalistas sem diploma, continuamos fazendo desde criancinhas.

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