“Joga pedra na Geni“, dizia a canção de Buarque.
A torcida do Palmeiras está ávida por Genis. A saída de Muricy, apesar de ter agradado a uma minoria – claro, não existe unanimidade – da forma como foi, deixou um gosto de desilusão muito grande na boca da torcida do Palmeiras. Só que da maneira como a coisa toda repercutiu, a impressão que fica é que parece que houve uma grande orquestração entre os malvados Belluzzo e Cipullo, que puxaram o tapete do pobre Muricy, que saiu como vítima.
Muricy de fato foi injustiçado. A forma como ele foi tratado foi dura demais. Ele não teve material humano à disposição para que pudesse ser cobrado por resultados. A escolha por um modelo de reposição de peças imediatista, que remendará as falhas do elenco e para isso se curva às exigências do parceiro é nítida. Essas são as restrições a serem feitas à decisão tomada pela direção do clube, e que mereceram deste blog reprovação e até o sentimento de vergonha.
Mas assim como o blog reprova a injustiça cometida com Muricy, também reprova o que está sendo feito com Belluzzo e Cipullo. São as Genis da vez. Eles trataram Muricy de forma dura e injusta, mas não desleal. Não houve nenhuma armação, nenhuma puxada de tapete.
Acho correto julgarmos uma atitude administrativa. Fizeram a escolha. Acho que erraram. Pau neles. Sob esse escopo, concordo em bater forte. Mas fazer conjecturas do nível que estão sendo feitas, não é justo. A fé que o clube estava indo na direção absolutamente correta sem dúvida sofreu um abalo, mas a confiança no caráter e na retidão desses dois, de forma alguma.
Tanto quanto o professor Belluzzo, Cipullo é um grande palmeirense. Está sendo execrado de forma pessoal, e isso é uma covardia. Pior: estão deixando a possível raiva que estão sentindo para associá-lo a um suposto mau-caratismo. E estão fazendo isso usando outros julgamentos, sobre o caráter de Luxemburgo e Antonio Carlos, sendo que o apreço de Cipullo é pelo modelo de trabalho dos dois, e não pela conduta. A torcida do Palmeiras, nesse momento pós descida do zepelim, julga caráter a torto e a direito. Pessoal, nem todo mundo é Rogério Ceni, pô!
Julgar caráter desse jeito é coisa pra quem está muito, mas muito acima do bem e do mal. E isso acho que nenhum de nós está. Este blog fez toda uma campanha pela queda de Luxemburgo porque seus defeitos estavam atrapalhando seu desempenho; se não estivessem, não haveria o menor problema em suas rodinhas de pôquer e em tudo o mais que isso implicava. Não vamos misturar as coisas.
Por que será que as massas precisam tanto de Genis?
A letra de Buarque é genial.
GENI E O ZEPELIM
Chico Buarque – 1977
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniquidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela famosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitad e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

…
Mas Kleber não parou por aí. Afastado dos jogos há cinco rodadas devido a uma pubalgia, K30 esteve na capital paulista este fim-de-semana e aproveitou pra dar uma passada na quadra da Mancha, onde foi realizado um torneio de futebol society… E ELE JOGOU…! Que Kleber quer voltar ao Palmeiras, não é segredo pra ninguém, embora ele não possa admitir isso em público. Mas essa foi cirúrgica, não podia ter havido aparição mais propícia. Seu empresário deve ter ficado maluco, e Kleber parece não estar nem aí. Já pensaram, ano que vem, Valdivia/Love/Kleber? Sai da frente gambazada!*



