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19 de fevereiro de 2010

Genis

Arquivado em: Torcida — conrado @ 13:04

Joga pedra na Geni“, dizia a canção de Buarque.

A torcida do Palmeiras está ávida por Genis. A saída de Muricy, apesar de ter agradado a uma minoria – claro, não existe unanimidade – da forma como foi, deixou um gosto de desilusão muito grande na boca da torcida do Palmeiras. Só que da maneira como a coisa toda repercutiu, a impressão que fica é que parece que houve uma grande orquestração entre os malvados Belluzzo e Cipullo, que puxaram o tapete do pobre Muricy, que saiu como vítima.

Muricy de fato foi injustiçado. A forma como ele foi tratado foi dura demais. Ele não teve material humano à disposição para que pudesse ser cobrado por resultados. A escolha por um modelo de reposição de peças imediatista, que remendará as falhas do elenco e para isso se curva às exigências do parceiro é nítida. Essas são as restrições a serem feitas à decisão tomada pela direção do clube, e que mereceram deste blog reprovação e até o sentimento de vergonha.

Mas assim como o blog reprova a injustiça cometida com Muricy, também reprova o que está sendo feito com Belluzzo e Cipullo. São as Genis da vez. Eles trataram Muricy de forma dura e injusta, mas não desleal. Não houve nenhuma armação, nenhuma puxada de tapete.

Acho correto julgarmos uma atitude administrativa. Fizeram a escolha. Acho que erraram. Pau neles. Sob esse escopo, concordo em bater forte. Mas fazer conjecturas do nível que estão sendo feitas, não é justo. A fé que o clube estava indo na direção absolutamente correta sem dúvida sofreu um abalo, mas a confiança no caráter e na retidão desses dois, de forma alguma.

Tanto quanto o professor Belluzzo, Cipullo é um grande palmeirense. Está sendo execrado de forma pessoal, e isso é uma covardia. Pior: estão deixando a possível raiva que estão sentindo para associá-lo a um suposto mau-caratismo. E estão fazendo isso usando outros julgamentos, sobre o caráter de Luxemburgo e Antonio Carlos, sendo que o apreço de Cipullo é pelo modelo de trabalho dos dois, e não pela conduta. A torcida do Palmeiras, nesse momento pós descida do zepelim, julga caráter a torto e a direito. Pessoal, nem todo mundo é Rogério Ceni, pô!

Julgar caráter desse jeito é coisa pra quem está muito, mas muito acima do bem e do mal. E isso acho que nenhum de nós está. Este blog fez toda uma campanha pela queda de Luxemburgo porque seus defeitos estavam atrapalhando seu desempenho; se não estivessem, não haveria o menor problema em suas rodinhas de pôquer e em tudo o mais que isso implicava. Não vamos misturar as coisas.

Por que será que as massas precisam tanto de Genis?

A letra de Buarque é genial.

GENI E O ZEPELIM
Chico Buarque – 1977

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniquidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela famosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitad e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

12 de fevereiro de 2010

Prêmio aos craques da desinformação

Arquivado em: Especulações, Imprensa, Torcida — conrado @ 2:22

No embalo de mais um tsunami especulativo sobre os bastidores do Palmeiras, surgiu a idéia de premiar aqueles que são useiros e vezeiros em desinformar o torcedor palmeirense, na maioria das vezes de forma mal intencionada. São candidatos a serem laureados profissionais de imprensa, agentes de jogadores, conselheiros, familiares, sapos e até mesmo membros da chamada mídia palestrina.

O prêmio tem como objetivo reconhecer aqueles cretinos que adoram fazer uma fofoquinha. Usam seus contatos pessoais, microfones, colunas, sites, blogs e contas no Twitter para criar uma onda, levantar um burburinho qualquer, mesmo que não leve a lugar nenhum, e com isso se auto-promover. Ou dependendo do objetivo, às vezes o cara quer mais é instalar o tumulto mesmo, com fins políticos, financeiros ou simplesmente clubísticos. Enfim, o cara quer mais é que a negociação mele.

Criticamos bastante a diretoria do Palmeiras por ser pouco cuidadosa na condução das negociações no que diz respeito a manter a discrição. Mas temos que reconhecer também que quando você negocia com alguém, o outro lado também pode vazar, por mais cuidado que se tome há situações que fogem ao controle. Mesmo que em tese isso possa acontecer com todos os clubes, a impressão clara é que no Palmeiras isso acontece mais frequentemente. Algumas pessoas, ao saber que determinada negociação está acontecendo, não pensam duas vezes antes de passar pra frente, e trazê-la à tona: “Olha, o Palmeiras está negociando pra trazer tal jogador”.

Quando alguém divulga uma negociação real em andamento, a primeira coisa que acontece é que o preço sobe. Ou, na melhor das hipóteses, se o vendedor já abriu o preço, não abaixa mais de jeito nenhum. Porque com o burburinho, quem está vendendo sabe que a pressão sobre o Palmeiras para que o negócio se concretize aumentou bastante. E assim fica muito mais difícil fechar a negociação. E com o desfecho negativo, tendo havido ou não interferência do vazamento, a imagem que fica é a de comprador incompetente. A pressão interna aumenta mais ainda, já atrapalhando a negociação seguinte. E está criado o círculo vicioso.

Os empresários adoram valorizar seus jogadores usando repórteres trouxas – ou mal-intencionados comissionados. Inventam uma suposta conversa entre “representante do Palmeiras” e eles, interessados no fulano de tal. O repórter vai lá e publica. A torcida do Palmeiras lê. Se o jogador é ruim, já detona a diretoria, que supostamente está indo atrás de uma tranqueira. Se é bom, já aumenta a pressão para que contrate logo. Daí, a negociação “dá errado” – claro, nunca existiu. “Diretoria incompetente”, aumenta mais ainda a pressão, aumenta o preço da próxima negociação real. Mais um círculo vicioso.

Os torcedores se perguntam por que é tão mais difícil para o Palmeiras fechar os negócios. Se o momento é de fartura financeira, esse fator acaba sendo apenas uma dificuldade a mais; o aumento no preço não impede a concretização do negócio – o Palmeiras “apenas” fica mais pobre. E em momentos de retração financeira, como o atual, esse tipo de prática muitas vezes pode até inviabilizar o fechamento. Seja qual for o caso, é crime de lesa-Palmeiras.

E a torcida? Ah, como sofre. Basta uma especulação aparecer, e chovem perguntas no Twitter e no Formspring. “Viu esse link?” “Tá sabendo de algo?” “É verdade mesmo?” Às vezes é tanta ingenuidade que chega a dar dó. Sério. A gente percebe a angústia das pessoas, ansiosas por ver o time melhor. Como a torcida está carente, o sentimento muitas vezes é de pena mesmo.

Antes que apareça algum revoltadinho dizendo que dá pena é de ver Robert, Sacconi e Armero de titulares no time – sim, isso também judia de nossa torcida, inclusive deste blogueiro. Mas esse não é o ponto. Claro que queremos ver jogadores melhores onde esses caras estão jogando hoje. Mas isso será menos difícil de acontecer se a torcida parar de repercutir qualquer besteira que esses pilantras soltam por aí. Isso só aumenta a pressão e sim, influencia no resultado da negociação.

Aí vem o zé tecladinho:
- O que, Conrado? Tá me dizendo que minhas tuitadas e meus comentarios nos foruns da vida atrapalham o Palmeiras? A culpa é minha?

Só o seu comentário não, zé. Mas o seu, mais o de milhares ao mesmo tempo, sim, atrapalham. A torcida, ao manifestar essa ansiedade, é a massa de manobra. Por isso, em vez de repercutirem essas pataquadas, sugiram os autores desses boatos como candidatos ao prêmio. Marginalizando quem abusa desse tipo de prática, não só estaremos minimizando os efeitos negativos ao Palmeiras, como estaremos elevando o nível das informações que cercam os bastidores do clube. Mesmo porque seria muito importante que nossa torcida entendesse de uma vez por todas:

  • “NEGOCIAÇÃO” NÃO É NOTÍCIA, PORQUE CONVERSAS E SONDAGENS ACONTECEM A TODO MOMENTO. NOTÍCIA MESMO É FECHAMENTO DE NEGÓCIO.
  • QUEM NOTICIA “NEGOCIAÇÃO” DO PALMEIRAS COM DETERMINADO JOGADOR, OU ESTÁ SERVINDO AO VENDEDOR, OU É INOCENTE ÚTIL. DE QUALQUER FORMA, PASSA A SER UM AGENTE ATIVO NO NEGÓCIO, CONTRA O PALMEIRAS.
  • QUEM NOTICIA “NEGOCIAÇÃO” SEM SEQUER CITAR O JOGADOR, OU É PORQUE ESTÁ ATRÁS DE AUTO-PROMOÇÃO, OU É ANTI-PALMEIRENSE E SÓ QUER AUMENTAR O TUMULTO E A PRESSÃO.

Portanto, vamos dar início à caça aos candidatos ao prêmio. E como não serão poucos, o blog aceita sugestões até para a criação de categorias. Qual será o nome do prêmio? Ou teremos mais de um? Por exemplo: troféu para aquele que sempre tem uma “bomba”, para aquele que só aumenta mas não inventa, pra aquele carentão que fala qualquer coisa só pra chamar a atenção, pra aquele que precisa aumentar o ibope de todo jeito senão vai pra rua, pra aquele que precisa da comissão nossa de cada mês, e assim vai. Sei la, sou péssimo nisso, me ajudem.

25 de janeiro de 2010

Exercício de racionalidade

Arquivado em: Administração, Especulações, Torcida — conrado @ 16:12

Vamos imaginar a seguinte situação: estamos na última semana de março, o Palmeiras conta com um meia canhoto razoável para compor o elenco, um novo zagueiro e uma PUTA dupla de ataque, recém-contratados. Estamos em terceiro no Paulista, com plenas chances de classificação, e tranquilamente caminhando na Copa do Brasil.

O que acham? Legal? Eu gosto da idéia. Bem melhor do que contar com reforços nível Kleber Pereira, contratados às pressas no início de fevereiro porque os conselheiros e a torcida estavam desesperados.

O mercado está difícil para todos. Os rivais estão se reforçando? Sim, de volantes, coisa que estamos bem servidos. O ideal era iniciar o ano com o elenco formado, mas ninguém consegue. Nenhum time. O Palmeiras precisa chegar em abril com o elenco totalmente montado. Não “ontem”. Conhecendo o espírito com que Belluzzo e Cipullo encaram o futebol do Palmeiras, é possível ter a frieza e a paciência necessárias para agir com essa racionalidade. Confio na chegada de uma PUTA dupla de ataque, além de mais um meia e um zagueiro de bom nível.

Se ao final de março o elenco continuar com essas deficiências, aí sim, é hora de cornetar forte, pra valer. Não agora. Não a cada anúncio de  possível contratação frustrado. Mesmo porque, mais da metade deles é invenção da imprensa e dos empresários. É verdade que o Palmeiras poderia repensar essa postura de lidar com as informações e de como passá-las à imprensa e à torcida. O processo de criação de expectativa é muito nocivo. A torcida anda uma pilha por conta do fim do ano passado, e o que sempre foi naturalmente uma banana de dinamite hoje é um barril lotado de pólvora.

A pressão natural sobre a diretoria do clube deve ser exercida com inteligência. Uma pressão desmedida pode precipitar contratações que não são exatamente as que gostaríamos. Daí chega o Brasileirão, e dá-lhe críticas às contratações medíocres.

Soa adequado deixar-se levar pela emoção do futebol nos comentários sobre os jogos, no que realmente está relacionado à emoção. Porque se pretende-se discutir ações dos homens de terno e gravata, é necessária a mesma racionalidade que nós exercitaríamos se estivéssemos no lugar deles. Faz sentido?

1 de janeiro de 2010

Alma bambi

Arquivado em: Torcida — conrado @ 7:59

É impressionante. O palmeirense anda tão maltratado que qualquer coisinha vira motivo para tretar. Ainda mais na internet, onde isso fica mais fácil. Duas ou três tuitadas que não deveriam ter maiores consequências viraram um cavalo de batalha no fórum do PTD, conceituadíssimo site palmeirense comandado pelo meu grande amigo Edu.

Tudo começou com a não-concretização da contratação do Andrezinho junto ao Inter. O time gaúcho tinha a preferência ao final do contrato, e um prazo. É comum exercer essa preferência somente no último momento, pois é possível até conseguir algum descontinho, caso o vendedor não tenha outros times em concorrência e queira mesmo se desfazer do jogador. Aliás, foi isso que o Palmeiras fez com o Atlético-PR no caso do Danilo.

Pois na situação inversa, o Palmeiras, que já tinha tudo acertado com o meia caso o Inter, que escondeu o jogo até o fim, realmente não fosse exercer sua preferência, dessa vez não conseguiu o jogador. E como a expectativa criada na torcida foi de “quase certeza”- aliás, teve jornalista que deu certeza, na ânsia de “dar o furo” – quando saiu a notícia definitiva, teve gente chilicando. Mas chilicando forte, não foi uma resmungadinha não.

As vociferações de costume contra Cipullo, Genaro, Savério, Toninho Empecilho, dando conta que “estamos virando Lusa”, “ninguém mais quer jogar aqui”, “até onde vai a incompetência”, “Mustafá era melhor”, entre outras asneiras, chegaram à beira do insuportável. E pior: como tuitei que a contratação estava próxima – e estava mesmo – acabou sobrando até pra mim.

Ah, nem vem que não tem, pra cima de mim não. No próprio Twitter, descrevi essa meia dúzia como moleques mimados, que querem o brinquedo já, a-go-ra. Mesmo que seja um brinquedinho meia-boca, aquele que vai brincar duas ou três vezes e vai pro fundo da caixa. Um Andrezinho causa isso nessa gente, vejam se tem cabimento. Ainda me referindo a essa meia dúzia, caracterizei-os no Twitter como palmeirenses de alma bambi. Textualmente, na limitação característica de 140 caracteres: “alma bambi é facilimo de definir. gente que nao tem ligacao c/ a camisa ou c/ o clube, e sim com titulos. se o time perde, o clube é um lixo

Só que a fatalidade tinha acontecido alguns tuits antes na timeline: o pior é que pela idade, é gente que ficou palmeirense entre 93 e 96. nao tem alma verde. casaram com os titulos. a alma dessa gente é bambi. É claro que me referia à meia dúzia de chiliquentos. Percebi que se tratava de gente nessa faixa etária, daí a conclusão. Mas é óbvio que nem todos que nasceram nesse período têm a tal alma bambi, é apenas um subconjunto. Óbvio pra mim. Os patrulheiros já me acusaram de generalização. No Twitter… no Twitter!

Aí um follower (Sergio Marcio, um abraço!) que entendeu e gostou da observação resolveu abrir a discussão no fórum do PTD. Decidiu discutir mais a fundo a questão comportamental da torcida palmeirense. Pra que…

A discussão até que ia bem até que dois ou três sujeitos muito burros, mais muito burros mesmo, resolveram achar que eu seria capaz de dizer que todos os palmeirenses nessa faixa de idade têm alma bambi. Sobrou até pra minha mãe. Bom, aí resolvi fazer minha última estrepolia do ano e fui provocar os caras de volta, e disse que eles não tinham alma bambi, e sim alma gambá, já que o meio neurônio deles não estava funcionando bem – ou algo parecido.

Bem feito pra mim, quem mandou provocar? Mas foi um tal de levar lição de moral, de gente se dizendo decepcionada, quase chorando, misturado com discussões sobre ser mais ou menos palmeirense, sobre “se achar” mais palmeirense (wtf?), enfim, coisas que se eu disser que é típica da idade vou ser novamente linchado virtualmente, então não direi. Mas que parecia orkut, parecia.

Eu não sei o que se passa na cabeça de parte da torcida do Palmeiras. Mas sei que prefiro que menos pessoas me sigam no Twitter ou leiam estes posts, se for pra ser abordado desta forma. Estamos precisando focar em coisas realmente importantes, direcionar nossos esforços para não deixar as coisas piores do que estão. A diretoria investiu pesado para garantir a conquista de um título, e ele não veio – apesar da cartilha ter sido seguida à risca. Perdemos por detalhes, porque futebol é futebol, e porque teve um momento na trajetória onde se cometeu um erro, mas dado o esforço em fazer tudo certo, nem de longe seria correto apedrejar o pessoal do comando. A oposição ensaia um golpe vergonhoso para todas as gerações de palestrinos, e neguinho fica discutindo na internet por causa desse tipo de besteira?

É aí que entra a tal alma bambi. A tendência em dar chilique, acompanhada pela incapacidade de sublimar as inevitáveis tirações de sarro dos amigos torcedores dos rivais/inimigos, e da estupidez de não saber avaliar o que é realmente importante pra discutir com mais energia, fazem o cara chegar na internet e martelar o teclado até que passe sua indignação – ou até que tenha alguém lendo o que ele escreve. Esse sujeitinho de alma bambi é o que tem compromisso com a vitória, que não faz nada pelo clube, mas exige que o mesmo lhe dê retorno – vitórias, ou no caso de intertemporadas, reforços novos – “presentinhos”.

Esse tipo de palmeirense, juro, prefiro que vá ler a imprensinha e que fique com bastante raiva, que fique xingando o Palmeiras na internet, e principalmente, que não diga a ninguém que lê este blog ou que me segue no Twitter. Porque é um pouco embaraçoso de ser lido por gente que faz esse tipo de coisa. Não é isso que eu escrevo aqui.

Ah que falta faz uma partidinha de futebol pra ter algo que preste pra falar…

8 de novembro de 2009

Quem não ajuda…

Arquivado em: Torcida — conrado @ 20:29

Antes do tradicional post pós-jogo, o qual só devo fazer com calma e no conforto de casa, sinto-me na obrigação de fazer este pequeno texto, uma mistura de desabafo e apelo.

O juiz nos roubou descaradamente, isso é fato. Mas a bolinha que o time jogou, principalmente no segundo tempo, foi igualzinha ao do jogo contra o Santo André. Isso é inadmissível.

Não quero entrar em detalhes nem citar nomes agora. Estou tão ou mais puto que vocês. Não me vejo com ânimo para a próxima partida. Vice-líder, a um ponto do líder, a quatro rodadas do fim, mas neste momento estou me sentindo enganado, por um time e por um sistema.

Irei ao Palestra quarta, porque é uma espécie de dependência psíquica. E não vou pra apoiar. Não acho justo comigo mesmo.

Por outro lado, dado o momento do campeonato, não acho correto iniciar qualquer processo de pressão ou de apontar o dedo para este ou aquele. Só depois da rodada 38.

Na matemática, o título ainda está bem próximo, embora tenhamos perdido a condição de depender apenas de nossos esforços. Por isso, penso ser hora de colocar em prática um velho ditado: QUEM NÃO AJUDA, NÃO ATRAPALHA. Não vou incentivar, mas também não vou vaiar nem xingar. E agora, aqui na Internet, mesma coisa.

Vá assistir a um filme, dê um trato na patroa, vá fazer algo que preste. Aproveite bem este fim de domingo. Não venha fazer terapia nos blogs e fóruns que não é pra isso que eles servem.

Não há nada de bom para falar neste momento. Caso você seja capaz, meus parabéns. Se não for, siga a frase feita. A ira deste momento, eu garanto, não vai ajudar em nada.

29 de outubro de 2009

O Palmeiras não é só seu

Arquivado em: Torcida — conrado @ 9:27

A mensagem já é manjada, mas o momento exige o lembrete.

Se você é um sujeito impaciente e que não consegue conter suas frustrações instantâneas…

Se você for do tipo que vai ao campo para extravasar…

Se você tem compromisso com a vitória e não com o time…

Se você não entendeu ainda que o Palmeiras não é só seu…

NÃO VÁ AO PALESTRA HOJE, SUA ANTA…

Esta noite não serão admitidas vaias durante o jogo de forma alguma. Se o jogo se mostrar difícil, o resultado deverá vir até os 90 minutos, não nos primeiros 10 ou 15. O time precisa de todo apoio do mundo. Precisamos de gente jogando junto. Não contra.

Erros de passe, desatenções, apagões devem ser tratados com gritos de “VAMO”, e não com “SEU FDP!”

De minha parte, não tolerarei nada neste sentido perto de mim e farei o que for necessário. Incentivo a todos que façam o mesmo.

Hoje é guerra. Contra o adversário; e infelizmente, também contra nós mesmos.

16 de outubro de 2009

Sexta pré-decisão

Arquivado em: Futebol, Torcida — conrado @ 13:06

Não é a mesma coisa que uma sexta pré-decisão de mata-mata. Mas em mata-mata não tem uma decisão como essa todo fim-de-semana. Este campeonato está muito legal. E esta semana foi mais uma vez cercada de muita ansiedade para a torcida do Palmeiras. O jogo de domingo, contra o Flamengo, além de ser sempre um clássico de muita rivalidade, pode mais uma vez dar ao Verdão uma folga na tabela quase impossível de ser alcançada pelos rivais. Mas também pode fazer a vantagem ser drasticamente diminuída, queimando toda a margem que temos hoje.

O Flamengo fez uma tentativa inusitada durante a semana, e lançou uma “promoção”: baixou a multa para que o Obina pudesse jogar, de R$1 milhão para R$400 mil. Valheu, merrmão, tu é ishperrtão merrmo hein?

Conversando com pessoas próximas aos jogadores, apurei que o elenco já encaixou a porrada levada nos Aflitos, e está totalmente focado no próximo jogo. Vagner Love é um dos mais animados. Diego Souza, de volta da Seleção, parece um pouco acabrunhado pela falta de chances no jogo contra a Venezuela, e por isso mesmo voltou toda a sua munição contra o Flamengo. Ele tá a fim.

O Flamengo, apesar do esquema cauteloso que vem sendo treinado por Andrade durante a semana, não é um time de esperar o adversário e armar contra-ataque, o que deve ser um ponto a nosso favor. Segundo informações extra-oficiais, a Globo vai liberar o sinal inclusive para a capital. O jogo será transmitido para todo o Brasil, e isso está animando mais ainda os jogadores. Nunca tinha visto um caminhão de emissora tão grande quanto o que a Globo estacionou no Palestra hoje cedo.

Aliás, mais uma vez pudemos ver cenas lamentáveis no clube esta manhã, relacionada à venda de ingressos. Filas intermináveis, tensão imensa de quem já está há horas esperando a vez, já que os ingressos podem acabar e a janelinha pode fechar a qualquer momento. Na fila interna, para sócios, bastante tranquilidade, e o comércio informal corre solto. Conselheiros retiram os ingressos a que têm direito, sócios regulares compram os seus, sócios mirins adquirem suas meias-entradas e todos repassam ao gerente dos cambistas, que todo mundo sabe quem é, dentro do clube. Depois de fazer a coleta, ele vai para fora, distribui aos seus “funcionários”, e volta para dentro para pegar uma nova remessa. Perguntado por um de seus “fornecedores” se ele não tinha pedido um lote lá dentro desta vez, respondeu negativamente, com a maior desfaçatez: “ah, tá a maior frescura isso ultimamente, viu…”. Chora, torcida do Palmeiras… chora…

E assim chegamos ao final de mais uma semana na contagem regressiva para o nono título brasileiro. Estamos atrás de seis vitórias em nove jogos. Que venha a primeira em cima dos merrmão!

6 de outubro de 2009

Oba-oba

Arquivado em: Imprensa, Torcida — conrado @ 15:10

Caiu a ficha pra todo mundo. O Palmeiras finalmente está sendo reconhecido. Apesar de todos os “apesares” – sempre tem um defeitinho aqui ou ali – não existe jornalista no mundo hoje que não aponte o Verdão como principal favorito ao título brasileiro. Também, com cinco pontos de frente a onze rodadas do fim e com a tabela razoavelmente tranquila, não havia muita escolha. E tem muito torcedor rival já incomodado com isso – como nós ficaríamos se estivéssemos na posição deles.

Me espantou que até o arauto da moralidade já abriu as pernas. Ele mesmo, que quando o Palmeiras perdeu do Vitória e o bambi ficou a um ponto da gente, decretou que o título iria para o Jardim Leonor. Mas ele é assim mesmo, conforme o vento. Já sabemos que não devemos levá-lo a sério desde que ele anunciou Valdivia nos bambis.

Além de apontarem como principal favorito, todos os jornalistas já tratam o Palmeiras de forma diferente com a tendência da conquista se intensificando. O respeito aumentou, e muito. E também querem estar de boa na Academia quando for a hora das matérias especiais, das exclusivas, ou para poderem chamar os campeões para seus programas de estúdio. Querem estar bem na fita com a nossa torcida para que a audiência vá para as nuvens.

Só que uma rodada desastrada, que faça a diferença cair para dois pontos, já vai ouriçar toda a imprensa de novo. E isso é normal. Vão tripudiar o Palmeiras de novo. Não é nem para enfurecer a nossa torcida, mas para dar alento às outras. É assim que se consegue mais audiência.

E a torcida palmeirense, bipolar, no caso de uma rodada negativa vai entrar na onda ruim e enxergar os “apenas” dois pontos de vantagem como o prenúncio do armagedom, as bestas do apocalipse estarão circulando em torno do Palestra. Como se estar a dois pontos do segundo colocado, com um time consistente, fosse ruim. Perguntem a qualquer bambi ou galináceo se eles não gostariam de estar dois pontos na frente do segundo colocado.

Temos uma rodada e mais os critérios de desempate de margem para dar tudo errado. É preciso aprender a viver os pontos corridos. O oba-oba de agora, tanto da imprensa como de nossa parte, é normal e inevitável. Caso percamos essa gordurinha, temos que ter em mente que, absorvendo o tropeço e voltando a fazer a nossa parte, essa vantagem se mantém e pode até aumentar de novo num tropeço dos adversários.

O oba-oba faz parte dessa reta final, e tanto time quanto torcida têm que saber vivê-lo. O time tem é que incorporar essa condição de favorito destacado, e permanecer focado. Serão onze rodadas tensas no úrtimo. A bipolaridade palmeirense leva a torcida à euforia, mas também à ansiedade. Se chegarmos a um final feliz, é essa bipolaridade que vai fazer da conquista algo mais saboroso do que as cinco últimas conquistas de nossos rivais nos últimos anos somadas, e não haverá ninguém neste mundo mais feliz que o palmeirense. E caso contrário, temo até por tragédias em verde e branco.

Neste momento, faltam onze rodadas. Agora é hora de oba-oba, então vamos aproveitar que pro torcedor a onda é boa… mas não se esqueçam que tem muita emoção pela frente até o final…

30 de setembro de 2009

Clube, organizadas e torcedor comum: uma grande evolução

Arquivado em: Administração, Diretoria, Torcida — conrado @ 3:27

Os leitores mais assíduos já estão por dentro, mas não custa lembrar: depois de alguns posts discutindo o assunto, especialmente este, o clube, representado pelo Diretor de Relacionamento com o Torcedor, Paulo Niccoli, buscou desenvolver um projeto onde se pudesse fazer do Palestra um caldeirão, um verdadeiro inferno para os adversários.

Desenvolver músicas mais contagiantes, que fossem entoadas por todos, e não apenas pelos organizados, era um grande desafio. Outro, maior ainda, era fazer com que as maiores torcidas do Palmeiras topassem fazer um trabalho em conjunto, em benefício do time. Todos sabem, as organizadas têm diferenças grandes entre si, principalmente entre suas lideranças. Mas o amor ao Palmeiras parece ser capaz de atropelar qualquer barreira.

Com a colaboração de inúmeros palmeirenses, como Marcos Kleine, Vicente Criscio do 3VV, Wilson Simoninha, entre tantos outros que não serão citados agora para não cometermos injustiças, foi feito todo um trabalho de coleta e seleção do material, junto à torcida, pela Internet. Foram quase 200 sugestões de músicas e gritos de guerra – no bom sentido, claro – para compor o conjunto final.

Serão músicas para se ouvir em casa ou no carro – mas também músicas para se cantar no estádio. Músicas enaltecendo o Palmeiras, o clube, o time; mas também mostrando o orgulho e a força da própria torcida. Músicas rápidas, marcadas, fortes – e também belas canções que puxam pela emoção. O projeto é ambicioso e pretende agradar a todo e qualquer palmeirense, propondo um mix equilibrado com todos os componentes que envolvem a paixão pelo futebol, monitoradas por profissionais de música, marketing, distribuição, tecnologia e experts de arquibancada, torcedores que já têm mais tempo de minuto de silêncio do que a Dercy tinha de vida quando morreu.

As faixas serão distribuídas através de um CD, que fará parte do kit destinado ao programa de Sócio Torcedor, mas que também terá outros canais de distribuição; também serão disponibilizadas para download na Internet; serão convertidas em versão ringtone para celulares, enfim, todo palmeirense terá a chance de acessar o resultado desse trabalho. Se vai pegar ou não, se o Palestra vai mesmo virar um caldeirão, o futuro dirá. Mas o pontapé inicial nessa direção foi dado.

Pela empolgação com que as organizadas – representadas pelo André Guerra (Mancha) e pelo Rodrigo “Italiano” (TUP) – abraçaram o projeto na reunião que tivemos esta noite, temos todos os motivos para acreditar que tende a dar certo. Além dos temas que envolvem o projeto, foram discutidos no encontro outros aspectos que envolvem, em geral, o torcedor de futebol, especialmente o do Palmeiras.

A impressão que ficou latente é que existe um enorme hiato entre o clube, o torcedor comum e as organizadas. Não há comunicação entre as partes. Muitas vezes a interpretação que cada elemento desse tripé faz de outra é equivocada, e a distância é a maior razão disso. A relação é tensa, e vemos que isso não é necessariamente a natureza dessa comunicação, como nos acostumamos a pensar.

O torcedor comum já começou a quebrar a distância com o clube através da própria Mídia Palestrina [pronto, agora vou usar o termo declaradamente, ok?]. O reconhecimento do clube, através da Diretoria de Futebol, ao chamar para uma espécie de prestação de contas os blogueiros como forma de intermediação e representação do torcedor comum significou um avanço enorme. E agora o clube faz um projeto que exige a participação das organizadas, uma ação que se elas não abraçarem, não sai – e por isso, contam com elas.

Pois as organizadas deram o passo à frente e se dispuseram a ouvir e a fazer o que acham melhor para o time, não exigindo contrapartidas imorais, nem deixando que interesses menores atrapalhem o objetivo. E isso acabou fazendo com que outro muro levasse suas primeiras picaretadas: o que está entre o torcedor comum e as organizadas. É claro que o histórico é conturbado e muitos episódios permanecem em aberto, mas não pode ser nada que um estreitamento da distância que foi cultivada com o passar dos anos não resolva.

Os organizados têm seus pontos de vista e suas reivindicações. Fazem suas besteiras, e as reconhecem , não se escondem – e tentam melhorar, embora não pareça. Explicam que sofrem com o boicote da mídia contra as ações de que se orgulham. O torcedor comum, que só tem acesso ao que a imprensinha divulga sobre as organizadas  – e é só a parte ruim – duvida que isso aconteça. Admito que eu também duvidei por muito tempo. Falta uma boa comunicação entre as organizadas e a torcida em geral, para que todos vejam nelas legítimos representantes da TORCIDA DO PALMEIRAS, principalmente nos estádios mundo afora. Será isso possível?

Esse contato com os organizados por ocasião deste projeto tem ajudado a desmistificar o mau conceito. E gostaria de poder dividir isso com vocês, da mesma forma com que temos levado já há quase três anos o outro lado das alamedas do Palestra, um lado que não era tão difundido assim.

A conduta deste blog não será tomar partido de nada, mesmo porque não se está propondo um embate. Ao contrário, a proposta é um debate, uma aproximação entre o comum e o organizado. Os líderes das entidades toparam interagir com o torcedor comum, para que se derrube o mito que hoje existe sobre as torcidas. Ou não. Depende do desempenho de cada um neste debate. Quem vai vencer é a verdade.

O leitor deste blog poderá, através do email parmerista@gmail.com, enviar suas perguntas, que serão selecionadas pelo blog, enviadas à TUP e à Mancha e devidamente respondidas.

Este projeto, mais do que transformar o Palestra num caldeirão, num inferno para os adversários, pode marcar o início de um novo capítulo nas relações entre os palmeirenss, mais harmoniosa, mais próxima, conspirando a favor exatamente no momento em que o time dá todos os sinais de que vai voltar a ser o maior vencedor de todos os tempos do futebol brasileiro.

Que orgulho que dá de ser palmeirense!

27 de setembro de 2009

Nossa, ele tá jogando?!?

Arquivado em: Torcida — conrado @ 14:25

Não consegui tempo pra tentar comprar minha arquibancada para o jogo de ontem, e no desespero, torrei R$110 pra conseguir um lugar no Visa, às 14h30. Já comentei aqui os vários aspectos que envolvem o polêmico setor, mas não custa repassar.

Acho que o clube não pode prescindir jamais do montante de dinheiro que o mercado oferece pelas bilheterias. O Palmeiras, com um dos estádios mais modestos do campeonato em termos de capacidade, consegue ser o segundo time que mais arrecada, e tende a ser o primeiro. A renda de ontem ultrapassou R$ 1 milhão.

A contrapartida é que o clube troca uma boa fatia de torcedores na arquibancada por meros consumidores. Gente que se assemelha demais a sãopaulinos. Espectadores de ocasião, que não estão acostumados com futebol, que não sabem assistir a uma partida de futebol, não sabem se comportar numa partida de futebol. Gente para quem ir a um jogo de futebol ou a um teatro é a mesma coisa.

Eram 24 do segundo tempo, e Danilo tinha acabado de desempatar o jogo a nosso favor. Ele, que fez o lançamento do primeiro gol; e que teve a infelicidade de desviar a bola que Marcos defenderia e acabou a jogando para o nosso gol. Ele que estava dando o sangue em cada dividida, pois estava sem dúvida dopado psicologicamente – afinal, entrou em campo com o enorme prestígio de terem sido investidos R$ 100 mil só para que ele jogasse.

Pois não é que, assim que apareceu o nome de Danilo no placar indicando que ele fora o autor do gol, um incauto que estava a meu lado perguntou:

- Nossa, mas o Danilo está jogando? Não tinha uma cláusula no contrato que proibia ele de jogar?

- Sim, tá jogando, o Palmeiras pagou uma multa – respondi. Mas pô… você não notou que ele estava jogando até agora?

- Não…

21 de setembro de 2009

Duelo quarta deve ser tenso

Arquivado em: Adversários, Futebol, Jogadores, Torcida — conrado @ 10:17

Apesar de toda a pressão que a imprensa planejou que fosse estar sobre o Palmeiras ter se dissipado com os resultados da rodada, o jogo da próxima quarta no Mineirão promete ser muito tenso. O climão começou na semana passada, quando Fabrício, sabe-se lá se provocado por algum jornalista ou se por vontade própria, desatou a chorar a respeito de Diego Souza, de quem levou uma mãozada no ano passado. Como futebol é pra homem, essas coisas acontecem – o atacante do time dele, o grande Kleber, que o diga. Mas Fabrício acusou Diego de dar cotoveladas, socos e rasteiras. Ô loco, se ainda fosse o Domingos… Diego respondeu moderadamente. Na medida certa, eu diria. Disse que não vai jogar como mocinha. Se Fabrício parecia estar amedrontado com a primeira declaração, agora deve ter ficado com diarréia. Mas a melhor tirada de todas foi do próprio Kleber, que declarou que Fabrício e Diego se dariam bem no mesmo time, os dois tem comportamentos muito parecidos. Que figura!

***

Mas Kleber não parou por aí. Afastado dos jogos há cinco rodadas devido a uma pubalgia, K30 esteve na capital paulista este fim-de-semana e aproveitou pra dar uma passada na quadra da Mancha, onde foi realizado um torneio de futebol society… E ELE JOGOU…! Que Kleber quer voltar ao Palmeiras, não é segredo pra ninguém, embora ele não possa admitir isso em público. Mas essa foi cirúrgica, não podia ter havido aparição mais propícia. Seu empresário deve ter ficado maluco, e Kleber parece não estar nem aí. Já pensaram, ano que vem, Valdivia/Love/Kleber? Sai da frente gambazada!*

Voltando ao próximo jogo, Muricy tem usado o 4-4-2 nos últimos treinos táticos. Convencido que o elenco não tem três zagueiros em condições de fazer a última linha, e que insistir em trocar um meio-campista por um zagueiro ruim só aumenta a ruindade da defesa e do time, agravado com a constatação de que nossos laterais/alas não são bons no apoio, Muricy cede aos fatos e, para alegria da maioria da torcida, restaura o 4-4-2 usado na melhor fase do time no ano.

***

Tá tudo conspirando. A quarta promete ser inesquecível. Se o Verdão voltar de Minas com os três pontos na bagagem, como fez ano passado, tem tudo para abrir uma boa distância nas próximas rodadas. Terminamos o período difícil do calendário, e é perfeitamente possível amealhar pelo menos oito vitórias nos dez jogos seguintes, é só olhar a tabela. Embalando na hora certa, a reta final vai servir só para administrar a vantagem. O jogo quarta, então, é fundamental. Vamos todos torcer juntos lá no Boleiros. Vejo vocês lá!

* O grande Eder, leitor assíduo, reproduziu nos comments uma nota oficial da Mancha onde a torcida esclarece que a notícia sobre a participação de Kleber no evento não foi bem como saiu no Lance! e como este blog comentou. Entre acreditar no Lance! ou na Mancha, fico com esta, mesmo que seja apenas para preservar Kleber diante do atual time. A verdade verdadeira, só sabe quem esteve lá…

13 de setembro de 2009

Mais uma da série “a torcida do Palmeiras é inacreditável”

Arquivado em: Torcida — conrado @ 11:54

Daqui a pouco tem jogo em Salvador, e estaremos tuitando os comments do jogo, acompanhem!

23 de agosto de 2009

Pra ficar arrepiado neste domingo

Arquivado em: Outros, Torcida — conrado @ 14:40

Nossos patrocinadores Adidas e Samsung lançaram durante a semana vídeos promocionais, valorizando a parceria que existe entre eles e o Palmeiras.

As imagens e o som dizem tudo, qualquer comentário é absolutamente desnecessário.

21 de agosto de 2009

Bafo na nuca?

Arquivado em: Adversários, Torcida — conrado @ 16:15

O meia Andrezinho, do Inter, uma espécie de Marquinhos gaúcho – jovem com talento que parece ainda não ter cabeça pra envergar uma camisa de time grande – revelou a uma rádio gaúcha que Tite, em uma de suas últimas preleções, quer usar a pressão da torcida no Palestra a favor de sua equipe no jogo de amanhã. Confira o artigo publicado no globoesporte.com.

Quando o treinador começa a querer usar artifícios fora das quatro linhas, é porque já pressente que a casa vai cair. Tite é um dos maiores enganadores do futebol. Suas frases pomposas já viraram piada na imprensa e na torcida. Técnico que está confiante no time, chega, faz a preleção, explica o que quer que façam pra ganhar o jogo e deixa os jogadores resolverem lá dentro. Se os jogadores do Inter entrarem em campo pensando na reação da nossa torcida, vão esquecer de jogar bola e quando perceberem já vai estar 2×0 pra nós. Valeu, Tite.

Curiosa foi a expressão usada pelo redator gaúcho do globoesporte.com:

A ideia é de Tite, que já treinou o Palmeiras e sabe bem como é trabalhar com o bafo da torcida na nuca. Por isso, ele passou uma orientação aos jogadores, conforme revelou o meia Andrezinho.

Ê gauchada. Depois reclamam…

Então é isso. Amanhã, no Palestra, vamos mostrar pra eles o nosso bafo quente. Só não exagerem senão os gaúchos vão apaixonar.

17 de agosto de 2009

Perguntinhas intrigantes

Arquivado em: Administração, Diretoria, Especulações, Futebol, Jogadores, Torcida — conrado @ 15:15
  • Por que a venda de ingressos no Palestra continua tão bagunçada? Parecia que tinha melhorado…
  • Por que Figueroa não estréia nunca? A deficiência nas laterais claramente nos custaram pontos importantes.
  • Por que a torcida do Palmeiras não assimila que existem três tipos de meio-campistas: os que defendem, os que atacam, e os que fazem as duas coisas?
  • Falando em torcida, por que a Mancha fez uma festa tão bonita antes do jogo, e ficou tão apática durante a partida?
  • Quando tivermos rodadas seguidas pela Sulamericana e o Palmeiras folgar nas quartas-feiras, o preparo físico atrapalhará nossos adversários como supostamente nos atrapalhou sábado?
  • Deram a camisa 20 pro Robert, e não a 9. Onde há fumaça, há fogo?

4 de agosto de 2009

Traço

Arquivado em: Adversários, Torcida — conrado @ 11:13

No último fim-de-semana passou jogo do bambi na Globo e na Band, para São Paulo. As emissoras ficaram decepcionadas com a minúscula audiência. Não se comparam com a alcançada quando a transmissão é de jogos nossos ou do gambá.

A gente vive falando, mas dizem que é despeito: a capital só tem duas torcidas de verdade, porque só tem dois times de verdade, e eles jogam um clássico chamado DERBY. O resto não existe. Basta deixar de ter um time competitivo que os supostos adeptos do bambi, aqueles que aparecem nas pesquisas, evaporam.

Sempre foi assim, e assim sempre será. Torcidinha artificial, sem alma. Modinha.

Enquanto não for desenvolvido um método eficaz para qualificar as pesquisas que medem as torcidas no país, teremos essa distorção conforme a fase leonor. E quem paga é o anunciante, que compra cervo por lebre, ao adquirir cotas de patrocínio caríssimas nas emissoras achando que a audiência vai bombar todo domingo.

Hora da torcida: fica, Pierre!

Arquivado em: Jogadores, Torcida — conrado @ 0:59

Segundo informações do goleiro verde Raul Bianchi no Twitter, Pierre está mesmo de saída do Palmeiras. A proposta dos Emirados Árabes teria seduzido nosso camisa 5, que, segundo pessoas próximas, pelo coração preferiria ficar, pois já criou laços eternos com o Verdão e com a torcida. Mas a proposta financeira, para quem já tem 27 anos, seria boa demais.

Há quem diga que Pierre não é tão difícil de ser substituído. Devem estar brincando. Pierre tem uma das melhores relações desarme/cartões que eu já vi no Palmeiras. E claro, isso com um volume de desarmes impressionante. Está no clube desde o início de 2007, sendo um dos jogadores mais antigos do grupo. É um grande companheiro, um cara que ajuda qualquer elenco a ficar unido. Se falam tanto que o ambiente do Palmeiras é um dos melhores que existe no futebol hoje, boa parte disso se deve a Marcos e Pierre.

Ninguém é insubstituível. Mas tem gente cuja falta vai ser muito, muito sentida. Pierre, confirmando-se a negociação, será um deles.

A diretoria do Palmeiras continua afirmando que não recebeu nenhuma proposta. Ou seja, não existe nada oficial, nada assinado. Desta forma, para segurarmos Pierre, só resta uma alternativa, que exige um esforço em duas frentes: 1) sensibilizar o jogador, fazendo-o mudar de idéia e ignorar seu empresário que está com cifrões no lugar das pupilas, e isso só é possível através de manifestações maciças da torcida; e 2) a diretoria precisa dar a Pierre o status que ele já faz por merecer, e remunerá-lo como um verdadeiro ídolo da torcida palmeirense – talvez não um montante que cubra a proposta árabe, mas o suficiente para que ele se satisfaça financeiramente e sinta o reconhecimento do clube por todas suas esplêndidas atuações.

O apelo em peso da torcida, de todas as formas que for possível, somado a um bom reforço financeiro em seus vencimentos, podem ser suficientes para que ele reveja a tendência que parece bem definida.

Engrosso o coro que já havia se iniciado na Internet, especialmente no PTD:

FICA, PIERRE!
FICA, PIERRE!
FICA, PIERRE!
FICA, PIERRE!

31 de julho de 2009

Lembrete

Arquivado em: Torcida — conrado @ 15:05

Pessoal, ainda há tempo para mandar material a ser analisado pela comissão avaliadora, para a seleção de músicas que farão parte do CD da torcida do Palmeiras e que serão entoadas no Palestra durante os jogos.

Aproveitem o final-de-semana. Estamos perto de 100 sugestões recebidas, mas quanto mais, melhor. Por favor, enviem o material para parmerista@gmail.com

Mais detalhes, pra quem tá perdido, neste post.

29 de julho de 2009

De novo, Obina

Arquivado em: Diretoria, Especulações, Futebol, Jogadores, Torcida — conrado @ 13:49

Não tem como não voltar à questão. Depois de domingo, Obina deve ter feito bastante gente mudar sua opinião a respeito dele. Assim é o futebol. Diz o meu amigo Chavão: “futebol é momento”.

Por ocasião de sua contratação, a respeito de um atacante que não havia feito gols ainda em todo o ano, inclusive em todo o fraquíssimo campeonato carioca; que tinha acabado de perder dois pênaltis seguidos pelo Flamengo, e que estava absurdamente acima do peso, eu fui radicalmente contra. Ainda mais porque ele tinha traços de grossura indisfarçáveis. Aliás, continua tendo: a furada no jogo contra o Náutico e o auto-desarme no Derby, só pra citar os dois mais recentes.

É claro que eu não estou aqui só para cornetar o Obina e olhar seus defeitos. A contrapartida existe. Ele dá suas engrossadas, mas não é como o Gioino ou o Roger, que a bola ia SEMPRE na canela. Obina é capaz de fazer jogadas que requerem alguma habilidade. Sua grossura não é crônica; ele sofre de espasmos de grossura, vamos assim dizer.

Assim como tem momentos de brilhantismo, que também não são constantes. Obina fez um golaço em Curitiba, que não valeu. O que valeu, foi na raça. Fez outros sete, sendo três no gambá. É vice-artilheiro do campeonato, tendo chegado ao time depois do início da disputa. O gol de cabeça no Derby foi dificílimo, seu mergulho seguido pelo seu movimento de cabeça perfeito deu à bola a direção exata: última gaveta.

Ele está feliz, está fininho, motivado, e rendendo, coisa que não acontecia em seu antigo clube. Admito, não esperava por isso. Pedi: cale minha boca, Obina. Ele calou, apesar das engrossadas.

Mas e agora? O mercado está aberto e temos que decidir que características de jogadores devemos buscar. Podemos ir de Obina mesmo, pra devolvê-lo no fim do ano. Ou vamos de Obina, pra já e pra Libertadores do ano que vem, e pagamos os R$4 mi? Ou então vamos de Obina e no fim do ano a gente vê o que faz, e dane-se o planejamento? Ou vamos pra cima de um centroavante confiável, nem que seja só por empréstimo, pra ir até o fim do Brasileiro? Ou então vamos atrás de um puta atacante pra ficar bastante tempo, até o fim de 2010, pelo menos?

Às vezes ser dirigente de futebol parece fácil, olhando de fora, não é?

Futebol é momento. Mas convido-os a pensarem não como torcedores, mas como gestores, que têm que prever os próximos momentos.

***

Por falar em “ser dirigente é fácil”, a Traffic anunciou que Pierre e CleitonX não saem até o fim do campeonato de jeito nenhum. É um jeito diferente de dizer: “estamos negociando a venda do Diego Souza”. Caso a infeliz venda se concretize, a torcida só aceita dois nomes para a reposição: Alex ou Valdivia. Qualquer outro desfecho e teremos problemas à vista.

Pessoalmente, se fosse para escolher agora entre um dos três, eu manteria o Diego Souza no time.

28 de julho de 2009

O Palestra, enfim, um caldeirão

Arquivado em: Torcida — conrado @ 15:52

Já debatemos algumas vezes neste espaço a necessidade de se fazer do Palestra um caldeirão, e em todas as vezes a conclusão a que se chegou foi que os maiores problemas em se atingir isso são que as músicas puxadas pelas organizadas, em sua maioria, não são conhecidas ou não são do agrado do não-organizado, e que as nossas duas organizadas mais siginificativas não se bicam, e uma atravessa o canto da outra.

Reverter essa situação e fazer do Palestra um inferno para qualquer adversário é um grande desafio. E a recém-criada Diretoria de Relacionamento com o Torcedor, encabeçada por Paulo Niccoli, encarou a parada. A solução passa por diversos estágios, que envolvem muita conversa com muita gente, e bastante trabalho.

Uma das frentes de trabalho é criar as músicas. Mas ora, se a música será entoada por dezenas de milhares de palmeirenses nas arquibancadas, nada mais justo que as músicas a serem adotadas venham das próprias arquibancadas.

Desta forma, o clube solicitou ao blog Parmerista! que desse o pontapé inicial na busca por esse material. Tudo o que for captado será julgado por uma comissão, formada por músicos, membros da mídia palestrina, membros das organizadas e palmeirenses notáveis. Mas só os que vão aos jogos e sabem exatamente o que é estar numa arquibancada, os que sabem o que o time quer escutar quando precisa de incentivo. Nada de pára-quedistas. O material selecionado fará parte de um CD que será gravado e distribuído para a torcida.

Portanto, você que já pensou nisso, que já teve suas idéias de gritos novos, que já imaginou um dia o Palestra gritando uma música que você  “compôs”, a chance é essa. Mais para a frente, serão divulgados mais detalhes do concurso. Por enquanto, é hora de começar a pensar, vão preparando o material. Assim que tiverem algo pronto, enviem para parmerista@gmail.com. Vale música original e paródia. Vale arquivo sonoro, video no YouTube, ou simplesmente a letra digitada mais a indicação da música parodiada.

Este blog fica muito honrado em servir como instrumento de apoio numa ação tão importante como essa. E tem a certeza que você, leitor, também ficará, ao participar dessa seleção de material. Por favor, divulguem este post em todos os fóruns possíveis, vamos botar a torcida pra pensar, rapaziada!

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