O blog Cruz de Savóia é mais um desses fenômenos da blogosfera. Escrito por um certo Raphael, que até já me recebeu em um churrasco em sua casa – churrasco da “mídia palestrina”, ora vejam – o espaço primou, em seu início, por criticar o bambi com uma virulência ímpar. Ele pegava na veia. Apesar dos exageros e das ilações inacreditáveis, contra bambi todo castigo era pouco. Eu gostava.
Certo dia, seu espaço, hospedado no blogspot, saiu do ar, por algum motivo. Foi o suficiente para que ele achasse que era uma conspiração bambi, que usaram seus poderes ocultos para tirarem seu blog do ar. Blog pouquíssimo conhecido, ainda buscando seu espaço. Assim, Raphael começou a revelar algo até então reprimido: sua obsessão pela audiência a qualquer custo.
Recebeu o apoio de blogueiros já estabelecidos, que compraram sua história e prestaram solidariedade. Alimentou-se alguém que prima por mensagens de ódio. Assim, foi criado um monstro. Em vez de buscar seu espaço de forma humilde e decente, como todos os blogs iniciantes, através da qualidade de seus textos, ele preferiu o atalho. O sensacionalismo. Muito semelhante, aliás, a um certo blogueir1NH0 que ele critica tanto. A partir desse episódio, sua audiência cresceu bastante.
Gosto não se discute: ele passou a exibir uma atração incrível por enaltecer as coisas que envolvem o gambá. Questão de higiene, não me intrometo.
Assim que passou a gozar de certa audiência, passou a se comportar como um super-herói defensor da torcida palmeirense, especialmente os menos favorecidos financeiramente. E aí meteu os pés pelas mãos. Essa foi sua opção: ser contra tudo o que a diretoria atual faz, usando como pretexto as frases estúpidas proferidas pelo então vice-presidente Ebem Gualtieri quando tentou justificar um aumento no preço dos ingressos, ainda na gestão passada. Levantou então a bandeira de ingressos baratos. Simpaticão, né?
Ele é mal informado. Para ele, o fato de Ebem Gualtieri hoje ter um cargo na diretoria faz da atual gestão um prolongamento da anterior. Se conhecesse só um pouco da política palmeirense, saberia que Ebem hoje é mera figura decorativa na diretoria, resultado de composições necessárias por ocasião da eleição – assim é o Palmeiras.
Só enxerga o que quer, e, convidado a ter uma visão mais próxima, para poder ter propriedade para escrever, escondeu-se. Os colegas Barneschi, Junior Torres e Giocondo, que têm uma linha parecida, foram junto com vários membros da mídia palestrina a uma reunião na casa do prof. Belluzzo, para ouvir. Ninguém é obrigado a concordar ou a acreditar no que foi dito. Mas foram lá ouvir, olho no olho. É mais legítimo criticar tendo estabelecido um contato mais próximo. Sua crítica ganha autoridade. Mas Raphael tinha escrito aquela semana, diante de um novo aumento nos ingressos, que o Palmeiras era um clube de filhos da puta. E aí teve medo de encarar o presidente.
Essas frases de efeito são mais uma evidência de sua obsessão pela audiência. Como ele pode dizer que o Palmeiras é um clube de filhos da puta? Claro que todo mundo vai ler. Mas que frase é essa???
Teve medo, faltou. Podia ter comparecido à reunião, e estabelecido um canal interessante. Podia usar a abertura que o presidente concedeu para levar a ele o que pensam seus leitores, e vice-versa, sempre com o devido viés crítico. Mas seu medo fez com que se tornasse definitivamente “o cara do contra”. O que para ele, em sua sanha por conseguir audiência, não é de todo uma má idéia. Ser o contraponto, de qualquer forma, gera números.
O mais interessante é que ele não usa essa audiência para tirar nem uns trocados. Na única vez que conseguiu isso, na campanha da 54M5UN6, deu um jeito de sair de lado para não sair na foto com os membros da mídia palestrina lá presentes. A audiência que ele busca é apenas para inflar seu ego enorme.
Desde então, quem estreitou o canal com a direção do clube só recebe desse blog alcunhas que ele dirigia costumeiramente aos bambis. Assim, não sabe absolutamente nada do que acontece no clube, e seus posts têm o mesmo grau de informação de quem não tem a oportunidade de morar nesta cidade e observa tudo de longe, como o Marcelo, do Binóculo, que sabe lidar bem com a distância e mantém uma linha mais observadora, como o próprio nome diz. Para o Cruz, quem informa de forma mais acurada, é puxa-saco, é alvo de sua ira.
Esta semana ele ficou mansinho. Tinha fontes abalizadíssimas. Garantiu que a diretoria já tinha tudo acertado com Muricy. Todo o jogo de informações e contra-informações era teatro, para entreter a torcida enquanto o golpe nos corações alviverdes era dado: as terríveis vendas de Diego Souza e Pierre. Muricy não veio, Diego não tem nada fechado com ninguém, apenas ouve propostas, e Pierre está muito perto da renovação. Pois é.
Sem medo de errar: boa parte da insatisfação da torcida hoje se deve à certeza que esse blog pregou, aos quatro ventos, de que Muricy já estava contratado. É um blog com grande audiência, porque seus textos são atraentes. Mas não passou na prova de fogo da credibilidade, mesmo abrindo espaço a uma foca experientíssima jornalista de 24 anos que se arriscou a escrever a respeito (e que não é leviana, apenas afirma categoricamente que este blogueiro se presta ao papel de dizer o que a diretoria quer em detrimento da própria opinião, e que todos os leitores deste blog estão sendo enganados. E é medrosa, tanto quanto o dono do blog, já que não dá nomes a quem acusa. Mas leviana? Imagina, não é não…). E assim potencializou o efeito da decepção que o erro do presidente ao abrir um Twitter para fazer o comunicado causou.
Este blog não vai abrir guerra contra ninguém. Entendo que devemos, no limite, remar todos na mesma direção: o bem do Palmeiras. Cada um à sua maneira, como bem entende, sem dúvida. Mas não consigo entender como um blog que tem como linhas principais louvar os gambás, e atacar todos os outros blogs palmeirenses, sem justificar esse posicionamento, simplesmente para amealhar mais audiência, pode ser uma bandeira positiva para o Palmeiras.
Ele escreve muito bem, tem um ótimo texto (não tão bom como seu irmão André, do Blog do Meu Saco), mas não usa esse talento para construir, só para destruir. Uma pena. Este post certamente vai levantar mais ainda sua audiência, o que já o deixará feliz. E mais ainda, dará motivos para que ele desfie mais um caminhão de impropérios a este blogueiro, como é seu costume. Pior, o faz de forma velada, sem coragem de citar os nomes. Mas que os leitores do Parmerista! saibam que o silêncio em relação ao Cruz de Savóia até agora, mesmo diante dessa campanha insana, e que voltará a reinar daqui para a frente, são pelas razões acima descritas. Não será mais gasta vela boa com defunto ruim. Já basta este longo post.
Lamento profundamente. E bola pra frente.